@weashug
----- Mon amour, finalmente te encontrei. Onde você estava, hum? Fiquei te procurando durante horas, sabia?

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----- Mon amour, finalmente te encontrei. Onde você estava, hum? Fiquei te procurando durante horas, sabia?
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Galera, como todo mundo sabe, começaram as férias de verão. Mas o que quase ninguém sabe é que o Hugo vai viajar nesse período, então vou esclarecer algumas coisas aqui pra não confundir ninguém.
O Hugo realmente não faz ideia do que quer fazer da vida. Na verdade, eu mesma, adm dele, tenho sofrido bastante pra pensar em algo que se encaixasse com ele. Então, decidi que o gostosão aqui vai passar os dois meses viajando sozinho porque acho que ele precisa conhecer o mundo fora da “bolha” pra descobrir o que realmente quer fazer na vida.
Então, ele vai passar duas semanas por si só em Edinburgh (Escócia) e Dublin (Irlanda). De lá, ele vai pegar um avião (porque não pode aparatar ainda) para a Noruega e fazer um estágio no CPCMN (Centro de Pesquisas de Criaturas Mágicas da Noruega), ou NMCRC (Norway’s Magical Creatures Research Center), na companhia do tio Charles, que trabalha com dragões e outras doidera do tipo.
Tô dizendo isso pra explicar duas coisas:
1. Planejo postar uns 3 POVs sobre isso, então tô deixando tudo explicado pra quem tiver a paciência de ler não ficar perdido quando ler coisas como “Irlanda” , “Dragões”, “Tio Charles” etc.
2. Chats. Gente, o Hugo vai poder trocar mensagens/fazer chamadas de vídeo apenas nas duas semanas iniciais; depois disso, vai perder o sinal do celular e depender de cartas pra se comunicar com os outros. Então, se alguém tiver plot com ele e quiser trocar alguma cartinha ou cartão postal (KKKK), chama nois <3 De resto, vou deixar um starter no formato de sms pra galera mais distante, porque não vou poder responder nada que esteja fora do formato sms/carta. NOIS TEM Q SER COERENTE NE NÃO?
Enfim, é isso. Falo muito? Falo muito. Eu ligo? Não.
Então é isso, abs e obg pela atenção <3
Find where I belong - Part lll
Not good enough
O Norway’s Magical Creatures Research Center era um lugar inimaginável. Consistia em um complexo de instalações extremamente modernas, laboratórios de dimensões monumentais e viveiros do mais alto nível de infraestrutura. Era difícil até mesmo para um bruxo não olhar com incredulidade para aquele lugar.
Hugo estava simplesmente fora de si. A cada passo que dava encontrava algo novo para que olhar. Estava fascinado tanto pela grandiosidade do Centro em si quanto pela expectativa de passar o restante das férias ali.
Não imaginava que dentro de poucos minutos todas as expectativas que havia criado se quebrariam como vidro, mas, naquele momento, simplesmente não conseguia parar de pensar em como havia feito a escolha certa ao resolver procurar um estágio por lá.
- Hugo – Tio Charles, que caminhava logo ao seu lado, chamou-lhe a atenção. – Hugo, chegamos.
Estavam de frente a uma imponente porta de madeira e vidro, sobre a qual encontrava-se pregada uma placa com os seguintes dizeres:
“Doutor Howard Moskovitch: coordenação e análise de pesquisas.”
- Você está com tudo, né? – O mais velho questionou, erguendo uma das sobrancelhas. – Pegou suas cartas? Seu histórico escolar? Não se esqueceu da recomendação de McGonagall, esqueceu?
A cada pergunta, Hugo fazia um meneio positivo com a cabeça. Podia ser um garoto desleixado, mas aquele estágio significava demais para ele se esquecer de trazer algum dos documentos.
- Tudo aqui. Pode botar fé que tá tudo aqui – ele respondeu, confiante.
- Ótimo – Charles suspirou, cruzando os braços. – Agora, Hugo, escute: não se surpreenda se o professor não for… bem, muito… afável. Com o tempo você vai se acostumar.
