Amor mortal
Genderbend Mihawk x leitora
Então...faz algum tempo que eu venho querendo trazer meus gl pra cá, eu estava com um pouco de vergonha de trazer esse conteúdo aqui pro Tumblr, mas finalmente estou trazendo minha one shot Mihawk x leitora! Espero que gostem. Beijos da jararaca
Ps: se alguém souber o nome do autor ou autora dessa ilustração eu agradeço imensamente!
Fazia algum tempo que você a conhecia. Ela sempre doava para o convento, uma quantia considerável que você não podia ignorar. Por causa dela, vocês foram capazes de sobreviver. As freiras, as noviças, as crianças necessitadas e até os animais da ilha.
A ilha da Santidade, como era chamada, era pequena, e lá só habitavam as freiras. Você era uma delas. O aumento das guerras e da pirataria as deixavam temerosas. Mas pior que isso, só os vampiros. Haviam histórias, lendas, mas mais do que isso, relatos circulando. Vampiros estavam espalhados por toda a Grand Line. Você estava morrendo de medo. Eles se alimentavam do sangue de pessoas específicas. O governo mundial não disse nada sobre isso. As informações eram escassas.
Temerosa, você pendurou cabeças de alho na porta do convento, espalhou cheiro de alho pelos corredores e começou a preparar comidas com alho acreditando que seu sangue e o das outras mulheres seria inconsumível para os vampiros. Estava morrendo de medo. A fria e imponente Dracula Mihawk atracou na ilha, o barco-caixão vinha no horizonte e se ancorou na ilha da Santidade. Você suspeitava que as doações dela pudessem estar atreladas a algum interesse pessoal, mas não soube dizer.
Você já a conhecia há quase dois anos. E ela sempre aparecia de repente, seu silêncio polido, os olhos de gavião afiados e cada sentido aguçado como uma predadora. Você estava tremendo sob o frio da noite. O céfiro antecedente à uma tempestade. Sob o hábito, sua pele se arrepiava e você sentia calafrios percorrendo seu corpo.
A verdade é que Dracula estava irrevogávelmente apaixonada. Ela era uma vampira, sim, mas também tinha um coração. E seu coração a desobedeceu e se apaixonou logo pela pessoa mais patética possível: você. Não era por ser fraca ou não saber manejar uma espada, mas sim seu jeito brincalhão e bobo. Algo que ela não suportava na maioria das pessoas, mas em você...
Mihawk mal conseguia conter o desejo. Ela era consumida pela lembrança do seu cheiro celibatário e santo, a luz da lua beijando sua pele num rastro de prata. Estava morta, morta, morta. Porque ela queria logo quem não podia ter, uma freira.
Os vampiros se alimentavam dos puros, principalmente as freiras, por serem "santas". E ela queria provar do gosto do seu sangue, segurá-la pela cintura e beijá-la até perder o ar. Levá-la ao altar, mas isso já era bem longe. Você a chamava de querida, a acolhia sempre que ela ia ao convento, mesmo sem entender suas reais intenções. Mesmo sem saber o que ela estava planejando naquela mente estratégica e calculista. Ela queria tirar proveito de você? Queria ter vantagem sobre ti? Não tinha como dizer, e ela certamente não diria absolutamente nada.
— Querida, você chegou! — Você agradeceu aos céus por ela ter aparecido. Sentia-se mais segura com a presença de uma espadachim, que sendo uma pirata Shichibukai, era forte o suficiente para manter o convento em segurança. As cabeças, o cheiro, todo seu esquema com alho não funcionava nela, porque os vampiros eram bem diferentes das lendas conhecidas de boca a boca. Ela torceu o nariz, claro, mas nada além disso.
Quando sua boca mexeu, os olhos dela caíram nela com uma fome inconfundível. Estava sendo assombrada pelo fantasma de um beijo que nunca aconteceu. Ela queria tocá-la pelo menos um pouco. Sua pele parecia macia...convidativa.
— Estou de passagem. Vou à marineford. — A mulher finalmente encontrou forças para responder, o coração doendo, ardendo, derretendo sob sua voz polida e a compostura elegante impecável.
— Paz de Cristo. — Você a cumprimentou formalmente.— Bem-vinda de volta pela septuagésima vez! — E riu, mas ela permaneceu impassiva.
— Obrigada.
Ela queria agarrar seus quadris e beijá-la até a morte. Queria tocá-la por todo o corpo, morder sua pele macia e sua carne. Ela queria beijá-la apaixonadamente, segurando sua cintura, se perdendo em você, embriagada na sua presença.
—Posso tocar suas mãos...?
—Por quê?— Você estendeu os pulsos para ela. Mihawk tocou seus dedos, depois as palmas. A sensação era tão boa...você era tão macia. Ela queria puxá-la para mais perto e beijar cada centímetro de suas mãos, mas não o fez.
—Parecem um pouco frias. Você está se sentindo bem?
