Papai Buggy x Filha Leitora (Platônico)
Resumo: Onde Buggy te ajuda a montar uma árvore de Natal.
Avisos: Nenhum. Alerta de pai idiota com 0 instinto paterno.
Gênero: Fanfic, família, fluff, inserção de leitora feminina.
Postado também em: Wattpad & Spirit Fanfics
Créditos do separador para: @pixopix
━ Meu nariz!!! Cadê meu nariz?! Alguém viu meu nariz?!?!
O grito esganiçado e desesperado de Buggy rodopiou por todo o navio, despertando reações de susto e desconforto nos mais próximos a ele, que logo se afastaram ao ver o mau humor de seu capitão.
Era uma bela tarde de dezembro, o sol brilhava radiantemente no céu, clareando todo o mundo e o vasto mar azul estava calmo abaixo do navio, sem agitações, sem monstros marinhos, apenas calmaria e quietude. O Natal se aproximava lentamente, os dias escapando entre os dedos da sociedade enquanto a data rastejava para cada vez mais perto.
Honestamente falando, Buggy nunca ligou muito para esse tipo de data comemorativa, ele gostava da festividade e comida farta, óbvio, mas, de modo geral, era bem indiferente para coisas do tipo "clima natalino" e blá-blá-blá; só que esse ano estava diferente, o Natal tinha um significado mais pesado para o pirata, tamanha era a diferença que, ao contrário dos outros anos, o Big Top estava todo iluminado e cheio de adornos natalinos, com decoração espalhada para lá e para cá, gorros natalinos que ficavam esquisitíssimos na cabeça dos tripulantes e caixas e mais caixas de enfeites largadas em meio aos corredores.
O motivo dessa mudança radical? (Nome), uma criança miúda que, por puro acaso do destino, Buggy acabou salvando sem querer algumas ilhas atrás e, desde então, ela se grudou ás pernas do palhaço como se fosse uma coala e não largou de jeito nenhum, praticamente forçando o pirata a trazê-la a bordo.
A pobre garota não tinha ninguém para cuidar dela, abandonada na miséria, parecia tão desolada na primeira vez que Buggy a encontrou. Algo na forma como ela o olhou depois que ele a salvou, como se ele fosse algum tipo de herói, alguém poderoso, o fez sentir um fraco pela petiz; seu coração se aqueceu e memórias da época de ouro de sua infância, quando navegava no Oro Jackson com a infame tripulação do Rei dos Piratas, vieram aos montes na sua cabeça, até que não teve jeito e Buggy teve que adotá-la, persuadido por sua fofura infantil e pela sensação de nostalgia que arremetia o peito.
Em algum momento entre sacudir a perna para se livrar da pequena pirralha e arranjar uma forma de jogá-la para fora do navio na primeira ilha que conseguisse, Buggy tomou uma importante decisão no íntimo de seu coração e prometeu para si mesmo que seria para (Nome) o que Gol D. Roger foi para ele um dia.
A convivência não o permitiu se desfazer dela, foram poucos dias de convivência até que tomasse essa decisão, mas ainda assim, foi tempo suficiente para que Buggy se apegasse completamente à menina. Agora ele não conseguia se imaginar acordando algum dia e não se deparando com um minúsculo pedaço de gente correndo pelo Big Top com risadas inocentes que vagavam pelo ar e um cabelo rebelde e imparável voando junto do vento ao sair de seu quarto, aqueles enormes olhos que brilhavam como duas esferas radiantes possuidoras de sua própria constelação o encarando enquanto um sorriso banguela o desejava o bom dia mais fofo e genuíno que alguém poderia receber.
Buggy simplesmente não conseguia mais. Se você ficasse longe por algumas horas, ele já sentia sua falta, um vazio enorme inundava seu peito e a solidão o assolava. Você era a luz que iluminava os dias mais tempestuosos dele.
