08/07/2024
Um fato curioso e e engraçado é sobre como gosto de escrever só quando estou triste ou chateada. Mas ultimamente aconteceu tantas coisas bacanas... Estou pensando em atualizar o blog em breve. 👀
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08/07/2024
Um fato curioso e e engraçado é sobre como gosto de escrever só quando estou triste ou chateada. Mas ultimamente aconteceu tantas coisas bacanas... Estou pensando em atualizar o blog em breve. 👀
11/12/2021
19/10/2021
Nos dias que antecederam o Dia dos Pais minha intuição bateu muito forte. Aquela pulguinha que coça atrás da orelha e que não damos atenção, sabe? Eu estava planejando em passar o feriado nos meus pais, iria na sexta e voltaria na segunda. Seriam 4 dias longe de casa e mesmo com folga no domingo ele não quis ir junto.
Loguei o WhatsApp dele no meu computador, só para checar. Quando bate a desconfiança, mulher é assim, igual o CSI, procura pêlo em ovo até descobrir o que está incomodando, o que tem de errado.
Na sexta eu havia dito a ele que minhas irmãs me buscariam às 21 horas. Ele chegava em casa às 22:40, então não iria vê-lo. Neste mesmo dia ele me pediu para fazer um bolo, porque iria convidar seu pai para tomar um café no domingo. Fui trabalhar na parte da manhã, na parte da tarde ajeitei toda a casa e fiz um bolo de laranja com cobertura de brigadeiro. Deixei o café pronto na cafeteira, dois sanduíches prontos na sanduicheira para quando ele chegar em casa só ter o trabalho de startar os eletrodomésticos. Até um postit escrito "eu te amo" deixei. Sou assim, romantizo pequenos atos, pequenas coisas. Gosto de agradar, de deixar bilhetes.
Era perto das 22hs e minhas irmãs me informaram de que iriam se atrasar. Estava chovendo um pouco naquele dia e elas estavam esperando meu pai chegar em casa para pegar o carro.
Perto das 22:30hs ele me manda uma mensagem perguntando se estava chovendo em casa. O alarme em minha cabeça apitou: ''ele quer saber se estou em casa ainda''. Então eu disse que quando saí estava chuviscando um pouco. Peguei meu notebook, entrei no WhatsApp dele na mesma hora. Logo após receber minha mensagem ele mandou a localização do apartamento para a guria.
Eu não acreditei que ele seria capaz de fazer isso depois de eu ter dado uma segunda chance. Naquele momento ele morreu para mim, eu ia terminar independente se a guria aparecesse lá ou não.
Eu precisava agir rápido, tinha 10 minutos para pensar o que iria fazer. Eu já sabia que não ia mais na casa dos meus pais, então a primeira coisa que fiz foi ligar para minhas irmãs e cancelar minha carona. Inventei uma desculpa esfarrapada e disse que não iria mais.
Tic, tac, tic, tac...
Peguei minha mochila, meu notebook, um casaco e me escondi em uma salinha vazia que tem no térreo do prédio.
Tic, tac, tic, tac...
Pelo meu notebook eu continuava vendo as trocas de mensagem. Eu estava muito nervosa, parecia que uma forte sonolência tentava me derrubar. Me concentrava em respirar e pensar: o que é que eu vou fazer? Eu vou agredir ela? Eu vou dar uma cadeirada nele? Eu vou quebrar tudo? Eu não sou uma pessoa agressiva. O que devo fazer? O que eu vou fazer?
Tic, tac, tic, tac...
Ouço o portão abrir. Espio pelo basculante da pequena sala. Ele chegou. Sozinho. Subiu e entrou no apartamento. Me mandou uma mensagem agradecendo pelo café e pelas torradas. Checo novamente meu computador, ela mandou um áudio para ele: ''vou sair daqui a pouco. Aí tu me mete em cada uma... Se não estiver chovendo muito eu passo aí''.
Tic, tac, tic, tac...
Continuo sentada, esperando e pensando. Mandei uma mensagem para minha melhor amiga para tentar me acalmar. Ela se oferece para me buscar, digo que não e que vou resolver aquilo naquele dia mesmo. Falar com ela me acalmou um pouco.
Tic, tac, tic, tac...
Ouço o barulho de uma moto estacionando. Olho pelo basculante. Era ela. Ouço ele descendo as escadas, foi até o portão receber. Abriu, cumprimentou. Não beijou na boca, se abraçaram e sorriam, então os dois entraram.
