Other Lover - Capitulo 10
POV Selena
A decisão de ter a conversa com Ashley sobre a situação que ocorreu na festa foi uma ótima ideia que tive. O receio de ir e ser considerada rude por ir à casa dela sem permissão alguma, e achando que até dali mesmo ela poderia ser seca comigo, esses meus temores estavam enormes, mas felizmente não foi nada disso. Tivemos uma conversa civilizada e normal, e ainda depois ficamos nos divertindo até entardecer. Ficamos pintando, conversando e rindo por um longo período, mas ao mesmo tempo pareceu tão pouco...
Agora, duas semanas depois, estávamos muito próximas, de vez em quando eu ficava no intervalo escolar com ela, ou a loira vinha a minha busca. Nossos amigos estavam mais familiarizados, mesmo que ainda eu recebesse alguns olhares feios de Lucy. Mas eu não me importava, estava muito feliz sendo amiga da linda Ashley Benson, que estava fazendo me socializar aos poucos e me trazendo uma grande felicidade.
Mais uma vez estávamos aguentando a demorada aula de História, a maioria tentando se distrair com outras coisas, eu pude ver alguns desenhando coisas aleatórias em seu caderno, outros conversando quando podiam, ou passando papeis para conversar, outros encarando o relógio a cada segundo em busca de olha-lo e ver que finalmente a aula acabou, alguns meninos tacando coisas uns nos outros, e as extremamente raras exceções que estavam prestando atenção no que o professor estava tentando explicar. Eu fazia parte dessas exceções, mas dessa vez meu olhar não estava no homem barbudo e com óculos na frente da classe, e sim na garota loira na minha diagonal a frente de mim. Eu não sei dizer o que ela estava fazendo, se estava desenhando, fazendo as anotações pedidas pelo professor ou simplesmente rabiscando seu caderno, só sei que estava com sua caneta vermelha em mãos e a colocou na boca mordendo a ponta, o que em outras ocasiões eu poderia achar o ato anti-higiênico, mas nela essa ação simples se tornou tão fofa que me fez sorrir só de olhar, sai da minha distração quando ouvi uma risadinha após eu ser atingida pela mesma caneta vermelha que ela estava mordendo. Soltei um “ai” e então a vi sibilando para mim “Para de me olhar” então eu ri baixo e disse “Não consigo.” E ela revirou os olhos sorrindo e se virou para frente novamente.
Outros minutos depois eu pude ver Ryan Good, que estava na carteira de trás, cutucar Ashley e ela pareceu se incomodar com seja lá o que ele estivesse falando. Vi diversas vezes ela revirar seus olhos e tirar a mão dele de si, mas ele continuava insistindo a colocar a mão em seu ombro e deslizar por seu corpo, e aquilo a estava irritando e sinceramente, a mim também. Será que ele não tinha a consciência de que estava sendo inconveniente? Só sei que isso não fez ele parar. O professor de História já havia terminado sua aula e ido embora e a sala agora estava sem ninguém no comando, então ficou um rebuliço, é claro, mas meus olhos continuavam em apenas numa pessoa, então a vi levantar rudemente e se virar para Ryan, o pedindo para parar.
- Ashley, faz o que eu te pedi – ele disse.
- Claro que não – ela respondeu firme.
- Vai ser melhor para você se fizer – ele continuou com o pedido, mais para um tom de ameaça.
- Ou o que Ryan?! Vai me matar no meio da classe?!
- Você não vai querer saber – falou com um sorriso cínico no rosto.
- Então faça, porque eu já te falei que não, em hipótese alguma.
- Tem certeza mesmo? – ele a perguntou, desviou o olhar para a porta vendo a nova professora entrar e voltou a ela.
- Sim. – a loira disse e então se sentou novamente. A sala ainda estava uma bagunça, enquanto a professora ainda arrumava suas coisas para a aula, mal conseguia se ouvir uma voz nitidamente naquelas tantas pessoas conversando. Ryan a cutucou de novo e pacientemente ela se virou para ele, e o viu com aquele sorriso cínico novamente antes dele abrir a boca, e começar a fala num tom alto.
- NÃO ASHLEY, EU NÃO VOU TE PAGAR POR UM BOQUETE! – a sala toda estava com a atenção nele agora – LARGA DESSA VIDA DE PUTA! – continuava com a atuação de inocente. Babaca.
- O QUE? – Ashley soltou no mesmo tom alto.
- O que? – eu também deixei escapulir baixo. Que merda ele estava falando? Aquilo não fazia o menor sentido, mas o pior foi eu ver as reações do restante da classe acreditando naquela calunia.
- EU GOSTO DE CONQUISTAR AS PESSOAS, NÃO COMPRAR ELAS, VOCE DEVIA TER MAIS AMOR PROPRIO, GALEGA, E NÃO TER VOLTADO A ESSA VIDA. – e ele não parava com as mentiras e insinuações.