Mas, assim como nada na vida é fácil, ter uma criança a bordo também não era um mar de maravilhas. Você era uma garotinha atrevida e espivetada, parecia não ter noção do perigo e nem do que significava a palavra quietude em grande parte do tempo, tinha uma curiosidade do tamanho de sua fome (que era, inclusive, gigantesca) e gostava de brincar mais do que gostava de obedecer. Se Buggy achava que era encrenqueiro quando criança, você conseguia ser 3 vezes mais, não! 5 vezes mais, pior! 10 vezes mais, fora o acréscimo da peraltice do Shanks a ser considerado na equação.
Você não parava quieta, tacava o terror, era como um sopro rápido e quente de um dia de verão particularmente calorento, tão rápido que ninguém alcançava, mas que se notava por onde quer que passasse. Não era difícil rastreá-la, afinal, deixava um rastro de bagunça por todo o caminho que andava, gostava de amarrar laços nos cabelos dos tripulantes, brincar com os confetes, explodí-los para lá e para cá (em excesso), sair derrubando baldes de purpurina por todo o navio e usar a maquiagem do Buggy para desenhar e colorir as paredes e o chão do Big Top.
Por mais que Buggy adorasse uma bela bagunça, você era bagunça demasiada para um bando de piratas metidos a palhaço. Piratas estes — com um instinto paterno do tamanho de um mirtilo —, que eram idiotas, incompetentes e arruaceiros demais para desacelerar uma criança e mantê-la quieta. Eles não tinham controle sobre você, mas, apesar de tudo, te amavam desenfreadamente e garantiam que tivesse tudo o que precisasse e tanta diversão quanto quisesse. Você era a queridinha da tripulação, ninguém encostava um dedo sequer em ti, nem mesmo o próprio Buggy quando ia tentar repreendê-la; eles não deixavam, te escondiam e levavam a culpa por ti, e se o capitão te colocasse de castigo, eles arranjavam um jeito de tirá-la.
Você já aprontara tanta travessura que Buggy desenvolvera uma habilidade de pressentir quando estava sendo arteira, suas vísceras se remexiam e alertas soavam na sua cabeça, então, antes mesmo que ele pudesse te ver, já sabia que você estava fazendo algo que não devia. Este era exatamente um desses momentos, enquanto ele, ainda meio sonolento do cochilo recente e irritadiço pela falta do nariz, balançava a cabeça e olhava para todos os lados do navio, estranhando o silêncio suspeito que pairava por ele.
━ Aquela pequerrucha... Foi ela, não foi?! Onde ela está?!
Os tripulantes desviaram o olhar, como se fossem particularmente culpados de algo, alguns tentaram escapar do olhar julgador de Buggy fingindo concentração em suas tarefas.
━ Onde ela está?! (NOME)!!!!
Sem respostas. Um ou dois tripulantes assobiaram e olharam para o horizonte como se fosse uma vista inusitada. O palhaço esticou seu braço, separando sua mão do corpo e alcançando um dos pobres coitados que tentavam sair discretamente — e que ele sequer lembrava o nome agora — pela gola da camisa. O rapaz só teve tempo de engolir em seco e fazer uma careta de pânico para o colega mais próximo, antes de ser impetuosamente puxado para trás. A grande caixa de papelão que antes segurava se espatifou no chão; em um piscar de olhos, ele, desengonçadamente suspenso poucos centímetros do chão por uma única mão flutuante, estava cara a cara com o rosto pintado e irritado de um Buggy sem nariz.
━ S-s-s-sim? ━ miou uma resposta extremamente baixa e fina.
A voz do rapaz, já trêmula, foi diminuindo ainda mais o volume conforme ele piscava inquieta e nervosamente, olhando para os lados e vendo que todos os seus companheiros o encaravam com ar de dever e importância, como se dissessem taciturnamente: "Sê valente, não diga nada a ele!"
━ Nem tente me despistar, eu sei que você sabe. ━ O palhaço avisou em um tom de ameaça, suas pálpebras apertadas em ojeriza.
━ M-m-m-mas, veja bem... e-eu....
