Aqui vai um texto muito bom, e que consegue capturar exatamente como é viver fora. Seja um país melhor, seja um pior, a verdade é que, ao sair do seu país, você nunca mais vai se sentir 100% em casa, pois deixará de pertencer a um lugar, para pertencer a (pelo menos) dois.
Isso volta a um ponto importante: viver fora é algo fantástico, mas, como tudo na vida, há um preço. Quando dizemos (eu e várias outras pessoas) que viver fora não é para qualquer um, queremos dizer que não são muitas as pessoas que querem pagar esse preço. Todos querem uma vida em um país mais desenvolvido, é claro... da mesma forma que todos querem um bom emprego.
Não quero chover no molhado, então vou ser relativamente sucinto. Há duas perguntas recorrentes que recebo por e-mail. Uma tem resposta óbvia; outra, nem tanto.
1. A óbvia: por que sair do Brasil?
A única coisa que o Brasil possui e que me faz falta são amigos e família. Todo o resto é dispensável. Segurança, saúde, educação e infraestrutura são assuntos tão batidos que sequer vou explorá-los aqui: é óbvio que o Brasil é péssimo em qualquer um destes quatro tópicos. Vou, em vez disso, falar sobre contra-argumentos comuns que muitas pessoas trazem. Talvez a pergunta que você deva se fazer é: por que NÃO sair do Brasil?
Contra-argumentos comuns:
a) Mas o clima brasileiro é tão bom
Isso é obviamente relativo. Se você gosta de frio, como eu, existem n opções. Aliás, parece haver uma correlação entre temperatura e desenvolvimento: veja bem, a maioria dos países desenvolvidos tem clima ameno ou frio. Falo de países com alto IDH, não alto PIB. Os EUA, por exemplo, não são, na média, um grande exemplo de IDH. Suécia, Finlândia, Noruega, Islândia, Itália, Alemanha, Japão, Canadá.
Se você gosta de calor, o sul dos EUA pode ser uma opção—embora eu ache a Austrália bem mais interessante se o assunto for imigração.
Frio: como sou do Rio Grande do Sul, posso dizer que passo muito mais frio em Porto Alegre do que em Montréal. Aqui, o interior de qualquer prédio está sempre a 22º no inverno. Em casa, uso apenas uma camiseta, mesmo quando faz -22ºC na rua. A infraestrutura é ótima, e tendo a roupa certa, o frio realmente não é o empecilho que muitos imaginam. Montréal tem diversas atividades de inverno, como patinação no gelo, festivais na neve e outros esportes em espaços públicos. Posso sinceramente dizer que tenho mais opções de entretenimento aqui no inverno do que em Porto Alegre no verão.
A Austrália tem um clima bastante parecido com o do Brasil. Portanto, há um país desenvolvido com o clima que você quiser. O clima, então, não pode fazer parte de nenhum argumento contra sair do Brasil.
b) Comida
Se você é bastante conservador e só come comida brasileira, talvez seja complicado. Existem vários restaurantes brasileiros pelo mundo, mas você não vai querer comer sempre fora, certo? Eu diria que as chances de alguém que viaja só gostar de comida brasileira são pequenas. Variedade gastronômica é uma das coisas mais interessantes sobre conhecer outras culturas, e aproveitar isso faz parte do "conhecer o mundo". Grandes cidades têm restaurantes de tudo quanto é lugar. Montréal tem uma variedade muito grande de restaurantes: tailandês, japonês, vietnamita, indiano, mexicano, italiano, americano, coreano... grego. E não são poucos ou raros: em um raio de 1Km de onde moro, consigo encontrar qualquer um desses que acabei de citar. Essa é uma grande vantagem de se morar em uma cidade como Toronto ou Montréal: pluralidade de culturas é (quase) sempre ótimo.
c) Simpatia do povo
Se você já esteve em Porto Alegre ou Curitiba este contra-argumento talvez faça sentido para você também. Se você faz questão de abraçar todo mundo que vê pela frente, talvez sair do Brasil possa não ser uma boa ideia. O comportamento social é um pouco mais reservado, é verdade. Mas posso dizer que no geral a educação do povo não tem comparação: ninguém sai conversando amigavelmente comigo em Montréal, mas ninguém me assalta. Além disso, os canadenses são conhecidos por serem muito simpáticos e "helpful". Se você precisa de ajuda, as pessoas sempre estão dispostas a ajudar.
2. Por que o Canadá? Aqui estão as minhas razões:
a. Qualidade de vida: um dos melhores países para se viver;
b. Localização geográfica: américa do norte, perto tanto dos EUA quanto da Europa;
c. Educação: universidades de ponta;
d. Baixa corrupção;
e. Custo de vida atraente;
f. Economia estável;
g. Quantidade de habitantes;
Eu saí do Brasil porque a minha meta número 1 é maximizar a qualidade de vida. Para mim, de nada adianta um ótimo salário no Brasil se precisarei ter cuidado ao sair de casa com um carro que comprei com o meu merecido salário. A corrupção, a falta de educação e noção do povo e, principalmente, a violência são repelentes naturais: ninguém quer isso. Além disso, trata-se de uma decisão que implica outras pessoas: supondo que no futuro eu tenha filho(s), certamente não quero que ele/a cresça no Brasil.
É claro que sair do Brasil com um bom plano não é fácil. Passei aproximadamente 10 anos pensando em como eu poderia finalmente morar fora. Em outros posts, vou explicar melhor como isso acabou acontecendo em 2012, 4 anos depois de ter visitado o Canadá pela primeira vez e 2,5 anos depois de iniciar de fato o plano de imigração.