Respirei fundo. O que eu ia fazer? Esperaria um tempo? Entraria no apartamento naquele momento? Quais seriam minhas palavras? O que eu ia fazer quando olhasse para a cara dela? Naquele momento me deu uma secura na garganta. Maldito prédio que não tem uma torneira no estacionamento!
Subi as escadas. Parei atrás da porta e ouvi por um momento o barulho que vinha lá de dentro. Pelas conversas ele apresentava o apartamento enquanto passava outro café (eu tinha deixado um pronto para ele, lembra?). Os dois riam. Respirei fundo, eu sabia que não teria paciência para esperar acontecer algo a mais. Só o fato dele ter chamado ela para ir no meu apartamento, escondido, sem me avisar, já era um bom motivo.
Abri a porta.
12/10/2021
Tudo voltou ao normal. Nenhuma mudança eu via do lado dele. Nenhum ato que me provasse o quanto ele estava arrependido. Nenhuma prova de amor. Nenhuma mudança de rotina. Ele não mudou de turno, continuou me trocando pelo vídeo game, continuamos não saindo nos finais de semana...
Foram dois meses assim... Eu continuava fazendo terapia, o que me ajudou muito, fazia e refazia meus planos, tentava tocar a vida adiante... Mas eu não esquecia. Eu simplesmente não conseguia parar pensar sobre o que aconteceu. Muitas vezes chorava do nada, sem saber o motivo, sem saber o que eu sentia. Ficava pensando se eu estava tomando a decisão certa. Ficava pensando se eu realmente tinha perdoado. Ficava pensando nos motivos pelos quais eu não conseguia esquecer e nos motivos que faziam eu querer estar com ele.
O tempo do relacionamento, as dificuldades pelas quais passamos e a mudança recente foram fatores que pesaram muito quando decidi dar uma segunda chance. E mesmo assim eu não estava bem. Não conseguia ficar bem.
Eu sentia que estava me perdendo. Não sabia o que de fato eu queria e a rotina me consumia... Um dia após o outro... Cheguei à conclusão de que não iria decidir nada por enquanto. Que iria tentar focar em mim, e deixar as coisas como estavam. Focar em mim era o que eu precisava naquele momento. Era a virada de chave que eu precisava.
Foi focar em mim que me deu forças naquela véspera de Dia dos Pais...
11/10/2021
Em resumo, depois da caminhada noturna em que nada foi resolvido, na mesma semana descobri que tudo o que ele me disse era mentira. Ela sabia que ele tinha namorada. Ele beijou ela. Ele havia me traído. Mentiras, mentiras, mentiras...
Hoje me pergunto o por quê eu ainda o perdoei na semana seguinte?! Talvez estivesse com medo de ficar sozinha. De ficar pela primeira vez, sozinha de fato. Literalmente. Meu eu de hoje não reconhece mais meu eu daquele dia.
Nos dias seguintes estávamos sem se falar depois que eu o confrontei com a verdade. Eu estava cansada, esgotada. Ele estava em busca de algo para alugar, até encontrou um e estava planejando sair do apartamento na semana seguinte.
Do meu lado só minhas amigas mais próximas sabiam o que estava acontecendo... Eu não falei com meus pais sobre, não sei se por medo ou por vergonha. Só achei que não era um bom momento para falar com eles. Para mim as coisas ainda estavam incertas.
Do lado dele eu mesma contei. Falei o que estava acontecendo, o que ele fez e que ele iria sair. Já falei para não sair por "pessoa ruim", ele não contaria a verdade. A família dele não acreditou no que estava acontecendo.
Na semana seguinte ele não conseguiu prosseguir com a saída e mudança, segundo ele, teve medo. Voltou atrás. Ao chegar do trabalho me acordou e aos prantos me pediu perdão, perguntou se eu ainda tinha sentimentos por ele e disse que estava cometendo o maior erro de sua vida. Disse que daqui para frente seria diferente, me prometeu inúmeras coisas. Jurou.
Dei a bendita 2ª chance.
24/08/2021
Na manhã daquela quinta-feira ele chegou a ligar e mandar mensagem perguntando onde eu estava. Não respondi. Para mim não iria fazer diferença nenhuma já que em alguns dias ele não estaria mais morando comigo. Por que ele queria saber? Não respondi e não atendi nenhuma ligação.