━ Ande logo, me conte de uma vez onde está (Nome) ou eu juro que vou enfiar minhas Muggy Balls na sua porta dos fundos até que elas façam você sair voando daqui e te explodam no meio do ar!!!
O rapaz se encolheu perante a ira de seu superior, com um barulho assustado que mais parecia um miado de gato. Ele ergueu o braço que tremia visivelmente e apontou para uma direção, não ousando falar uma palavra sequer.
Satisfeito de ter arrancado a informação que precisava, Buggy largou o tripulante sem gentileza alguma no chão e se retirou rumo ao local sinalizado, deixando para trás o coitado do pirata que foi rapidamente encurralado pelos seus companheiros indignados e posteriormente enxotado por eles. "Você só tinha uma missão!", "Desonrou nossa causa!", "Como pôde trair a nossa pequena (Nome)?!", berravam em um coral de vozes particularmente ofendidas, enquanto ele apenas se encolhia, repetia vários pedidos de desculpas e se defendia: "Vocês ouviram o que ele falou?! Eu não queria ter minha bunda explodida em pleno Natal!"
Buggy andou pelos corredores do Big Top e entrou em uma ou duas portas, antes de finalmente te encontrar no lugar mais óbvio possível: no pinheiro que eles surrupiaram de alguma ilha aleatória depois de muita insistência e olhinhos de cachorro pidão da sua parte.
O pinheiro estava dolorosamente imprensado na cozinha do navio (que era, inclusive, seu lugar favorito), posicionado no cantinho para não atrapalhar na passagem e colado na parede. Sua pequena figura adornada de vestes coloridas e infantis encontrava-se de forma tão obviamente exposta, em cima de um banco de madeira, na ponta dos pés enquanto tentava alcançar o topo da árvore, equilíbrio escasso e pequeno corpo titubeando como se ameaçasse cair a qualquer momento, que Buggy se questionou seriamente como não havia tido a capacidade de te encontrar antes.
━ Pivete? ━ Ele te chamou, incrédulo.
Você — que, com uma mão tentava equilibrar um belíssimo enfeite natalino na árvore e, com a outra mã, devorava um sanduíche de atum — virou-se instantaneamente ao ouvir a voz do mais velho.
— Mas o que é isso? — Buggy perguntou, olhos extremamente arregalados enquanto percebia que você também... Oh, meu Deus, aquilo era luz de LED?!
Como diabos você tinha conseguido enroscar todo o seu corpo na luz de LED?! E por que estava sem supervisão?! Ah... Buggy iria matar alguém, ele não sabia quem ainda, mas certamente iria matar alguém.
━ PAPAI!! ━ Seus lábios sujos de migalhas de pão se abriram em um enorme sorriso banguela e você, sem pensar duas vezes, saltou do banco com os braços bem abertos na direção do azulado.
Com um guincho assustado, Buggy conseguiu te segurar no ar (por pouco!), e impediu sua queda, evitando um enorme desastre envolvendo pinheiros caindo e enfeites natalinos se quebrando aos montes, tendo em vista que o fio que se enrolava no seu corpo era o mesmo que revestia desengonçadamente a árvore.
Você, pequena coisinha bagunceira que agora brilhava sem parar em uma oscilação de verde, azul, amarelo, vermelho e mais parecia uma bola da árvore do que uma criança, apenas gargalhou gostosamente, achando graça da situação e aproveitando que estava suspensa no ar para fingir estar voando.
Lentamente, com cuidado, como se você fosse uma bomba prestes a explodir, ele te abaixou até que estivesse à altura de seu rosto e, ainda te segurando pelas axilas, te observou com uma expressão resignada como se você fosse particularmente culpada (você era totalmente culpada). Você, em sua infinita fofura, apenas piscou inocentemente e o observou de volta, terminando de comer despreocupadamente seu sanduíche.
━ O que pensa que está fazendo?
Com as bochechas estufadas, mastigou sem pressa, o fitou, depois fitou a sua falha tentativa de enfeitar o pinheiro, então o fitou de novo, engoliu e disse:
━ Preparando a árvore de Natal para o Papai Noel poder trazer presentes!