Hugo assentiu mais uma vez, sério.
- Pode deixar.
Então, lançou os nós dos dedos contra o batente da porta, sentindo a ansiedade gradualmente tomar conta de seu corpo.
- Pode entrar.
Então, despedindo-se do tio com um sorriso e um aceno desengonçado, Hugo girou a maçaneta e empurrou a porta, encontrando-se frente a um majestoso escritório, no meio do qual um homem de aparência ranzinza encontrava-se sentado. Era baixo, tinha cabelos cinza e aguados olhos azuis.
- Com licença, professor.
- Weasley, não é? – O homenzinho perguntou, observando-o com uma expressão indecifrável. – Estava imaginando quando o senhor iria aparecer. Sente-se.
Levemente sem jeito, Hugo arriscou alguns passos até alcançar a escrivaninha onde o homem encontrava-se sentado. Então, puxou uma cadeira e acomodou-se nela, tamborilando impacientemente os dedos sobre o braço.
- O senhor veio aqui a procura de um estágio, estou certo?
- Aham. Sim, é isso aí – Hugo respondeu, abrindo um sorriso.
O sorriso não foi retribuído.
Um pouco tenso, o ruivo resolveu afastar-se da incômoda sensação de constrangimento e tirou do bolso uma papelada, a qual ele prontamente ofereceu ao professor.
- Aí o senhor vai encontrar meu histórico escolar e algumas referências. Também trouxe uma carta de recomendação de Minerva McGonagall e Rubeus Hagrid – adicionou, ansioso, puxando do bolso da calça mais dois envelopes. Um deles era amarelado, pequeno e muito amassado – claramente, a carta de Hagrid.
Enfiou as mãos no bolso do casaco enquanto esperava qualquer reação por parte do professor. Suas mãos, trêmulas, moviam os dedos nervosamente. Em enorme expectativa, o rapaz aguardou enquanto observava o professor abrindo os envelopes e analisando cada um dos documentos neles guardados.
O processo não durou mais de cinco minutos, mas, para o Weasley, pareceu uma eternidade.
- Você é bom. Mas não o suficiente – o homem concluiu, inabalável, estendendo ao garoto um pedaço de papel. – Procure Jeff Young. Ele será seu tutor.
Hugo só percebeu que estava parado como uma estátua quando se viu obrigado a pegar o documento que o homem lhe oferecera. Ainda com os lábios paralisados e meio abertos, ele leu, com a cabeça zunindo, o que havia ali escrito.
- “Departamento de higienização de viveiros e jaulas”? – Ergueu a cabeça, perplexo. – Professor, deve haver algum engano. Eu vim até aqui para estudar…
- Estudar criaturas mágicas. Sim, sim, sim. Eu sei. É o que todos dizem – o professor respondeu, deslizando os dedos calos pela mesa, sem muito interesse. – Essa nova geração está infestada de cabeças ocas que acham que podem ser grandiosos em um estalar de dedos. Vêm até aqui iludidos de que são capazes de domar um dragão, quando nem ao menos sabem segurar um pelúcio direito. Sinto muito, garoto, mas um Newt Scamander só aparece uma vez a cada cem anos.
Gradualmente, Hugo sentiu o sangue tomar-lhe as bochechas e a ponta do nariz. Se pudesse olhar-se no espelho, notaria uma incrível semelhança com um tomate maduro.
- Professor, eu não estou pedindo muito. Estou pedindo para me deixar estudar. Só isso. Eu… Eu atravessei quilômetros pra chegar até aqui. Meu tio Charlie me disse…
- Charles! O quê, você acha que isso lhe dá algum crédito? Escute bem, Weasley: Charles pode estar aqui há muitos anos – e até ter ganhado algum respeito com isso -, mas eu comando isso tudo muito antes de você sequer pensar em nascer. Eu decido para onde você vai, o que vai fazer e com quem irá trabalhar. Agora, eu não sei até que ponto seu sobrenome lhe sobe a cabeça, mas quero que tenha consciência de que ele não significa nada para mim. Não pense que ser um Weasley te torna, de alguma forma, diferente dos outros.
