Fulano chorou. Fulano é fresco. Não, cara, Fulano é emotivo, é um sensitivo, uma pessoa que se abate com as coisas, sabe? (…) Você se abala quando as coisas acontecem com as pessoas que você ama. Então você tem uma crise de choro em público: ‘nego’ fala que você é fresco. Como é que sabe se eu sou fresca? E se eu for fresca, não tenho o direito de ser fresca? Que que é ‘não ser fresco’, o que é 'ser fresco’? Que estupidez, que truculência, sabe? Que violência! Não se permite mais ao ser humano o direito de uma lágrima. Não se permite ao ser humano uma palavra agradável, porque é bobo, 'olha que cara antigo’. A gente aceitou a truculência, a gente convive diariamente com a estupidez e com a bestialidade, acostumou com isso. Atenção, moçada, não é isso! Não é isso, não foi pra isso que a gente veio ao mundo.