Gain and loss of life - Capítulo 05
Estava andando por uma rua, cheia de lixo e coisas de casas derrubadas, estava escuro, o céu estrelado e um frio de tremer as pernas e bater os dentes, continuei minha caminhada até que um temporal caiu, para o meu desespero, estava sozinha, descalça, com a roupa rasgada, eu não sabia o que fazer, corria o mais rápido que podia atrás de algum lugar para se esconder, mas em vão, estava tudo destruído, eu teria que ir aonde a água não chegou, acho que pisei em falso, pois acabei topando em alguma coisa. Espera aí!
-Quem é você? -Perguntei confusa, ao ver que um menino tinha se levantado.
-Sou Guilherme. -Coçou a nuca e me olhou. -Você é a...?
-Mayara. -Sorri amarelo. -O que você está fazendo aqui?
-Me perdi dos meus pais. E você? -Se levantou, passando a mão no calção.
-Estava na escola quando aconteceu. -A chuva continuava, então me encostei em uma árvore que ainda restava ali.
-Ah sim. -Se encostou também. -Sabe para onde eles tenham ido?
-Não tenho a minima ideia. -Cruzei os braços e vi que ele estava me encarando. -Que foi?
-Nada. -Virou-se. -Quantos anos você tem?
-Oito. -Ele ergueu as sobrancelhas. -Que é?
-Você não parece ter oito anos. -Riu, me fitando.
-Que seja. -Dei de ombros. -Você tem quantos?
-Vou embora, licença. -O empurrei e continuei a andar, ele segurou meu braço.
-Não precisa ir sem companhia. -Sorriu.
-Eu sei me cuidar. -Falei. -Tirando o fato que estou com frio, morrendo de fome, meus pés estão cansados, não tenho a minima ideia aonde estou, pois nunca sai sozinha, só com meus pais, já passei da minha casa há muito, muito tempo, espero encontrar uma avenida logo, mas isso vai ser impossível sem uma companhia, então eu aceito.
Ele não parava de rir, mas fomos caminhando e tentando achar alguma avenida, a cidade estava deserta, cheia de lama e escombros por todos os lados, não sabia o que fazer, minha única "ajuda" era um garota de nove anos e olhe lá, eu precisava comer, descansar, mas tenho medo de ficar por aqui e acontecer mais alguma coisa. Me perguntava onde meus pais poderiam estar, se estavam confortáveis, com água e comida, um lugar para dormir, se estariam me procurando, ou nem isso.
Guilherme tinha nove anos, como já dito, morava bem perto de mim e estudava no mesmo colégio que eu, mas em outra série, claro, pois nunca tinha visto ele, estava em casa quando tudo aconteceu, mas se perdeu dos pais tentando fugir, foi pego pela correnteza no meio do caminho, deixando tudo para trás, sem notícia de ninguém, continuou tentando encontrar um lugar para ficar, não encontrando resolveu que ficaria deitado no chão até a ajuda chegar, mas já era bem tarde.
-Você é maluco, sério, quem fica no meio da rua deitado no chão? -Olhei-o incrédula.
-Claro, ninguém. Mas, isso era uma das vamos dizer que nenhum opção que eu tinha. -Gesticulou as mãos.
-Entendi. -Falei entre dentes. -Olha ali!
Corri e entrei no meio de uma estrada, fiquei olhando por alguns segundos e nada de nenhum carro passar.
-GUILHERME! -Gritei e ele veio correndo.
-Aonde você acha que isso vai dar? -Perguntou.
-Não sei, só andando para saber. -Coloquei as mãos em minha cabeça, senhor! Não aguentava mais andar.
A pequena correnteza que se formava no canto da estrada estava limpa, corria entre as árvores, me aproximei e juntei as mãos, peguei um pouco de água e bebi.
-Que nojo! -Ele fez uma careta.
-Ou você bebe, ou você morre de sede. -Sorri irônica.
-Tá bom, tá bom! -Fechou as mãos e bebeu a água.
É, vai ser duro! Voltamos a andar e ficamos olhando em todas as aberturas entre as árvores para checar que tinha alguma casa restante por ali, ou qualquer fruta, poderia ser qualquer coisa, mas eu teria que matar minha fome e meu cansaço.