One Last Time.
Era mais um dia daqueles, não sabia por onde começar sua noite e muito menos como terminar. Seu quarto estava uma bagunça — Tudo parecia inacabado —. Ele também estava uma bagunça só, até mesmo evitava se olhar no espelho. Sua cabeça estava cheia, mais uma vez aquele tormento que um dia o levaria a morte. O som da prata se encontrando sobre a mesa de madeira o fez despertar de seus devaneios. Deixou sua aliança ali, sabia que quando voltasse — se ele voltasse —, essa seria a primeira coisa que colocaria de volta em seu corpo. Era noite e ele não precisava de roupas, não para se transformar no bosque e era exatamente disso que estava precisando. Seu lobo se revirava em sua mente como se estivesse brincando com todo seu emocional, queria se libertar. Precisava disso, pelo menos uma última vez. A ar gelado da noite não foi sua preocupação ao sair de seu chalé. Sim, ele estava nu e sabia que não havia pessoas essa hora pelo local para que pudessem o ver daquele jeito. Optou por deixar suas roupas no chalé mesmo, queria seu tempo sozinho com a natureza o mais rápido possível. Não demorou para que seus pés fossem trocados por patas, foi exatamente no momento que sentiu a terra úmida do bosque, deixando que seu lobo o controlasse. Sim, gostava de poder deixa-lo no controle para poder descansar nas profundezas de sua consciência. O molhado de terra, o som das folhas contra o vento, o cheiro da natureza trazendo seu lado mais selvagem. Tudo aquilo era como estar em casa mais uma vez — mesmo que no fundo de seu maldito coração sentia que estava bem longe dela —. Usou de seu tempo para farejar os animais de porte pequeno por ali. Encontrou coelhos rapidamente e por mais que não quisesse comê-los — não gostava de seu sabor —, ele matava-os por diversão, o prazer de sentir o sangue quente em seus caninos era algo que ele não trocaria por nada. Correu pelo bosque até que seus pulmões ficassem pesados e sua força diminuísse, ele queria acabar com toda aquela energia, drenar até não poder mais andar, e é claro que ele fez isso. Minutos se tornaram horas naquele bosque e o coreano correu até não se aguentar mais em pé, sua energia estava esgotada e seu lobo já pedia misericórdia. Era exatamente isso que Damon queria: cansar seu lobo até ele querer voltar a se esconder em sua mente, deixa-lo em paz por um tempo. O rapaz não sabia mais o que fazer, se pegava pensando o que realmente estava fazendo ali no meio do bosque, ainda mais estando tão vulnerável. O corpo do lobo caiu sobre a terra úmida, seu pelo branco rapidamente se sujando e soltou um rosnado cansado, deitado naquele local tão escuro, frio e vazio. Exatamente como se sentia no momento. Ele permaneceu ali, como se esperasse que o tempo o levasse para um ano melhor. Sabia que isso nunca iria acontecer, então o que restava era se deixar sonhar com o melhor para si. E foi ali que seu corpo se transformou mais uma vez, restando apenas um homem exausto e sem forças para levantar naquele momento, admirando o céu e sua querida lua até adormecer de exaustão sobre a terra molhada.