— Estou. É que está um pouco frio. — Você puxou as mãos de volta e esfregou os braços. Mesmo que estivesse com roupas por baixo do hábito, ainda estava tremendo. Mas o que realmente te surpreendeu foi o tom suave e terno na voz dela, como se estivesse preocupada com você. E isso fez seu coração palpitar. Você engoliu a seco. O sentimento era bom, quase como um calor no corpo. E ela continuou te encarando fixamente.
— O que foi? Está tudo bem?
A mulher fez que sim, mas os olhos intensos dela queimavam através de você. Dracula estava em conflito consigo mesma. Quase entrando em convulsão, os horrores da cabeça dela se tornando reais diante de seus olhos.
Sob a infiltração do teto, o aspecto abandonado do convento adicionava à estética trágica daquele tipo de amor. Ela tinha uma sede violenta, e você, alheia à isso, a alimentava com cada respiração, um vislumbre de seu pescoço pelo colarinho do hábito. Mal podia imaginar os pensamentos macabros da outra que espreitava, tentava achar o momento certo, um momento em que você desse qualquer sinal de interesse, uma brecha, um sorriso, um flerte, qualquer coisa. É verdade, Dracula Mihawk morreria por você, e mataria também, com o corpo todo. Mas ela e o diabo andavam de mãos dadas, e você não sabia de nada disso. Você se virou para andar, mas tropeçou no próprio pé. Com uma mão firme, ela te segurou pelo braço, as unhas afundando no tecido das suas roupas. Mihawk te puxou, você bateu de cara no peito dela, e então se afastou um pouco desnorteada. O perfume dela tinha uma nota mórbida, um quê de mistério, uma gota de sangue. Seus olhos se encontraram, e você sentiu um calafrio. Tinha algo errado, mesmo que tudo parecesse certo. Olhou para as clavículas dela, as linhas perfeitamente marcadas. Lembrou-se de bater no peito dela e sentir aqueles ossos na sua testa. Doeu.
— Tudo bem?
— Sim. — Você rapidamente se recuperou, percebeu que o chapéu dela estava torto, então o alcançou e o ajeitou. Ela tinha 1,98 de altura, quase dois metros, mas você não era tão baixa.
O silêncio era ensurdecedor. Você podia ouvir seu próprio coração batendo, os gemidos da madeira velha do convento quebrando a quietude aqui e ali.
— Hoje o céu está estrelado, e o mar está calmo. — Ela disse, sem te dar muito espaço para contemplar o silêncio. Você acenou um sim. — Me pergunto se são sinais de algo maior.
— Como assim?
O chuvisco lá fora começou a aumentar.
— A calmaria sempre vem antes da tempestade. — Ela sentia o toque da sua mão, o espectro da sua maciez e pele fria sob as palmas geladas dela. Suas presas estavam coçando. Ela te queria. Não. Ela precisava de você. Te vampirizar, te amar, os dois lados colidindo e friccionando. Ela sabia que se te mordesse, você ficaria fraca. Você sorriu. Tinha uma freira tocando órgão no salão da reza comunal.
— Me dê sua mão. — Você estendeu a sua e relutante, Mihawk te segurou. Você pousou a outra mão no ombro dela, e deu dois passos para o lado, começando uma valsa ao som de um hino. Um passo, dois, agora gire, e você caiu nos braços dela. A todo momento os olhos dela não deixavam os seus, brilhando intensamente. Ela te conduziu com passos precisos, tomando a liderança. Você se perdeu na dança, seduzida pelos movimentos, entregue a Dracula, que te guiava. Seus pés se acostumaram aos passos, levando-se pela condução da mais alta. Ela parecia ler dentro de sua mente, ver dentro da sua alma. Aqueles olhos de gavião não deixando escapar nenhum mínimo detalhe do seu rosto.
A lua deserta navega na noite. Sob os ventos uivantes da tempestade, a dança do tempo segue um ritmo lento como passos de uma tartaruga. Você se perdeu um pouco, rindo de si mesma quando percebeu que estava em um transe.
— Foi legal. — Quando o hino parou, você se afastou. Sua distância era insuportável para Mihawk, mas ela manteve a postura.
— Sim.
— Você dança bem.
Seus olhos acompanharam os movimentos dela, levantando a mão para ajeitar seu hábito. Você agradeceu. A observou com cuidado, e ela passou por você sem explicação, as botas batendo no chão velho de madeira.
Ela precisava se afastar para respirar. Estava sentindo a fome cegando seus instintos, e o desejo incontrolável lhe dominando. Ficar perto demais de você causava um efeito irreversível nela. Uma dor excruciante em seu âmago, que doía e coçava. Ela saiu do convento. Rápido, vá embora. Mas você a seguiu.
— Já está indo?
Ela não respondeu. Estava sem ar. A lua agindo como uma fonte propulsora instintiva. Você percebeu que ela parecia perturbada.
— Mihawk?
A mulher olhou para você por cima do ombro. Fria. Indecifrável. Os olhos te escrutinando, o peito subindo e descendo rapidamente.