- Mas vocês me ofereceram um estágio! – Hugo insistiu, simplesmente perplexo. Definitivamente não sabia como aquela conversa havia tomado um rumo tão diferente do esperado.
Se eu tivesse me inscrito pra catar bosta de bicho eu tinha ficado em casa limpando o puleiro do Beto.
- A oferta permanece – o professor respondeu, erguendo as sobrancelhas grisalhas. Conduzia suas respostas como se já tivesse tido aquele diálogo milhares de vezes; e talvez tivesse, mesmo. – O próprio fato de o senhor poder ter uma experiência de trabalho em um lugar de tamanho reconhecimento e excelência provavelmente já é mais do que seria sensato oferecer a alguém da sua idade, sr. Weasley.
Aquilo era ridículo. Por que raios Hugo não conseguia se fazer entender? Merlin, não estava pedindo para montar num dragão. Estava pedindo pelo estágio que lhe havia sido oferecido, o qual prometia ensiná-lo alguma coisa. Por incrível que seja, ele estava apenas insistindo para poder estudar.
Os maxilares de Hugo travaram-se, coisa que o ruivo tinha o hábito de fazer sempre se sentia fora do sério. Nunca havia sido tão mal interpretado em toda a sua vida. Ele balançou a cabeça, furioso e humilhado ao mesmo tempo; e talvez tivesse até cedido ao impulso de revidar, se não quisesse tanto uma chance para provar àquele homem que seu julgamento estava terrivelmente enganado.
Ao invés disso, ele apenas respirou fundo, sentindo a cabeça latejar, e lembrou-se do que sua mãe lhe dissera quando o deixara na plataforma do trem.
“Seja humilde, mas saiba do seu valor, porque algumas pessoas vão tentar te fazer esquecer.”
- Onde eu posso encontrar Jeff Young?
Deitado em uma posição um tanto quanto desleixada, Hugo encarava fixamente o teto enquanto seus dedos ligavam e desligavam ininterruptamente o desiluminador em suas mãos. Sob o oscilar instável da luz do quarto, o Weasley sentia como se estivesse passando por vários e vários dias em branco; dias que se seguiam rapidamente enquanto ele apenas se limitava a observar.
Embora o quarto estivesse imerso no mais perfeito silêncio, Hugo não conseguia afastar-se da onipresente sensação de incômodo. Sua cabeça não cedia à tranquilidade do ambiente; e tudo, absolutamente tudo que lhe ocorria em pensamento, de um jeito ou de outro, arrastava-o à lembrança do episódio de mais cedo.
“Você é bom. Mas não o suficiente.”
Não, não conseguia entender. Aquela já era a milésima vez em que o ruivo performava uma autópsia naquele diálogo e era a milésima vez em que ele se encontrava de mãos abanando, sem respostas.
Feliz ou infelizmente, os questionamentos do garoto desmancharam-se quando ele foi sobressaltado por um barulho na porta.
- Hugo, posso entrar?
- Fica à vontade – ele respondeu, deixando o desiluminador de lado e erguendo a coluna para sentar-se ereto sobre a cama. Afastou os inúmeros cadernos e livros que havia espalhado ali para dar espaço ao tio, que logo sentou-se ao seu lado.
- E então, como você está? – Charles perguntou, observando o sobrinho com curiosidade.
Hugo soltou uma risada seca, balançando a cabeça enquanto trazia os joelhos para perto do peito.
- Puto.
Charles riu, copiando a posição do mais novo e abraçando as próprias pernas.
- Eu sei, eu sei. Vi as luzes – ele disse, indicando o lustre e então o desiluminador com os olhos claros.
Hugo apoiou o queixo sobre o joelho, pendendo levemente a cabeça para o lado enquanto tentava encontrar a melhor forma com a qual se expressar.
- Porra, tio. Eu não sei o que rolou ali. Esse cara é assim mesmo ou o problema é comigo?
