Várias vezes peguei o celular, abri seu contato e li seu nome, letra por letra. Sempre em algum momento antes de chamar, uma euzinha me impede, mesmo que assim como eu, ela também queira ouvir sua voz, não podemos. Não podemos voltar ao hábito, a zona de conforto e nem para nós. Tento me ensinar que as pessoas não são permanentes, podemos guarda-las da maneira que acharmos melhor, mas eventualmente elas se vão, tudo flui. Mas então em uma noite você liga, e o celular toca. Falar com você é uma especie de vicio, sua respiração me relaxa e sua voz me embreaga. Como todo viciado que nunca teve a intenção de largar, eu atendo. Quando a chamada quase cai, eu atendo, mesmo sabendo que nao devia. E ninguém diz nada, ambos sabemos que cada silencio conta, cada respiração cada segundo. Nós não dizemos alô, nunca. Dizer alô é nos lembrar que estamos distantes, que dependemos de aparelhos para ficarmos proximos. Não, não precisamos, só dizemos oi. Cada um diz oi duas vezes, o motivo? nem eu sei, mas assim sabemos que estamos bem. Estamos? A primeira ligação depois de meses, por que está ligando apenas agora? você nunca foi de falar muito sobre si, mas eu conheço você e seus trejeitos muito bem. Eu sei que quando as coisas não estao indo como quer, você precisa de alguem para arrumar. Igual eu fazia. Mas como você tem coragem de querer as coisas como eram antes? Eu sinto falta de como, mas eu tava quebrada e você me mantinha assim. Não se importava? Mas você diz oi e se injeta em mim, provavelmente sabendo o quão dificil foi me desintoxicar de você. E eu? eu gosto das sensações que vem junto, eu aproveito a viagem pois, mesmo sabendo que você me quebrando de um jeito, você também era uma especie de rémedio. Nunca fomos de nos despedir, conversávamos até um dormir. Eu lembro quando prometemos não pararmos de nos falar, você disse que se dependesse de você isso nunca aconteceria. Então eu tive que ser a primeira a falar tchau. Foi necessário. Você sabe que nos machucamos, por nada. Eu pedi que quando acontecesse, que você me magoasse e me deixasse com raiva, que me fizesse querer distancia e você não pode fazer isso por mim. E agora eu queria que não tivesse ter sido eu a dar tchau.