@nekoboydreams eu criei essa fanfic e só estou postando aqui e te marcando pq meu amigo está me infernizando para tal, jurando que essa historia sem revisao é maravilhosa e que eu deveria mostrar para o criador do universo, deixarei aqui o link do site com os outros capitulos lançados até entao, desculpe o incomodo e eu adoro o seu trabalho, espero ansiosamente mais conteudo do doutor.
Ela foi postada no ao3: https://archiveofourown.org/works/83286326/chapters/219373101
Essa história foi pensada depois de ler 'Spiral down the freak show' de: rumi_vintagetypewriter, deem uma olhada porque é uma obra maravilhosa e ler ela tem sido uma das minhas coisas favoritas
AVISO: essa obra não promete ser historicamente coerente, modificações precisaram ser feitas para englobar a nossa AU e também não promete manter a personalidade 100% dos personagens até porque não tenho matérial suficiente para definir a personalidade deles em situações tão especificas. Além disso a descrição e nome serão femininos, apenas por uma facilidade pessoal minha, mas fiquem a vontade para imaginar um homem ou o seu personagem.
Você estava desesperada por um trabalho, por que não trabalhar no circo? A única coisa que você não esperava era que criaturas estivessem enjauladas lá, e sendo maltratadas
Onde você passa a ser a cuidadora de 6 monstros incrivelmente inteligentes num passado distante
Para acessar o jogo original: https://garula.itch.io/the-freak-circus
Cap 1 - você começa a trabalhar
Sua bota afundava na lama a cada passo que você dava, o que só complicava na hora de carregar os baldes cheios de água para os cavalos, com passos cuidados para evitar uma queda direto na lama e não se sabe o que mais poderia estar misturado nela.
Com delicadeza despeja a água no cocho e vê um belo cavalo, de pelos marrons e músculos definidos pela vida esforçada que vocês levavam, trotar suavemente até ali ao notar a água fria, enquanto ele bebe do cocho permitindo que você acaricie sua crina suavemente.
Fazia apenas um dia que tinham te contratado no circo. Você desesperadamente pedira um emprego, estava necessitada de dinheiro, e, por algum milagre, tinham aceitado. Não houve perguntas demais, o que você agradecia mas também não teve promessas. Só uma condição clara: alimentar os animais e fazer o que te mandassem, sem questionar.
Você foi obrigada a acordar antes do sol, dar comida aos cavalos que puxavam as carroças e pentear cada um deles, mais tarde te fizeram lavar roupas e roupas e estender cada uma delas e deixar quarar ao sol, além disso você foi encarregada de fazer o sabão de banha e cortar toda a carne para os monstros do circo, carne essa que você não reconhecerá de onde era, mas considerando seu histórico tipos de carne não eram sua área, e você de uma maneira esperta não questionou, você sabia que eles não aceitariam questionamentos.
Mais tarde o seu chefe te derá 2 baldes de ferro com as carnes que você cortou mais cedo e apontou para a tenda mais afastada.
— Leve a comida até eles, só vê se não perde um braço — Ele disse, e você não soube interpretar se era um aviso ou uma piada, então apenas confirmou com a cabeça e pegou os dois baldes, você ergueu eles com esforço, seu corpo que não era acostumado a tanto trabalho braçal estava começando a sentir a dor do dia de trabalho. Contendo uma careta pela leve ardência nos braços você caminha até a tenda, grata pelas tabuas de madeira que permitem que você não pise na lama, ao chegar na entrada você para por um instante diante dela.
O tecido grosso balança levemente, e por uma fresta estreita dá pra ver o escuro lá dentro, ajustando a pega nos baldes e com coragem inexistente você entra na tenda, lá dentro tinha 6 jaulas, cada uma contendo um ser com olhos brilhantes e coloridos.
Enquanto deixa os baldes no chão, você sente o olhar deles sobre ti, você encara o balde sem jeito até que percebe um detalhe relevante, os baldes continham carne vermelha e brilhante ainda crua, mas não o suficiente para 6 monstros daquele tamanho. Você sente enruga as sombrancelhas em dúvida, mas seu chefe que te deu esses baldes já cheios, então em teoria deveria estar correto.
—Será que ele errou? -- você murmura para si mesmo enquanto tira o chapéu e passa a manga da blusa pela testa suada, aquela tenda também era quente demais ao ponto de você usar o chapéu como abanador para conseguir aguentar o calor. Seu olhar sai dos baldes e vão para os seres nas jaulas, você acreditava que eles eram seres animalescos então duvidava que eles pudessem te responder sobre.
Você suspira quando sai da tenda e caminha quase correndo até seu chefe, não custava perguntar, certo?
Suas botas fazem as tábuas rangerem a cada passo rápido, você segue até encontrar seu chefe, que conversa com outro homem perto de uma das carroças. Eles param por um segundo quando te veem chegando daquele jeito, perdida e meio incerta.
— Já voltou? — ele pergunta, seus olhos analisando seus braços e pernas como se procurasse algo
Você hesita só por um segundo.
— Eu… — sua voz sai mais baixa do que você gostaria — acho que tem pouca carne. São seis jaulas lá dentro, mas… não parece suficiente
O outro homem solta uma risada curta pelo nariz, desviando o olhar, como se já soubesse de algo que você não sabe.
Ele te encara por mais tempo do que o necessário, como se estivesse decidindo alguma coisa. Então passa a mão pelo rosto, suspira… e dá um meio sorriso torto.