- Howard Moskovitch é um homenzinho difícil. Não gostava de mim porque meu sobrenome não impunha muito respeito. Agora, não gosta de você porque nosso sobrenome impõe respeito demais – Charles riu, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Observou, levemente receoso, o semblante sério no rosto do sobrinho.
Sentindo como se estivesse enclausurado em uma jaula, Hugo tentou dizer alguma coisa em resposta. Tão logo se arrependeu e seus lábios congelaram-se em uma expressão de perfeita incredulidade.
- Escute, Hugo. Eu sei que as coisas não estão sendo como você queria. Mas é assim que o mundo funciona. A vida real é injusta – o mais velho constatou, pendendo a cabeça para o lado.
Hugo virou o rosto para o tio, as sobrancelhas um pouco franzidas.
Talvez fosse por ter seguido uma carreira nada convencional, mas o fato é que Charles parecia ser o mais jovial entre os tios de Hugo - mesmo sendo o mais velho de todos. Às vezes parecia mais um irmão do que qualquer outra coisa. Suas palavras sensatas, porém, levaram Hugo à conclusão de que a sabedoria da idade chegava para todos; e, embora ele não quisesse aceitar, sabia que Charles estava certo.
Ninguém disse que seria fácil, afinal.
- Eu sei que você tá certo, tio. Juro. Mas puta que pariu, isso é muito injusto. Tudo bem, o mundo é assim mesmo e tudo mais, mas isso não significa que eu devo me conformar.
- Ah! Mas não estou dizendo para você se conformar.
- Mas então o que eu faço? – Hugo exclamou, erguendo os braços em um movimento explosivo. Tudo em que conseguia pensar era o olhar descrente do coordenador. – O que é que eu faço?
Charles sorriu.
- Apenas seja Hugo Weasley.
gata se vc fosse um peido eu não te soltava nunca
Tão delicado, dá vontade de dar um monte de beijo nas bochechas.
Ao anônimo que disse que ama demais o rp, mas não tem coragem de entrar: (leia na voz do Silvio Santos) VEM PRA CÁ, VEM PRA CÁ! Aqui é que nem coração de mãe, sempre cabe mais um <3
(leia no ritmo do jingle da Caixa) Vem pro Patronus você também, vem! Acho bem válido, apenas, nós temos os players mais legais do mundo, personagens fodásticos, plots maravilhosas, só coisa boa minha gente!
Hugo’s POV: You must be a Granger
Hugo respirou fundo, encarando a imponente entrada para a sala de McGonagall. Filch o observava de esguelha, mantendo um sorrisinho maldoso, como se pudesse sentir a aflição do ruivo. Então, sussurrou a senha de entrada para o aposento e, quando Hugo colocou-se nas escadas que levariam à sala da diretora, ainda teve tempo de ouvir:
- Dessa vez não há planos mirabolantes para salvá-lo, heh, Weasley?
Então, rindo, Filch lhe deu as costas enquanto as escadas subiam para o andar acima. Ao alcançar o aposento, Hugo pigarreou, nervoso.
- Professora McGonagall?
- Entre, sr. Weasley.
Respirando fundo, Hugo adentrou a sala. As figuras nos enormes quadros que rodeavam a sala lhe acenaram, assentindo levemente com a cabeça. Uma delas sorriu para o menino.
- Boa tarde, Hugo!
Hugo retribuiu o cumprimento com um sorriso sem graça, enfiando as mãos nos bolsos. Então, dirigiu-se à mesa onde a velha diretora se encontrava sentada, observando-o com atenção. Seu semblante sério lembrou a Hugo uma estátua ranzinza.
- Sente-se, sr. Weasley.
Prontamente, Hugo sentou-se na cadeira frente à escrivaninha da professora, ajeitando-se com certo constrangimento. Queria dizer alguma coisa, mas pensou que seria melhor esperar a professora se pronunciar antes. Ficaram em silêncio por alguns minutos, enquanto McGonagall escrevia alguma coisa em um pergaminho. Por fim, enrolou-o em um laço vermelho e apoiou-o sobre um dos livros que a rodeavam. Finalmente, dirigiu seus olhos penetrantes a Hugo.