- Oh cale a boca, Ryan! – ela soltou a ele, e decidiu olhar para a sala, que estava com todos cochichando e olhando para ela com desgosto. Observei sua cara triste aparecer, antes dela tomar a decisão de se levantar e sair da sala, fechando a porta com violência.
Lancei um olhar para Lucy que também estava preocupada e se levantou em direção a professora que não permitiu que ela saísse da sala, Lucy estava insistindo muito no pedido mas a professora estava firme em não deixar, então vi a baixa morena voltar a seu assento roendo as unhas. Eu não aguentei e me levantei indo em direção a porta da sala, e consequentemente pelo caminho tendo que passar por Ryan, eu parei e o olhei com completo nojo.
- Você é um completo babaca. – falei o que realmente estava sentindo que ele era, e voltei ao meu caminho a porta. A professora colocou as mãos em minha frente tentando impedir que eu também saísse, mas eu simplesmente a desviei e sai dali a procura de Ashley. Eu no momento não me importava com as consequências dessa minha desobediência, o que isso iria causar depois, se iria me afetar de alguma forma, não importava, eu só queria achar Ashley entre aqueles longos corredores da escola. Corria apressada entre aquelas paredes, gritando seu nome a todo canto e não recebia nenhuma resposta, fui ao banheiro em sua procura e nada, abri a porta de várias salas vazias e nada também. Estava começando a me desesperar, onde ela estaria? Vamos Selena, pense. Eu lutava contra meu cérebro em busca de uma resposta e a minha preocupação de só acha-la rápido, eu queria conforta-la onde seja lá ela estivesse, seja lá o que ela estivesse sentindo, olhei tudo ao redor de mim, avaliando cada detalhe e foquei meus olhos na escadaria, era por lá que iria seguir meu caminho. Subi os diversos degraus que ali haviam, até o quinto e último andar da escola. Cheguei ao terraço, abri a pesada porta de ferro, e rapidamente meus olhos captaram o que eu queria e então suspirei aliviada, ali estava Ashley sentada com os joelhos dobrados e suas mãos em volta deles, e próxima ao baixo muro que envolvia aquele lugar, me aproximei a passos devagar dela, e me agachei a seu lado e ela notando a presença de alguém escondeu o rosto em seus joelhos.
- Hey Benzo – passei a mão em suas costas – Sou eu – a vi esconder mais ainda o rosto – Não precisa ter vergonha de mim, por favor – continuei sem respostas, então preferi não pressionar nada, se ela queria ficar quieta respeitaria isso. Coloquei meu bumbum no chão e fiquei ao seu lado – Só saiba que se você quiser desabafar ou gritar de raiva com alguém, eu estou aqui – voltei a acariciar suas costas, mas o silêncio reinava.
Eu não sabia o que ela estava passando, ou por que ela tinha ficado tão abalada com uma idiotice de um garoto estupido, eu simplesmente respeitaria o momento, mesmo sendo que o que eu mais queria era saber como ela se sentia, para tentar reconforta-la de alguma forma, ou dar umas boas pancadas naquele garoto, mas a opção de ficar em seu lado era muito melhor e mais valiosa. Escutei algumas fungadas de choro abafadas por ela, e não me segurei, passei meus braços em seu pescoço e a abracei, só fiz isso, queria abraça-la já que palavras não iriam adiantar de nada nesse instante. Fiquei com meus braços lá por um tempo, sem qualquer tipo de interação reciproca, até que eu pude ver ela lentamente levantando a cabeça, e me olhando por rápidos segundos com seus tão lindos olhos, que infelizmente estavam um pouco inchados e então ela rodeou os braços em minha cintura e pousou a cabeça em meu ombro. Ali abraçadas ficamos por um longo período, palavras não foram necessárias para eu saber o que ela queria, que era exalar o sentimento que estava sentindo sem ter alguém a perturbando para explicar o porquê. Ficamos cerca de uns sete minutos naquele confortável abraço, até Ashley soltar seus braços de mim e então nos olhamos.
- Você está melhor? – perguntei preocupada.
- Sim, eu estou bem – ela deu um sorriso de lado.
- Não parecia isso. – eu a respondi e pus meu polegar em seu rosto para limpar a lagrima que ainda escorria dele.
- Eu só... deixei ele me afetar.
- Mas não deveria, ninguém vai acreditar no que ele disse Ash, todos sabem que é mentira – passei minha mão em seu braço.
- Na verdade – ela retirou minha mão de seu braço – Eles vão sim, porque isso já aconteceu antes – ela falava olhando para o chão, como se tivesse com vergonha do que iria falar.
- Já aconteceu? – perguntei desentendida sobre o assunto.
- Sim, quer dizer, mais ou menos – ela olhou para mim – Não que eu sou aquilo que ele acusa, nunca fui, Selena – ela falou apreensiva – Mas esse tipo de boato já rolou antes, e naquela época absolutamente todos acreditaram que eu fazia sexo por dinheiro, que todos meus companheiros estavam comigo porque me pagavam, e veio surgindo diversos garotos mostrando o dinheiro para mim e perguntando qual era a quantia que eu cobrava, como se eu fosse uma prostituta.