Os olhos de Buggy se voltaram para o desastre em forma de árvore.
━ Isso aqui é uma ofensa para os meus olhos ━ disse sem rodeios. ━ Está horrível, se o Papai Noel visse essa árvore, definitivamente te colocaria na lista de crianças malvadas.
Após aquela declaração pouco gentil do mais velho, um silêncio mortal se fez presente na cozinha, não teve um único barulho sequer além de suas respirações, mas ainda assim, Buggy teve a forte impressão de ouvir algo se quebrando antes que você caísse aos prantos.
A sua mudança de expressão não foi imediata, não, na verdade, ela foi terrivelmente morosa, o brilho em seus olhos se apagou como uma vela em uma noite calma, seu sorriso foi sumindo prolongadamente e suas sobrancelhas, como se estivessem em câmera lenta, se franziram. Então lágrimas brotaram no canto de suas pálpebras, uma, duas, de repente uma cachoeira inteira enquanto você abria o berreiro.
Uma gota de água deslizou pela cabeça do pirata, uma mistura de aborrecimento, desespero e culpa surgindo em seu peito. De uma maneira desengonçada que gritava inexperiência, Buggy pediu desculpas e te embalou em uma tentativa de acalmar seu choro.
━ Está bem, está bem. Já passou... não 'tá tão feio assim... ━ disse, tentando consolar e falhando miseravelmente.
Fungando, você coçou o olho com a mão e olhou para ele, suas orbes focaram no rosto de Buggy e você parou por um momento, ficando estática, de súbito, o que era para ser um choro se tornou em uma crise de gargalhadas altas e incansáveis.
Buggy piscou, aturdido, e te observou se derreter em meio aos risos, as lágrimas cessando.
━ Do que você está rindo?
━ O... o seu nariz! ━ falou com dificuldade em meio aos ofegos, apontando para a cara do azulado, que logo a fechou em uma carranca.
Oh, verdade. Ele tinha ficado tão absorto na forma como te encontrara que havia até mesmo esquecido desse pequeno detalhe, ele ainda estava sem o nariz dele.
━ Você é bipolar por acaso, sua esquisita? ━ Irritado com a zombaria, ele faz uma pergunta retórica.
━ Papai Buggy está engraçado!
━ Ah, sua pirralha! Aposto que foi você que pegou ele, né?! Já pode ir me falando onde está meu nariz!!!
Ocupada demais rindo, você o ignorou. Quando finalmente se acalmou, respirou fundo e olhou para o pinheiro.
━ Papai, me ajuda a montar a árvore?
Buggy considerou pestanejar, mas, vendo a cara fofa que você fazia e o estado deplorável que a pobre árvore estava, ele decidiu concordar e, com um suspiro, meneou com a cabeça.
━ Está bem. Mas se comporte, sim?
Jogando os punhos para cima em um urro de alegria, você balançou animadamente nos braços do pirata.
━ Oba! O papai é o melhor!
Seu coração se aqueceu e um leve rubor floresceu nas bochechas do azulado, que, com um pigarreio, ergueu a cabeça e fechou os olhos, resmungando:
E, com essa afirmação tão cheia de si, o homem começou a analisar a pequena figura risonha da criança, franzindo o cenho de forma pensativa, antes de começar a girá-la entre as mãos, tentando desenrolar o fio do corpo dela. Ele a balançou para lá, balançou para cá, rodou-a, colocou-a de cabeça para baixo, chacoalhou-a de cabeça para baixo — para cima também — e fez tudo o que um pai experiente não faria enquanto resmungava o tempo todo sobre: "filha menina dar menos trabalho uma pinoia", "Como é que você conseguiu se prender nisso?!", "eu deveria ganhar um prêmio por ter que aturar esse tipo de coisa", entre outros.
Mas, no final, Buggy conseguiu te soltar com (nenhuma) maestria da LED e te colocar em segurança no chão, puxando o fio longo e o tirando do pinheiro enquanto enrolava em seus braços.