Na sexta-feira fui trabalhar normalmente, depois do trabalho fui ao psicólogo e no final da tarde fui para minha sogra. Ela sabia o que estava acontecendo e me convidou para tomar um café e conversar. Ela se mostrou estar do meu lado e disse que ele não estava contando nada para ela, nem conversar com ela ele conversava, o que era estranho porque a mãe dele era sua confidente, um porto seguro, ele era muito aberto com ela. Fiquei até tarde conversando e depois voltei para casa, mais calma pelo menos. Assim como eu sumi eu apareci, quando eu cheguei e ele já estava dormindo, então fui me deitar no sofá.
No final de semana decidi ir para a casa dos meus pais já que domingo era dia das mães. No sábado pela manhã comecei a me arrumar e arrumar minhas coisas, ele perguntou aonde eu ia, então eu disse: "vou passar o dia das mães com minha mãe, você deveria fazer o mesmo com sua mãe". Aquele final de semana foi terrivelmente maçante. Meus pais não sabiam o que tinha acontecido e eu justificava a falta dele por causa do trabalho. Ele não tinha trabalho, nem foi visitar sua mãe.
Voltei para casa no domingo à noite. De certa forma a presença dele no apartamento já estava me incomodando. Por que ele não acabava logo com isso? Por que ele não saia de uma vez? Era uma agonia sem fim. Naquela noite ele me convidou para dar uma caminhada para conversar. Fomos até uma praça em outro bairro e conversamos até tarde.
Ele se dizia confuso com os sentimentos novamente, que não queria terminar e sim dar um tempo para saber o que sentia. Eu falei para ele ser honesto comigo. Perguntei se ele tinha me traído, ele disse que não. Perguntei se a menina sabia dos sentimentos dele, ele disse que sim. Perguntei se ela sabia que ele tinha namorada, ele disse que não. Então disse para ele que ele estava sendo desonesto até com ela por não contar que tinha namorada e que estava sendo desonesto comigo por permitir-se dar corda e abertura para outra pessoa. No fundo, eu já suspeitava que algo assim pudesse acontecer. Nos últimos meses eu tinha percebido que ele estava apagando mensagens de WhatsApp com uma colega de trabalho. Ora, quem não deve não teme, não é verdade? Sempre fomos transparentes um com o outro. Por que ele estava apagando as conversas?
Voltamos para casa. Nada foi resolvido.
06/08/2021
Acabou.
Psicólogo: Sabe, muitas das nossas ações quando adultos vêm da nossa infância.
Eu: Pode ser... Quando eu era pequena, cuidava das minhas irmãs também pequenas para meus pais irem trabalhar.
Psicólogo: E agora parece que você quer cuidar de todo mundo, fazer por todo mundo. Me diga uma coisa: e quem cuida de você?
02/08/2021
Eu não sei qual lugar era pior: em casa ou no trabalho. Em ambos eu não queria estar, eu só queria sumir, desaparecer. Senti que eu cometi o maior erro da minha vida: saí da casa dos meus pais, gastei todas as minhas economias para realizar um sonho "nosso" de morar juntos. Eu me senti muito trouxa na verdade. Usada. Um trampolim para o sucesso alheio. Descartável.
Ficava remoendo o que eu deixei de fazer e o que eu poderia ter feito nesses 8 anos que estive com ele. Juntei cada centavo dos meus estágios pensando em nós. Para no final não ter adiantado de nada. Pior: me mudei para uma cidade longe, que em teoria fica no meio do caminho para o trabalho de ambos, mas também a 40km de todos que conheço.
Na terça-feira fui ao meu purgatório novamente e minha cabeça parecia um balão prestes a explodir. Eu só queria parar de pensar. Mandei mensagem para o primeiro psicólogo que eu vi. Ele retornou dizendo que tinha horário para sexta e eu respondi: "preciso pra hoje!". Ele perguntou se eu poderia ir às 21hs, aceitei. Iria em qualquer horário. Eu precisava falar com alguém.
Eu nunca tinha ido em um psicólogo antes, então eu não sabia o que esperar. Não sabia se ele tinha um roteiro, se ele iria conduzir a conversa, o que eu deveria falar... Eu ficava pensando nisso no caminho da clínica. Lembro que entrei e me sentei no sofá, acho que o psicólogo só perguntou como eu estava e eu desabei. Não parei de falar e de chorar. Até pedi desculpas no final, não deu nem tempo para nos apresentarmos. Ele sabia que eu precisava jogar o que me atormentava para fora. Marcamos retorno para a sexta da mesma semana.
