Monument to the Uprising of the People of Kordun and Banija, a Yugoslav WWII memorial in Petrova Gora, Croatia. Designed by sculptor Vojin Bakić. Photo by Valentin Jeck/MoMA.

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Monument to the Uprising of the People of Kordun and Banija, a Yugoslav WWII memorial in Petrova Gora, Croatia. Designed by sculptor Vojin Bakić. Photo by Valentin Jeck/MoMA.
Spomenik #yuguslavia #weirdcore #dreamcore #brutalism #brutalismarchitecture #architecture #architexture #phonk #molchatdoma #balkancollective https://www.instagram.com/p/Co41fWvoraG/?igshid=NGJjMDIxMWI=
Ao longo de um universo temporal de quatrocentos anos, Ivo Andric em A Ponte Sobre o Drina ensaia histórias, mitos e factos em torno da ponte sobre o rio Drina em Visegrad (Bósnia), álibi para explicar as complexas relações vivenciadas entre os seus habitantes.
Assim, em traços quotidianos, entre impérios e credos: sérvios, bósnios, turcos, ciganos, austro-húngaros, ou/e ortodoxos, católicos, muçulmanos e judeus, suportam a trama histórica de Andric.
Andric cresceu em Visegrad; essas relações fazem parte da sua contemporaneidade. No livro, a convivialidade entre pessoas de credos diferentes, é essencialmente corrompida pelos desígnios políticos, históricamente representados por aspirações imperiais: sérvias, otomanas ou austro-húngaras.
Essa narrativa é consentânea com o apoio de Andric ao projecto jugoslavo, com a matriz de criar uma convivialidade entre os povos eslavos do sul, livre do colonialismo imperial e suas tentações.
A recente guerra das Balcãs acrescentou mais um capítulo à sobreposição das vontades políticas. Houve extermínio e limpeza étnica em Visegrad, todas as mesquitas destruídas, 60% (percentagem de muçulmanos) da sua população abandonou a cidade, assim ditou Dayton.
Visegrad faz agora parte da Repúlbica Srpska, a entidade Sérvia da Bósnia-Herzegovina. Vinte anos passaram do fim da guerra, os minaretes voltaram aos céus da cidade.
Assim disse Andric:
1. As crianças cristãs, nascidas na margem esquerda, atravessam a ponte nos seus primeiros dias de vida, pois logo na primeira semana levam-nas à igreja para as baptizarem. Mas todas as outras crianças, as que nascem na margem direita, e as muçulmanas, que nem se baptizam, passam, como já acontecera com os pais e avós, a parte principal da infância na ponte ou perto dela.
2. Tudo isto observava a gente que, até então, tinha vivido em paz nas suas casas semeadas pelas encostas junto da barca do Drina. E seria tudo muito bom se pudessem apenas contemplar o progresso da obra: mas estas obras tomararm uma tal proporção e uma tal extensão , que arrastavam para a voragem todos os seres vivos e coisas inanimadas, não só da cidade, mas também de longe.
(...)
Havia mais dinheiro do que antes, mas os preços subiam e a pobreza aumentava mais rapidamente do que chegava o dinheiro que quando ia parar às mãos dos homens já estava meio gasto. Para as gentes da cidade, ainda mais inquietante do que a subida dos preços e dívidas, era o desassossego, a confusão e insegurança que agora reinavam na cidade por causa de tantos trabalhadores vindos sabia-se lá de onde.
(...)
As mulheres muçulmanas têm de cobrir o rosto mesmo quando saem para os seus quintais, pois de todos os lados chegam os olhares de um número sem fim de trabalhadores deste e de outros lugares; os turcos da cidade cumprem rigorosamente os modos do Islão , ainda mais porque todos eles são muçulmanos novos, e não há nenhum que não se recorde de um pai ou de um avô cristão ou recém convertido à fé maometana.
3- A partir desse dia eram levados para as Portas todos os que eram suspeitos ou culpados de participarem na revolta, presos quer na própria ponte ou em qualquer parte da raia. Ai decapitavam os insurrectos ou simplesmente os infortunados, colocando as suas cabeças sobre as estacas dispostas em redor do fortim. Quanto aos corpos, caso ninguém se apresentasse a reclamá-los, lançavam-nos do alto da ponte para o Drina.
4 - Pelo menos que o povo se lembrasse, nunca houvera um tal silêncio na cidade. As lojas nem chegaram a ser abertas. Nas casas, as portas e as janelas ficaram fechadas, apesar de ser um daqueles dias quentes e soalheiros de fins de Agosto. Ruelas desertas, pátios e jardins como mortos. Nas casas turcas reinava o desalento e a confusão, nas cristas a prudência e a desconfiança. Mas em todas elas - medo. Os austríacos que acabaram de chegar temem emboscadas, os turcos receiam os germanos, e os sérvios os germanos e os turcos. Os judeus, esses, tremem diante de todos, porque sobretudo em tempo de guerra, todos são mais fortes do que eles. Todos eles carregam ainda os ecos do bombardeamento da véspera nos ouvidos. E se todas as pessoas tivessem obedecido ao medo, nem só uma teria posto os pés na rua nesse dia. Mas, qualquer homem tem os seus senhores e patrões.
VER FOTO REPORTAGEM DOS BALCÃS
Yuguslavian awesomeness....