Seus grandes olhinhos curiosos brilhavam ao mesmo tempo em que você o assistia com a cabeça inclinada para o lado.
━ Por que papai está tirando o pisca-pisca?
Ele abaixou a cabeça por um momento e fitou sua figura minúscula próxima à perna dele.
━ Porque estava tudo bagunçado, precisamos organizar do zero novamente para que ilumine toda a árvore.
Um sorriso cheio de expectativa surgiu em seus lábios rechonchudos e pequenos.
━ Papai sabe preparar árvore de Natal?
Não, definitivamente não.
━ Óbvio que sei! Sempre enfeito pinheiros, consigo fazer isso até de olhos fechados!
Buggy nunca, na vida, enfeitou um pinheiro de Natal antes.
Batendo palminhas animadas e motivacionais, você deu pulinhos semelhantes aos de um coelho e abraçou as pernas do pirata.
━ Vai ficar incrível! ━ afirmou alegremente, antes de correr para um canto da cozinha e começar a puxar, com dificuldade, uma caixa cheia de enfeites natalinos para mais perto.
O pirata soltou um suspiro e olhou para a árvore na sua frente. Agora ele tinha a obrigação de deixá-la bonita para você.
O homem analisou os lados do pinheiro, coçando a cabeça no processo, então começou a tentar envolvê-lo com o pisca-pisca. Ele se embaralhou e falhou miseravelmente várias vezes, antes de finalmente entender como funcionava e, aos poucos, conseguir prender corretamente o fio nas folhas e galhos de maneira decente.
Em algum momento, dois tripulantes passaram pela cozinha e, avistando a trabalheira que o capitão deles estava tendo, começaram a rir baixinho, atiçando a ira do azulado que, tão prontamente, os colocou para trabalhar também. No fim das contas, ficaram três marmanjos quebrando cabeça com a luz de LED da forma mais idiota possível, mas logo Buggy enciumou-se porque você começou a elogiar ambos pelo trabalho duro e os chutou para fora da cozinha.
Não muito tempo depois, o pinheiro finalmente estava com uma aparência de pinheiro de Natal, completamente adornado pelo pisca-pisca e oscilando entre cores vibrantes e chamativas.
Com um bufo e um sorriso presunçoso, o pirata colocou a mão na cintura e empinou a cabeça para cima — teria empinado o nariz também, se ao menos estivesse com ele ainda colado na cara.
━ Yay! Agora a árvore está realmente começando a parecer natalina! ━ disse ao lado de seu pai adotivo, vibrando em êxtase. ━ Mas o trabalho não acabou! Falta o restante dos enfeites, essa árvore precisa de muitas, muitas bolas!... e brilhos, e... oh! E estrelas também!
Buggy te fitou pelo canto do olho, as sobrancelhas erguidas em uma leve surpresa. Seu peito subiu de forma enfática enquanto ele se enchia de orgulho e, com um grunhido de concordância, falava:
━ Vejo que você gosta de extravagância tanto quanto eu. É realmente a minha filha! ━ Aquiescendo a cabeça, ele abriu um sorriso com ar de sabichão e apoiou o vão entre o dedo polegar e o indicador no queixo. ━ Tudo bem, vamos tornar esse pinheiro em uma decoração digna de se tornar parte dos cenários dos meus maravilhosos shows!
Você, pequena coisinha que acatava todas as informações que lhe eram oferecidas como verdade, fecha os olhos e ri ao mesmo tempo em que balança os braços e dá pulinhos, repetindo o que sua referência — sim, pobre coitada de você, que tinha Buggy como exemplo de adulto a se seguir — havia dito.
━ Os maravilhosos shows do papai!
Ele, claramente adorando a reafirmação, apoia uma mão na testa para inclinar a cabeça dramaticamente para trás, balançando a outra suavemente para cima e para baixo na sua direção em um gesto que parecia dizer "continue".
━ Isso mesmo, criança, me bajule!
