Dois meses depois; Narrado por: Lua. Eu estava tomada pelo nervosismo. Tinha pousado em Londres há poucos minutos e estava no carro de Arthur a caminho do temido convento. Era hoje. Cacete. Eu acho que eu vou ser assassinada. - Fica calma. Vai dar tudo certo. - Diga por você. - reclamei. - Ela vai querer me matar. A minha vai vai querer te matar. Vamos ser os próximos "Romeu e Julieta". - choraminguei. Arthur riu. - Minha mãe já sabe. - ele sorriu. Eu o olhei, assustada. - Eu preparei ela ontem. Não citei seu nome, mas eu sei que ela já sabe que é você. Não acho que ela vá querer te matar. - Mas a minha ainda é um problema. - estremeci. - Vai dar tudo certo. - Ele repetiu. Eu assenti e manti meu olhar na estrada. Estávamos perto. Eu fui tentando me acalmar com as músicas no resto do caminho, mas o medo tomou conta de mim quando ele estacionou em frente ao local. Arthur saiu do carro, me forçando a acompanhá-lo. Tomou minha mão e me guiou. Não subimos as escadas que davam acesso à porta, fomos para o lado direito à ela. Eu apertei a mão de Arthur e ele apenas sorriu pra mim, confortante. Eu estava respirando profundamente. Arthur abriu a porta com uma das chaves de seu chaveiro e me colocou para dentro com ele. O cheiro maravilhoso de comida caseira invadiu minhas narinas, me fazendo perceber o quão faminta eu estava. - Mãe. Eu cheguei. - Arthur avisou, falando um pouco alto. Eu estava na casa dela. Era uma extensão do convento. O sofá único me parecia confortável. A televisão era normal, havia fotografias na mesa de centro. Parecia uma casa de alguém comum. - Estou acompanhado. - ele alertou. - Não se assuste. - sussurou. Eu não entendi até ver Teresa chegando à sala. Ela usava um conjunto azul marinho de saia e blazer formais, com uma blusa branca por baixo do blazer. Sem Hábito, com cabelos presos num coque. Normal. Uma mulher normal. Eu estava calada e Arthur tentava aliviar a tensão no contato visual meu e dela. - Então. - ele riu brevemente. - Lua, essa é a minha mãe, Teresa. Mãe, essa é a Lua, e ela é a minha namorada. Eu abaixei a cabeça para sorrir. Namorada. Soava tão bem. Teresa veio até mim e estendeu a mão para que eu a apertasse. Foi o que eu fiz. - Prazer, namorada do meu filho. - sorriu. Eu não estou entendendo nada. - Prazer, mãe do meu namorado. - quis soar divertida, mas eu estava atônita. Ela ainda estava sorrindo. - Estão com fome? O almoço está pronto. - Morrendo. - Arthur respondeu. Eu apenas assenti. Teresa sorriu novamente e saiu da sala. Eu encarei Arthur. Ele riu e me abraçou. - A freira é uma fachada que ela teve que manter. Ela deixou de ser depois que eu fui feito e gerado. - ele sussurrou e riu ao meu ouvido. - Eu sei que você está fodidamente surpresa. - Para com isso. - o afastei. - Não fala essas coisas. - sacudi a cabeça e Arthur riu, me mandando um beijo. Tersa voltou segundos depois, segurando uma travessa com luvas. Me senti no paraíso quando vi o prato. Estrogonofe, com purê de batas, arroz e salada de acompanhamento. Há quantos milênios eu vivo de congelados e de jantares no domingo ou quando a Dane tem folga? Meu Deus. Teresa nos serviu e eu a observava. Freira, fachada. Caramba. Que mundo é esse? Adorei. Ela puxou uma conversa divertida comigo e Arthur no almoço. Algo entre eu ter o desvirtuado e ele ter sido um péssimo religioso. Eu sabia que ela estava brincando, mas tinha ainda uma pontinha de chateação. Talvez ela quisesse transformá-lo na pureza ambulante para se sentir menos culpada. - Mãe, tem sobremesa? - Arthur perguntou. Sua cara foi tão engraçada que eu ri alto e abertamente. - Para. O ele fez beicinho. Eu controlei a risada e Teresa sorriu. - Claro. Convidadas especiais merecem sobremesas. Principalmente quando a convidada é a minha melhor aluna. - ela sorriu e se levantou, pedindo licença. Eu olhei para Arthur e ele deu de ombros. Parecia tão confuso quanto eu nessa questão. Melhor aluna? Eu sempre fui um diabo naquele lugar. Até fogo na cozinha eu coloquei. Essa mulher é pirada ou tá de brincadeira comigo?