Ao sair da consulta me senti mais leve. É meio louco e meio triste também. É solitário na verdade. Eu tinha um preconceito muito grande com relação à psicologia... De ser meu último escape antes de fazer alguma besteira... Eu pensava o quão merda seria chegar ao ponto de não ter ninguém para conversar e ter de pagar alguém para me ouvir. Hoje penso diferente com relação a esse tema. Fui para casa, pelo menos, mais leve.
Na segunda e na terça ele dormiu no sofá. Na quarta perguntou se podia dormir na cama, pois o sofá era desconfortável e frio. Eu não me importei. Até aquele momento eu não tinha falado com ninguém próximo sobre o ocorrido e eu me sentia sozinha...
Era quase 2hs da manhã de quinta-feira quando mandei uma mensagem para minha melhor amiga. Disse que precisava ver ela com urgência. Pensei que ela estivesse dormindo e esperava receber respostas pela manhã, mas ela sempre me surpreende. Eu disse o que aconteceu, ela não acreditou, tive que jurar que era verdade. Ela só disse: "se arruma, tô indo aí te pegar". Ela não hesitou em dirigir cerca de 80km para me buscar e me levar. Naquela madrugada de quinta eu fugi.
Foi a melhor coisa que eu fiz. Estacionamos na beira da praia e ficamos conversando. Ela me obrigou a comer uns salgadinhos e beber refri. Percebi que não comia desde aquela noite de domingo. Chorei, pus tudo para fora e ela me ajudou a colocar os pensamentos em ordem. Fiz planos, me acalmei. Eu conseguiria me virar, no aperto, mas conseguiria. Jurei para mim mesma que não iria querer um tostão de ajuda financeira dele. Planejei tudo, passo a passo, tim-tim por tim-tim e viramos a noite papeando.
Eu fico muito feliz por ter uma amiga parceira, uma piloto de fuga. Agradeço muito por ter ela em minha vida e saber que posso contar com ela para tudo! Espero um dia poder retribuir o que ela fez por mim naquela noite. Dormi na casa dela e graças aos céus não fui trabalhar naquele dia.
29/07/2021
A pior coisa que aconteceu depois daquela noite horrível foi ter que ir trabalhar no dia seguinte. Minha cara, meus olhos estavam inchados de tanto ter chorado, e não ter dormido deixou marcas de olheiras em meus olhos. Me obriguei a ir trabalhar, ou na verdade, ir trabalhar seja uma obrigação. Infelizmente.
Me maquiei como se estivesse indo para uma festa noturna: base, blush, sombra escura, delineador, lápis, rímel... disfarçou bem, eu parecia melhor externamente. Com minha máscara pronta rumei ao escritório.
Óbvio que meus colegas notaram. Eu NUNCA uso maquiagem. Menti. Disse que ia em um jantar de formatura após o expediente. Não disse mais nada embora o colega que se senta ao meu lado me questionasse ou puxasse papo constantemente. Ele realmente é irritante, acho que é por causa da idade. Ele deve ter uns 50 e poucos anos, deve ser aquele tipo de pessoa mais velha que gosta de papear e não se toca que a outra pessoa não quer conversar.
Minha salvação foi ter trocado de lugar no mesmo dia e trabalhar em uma sala mais vazia. Tentei focar no trabalho, tentei focar em notícias, em vídeos, em qualquer coisa. Era impossível não pensar no que aconteceu na noite anterior. Saí mais cedo e fui para casa tentar colocar a cabeça em ordem.
27/07/2021
Naquele domingo ele estava estranho... quieto. Tínhamos discutido poucos dias antes porque ele teve a oportunidade de trocar o horário do trabalho e não o fez. O horário atual é muito ruim para ambos pois não temos tempo pra nós, eu acordo cedo e trabalho durante o dia, ele acorda tarde e trabalha durante a noite. Quando chego ele não está. Quando ele chega, eu já estou dormindo... e mesmo assim ele não trocou o horário, alegou que era porque tinha uma equipe muito boa para trabalhar.
Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que "tudo bem", realmente é um saco trabalhar sem equipe ou trabalhar com uma equipe de que não se gosta. Já tive experiências assim, talvez eu realmente estivesse exagerando um pouco. Mas o que eu sentia era que estava sendo trocada. Tentava ser racional, "tudo bem" eu repetia pra mim, "tudo bem".
Ele foi para cama mais cedo naquela noite e depois que jantei fui me deitar ao lado dele. Perguntei se ele estava acordado, ele respondeu que sim. Pedi desculpas por ter ficado chateada e por tê-lo chateado, disse que me sentia trocada, mas que entendia que trabalhar com um bom time era importante. Ele se virou para me olhar, e disse que precisava conversar sério comigo. Esperei por uma bronca ou sermão. Foi pior.
Ele começou a chorar. Fiquei preocupada. Ele disse entre lágrimas: "eu preciso de um tempo, porque eu não sei o que eu sinto por ti". Respirei, esperando meu cérebro processar cada palavra que ele dizia. "Como assim?" consegui falar. "Eu não te amo" ele disse. E ficou se desculpando e falando coisas de que eu não me lembro... Meu cérebro travou nessas últimas palavras dele. Juro que tive um curto-circuito dentro de mim. Minhas pernas tremiam de um jeito que eu nunca senti, simplesmente não conseguia fazer elas pararem de tremer. Tentei manter meu foco nelas enquanto a afirmação daquelas palavras se encaixava lentamente na minha cabeça. "Como assim?" Eu devo ter repetido isso um milhão de vezes até começar a chorar. Eu estava desmoronando por dentro. A dor era palpável e eu sentia um buraco sendo aberto no meu peito de forma violenta.
Perguntei se era por causa de outra pessoa. Silêncio. Perguntei novamente. Ele disse que sim, uma colega de trabalho e que se me amasse de verdade não teria sentido nada por ela. Tentei argumentar, fazê-lo pensar de forma racional. Não adiantou. Ele disse que iria morar com um amigo por um tempo, para organizar os pensamentos e tentar descobrir o que sentia. Implorei. Me humilhei. Não adiantou. Ele foi dormir na sala e eu não consegui dormir naquela noite. Chorei muito e senti o buraco em meu peito aumentar.
15/07/2021
Lembranças e sentimentos ruins ficam vagando dentro de mim sem terem para onde ir. Morrem e revivem em um ciclo sem fim chamado pensamento.
Adaptado de: @rascunhopravidasblog
13/07/2021
O início de tudo.
Sempre fomos carinhosos, abertos um com o outro. Sempre contávamos nossos problemas, nossas angústias, nossos medos, nossa vida. O início do nosso relacionamento foi muito difícil, meu pai muito machista e possessivo quase teve um infarto ao saber que sua filha mais velha estava apaixonada aos 16 anos. Ter liberdade para sair, ir na casa do namorado, essas coisas, foram conquistas de vários anos pra mim. Era uma tarefa muito difícil e angustiante ter que falar com meus pais, pedir autorização para sair, para dormir na casa do namorado, mesmo tendo 20 anos. Eles sempre com olhares julgadores, como se eu estivesse indo realizar atos pecaminosos. Muitas vezes me ofendiam, não sei por que faziam isso. Me sentia presa morando com eles.
Sempre fui uma pessoa dedicada e estudiosa, detestava passar cola, matar aula... Tive uma educação muito rígida. Ai de mim se reprovasse em alguma matéria. Minhas notas eram sempre as melhores e eu chegava a ser competitiva com isso.
Meu namorado, bem, ele não era perfeito. Tinha problemas em continuar os estudos e para ele sempre foi difícil encontrar um trabalho legal. Sempre o incentivei a fazer o que gostava. Incentivava ele a continuar estudando e se aprimorando. Fiz muitas coisas por ele, até o ajudava financeiramente quando apertava. Ajudei ele com sua inscrição para o vestibular, ajudei ele com sua matrícula quando passou no curso que queria, ajudei ele com os trâmites para conseguir uma bolsa de auxílio... mas ele botou na cabeça que queria arrumar um emprego e que não iria conseguir conciliar faculdade com o trabalho. Largou a faculdade e não conseguiu um trabalho.
Ficou alguns anos procurando, fazendo alguns freelances. Isso me incomodava um pouco, porque eu estava trabalhando e fazendo faculdade ao mesmo tempo. Como ele não conseguiria também?
