onde: estabelecimento dos Alves-Laurent, primeira noite do festival com quem: @canixminor
O antigo bar estava movimentado, e era muito mais convidativo do que as ruas geladas que aguardavam ao lado de fora da porta. Émile tinha um objetivo simples: incomodar Caleb. Quer dizer, falar. Falar com Caleb. Mas ele próprio podia até tentar se enganar quanto a isso, era inútil. O francês tinha seu mérito em ser disseminador de uma pitada de caos e desconforto, e de tirar proveito disso. De toda forma, sua finalidade era a mesma, independente da abordagem que escolhesse a partir do momento que iniciasse sua interação, e era obter informações de um insulano convicto e de família de tradição de Saint Abbon de Fleury. Localizou seu alvo em uma das mesas, e aguardou o momento em que se afastasse de um grupo para abordá-lo. Na visão de Émile, parecia fácil cutucá-lo. Quando falou, no entanto, sua voz carregava a simpatia quase ingênua que sabia dosar bem. Convincente ou não, se ater ao personagem era uma boa opção. “Ei, Caleb.” O cumprimentou, como se notasse seu aproximar. Ergueu um copo de cerveja em saudação antes de prosseguir. “Aproveitando o festival?” As sobrancelhas foram erguidas de forma convidativa, um sorrisinho e um leve dar de ombros se seguindo ao virem as próximas palavras. “Devo admitir, não é bem o que eu esperava. Não sabia que a ilha era assim tão unida e inclusiva, muito legal.” Como se o elogiasse ao passo que elogiava um comportamento da ilha como um todo. Era uma isca, e ainda que o outro pudesse ler através das entrelinhas, continuava sendo uma isca.


