Depois disso, vocês começaram a trabalhar no restante dos arranjos que faltavam, contigo se divertindo em escolher os enfeites que julgava mais bonitos e Buggy fazendo toda a parte difícil do trabalho.
Sentada no chão, com as perninhas esticadas, um beicinho pensativo e a mãozinha apoiada na boca, você, rodeada da mais completa bagunça de decorações natalinas jogadas por todos os lados, olhava fixamente entre dois mini presentes de cores diferentes, tentando decidir qual iria ficar mais bonito na árvore como se sua vida dependesse daquela escolha.
Quando olhou para cima, os pequenos presentes enlaçados em seus dedos, você se deparou com um Buggy muito concentrado e com boas partes do corpo separadas flutuando ao redor do pinheiro enquanto ele ajeitava uma mini casinha de doces e um lacinho vermelho para não ficarem tortos nas laterais, a ponta da língua do homem pendia para fora e suas sobrancelhas estavam franzidas. Você soltou uma risadinha nasal, achando graça da visão, e ergueu as decorações que segurava próxima ao seu rosto, comparando as cores delas com as do Buggy.
━ Ahá! Essa cor é melhor! ━ exclamou quando finalmente chegou a uma conclusão, balançando para cima o enfeite escolhido.
Virando a cabeça na sua direção, o homem usou a mão desgarrada para puxar o pequeno objeto para si.
━ Deixe-me ver... ━ murmurou, observando de perto. Ele demorou alguns segundos antes de reagir confusamente. ━ Azul?
Você balançou a cabeça em concordância, antes de apontar para um canto do pinheiro.
━ Coloca ali! Vai ficar fofo.
Apertando os olhos para a sua sugestão, Buggy aproximou os braços — ainda separados — do corpo e botou as mãos flutuantes na cintura.
Você abriu um sorriso banguela e enorme no rosto, como se ele tivesse acabado de elogiá-la.
O pirata, que já havia se virado para pendurar o presente na árvore, estalou com a cabeça na sua direção em tempo recorde e, com uma veia irritada pulsando na testa, guinchou:
━ Não jogue a culpa em mim!
Não demorou muito até que Buggy finalmente terminasse de adornar completamente o pinheiro, agora ele estava brilhante e com uma decoração realmente formidável — algo que deixou o próprio capitão surpreso —. Com um suspiro de alívio, ele terminou de pendurar uma última bola natalina, antes de se afastar e contemplar seu trabalho finalizado.
O sorriso que você deu quando viu a árvore finalizada seria capaz de cegar facilmente alguém. Você bateu palmas animadamente e saltitou sem parar ao redor da árvore, passando a mão com cuidado em algumas partes e admirando as luzes dela, distraindo-se no meio disso com o próprio reflexo distorcido em uma das bolas de Natal, algo que te rendeu boas risadas.
━ Ficou lindo, papai! ━ Virando a cabeça na direção do homem, você o elogiou com globos oculares que brilhavam mais do que mil estrelas.
Buggy reprimiu o grande sorriso que quis surgir em seu rosto e pigarreou, alisando o chapéu.
━ Eu disse que sabia fazer isso!
Você correu até as pernas do palhaço e o abraçou com força, escondendo seu rosto na calça dele de maneira afetuosa enquanto ficava na ponta dos pés. O homem se assustou por um breve momento, antes de acalmar-se e, murchando os ombros levemente de vergonha e contentamento, abaixou a mão e deu batidinhas no seu ombro. Ele já estava quase se acostumando contigo o abraçando dessa forma, afinal, você parecia ter uma inclinação para o fazê-lo sempre que podia.
━ Obrigada! O Papai Noel vai adorar!!! ━ Agradeceu após uns bons segundos agarrada às pernas dele, antes de soltá-las e levantar a cabeça para olhar para o rosto do mais velho. ━ Mal posso esperar para ver a reação dele!
