What is mine, is mine. What is yours, is ours. // @Sunyi
JonYi tinha sérios planos de ignorá-la e continuar seu caminho. Mas sempre fora uma pessoa que gostava de tentar moldar a situação a seu favor, usando de argumentos. Talvez porque seu pai fosse um oficial de justiça dos bons e antes disso, tivesse sido um grande advogado. De qualquer maneira, tudo que fez foi continuar ali, mesmo quando a desconhecida pegou o livro estendido e devolveu-o à prateleira. Poderia ter ficado quieto, poderia ter relevado, mas sua língua não parecia caber na boca. Além do fato de realmente estar gostando de atormentá-la daquele jeito.
– Então eu te recomendo um de biologia. – Ergueu a mão para apontar uma seção que estava por cima do ombro da menor. Era uma área toda dedicada a livros de Ciências Biológicas, como a plaquinha logo acima, em hangul e em inglês, apontava. – Porque ainda há estudos sobre mulheres não poderem ser daltônicas, porque isso parece ser exclusividade do gene Y. E você, até onde eu vi… Só me parece ter o X mesmo. – Arqueou uma das sobrancelhas.
Desta vez, voltou a dar as costas. Teria de subir as escadas para chegar ao caixa. Só torcia, realmente, para que ela não viesse mais atrás, porque tinha lá seus limites para negar algo a mulheres.
Sunhyo deu de ombros, revirando os olhos. Nunca havia realmente prestado nas aulas de biologia mesmo, mas não entendia o motivo de estar sentindo o rosto esquentar pela resposta que recebera. — Não importa se vejo as cores corretamente ou não. Tenho o gene comigo, me considero parte da causa.
Observou o homem lhe dar as coisas mais uma vez, e bufou com a cena, correndo mais uma vez para o alcançar, tentando chamar sua atenção. — Ei, ei, espera. Sério. Será que você não podia deixar o livro comigo por um dia só? Só hoje. Pode ficar com ele depois disso. — Sunhyo deixou o tom irritado que usara no minuto interior, fazendo o possível para parecer mais simpática do que realmente era. — Podíamos até ler juntos, aqui mesmo. Prometo ficar quieta. — A menina juntou as próprias mãos à sua frente, depois de evitar que seu cabelo caísse em seu rosto. — Só um dia.
Era uma péssima ideia, horrível mesmo. Provavelmente acabariam o dia transformando suas agressões verbais em físicas, e Park sabia que a culpa seria dela e das besteiras que ela soltava com aquela boca grande e QI razoável. Mas não se importava, contanto que tivesse a chance de aproveitar seu dia livre aproveitando aquela edição especial que tanto tivera a sorte de encontrar — ainda que o azar a aguardasse na esquina e que esse azar tivesse nome e sobrenome, pronto para lembrá-la o quão lerda ela era.









