Um, dois, três. Um, dois, três. Um, dois, três.
Era esse o mantra que se repetia na cabeça de Hugo Weasley a cada vez que ele acertava o balaço contra o caule sem vida de um velho esqueleto de carvalho-branco, localizado nas margens do Lago Negro, que estava há pelo menos quinze minutos recebendo os golpes da bola enfeitiçada que o ruivo rebatia com tanto ímpeto.
Estava furioso. A pele branca era agora tomada de um tom quase tão vivo quanto o de seus cabelos rubros, e os olhos castanho-escuros eram marcados pelas grossas sobrancelhas franzidas em v - uma expressão quase irreconhecível na face de um garoto que era costumeiramente visto com um largo sorriso nos lábios.
Era difícil Hugo se irritar com qualquer coisa, o que significa que algo muito errado deveria ter acontecido para ele estar tão possesso ao ponto de precisar descontar a raiva daquela forma.
—– Acabei de ser expulso do meu próprio vestiário —– explicou à pessoa parada ao seu lado, intercalando uma palavra e outra com uma batida no balaço que vinha em sua direção. —– Você tem noção do quanto eu ralei pra merecer a capitania do time? Imagina a minha cara quando soube do cancelamento dos treinos! —– Bufou, sentindo o braço começar a exigir descanso. —– E como assim aulas de cultura bruxa para nascidos-trouxa? Fim dos banquetes de Natal? Mural de regras?! Isso não é o tipo de coisa que aconteceu em Hogwarts há mais de vinte anos? Umbridge, coisa e tal? —– Mais uma batida. —– Que tipo de bosta é essa? Não, tem que haver algo errado —– disse, tentando convencer mais a si mesmo do que ao seu ouvinte. —– Neville... Neville não faria isso, conheço ele desde pequeno e simplesmente não... não consigo entender. Ele não faria isso de forma alguma —– ou faria? Ah, eu já não sei de mais nada. Mas então... O que explica tudo isso?