- Hoje o sr. Blackwood me entregou o seu formulário de detenção – Minerva disse, erguendo da escrivaninha uma pasta surrada e abrindo-a sob a luz que emanava da velha luminária. Levou a mão enrugada ao nariz, onde ajeitou os óculos redondos enquanto seu olhar percorria seja lá qual fosse o documento que se encontrava ali dentro. – Bombas de bosta no corredor… e atiradas sobre todo o time da Sonserina – sentenciou, fechando a pasta em um movimento rápido que sobressaltou o ruivo. O olhar perspicaz de McGonagall fixou-se em Hugo, o que fez com que o garoto se sentisse um tanto exposto. – Um pouco… ousado demais, até mesmo para você, sr. Weasley. Achei que seu acidente no segundo ano tivesse o alertado quanto às consequências desse tipo de artimanha. E eu bem sei que o senhor desenvolveu um certo… talento – não que essa seja a palavra adequada – para se livrar de encrencas. Então, quando soube do ocorrido, não pude deixar de me perguntar… Não, de certo não pude… O que despertaria tamanha revolta no senhor para arriscar-se dessa forma? O que poderia leva-lo a abandonar a sua aparente engenhosidade para esse tipo de artimanha? Porque, sejamos francos, sr. Weasley, atirar uma bomba de bosta em um corredor repleto de testemunhas e em plena luz do dia é quase que um ultimato para ser levado para a detenção. E me arrisco a pensar que o senhor sabia disso.
Hugo precisou respirar fundo uma, duas, três vezes antes de reunir coragem suficiente para desviar o olhar do chão e finalmente encarar os olhos penetrantes de Minerva. Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu.
- E então? – Insistiu Minerva, paciente.
Sentindo como se as palavras estivessem presas em sua garganta, Hugo pigarreou, levando uma das mãos aos cabelos de fogo e afundando os dedos entre os fios. Por fim, começou a falar, evitando ceder ao instinto de não olhar a professora nos olhos.
- Alguém… Hm, algum jogador da Sonserina sabotou o meu equipamento de quadribol.
Então, cruzou os braços sobre o peito e percebeu, pelas sobrancelhas erguidas da professora, que aquela resposta não era muito satisfatória. Vencido, ele começou a falar tudo de uma vez; e o constrangimento que o dominava era tamanho que fez com que todas as suas palavras saíssem atropeladas e sem qualquer pausa entre as sentenças.
- Bem, eu sei disso porque hoje o campo foi reservado para eles, o que significa que ninguém mais teria acesso aos vestiários, e amanhã nós jogaríamos contra eles, aí hoje eu fui buscar minha camiseta no vestiário e vi que o meu taco tava todo cheio de óleo, de forma que eu não conseguisse rebater os balaços, e embora essa tenha sido uma ideia longe de ser brilhante, eu…
Suas palavras foram bruscamente interrompidas pela voz cortante de McGonagall.
- Pelas barbas de Merlin, sr. Weasley, respire! – exclamou, balançando a cabeça. – Não vou colocá-lo nas masmorras, se é isso o que está pensando. Será que o senhor poderia falar com mais calma?
Hugo comprimiu os lábios, assentindo levemente com a cabeça. Talvez não soubesse muito bem como lidar com esse tipo de situação. Geralmente tinha resposta para tudo – a costumeira lábia - e dificilmente se sentia intimidado por alguma coisa, mas Minerva estava empurrando os dedos longos contra uma enorme ferida que ele estava tentando esconder; e não havia piada, gracinha ou peça que pudesse aliviar o incômodo que aquilo trazia.
