De todas as coisas que poderia acontecer em seu sexto ano em Hogwarts, estar em um armário no meio da madrugada com Zoltan Halál era a última em que Kevin pensou ser possível.
Não se engane, ele não estava reclamando. Não era por nada que tantos alunos se matricularam em adivinhação naquele ano sabendo que o sonserino estaria lá. Os anos haviam feito bem à Zoltan. Ele saiu do quinto ano como o típico "garoto fofo meio estranho que fala sozinho" e voltou no sexto como "Se eu sentar nessa espada nem Rei Arthur me tira de lá."
Devia ser ilegal ficar assim em poucos meses.
Juntando ao fato de ele não dar a mínima para divisão de casas e manter conexões (e negócios ilegais) com quase todo o castelo, Zoltan era interessante demais para não ganhar a orla de admiradores. E o melhor de tudo? Pela forma com que ele estava com a língua tão fundo na sua boca no momento ele gostava de garotos.
Sorte dupla.
Kevin se achava sortudo mais ainda por ter conseguido passar pela barreira final até chegar ao prêmio: Malfoy e sua varinha rápida para azarar quem olhasse demais para o irmão, Murasakino com seu olhar fixo por cima do ombro dele sempre que alguém tentava se aproximar, Baiser colada no braço dele, ganhando toda a atenção sem nem se esforçar. As duas da corvinal que formavam o bando eram as menos problemáticas na missão aparente de preservar a virgindade do sonserino.
Coisa em que elas falharam, porque claramente Zoltan sabia o que estava fazendo.
Muito bem.
Largou a boca dele e mirou o rosto ruborizado e aparência bagunçada iluminado por um lumos. De alguma forma o desgraçado ficava ainda mais bonito naquele estado.
"Eu morri e fui para o céu."
Zoltan deu um sorriso que devia ser ilegal.
"Eu saberia se esse fosse o caso."
"Hum?"
Como resposta o outro o jogou contra a porta do armário com força, a boca voltando a sua com vontade.
Quem seria ele para reclamar, não é verdade?
Zoltan se retesou no seu abraço de forma repentina e antes que pudesse o questionar a madeira sumiu das suas costas, a porta se abrindo e levando os dois ao chão do corredor.
Ele nem mesmo iria reclamar de perder pontos e ganhar detenção, não com o outro sentado em cima dele daquele jeito.
Sentiu algo gelado em sua nuca e foi arrastado para longe do outro no corredor, ainda no chão.
Zoltan olhava para trás dele com uma expressão indecifrável, quase petulante.
"Oh, merda."
Ergueu os olhos esperando encontrar algum professor, mas confuso encontrou o nada.
"Hum?"
"Tenho que ir."
Zoltan já tinha se erguido e ganhado o corredor antes de responder. O viu marchando rapidamente, sua voz baixa murmurando algo.
Demorou alguns segundos para se erguer também.
Imaginou se alguém na corvinal acreditaria quando dissesse que havia enfiado a mão dentro das calças de Zoltan Halál.
Por um lado ele seria um deus entre os colegas.
Por outra sofreria tentativas de assassinato.
"Tanto faz. Posso morrer feliz agora."
…….
"Você não tem direito de se meter na minha vida assim!"
Hal o seguia em silêncio, mesmo quando entraram no salão comunal
A expressão furiosa de minutos atrás havia sumido completamente, deixando apenas o desconforto.
"Ele estava se aproveitando."
"Ninguém estava se aproveitando de ninguém!"
Virou para o fantasma idiota, toda a raiva e mágoa dos últimos dias em seu rosto.
"Não pode fazer isso comigo. Você que disse que não queria mais me ver."
O rosto do outro se contorceu, quase sumindo.
"Eu não disse que não queria, mas que seria melhor não. Você tem amigos vivos agora, não precisa mais de mim. Você tem que viver!"
"Eu fiz um maldito ritual pensando que havia sido banido, apenas para você falar que tinha sumido de propósito. Você me deixou para trás."
"Zu-"
"Você disse que nunca ia me deixar para trás, mas deixou. Como todo mundo. E agora isso? O que você quer!?"
"Zu?"
Olhou para trás e viu Ofy. A expressão dela estava irritada. Provavelmente estava falando mais alto do que imaginava. O rosto dela mudou rapidamente quando se virou, indo para pânico.
"O que aconteceu?"
"Hum?"
"Você está chorando? Você nunca-"
A frase terminou de forma desconfortável e tocou o próprio rosto com cautela.
"Zu. Zoltan."
A voz ansiosa e angustiada o fez olhar Hal, agora flutuando na sua frente, a mão estendida tentando tocar seu rosto.
"Zoltan."
"Não. Você não pode fazer isso comigo. Venha me ver quando decidir se vai me querer por perto de verdade ou só quando precisa de mim."
O outro se afastou como se tivesse o machucado, mas não se sentiu mal por isso.
Hal havia sido o primeiro a se aproximar dele sem pedir nada em troca. Agora tudo parecia errado.
"Zoltan."
A voz suave o fez fechar os olhos. Quando abriu ele havia sumido.
Ofy estava ao seu lado, olhando para o nada com uma expressão fria.
"Era o fantasma?"
Assentiu limpando os olhos.
A mão dela foi quase suave em seu braço, o guiando para sentar no sofá, puxando sua cabeça para o ombro dela.
Ela não perguntou nada, ou comentou sobre estar chorando. Nada da provocação usual.
Ela apenas ficou com ele assim pelo resto da noite.
…….
"Preciso aprender como banir espíritos."
"Ofy."
"Só por curiosidade."