Você se aproximou da árvore de novo, parecendo uma mariposa atraída pela luz, um sorriso de boca aberta e um divertimento escrito em sua cara. Então, você parou, congelando no lugar por um momento, fez uma carinha pensativa, coçou a cabeça e fitou o teto da árvore, pouco depois disso, estalou os dedos e soltou um barulho de "ahá!", animação restaurada enquanto corria para fora da cozinha.
O azulado a seguiu confusamente com o olhar, antes de vê-la reaparecer de novo após alguns minutos. Você correu para perto dele, segurando algo, e parou bem na frente do homem.
━ O quê? ━ questionou, dando uma última observada no pinheiro para garantir que não estava esquecendo nada, antes de observar a tua figura minúscula que agora se inclinava na sua frente, esticando-se enquanto fazia um gesto fofinho com as mãos, pedindo para subir no colo.
Buggy sentiu vontade de morder os seus dedinhos, mas conteve-se e puxou-a para cima.
━ Me leva até o topo da árvore, papai?
━ Oh, certo. Verdade, faltou a estrela no topo.
Ele a levantou, você puxou algo do bolso e, com um pouquinho de esforço, esticou-se e o equilibrou na ponta do pinheiro.
Quando Buggy a abaixou de novo, vislumbrou uma estrela ponteira brilhando lindamente no pinheiro, era o toque final que aquela árvore precisava.
━ Prontinho, agora sim. ━ Você bateu uma mão na outra, como se estivesse limpando-as após um árduo trabalho.
Soltando um barulho pensativo, o homem coçou o queixo e deu um passo para trás, analisando-a dos pés à cabeça. Sim, estava linda, estava brilhante, estava extravagante do jeito que ele gostava e, definitivamente, se tivesse um concurso para qual é a árvore de Natal mais bonita, aquela ali ganharia — ok, talvez ele estivesse exagerando um pouco, mas ela estava linda, de fato.
━ Eu fiz um ótimo trabalho.
━ Nós fizemos, papai, nós fizemos ━ corrigiu-o, imitando exatamente a mesma pose que o mais velho fazia no momento.
O capitão bufou, levemente divertido, e pegou a caixa agora vazia para jogá-la fora. Quando abaixou, no entanto, uma coisa chamou sua atenção pela lateral do olho. Buggy travou no lugar, apertou as sobrancelhas e se agachou de novo, a fim de conferir se tinha visto o que achava que viu.
A reação que ele teve ao perceber do que se tratava não foi lenta, não. Foi como um vulcão repentinamente entrando em erupção, como um terremoto que veio do nada, sem aviso prévio.
Seu rosto tornou-se rubro e seus dentes ficaram à mostra, o homem apertou o maxilar como se tentasse morder um pão duro feito há mais de uma semana, um vaporzinho subia de suas orelhas e a palavra "raiva" parecia ser escrita através de suas veias que pulsavam irritantemente.
Ele puxou algo da árvore, seu nariz, e o mostrou para você.
━ O QUE SIGNIFICA ISSO?!?!
Você observou o nariz avermelhado do homem, tão arredondado que facilmente se infiltrava entre as bolinhas natalinas, com exceção de que conseguia ser ainda mais vermelho do que elas; então, sorriu.
━ Seu nariz, papai! Ele parecia um enfeite de Natal, então eu coloquei na árvore!
Ele enfiou o nariz no lugar, mas não antes de sua sobrancelha tremer em pura indignação. O capitão soltou um grito de desaprovação capaz de ser ouvido por todo o navio enquanto puxava a menina para cima pelas axilas e a balançava, despertando gargalhadas nela.
━ Meu nariz parece o quê?! Como se atreve, seu projeto de gente incompleto!!! Ofender ao seu capitão desse jeito, eu deveria te punir, te deixar sem doces! ━ esbravejou. ━ Quem te deu permissão para roubar o nariz das pessoas enquanto elas dormem?!
Você continuou rindo, até ele parar de chacoalhar e te trazer para perto de sua figura ouriçada. Você fungou, chistosa, e mirou o ponto vermelho característico que, até então, faltava no rosto do pirata.