- Me desculpe, professora McGonagall. O que eu estava dizendo é que alguém tentou me passar a perna porque amanhã teremos jogo. Aparentemente, pensou que eu não apareceria no vestiário hoje, já que o campo estava reservado para eles. Mas acabei passando lá porque esqueci uma camiseta, e quando me dei conta meu taco estava todo cheio de óleo. Ao que parece, a ideia era…
- Compreendi qual era a ideia, sr. Weasley – Minerva disse, interrompendo-o mais uma vez. – Mas acredito que o senhor tenha consciência de que tal trapaça não o atrapalharia de forma alguma, uma vez que o senhor perceberia que seu taco estava inutilizável antes mesmo de entrar em campo e seria perfeitamente capaz de trocá-lo por um reserva.
Desconcertado, Hugo mordeu o interior das bochechas, perguntando-se até que ponto a velha professora queria chegar.
- Então, por que o senhor resolveu dar uma resposta mesmo sabendo que a sabotagem não teria qualquer efeito?
O ruivo ajeitou a coluna contra as costas da cadeira, sentindo-se como um navio em pleno naufrágio. Ele quase podia escutar uma melodia fúnebre ao fundo, como a orquestra do Titanic.
- Professora, a senhora sabe que eu não seria capaz de não dar o devido troco a eles.
- Não em plena véspera de jogo, sr. Weasley. Como qualquer jogador dessa escola, o senhor sabe muito bem que uma detenção na noite anterior a uma partida pode comprometer gravemente o seu desempenho sobre uma vassoura.
Minerva respirou fundo, massageando a testa com os dedos, como se a teimosia de Hugo estivesse fazendo com que seus nervos queimassem. Ela fechou os olhos por um momento e, quando tornou a abri-los, seu olhar congelou até o ponto mais fundo da alma do ruivo.
- Sr. Weasley, por favor, seja franco. Há algo mais que eu precise saber?
Então, era isso. Não tinha mais contorno. Vencido pela insistência, Hugo cedeu. Dessa vez, quando o ruivo voltou a falar, não havia em suas palavras nada além de sinceridade.
- O taco era do meu tio – disse, simplesmente.
Os olhos de Minerva desviaram de algum ponto da escrivaninha e ergueram-se para o ruivo, exibindo, dessa vez, um lampejo curioso na íris.
- Perdão?
- O taco era do meu tio. Fred. Certamente a senhora deve se lembrar dele.
Era verdade. Anos antes, quando Hugo descobriu seu talento para a posição de batedor, seu tio George ficou tão feliz que o presenteou com o taco que outrora fora pertencente ao seu falecido irmão gêmeo. Hugo havia crescido ouvindo o tio contando sobre suas artimanhas com o irmão e suas vitórias no quadribol, então não havia honra maior do que tomar como seu um objeto de tamanho valor sentimental. Portanto, quando o garoto encontrou o objeto cheio de óleo, a raiva consumiu todo o seu bom senso. E foi assim que toda aquela confusão se iniciou.
Pela primeira vez desde que aquela conversa havia começado, Hugo não viu rigidez no semblante de Minerva McGonagall. Ao invés disso, ele se arriscou a pensar havia certa empatia em seus olhos. Sentindo como se um enorme peso escorresse de seus ombros, o Weasley continuou a falar.
- Com todo o perdão da palavra, professora, eu fiquei possesso – pra não dizer outra coisa. É claro que se fosse qualquer taco eu não teria tido aquela reação. A senhora sabe, meu primo Albus foi da sonserina. Alguns grandes amigos meus são da sonserina. Certamente eu não deixaria isso pra lá, mas definitivamente não pregaria uma peça em todo o time, ainda mais sabendo que ninguém teria dúvidas de que a pessoa por trás da coisa toda era eu. Eu estaria incentivando uma velha briga de casas que nunca deveria ultrapassar os limites da rivalidade esportiva. Mas acho que o lado emocional acabou ganhando do racional.
Por fim, desviou os olhos, aguardando o sermão que viria logo após. E então, depois de longos e torturantes segundos em silêncio, o ruivo foi surpreendido pelo barulho de papel sendo rasgado. Ele ergueu o queixo e, quando seus olhos pousaram sobre a escrivaninha da diretora, o ruivo encontrou seu formulário de detenção em pedaços.