- Que coisa terrível! – soltei – Mas... Por que eles teriam esse pensamento?
- Eu também não sei de onde surgiu isso, mas a fofoca se circulou como um vírus. Foi a coisa mais horrível do mundo, todos meninos me tratando como um objeto e todas as meninas me olhando com nojo e desgosto – pausou – E eu não as culpo, provavelmente eu não trataria tão bem alguém que fizesse esse tipo de coisa, mas era só um boato, não era verdade, não tinha motivos para isso – lancei um olhar a ela para que pudesse continuar – E então ao longo desses anos fui lutando para tirar essa imagem que tinham de mim, e aos poucos dos poucos eu consegui, as pessoas voltaram a me tratar normalmente, consegui fazer amigas novamente, consegui me relacionar com quem eu quisesse sem pensarem que era por interesse. Não foi fácil, mas eu consegui, e então voltei a viver a minha vida.
- Oh meu Deus, eu não sabia disso – falei chocada – Eu estou orgulhosa de você por isso, não sei se eu teria aguentado – disse verdadeiramente.
- Obrigada – ela sorriu, e então voltou a olhar para o chão – E agora o problema vai surgir novamente, porque infelizmente os alunos dessa escola parecem ser sempre os mesmos, conheço a maioria desde aquela época.
- Vai ser muita idiotice deles se acreditarem nisso agora.
- Aí que está o problema, eles nunca deixaram de acreditar, só... esqueceram. Ele sabia que fazendo isso atingiria meu ponto fraco, e então fez.
- Afinal, o que esse canalha queria? – perguntei com raiva, porque era a única coisa que eu sentia desse menino, um ódio enorme.
- Voltar comigo.
- Vocês já namoraram?
- Sim, e foi meu relacionamento mais longo, mas terminou justamente por esses boatos. Ele era o cara que estava comigo quando essa fofoca começou a acontecer, e claro que isso ia atingir ele, mas o tempo que ficamos e minhas palavras para dizerem que era mentira parece que não significaram nada para ele, então poucos dias depois ele terminou comigo.
- Ele que terminou e ele que queria voltar? Todo sentido – fui irônica.
- É, mas eu não faria isso, o superei e agora vejo que ele devia ter acredito em mim.
- Claro que sim – concordei com ela – Além do fato de ele ser um babaca – completei e ela riu.
- Verdade.
- Garotos são idiotas – falei e ela soltou outra risada, era o melhor som a se ouvir – E é tão melhor ver você sorrindo – a falei sorrindo de volta.
- Garotos são idiotas – ela repetiu minha fala – E obrigada por ter me feito sorrir então.
- Sempre vou estar disponível para isso – sorri de lado para ela, e ela colocou sua cabeça em meu ombro novamente e admirando a vista a sua frente da cidade.
- Eu sei que faz pouco tempo que a gente se conhece, mas queria dizer que você já é importante para mim, então – se virou de volta a mim – Nem pense em me abandonar – tocou na ponta de meu nariz que fez eu formar uma careta e rimos baixo.
- Isso nunca passou pela minha mente – a respondi firmemente, e passei um dos meus braços em seu pescoço e a trouxe próxima a mim e depositei um beijo em sua bochecha – E eu não vou.
Novos minutos passaram, e mal notamos quanto tempo havíamos ficado ali, com Ashley deitada em meu ombro e sem muitas conversas, até o sinal tocar e nos alertar sobre a próxima aula, ela rapidamente se levantou e eu a olhei certificando de que se ela queria mesmo voltar para lá e ela balançou positivamente sua cabeça, e então a segui até o caminho de volta a nossa sala, eu decidi abrir porta primeiramente e vi uma cena degradante. Não estava acreditando que aqueles pestes realmente fizeram isso, olhei para trás e Ashley estava me empurrando para entrar logo, então eu fiz isso e corri até a carteira dela e me sentei lá, ela me olhou com uma cara confusa mas, facilmente seguiu o caminho até a minha sem perguntas. O motivo de eu ter sentado ali, era porque havia notas de dinheiro em cima de sua carteira, obviamente era por causa do assunto passado que ela tinha me contado, então eu discretamente retirei aquele dinheiro que agora estava embaixo de mim, juntei as notas e joguei num canto qualquer da sala.
Talvez era errado eu ter escondido isso dela, mas eu vi ela triste, eu a vi sofrendo e aquilo foi uma das piores coisas do mundo, eu queria poupa-la de qualquer motivo que fizessem aquele maravilhoso sorriso em sua face desaparecer, que a fizessem se preocupar novamente com besteiras, que a fizessem se sentir mal. Já não bastava a classe estar dando mal olhares a ela, eu não a daria mais uma preocupação. Eu cuidaria dela, era isso que eu queria fazer. Atualmente era quase intuitiva a minha vontade de protege-la de todos e qualquer mal, eu só queria vê-la bem, feliz e se possível, comigo.