— S/n. — Ela finalmente te respondeu. — O que você acha que eu sou?
— Uma pirata. Não. Uma Shichibukai. Uma espadachim.
Ele se virou. Esse sacrifício que ela estava fazendo, sacrificando a própria fome, o próprio amor. Dracula ia embora para nunca mais voltar, mas seus olhos preocupados eram como uma faca em seu estômago.
— Eu não sou sua querida. — As palavras dela eram cortantes como uma navalha. A voz autoritária e severa. Você se encolheu um pouco sob aquela imponência. — Sou uma pirata, e recomendo que você volte para o convento.
Assim? Do nada? Você estranhou, colocou as mãos nos quadris e a repreendeu.
— Escuta aqui, você tá agindo bem esquisito. O que foi que deu em você?
Ela se surpreendeu, mas não demonstrou. Com os braços cruzados e uma cara séria, quase carranca, ela se aproximou.
— Não me ouviu? Volte para o convento. Está chovendo.
Você não se importava em se molhar.
— Não. Não quero. — Você afirmou com firmeza. Dracula respirou fundo. Seus lábios tinham uma cor avermelhada sob o frio que a deixava louca. Ela estava quase virando do avesso.
— S/n. Obedeça pelo menos uma única vez na sua vida.
— Eu vivo obedecendo, então dessa vez vou desobedecer. Não vou voltar para o convento.
— Está frio. Você vai congelar.
— Que seja! Só me diga porquê está assim!
— Não é da sua conta. — Ela rapidamente retrucou, as palavras afiadas como uma faca, a voz ríspida e severa.
O poder da lua refletia os próprios desejos insanos de uma Dracula miserável. Ela começou a se aproximar, mesmo lutando para se afastar. Os pés trilhando caminho até você. E ela te olhou de cima a baixo, os olhos intensos. Você era inalcançável, e Mihawk tinha medo de algum dia te alcançar. Não...não, ela não podia deixar isso acontecer. Você a observou, seu coração engatando na garganta. Ela era diabólicamente linda, alta e dominante. O batom vermelho escuro, quase preto, os brincos de pérolas. Tudo nela gritava perigo. Seus olhos dourados repousando na sua figura com um misto de raiva e paixão. Você percebeu esse brilho estranho naquele par ocular. Cada ponto de luz refletindo um sentimento. Seu coração palpitou, ela levantou uma mão, mas como se hesitasse, não fez nada. Você esperou. Suas mãos levantando-se e envolvendo a mão dela.
— Mihawk. — Você apertou os polegares na palma dela. — O que quer que esteja acontecendo, eu gostaria de saber, querida.
Dracula engoliu a seco. O contato da sua pele na dela era uma fricção deliciosamente dolorosa. Ela envolveu uma mão no seu pulso.
— Deixe-me ir.
— Não.
— Apenas deixe-me ir.
— Não.
A respiração dela era irregular, e a máscara que ela poliu e construiu com tanto esmero caiu. Mihawk apertou a mão no seu pulso. As suas mãos que seguravam a dela apertaram-na.
— S/n. — Ela disse, com a voz embargada, mas não por chorar. — Eu preciso de você. — Seu murmúrio quase não pôde ser escutado. Você piscou algumas vezes.
— Mihawk...?
— Apenas me escute. — A mulher soltou seu pulso, retraindo a mão que você estava segurando. — Preciso ir embora. Deixe-me ir. Até nunca mais.
Mas antes que ela pudesse se virar, você a puxou pelo braço. Apertando-a. E tão repentinamente a puxou para si. O rosto dela próximo do seu, seu perfume a embalando. O cheiro de morte dela invadiu suas narinas. Então você a beijou. Foi meio sem pensar, e você logo se envergonhou, mas ela retribuiu o beijo com uma fúria inigualável. A boca devorando a sua, as mãos segurando as suas com cuidado. O coração dela amoleceu e derreteu-se inexplicavelmente, explodindo numa miríade de sentimentos. Quando a lua atingiu seu pico à meia-noite, as presas dela rasparam nos seus lábios.
— Mihawk...
Ela olhou para o seu pescoço, uma parte dele exposta pelo colarinho do seu hábito. Você sabia o que aquilo significava. Dracula era uma vampira. Mas sem perceber, tu inclinou a cabeça e expôs ainda mais da sua garganta. Ela aproximou o rosto, os lábios tocando sua pele quente. Num beijo casto, ela afundou as presas na sua carne, chupando seu sangue. Você sentiu uma dorzinha, mas manteve o silêncio. Seu corpo foi enfraquecendo e ela te segurou, pegou-a no colo estilo de noiva.
— Desculpe.
Você olhou para ela, seu rosto bem esculpido ficando turvo. Seus olhos foram se fechando e tudo foi ficando escuro. Pela primeira vez, as lágrimas escorreram dos olhos de gavião da mais alta.