Ele só percebeu que estava com a boca aberta depois de um longo momento em choque. Encarou a professora, esperando que seu olhar confuso a incentivasse a explicar o que havia acabado de acontecer. Desconfiado, Hugo olhou de um lado para o outro, perguntando-se se aquilo não passava de uma pegadinha de mal gosto.
- Obrigada, sr. Weasley. Agora as coisas mudaram de figura.
- A senhora… a senhora não vai me mandar para a detenção?
- Não – McGonagall disse, simplesmente.
Hugo queria agradecer, mas não conseguiu fazer com que uma mísera sílaba saísse de sua boca.
- Sr. Weasley, o senhor sabe por que eu o chamei para minha sala? – ela perguntou, recostando-se sobre a imponente cadeira em que estava sentada.
Hugo ergueu as sobrancelhas, confuso.
- Porque deixei o time da Sonserina cheirando a adubo?
- Também, mas não apenas isso. Os professores têm falado muito sobre você, sr. Weasley.
Hugo franziu a testa. Agora realmente não estava entendendo mais nada. Até onde se lembrava, nunca explodira a sala de nenhum professor.
- Com todo o respeito, professora, não estou entendendo.
Aparentemente, Minerva decidira ignorar completamente o que o ruivo dissera, uma vez que tornou a falar como se o garoto não tivesse dito nada.
- Sr. Weasley, lembra-se da sua primeira tarefa de Transfiguração?
Hugo parou por um instante, forçando a memória para resgatar aquele momento de anos atrás. Por fim, a lembrança invadiu sua mente como uma enchente e ele, satisfeito, assentiu com a cabeça.
- E o senhor se lembra do que aconteceu naquele dia?
Ele assentiu com a cabeça mais uma vez, sério.
- A senhora pediu para transfigurarmos fósforos em agulhas.
- Muito bem. O que mais?
- Eu… Acho que só isso, professora.
Minerva fez um movimento negativo com a cabeça, ajeitando o aro dos óculos sobre seu nariz. Então, cruzou os braços sobre a escrivaninha, observando o ruivo com atenção.
- Surpreendentemente, senhor Weasley, nenhum dos alunos conseguiu realizar a tarefa até o final da aula… com exceção de um. O senhor saberia me dizer quem era o aluno?
Hugo abriu a boca quando finalmente se lembrou de um detalhe que havia sido esquecido nos confins de seu inconsciente. Antes que pudesse responder, porém, a professora já havia tornado a falar.
- Você. Fiquei um tanto surpresa naquele dia, se me lembro bem. Porque, naquele momento, o senhor reproduziu uma cena que havia sido presenciada mais de vinte e cinco anos atrás. Nunca te disse isso, infelizmente. Mas acredito que o senhor consiga imaginar a que estou me referindo.
Hugo negou com a cabeça, confuso. Não sabia de que forma aquela aula no primeiro ano poderia ser importante naquela conversa. Frente ao seu movimento, Minerva comprimiu os lábios, observando-o com o olhar daqueles que sabem mais do que dizem.
- Sua mãe, senhor Weasley. Muitos e muitos anos atrás, quando sua mãe ingressou em Hogwarts, tive certeza de que esta escola estava recebendo uma bruxa excepcional. Sua descendência trouxa não me fez duvidar, nem ao menos por um momento, de seu futuro brilhante na comunidade bruxa – Minerva aprumou-se na cadeira, ajeitando os ombros e erguendo as sobrancelhas para o garoto. – Sua mãe, sr. Weasley, também foi a única aluna a conseguir transfigurar aquele fósforo. Uma tarefa extremamente simples para uma bruxa adulta como eu, mas um tanto exigente para uma criança de onze anos que nunca estve familiarizada com uma varinha.
As palavras de McGonagall foram um tanto difíceis de digerir para Hugo. Em toda a sua vida havia sido frequentemente comparado a seu pai, mas dificilmente comentavam alguma semelhança com sua mãe. Até onde havia internalizado, a única característica que compartilhavam eram os doces olhos castanhos.