Até que um belo dia, vi uma oportunidade e enviei o currículo dele. Depois de muitas etapas e entrevistas ele conseguiu a vaga e como o novo emprego era distante, decidimos morar juntos em fevereiro deste ano. Finalmente, depois de 8 anos de relacionamento.
Confesso que é um alívio ter saído da casa dos meus pais e sinto que até minha relação com eles melhorou. Não pretendo voltar a morar com eles e sempre coloquei na minha cabeça que quando saísse de lá seria definitivo. Eu estava muito empolgada com essa vida nova, mobiliando e decorando meu novo lar de forma que agradasse a nós dois. Eu estava muito empolgada com tudo isso.
Até que em maio veio o baque.
12/07/2021
Ultimamente me sinto aflita... Como se quisesse desaparecer, fugir. Fico mirabolando mil planos para uma possível fuga, mas todos são de longo prazo e isso me deixa inquieta, me faz questionar se realmente quero fugir ou se sou covarde o bastante para ficar.
Os motivos que me trouxeram a esse estado de caos foi uma traição, um golpe duro e amargo da pessoa que eu mais amei e confiei na vida. Foi da pessoa que jurou me amar e jamais fazer qualquer coisa que fosse me magoar. E fez.
Fico remoendo todos os dias se eu deveria ter perdoado ele, porque sinto que dentro de mim, lá no fundo, eu não o perdoei. Mesmo que ele tenha dado somente um único beijo em outra pessoa - pelo menos foi o que eu consegui descobrir - não consigo aceitar que ele possa ter feito isso. Ele mentiu quando perguntei sobre, mentiu uma série de coisas que eu sabia a verdade. Mentiu até eu o confrontar.
Se dizia confuso com os sentimentos, que eu não entendia o que ele estava sentindo. Me pediu um tempo, não quis terminar.
Eu mandei então ele sair de casa. Não queria manter amizade nem contato, só queria que ele saísse e levasse tudo o que era dele, para ele não ter desculpas pra aparecer. Três dias se passaram. Ele tinha achado um lugar para morar mas não conseguiu prosseguir, segundo ele, teve medo. Voltou atrás. Aos prantos pediu perdão, perguntou se eu ainda tinha sentimentos por ele e disse que estava cometendo o maior erro de sua vida. Disse que daqui para frente seria diferente, que iria se afastar da dita cuja.
Não sei se é certo, mas até hoje fico esperando todos os dias alguma atitude grandiosa; ele vir com flores ou qualquer outra coisa dizendo que se arrepende amargamente, que jamais deveria ter feito isso. Fico esperando alguma manifestação, alguma surpresa dele que de certa forma me prove que ele me ama. Mas nada.
Tudo voltou ao normal como se nada tivesse acontecido. Mas sinto que algo mudou dentro de mim.
08/07/2021
Às vezes eu só queria voltar a ser criança. Não ter as preocupações da vida adulta, as cobranças, a correria do dia a dia, de ter que estar atenta a tudo, de tentar fazer tudo o que me é imposto. Não queria ter que trabalhar por obrigação; porque eu tenho que trabalhar, porque as contas chegam e precisam ser pagas. Sinto que estou vivendo num círculo vicioso: trabalhar, pagar contas, correr contra o tempo... Quando isso vai acabar? Onde eu vou chegar?
Quando fecho meus olhos, me vejo no passado. Na minha antiga casa de madeira no meio do mato, literalmente. Uma mata inteira para ser explorada, sem vizinhos, sem pessoas. Um lugar verde onde eu costumava brincar descalça, sem ter medo dos insetos ou bichos que poderiam ter naquela região.
Queria voltar pra aquele exato momento, por mais fácil que a vida seja agora com tanta tecnologia, era naquele exato espaço de tempo que eu tinha tranquilidade e tempo de sobra para mim mesma... e nem sabia.
Quando eu era pequena tinha o péssimo hábito de imaginar o tempo passando rápido. Tudo o que eu queria era ser grande. Ficava fantasiando como seria meu futuro, e desejando que o tempo passasse rápido. Que ironia não é?
Sinto que preciso encontrar minha criança interior. A rotina está fazendo eu desconectar de mim mesma e isso está trazendo danos em todos os aspectos da minha vida. Eu abandonei o meu eu em algum lugar, em algum momento. É como se estivesse apenas existindo e não vivendo de fato.
"Eu tambem não fiquei, a pior dor é quando você se abandona." - @ceudejupiter