Mesmo que sua perna estivesse sem o gesso, a Johnson ainda tinha algumas cicatrizes no seu corpo devido ao acidente, muitas delas sendo perfeitamente escondidas. Não poderia dar-se ao luxo de demonstrá-las como os marginais faziam, sabendo dos olhares nada agradáveis que receberia de todos os estudantes. Para uma líder de torcida, ter qualquer sinal em sua pele era quase pior que a morte, então era melhor para si escondê-las da melhor forma que encontrasse. Algumas o próprio uniforme escondia, mas outras era obrigada a utilizar as mais diversas técnicas de maquiagem, mesmo que temesse que ela saísse durante os seus treinos. Não sabia o que as líderes de torcida falariam ao ver sua pele deformada daquela maneira, o julgamento apenas aumentando. Saiu apressada de casa, então usava uma roupa que escondia consideravelmente pontos estratégicos de seu corpo, visando para que ninguém observasse alguma anormalidade na palidez de Lindsay. É claro que estranhariam, já que a Johnson nunca foi exatamente a garota que desejava esconder-se ao máximo, mas seria melhor do que vissem o horror por baixo. Não acreditava que estava fazendo aquilo, indo na direção da pessoa que provavelmente a odiava. Precisava vê-lo sem tantas pessoas ao seu redor, olhando para ela como se fosse um verdadeiro monstro por tudo que havia feito. Tinha que agir com superioridade, fingindo que jamais seria fragilizada por algo daquele nível, mas seu interior agitava-se toda vez que alguém olhava para ela, as lágrimas embaçando a sua visão ao ser obrigada a relembrar dos absurdos que fez. Suas mãos tremiam a medida que aproximava-se da casa que conhecia bem, a respiração ficando cada vez mais pesada e o coração acelerava-se contra o peito. Gostaria de fugir daquilo, mas sabia que precisava tentar uma última vez antes de desistir do amor de Barry. Mesmo que desejasse que a vida alheia fosse repleta de felicidade, o seu egoísmo fazia com que voltasse para aquela casa, revivesse as lembranças dolorosas de quando tudo parecia estar bem. Era sua culpa, é claro que era, mas ainda sim não poderia controlar o que sentia. Quando parou em frente a porta, a mão cerrou em punhos, hesitando se deveria continuar ou não; antes mesmo que percebesse, seu dedo escorregou até a campainha, pensando que não teria como voltar para trás.