Ficou em silêncio, sem saber o que dizer, o que deu espaço para que Minerva continuasse seu monólogo.
- Sr. Weasley, você pode ter os cabelos ruivos, mas é tanto Granger quanto Weasley. E eu juro: naquele dia, pensei sobre você a mesma coisa que pensei sobre sua mãe. O seu futuro pode ser brilhante, garoto. Não sou a única professora que compartilha dessa opinião, sabe. Nós observamos todos os alunos com muita cautela, sr. Weasley, e ao que parece o senhor consegue notas muito boas sem muito esforço. Poderia se igualar ou até mesmo superar sua mãe se decidisse se dedicar. Mas a impressão que o senhor me passa é de que está sempre tentando se afastar da imagem de sua mãe, para evitar que esperem muito de você.
Hugo engoliu em seco, sentindo como se o ar na sala estivesse rarefeito. Sentiu-se mais exposto do que nunca.
- Eu compreendo, sr. Weasley, que ser filho de dois heróis de guerra e, principalmente, da atual Ministra da Magia é algo que deve apavorar qualquer filho. Acredito que a responsabilidade de honrar as expectativas seja sufocante. É por isso que me arrisco a pensar, sr. Weasley, que é por isso que o senhor adota essa postura. É claro, seu bom humor, humildade e habilidade de saber levar a vida com leveza são três coisas que admiro muito no senhor e sei que foram herdadas do lado ruivo de sua família. Me arrisco a pensar, porém, que o senhor finge não se importar com muita coisa para impossibilitar quaisquer associações com sua mãe, de maneira a evitar que os holofotes se virem para você.
Hugo permaneceu imóvel em seu lugar. Os dedos de suas mãos permaneciam entrelaçados com certa força, como se o gesto aliviasse o constrangimento gerado pela situação em que se encontrava. Era um tanto quanto estranho ter Minerva lendo-o daquela maneira, como se ele fosse transparente. Mais do que isso, era estranho pensar que suas palavras eram sensatas e de fato faziam sentido.
- Acontece, sr. Weasley, que aquele episódio naquela aula de Tranfiguração me fez certeza de que o senhor não apenas pode atender às expectativas, como também superá-las. Pode ser tão brilhante como sua mãe. Mas de nada irá adiantar o senhor ter herdado essa inteligência se não for se comprometer a exercitá-la. Sabe o que te falta, sr. Weasley?
Silêncio total.
- Ambição. O que eu quero, sr. Weasley, é uma mudança de postura. Quero que pare de confiar na memória e na revisão cinco minutos antes da prova para garantir suas notas. Quero que se esforce, abandone essa sua preguiça e pare de deixar os exames em segundo plano. Mas, principalmente, eu exijo que o senhor me prove que eu não estava errada. Exijo que o senhor me mostre do que é capaz. Estou ciente de que o senhor tem pretensões de seguir na carreira do quadribol e não duvido de que tenha grandes chances de sucesso, mas quero que explore seu potencial intelectual. Caso contrário, sr. Weasley, terei de repensar uma possível detenção. Estamos entendidos?
Concisa e determinada, Minerva ergueu-se da cadeira, fazendo sinal para que o ruivo também se levantasse. A essa altura, Hugo já estava da cor de sulfite e sentia que havia uma bola de algodão travada em sua garganta. Lentamente e, ainda um tanto constrangido, o garoto ergueu-se da carteira, apertando a mão da professora sem muita força nos dedos.
A professora o acompanhou até a porta e, antes de sair do aposento, Hugo virou-se para ela uma última vez.
- A senhora não vai mesmo me mandar limpar troféus?
Surpreendentemente, Minerva abriu um pequeno sorriso. Então, disse simplesmente:
- Fred Weasley foi um grande bruxo, Hugo. Espero que seu taco traga sorte para nossa casa amanhã.
Então, fechou a porta, deixando Hugo sozinho com seus próprios pensamentos. Nunca se sentira tão estranho, mas sabia exatamente o que tinha que fazer.