A expressão que ele fazia neste exato momento era tão hilariante para você, que foi preciso reprimir os lábios, apertar as sobrancelhas e tampar a boca com ambas as mãos para não continuar gargalhando do palhaço, que faltava soltar fogo pelas narinas.
━ Não achei que você fosse se importar ━ disse, piscando várias vezes de forma inocente enquanto juntava as mãos e as balançava.
━ É claro que eu vou me importar!! Pensa que sou uma piada?! Como você ousa comparar meu belo nariz a essas bolas de Natal?! 'Tá me achando com cara de palhaço, por acaso?!
Você separou os lábios, pronta para falar.
Lentamente, fechou os lábios e engoliu sua resposta.
Você coçou a nuca, espiando o pinheiro por trás do chapéu do homem.
━ Eu queria deixar a sua cara ━ explicou, agora em um tom mais manso.
Colocou-a no chão novamente e massageou o nariz, levemente revoltado e grandemente aliviado de estar com todos os membros de volta ao corpo de novo.
━ Mas a árvore estava tão bonita com seu nariz... estava perfeita! Parecia até que o nariz tinha sido feito para isso.
Um símbolo de raiva surgiu — novamente — na cabeça do azulado, que apertou suas bochechas e as puxou.
━ Ai! Ai! Ai! Desculpaaaa! ━ Esperneou-se, empurrando os dedos dele para longe até finalmente conseguir se livrar do aperto. Acariciando suas bochechas judiadas, você o fitou com olhinhos brilhantes de cachorro pidão ━ É que as bolinhas de Natal são tão bonitas... que nem o seu nariz, mas o seu nariz é mais bonito que elas! Ele chama mais atenção! Ia cativar o Papai Noel assim que ele visse a árvore de Natal, ele certamente iria achar a árvore mais linda de todas! Talvez viesse deixar os presentes até mais rápido depois que visse nossos esforços!
O mais velho soltou um suspiro, erguendo uma sobrancelha.
━ É óbvio que é!... Sua pilantra, você está tentando me conquistar com bajulação?
━ Não! ━ Você resmungou, ficando na ponta dos pés para tentar alcançar a bola perfeitamente vermelha no rosto do homem, ele apenas se levantou, contra todos os seus esforços, e ficou mais inacessível. Você começou a pular com os braços esticados. ━ Me devolve a bola de Natal, por favoor, é a minha preferida!
━ Isso aqui não é uma bola de Natal, pirralha, é o meu nariz!
━ Ele tinha ficado tão lindo na árvore! ━ E começou a protestar, resmungando.
━ A árvore está ótima do jeito que está e meu nariz fica melhor na minha cara!
━ Mas eu gosto do seu nariz! Papai chatooo! ━ Prolongou a última sílaba enquanto segurava firmemente o tecido da roupa dele. Você ficou emburrada por bons segundos, até um lampejo de ideia tornar suas orbes cintilantes e sua cabeça se erguer. ━ Posso pelo menos apertar ele?
Buggy abaixou a cabeça e te observou presa às pernas dele. Um longo suspiro saiu de seus lábios na mesma medida em que seus ombros caíam; às vezes parecia que você tinha vindo à Terra com o único intuito de encher o saco dele.
━ Aaaah! Lá se vai o meu plano da árvore de Natal perfeita!
━ Não mais! Papai Noel vai ficar decepcionado!
E você prosseguiu fazendo drama, prosseguiu repetindo vários "por favor", "por favorzinho" até que Buggy finalmente cedesse a pelo menos deixar você apertar o nariz dele como se fosse um brinquedo que fazia barulho.
Mais tarde, naquele mesmo dia:
O mencionado, que descascava pacificamente uma laranja enquanto contemplava o luar, olhou na direção do palhaço azulado.
━ Nossa próxima missão é encontrar aquele tal de Papai Noel.
A declaração foi tão forte que derrubou a casca, derrubou o prato, derrubou a laranja e provavelmente derrubou alguns anos de vida de Cabaji também.