Ele me puxou e eu fui forçada a levantar. No momento em que fiquei de pé os outros começaram a conversar entre si relevando o fato de eu estar indo na direção de Matheus.
Eu: Calma, assim vou tropeçar - Disse em meio às pernas cambaleando de nervosismo.
Matheus: É que eu to ansioso - Matheus deu uma risadinha que não pude ver já que estávamos as pressas.
Eu: Mas tu sabe que eu não sou obrigada a aceitar tua proposta, certo?
Ele parou e virou para mim. Já estávamos longe o suficiente do pessoal para que não nos ouvissem. Pegou em meu cabelo. Automaticamente olhei pra baixo envergonhada.
Matheus: Olha pra mim - Pegou em meu queixo puxando-o para cima. Obrigatoriamente tive que olhar em seus olhos, muito verdes, extremamente hipnotizantes. Sua boca estava molhada já que ele aflito passava nela a língua de minuto em minuto.
Ficamos nos fitando algum tempo até que ele foi fechando os olhos e chegando perto, eu podia ouvir a música tocando no carro do Rodrigo. Too Close. But I need to breathe. Comecei a esmagar a areia em meus pés com os dedos de nervosismo, minhas mãos estavam para trás, ele realmente sabia como acelerar um coração, que filho da puta, pensei.
Intercalei os olhares para sua boca e seus olhos, vendo se em algum lugar eu encontrava motivos ali para me fazer recuar, de novo. Quando faltavam apenas milímetros percebi o calor de sua respiração e senti um calafrio dos pés a espinha nas costas. Vacilei. Mas dessa vez ele não veio com desculpas e irritações. Puxou-me forte pela cintura, e pressionou os lábios contra os meus. Queimei por dentro. Estavam gelados, mas depois percebi que tudo começou a ficar mais quente. Minhas pernas bambearam e só conseguia pensar no quanto aquele beijo se encaixava, que puta beijo gostoso.
Meu estômago queimava por dentro e senti minha respiração ficar ofegante. Ele conseguiu. A cada momento o beijo se intensificava, suas mãos apertavam minha cintura e as minhas seus cabelos. Que necessidade. Mordeu meu lábio e abriu de leve os olhos dando um sorrisinho de vencedor. Foi me empurrando devagar até encostarmos em uma pedra grande, sem parar para respirar. Que química. Não queria nem pensar onde ele havia aprendido aquilo tudo.
Quando me dei conta, Matheus estava com as mãos dentro de minha blusa. Congelei.
Eu: É melhor... Voltarm... – Eu tentava falar, mas estava tudo muito bom. Sua boca encontrava com a minha e depois com meu pescoço, mas eu precisava sair dali, com certeza me arrependeria mais tarde. Quer dizer, eu já estava previamente arrependida. Após esse efeito dopado de beijo, vou ficar completamente arrependida. Ele não parou em momento nenhum e eu admito, não queria que parasse. Foi uma das melhores sensações que eu já havia experimentado, mas eu tinha que sair dali. O empurrei e arregalei os olhos. Ele balançou a cabelo meio abobalhado com cara de interrogação
Eu: Matheus, isso está completamente errado, não, isso está uma merda, que merda foi que eu fiz?
Matheus: Tu achou uma merda? – Disse erguendo uma sobrancelha e rindo de lado, enquanto coçava a cabeça com outra mão.
Fiquei de boca aberta porque não tinha o que falar. Na verdade tinha, muitas coisas, aliás, mas é óbvio que eu não falaria, dando a ele a chance de saber o que se passa aqui dentro. Ele foi chegando mais perto e colocando a mão em minha cintura
Matheus: Certeza? – Matheus conseguia me fazer acelerar em um tempo recorde
Eu: Absoluta. – Fechei os olhos juntando coragem para sair dali e depois arcar com seu ego ferido, mas eu precisava disso. Tirei suas mãos de lá as jogando para baixo e saí andando sem dar maiores explicações, não devia nada a ele. Minha boca ainda estava ardendo, e parecia que minha respiração não conseguia voltar a ficar em um ritmo normal. Senti uma vontade enorme de voltar lá, pedir desculpas e que sentir aquilo tudo de novo. Só que eu nunca faria isso.
Comecei a acelerar o passo sem olhar para trás e ver o que deixei lá. Que desperdício Nina. Quando ia me aproximando da fogueira vi que o pessoal continuava do mesmo jeito, conversando e rindo.
Cheguei do lado do Rodrigo e sentei. Todos ficaram em silêncio olhando para mim esperando falar algo.
Anna: Tu chega depois de uma consequência com a boca roxa e não vai dar maiores explicações? – Claro que a Anna tinha que ser legal o suficiente para me fazer dar detalhes e todos acharam graça.
Eu: Não aconteceu nada, quer dizer, ah velho depois conversaremos sobre isso. O Matheus tentou e já acabou a consequência dele. – No momento em que terminei de falar pudemos ver o Matheus de longe arrastando um graveto pela areia, marcando sua trajetória. – Vamos encerrar o assunto – Disse baixinho só para Anna, já que os outros dois conversavam.
Ela concordou com a cabeça e deu de ombros. Matheus finalmente chegou de cabeça baixa e se sentou na areia, do lado da Anna. O Rodrigo tentava puxar vários tipos de assuntos com ele, mas parecia não fazer sucesso.