Aquilo não te tranquiliza.
— Então… eu levo mais? — você pergunta, já se preparando pra voltar a tenda com as carnes e levar mais
— Não — ele responde, rápido demais para o seu gosto
Agora você franze a testa de verdade, ainda o olha meio incerta, mas a forma que ele te encara faz você apenas ignorar as dúvidas em sua cabeça e confirmar com a cabeça antes de virar as costas e voltar pela trilha de madeira com os passos duros.
Você entra na tenda novamente, se sentindo mais cansada que durante o dia todo, e caminha até os baldes que você tinha deixado pegando um deles, cada um tinha 3 pedaços de carne, dando apenas 1 pedaço por monstro, em desanimo arrasta um dos baldes até a primeira jaula, era o menor dos monstros, pequena e com olhos rosas, parecia ser a única femea do grupo, ela está escorada no canto da jaula, longe de você.
— Ei, tudo bem?— Você se sentiria idiota se alguem te visse falando com eles, mas sempre que estava sozinha desde a infância você conversava com os animais escondida -- Eu ainda não acho que seja o suficiente para vocês, mas pelo visto é o que estão dispostos a te dar, então me perdoe por ter tão pouco, juro que tentarei conseguir mais para vocês -- você encara o balde, e a cela, a pequena fera de encara com um olhar muito compreensivel como se entendesse muito mais do que você acha ser capaz — E me perdoe por não ter uma vasilha ou prato para vocês, nada contra, mas se vocês são as galinhas de ovo dourado do dono do circo ele não deveria tratar vocês melhor? -- Você murmura, quase como se fosse um segredo, enquanto tira um dos pedaços de carne e coloca na jaula com cuidado — Eu juro que lavei as mãos antes
Por um instante, nada acontece.
A pequena criatura não avança. Permanece no canto, os olhos rosados fixos em você, atentos demais para algo que deveria agir por instinto. O silêncio se estende, espesso, quase desconfortável.
Então ela se move, devagar, como se em poucos segundos ela visse que você não era um risco, só então ela pega o pedaço de carne, com cuidado e recua para o canto novamente. Come devagar, sem fazer barulho.
Não parece… apenas um animal.
Você fica parada por mais um segundo do que deveria, até lembrar do que veio fazer ali. O peso da tarefa volta para seus ombros, e você puxa o balde de novo, arrastando até a próxima jaula.
Esse era bem maior, com olhos amarelos afiados que pareciam não gostar da sua aproximação da de olho rosas. Você puxa um pedaço de carne e coloca na jaula, ele não se mexe, e você agradece por isso, pelo tamanho você tinha certeza que para arrombar essa jaula seria um segundo para ele e pelo pouco que eles comiam, você não queria estar no mesmo lugar que ele se estivesse solto.
— Será que a raça de vocês tem nome? — Você murmura mais pra si mesma enquanto puxa o balde para a terceira jaula — Não me lembro de ler sobre vocês em nenhum dos inúmeros livros que meu pai me obrigou, consigo identificar um pepino do mar, mas não consigo identificar vocês — diz se agachando na frente da terceira cela, olhos verdes vivos te encaravam, ele também parecia ter algo semelhante com tentáculos, você estava preste a colocar a carne quando ele chega perto, era o primeiro que se aproximava de você, uma leve alegria invadiu seu ser, será que esse tinha ido com a sua cara? você estende a carne com paciência tentando manter a alegria contida, mas quando você ia soltar a carne na jaula um dos tentaculos envolvem seu pulso dando um puxão pra frente, na mesma hora você sente seu rosto bater com tudo na grade e o seu chapéu cair, um som como uma risada sai do ser de olho verde, mas antes que ele pudesse te morder como o esperado, você apoia um dos pés na barra da jaula e impulsiona seu corpo para longe caindo de costas no chão, o tentáculo que te mantinha presa se solta junto com um som de insatisfação da criatura.
Você solta um xingamento em francês, como sua mãe fazia quando você era mais nova, seu braço agora tinha um hematoma novo e você estava cheia de poeira, você se senta encarando a criatura como se ela tivesse te traido, assim se levanta batendo a poeira da roupa e pegando o chapéu do chão, você apenas ignora o ser de olho verde e volta para buscar o outro balde com mais 3 pedaços de carne.
Agora você caminha até um ser de olhos roxos, e por segundos, a forma que ele te encarou, fez você se sentir encurralada, como se fosse você que estivesse presa, não ele, com mais cautela graças ao incidente anterior, você deposita a carne com cuidado na jaula e logo vai para a próxima, essa tinha o segundo menor das feras, ele tinha olhos brancos e parecia de avaliar de cima pra baixo, você deposita com cuidado a comida, mas se sente menos em risco do que antes, ele não parecia do tipo que te atacaria de primeira.
Aliviada com a calma nos dois ultimos, você vai para a ultima cela que tinha o maior deles, com olhos azuis claros, assim que você coloca a carne ele avança dessa vez com os olhos vermelhos, seu tamanho enorme batendo na jaula quase pegando o seu braço, aquilo foi demais para você, você levanta e a tropeços pega os dois baldes e corre para fora da tenda, deixando os sozinhos.
Seu chefe te vê correndo pela trilha de tábuas de madeira e dá um sorriso torto, deixando claro que ele mandou você para lá de propósito.
Assim que você sai o silêncio na tenda se faz presente, até que o de olhos verdes com uma risada quebra esse silencio.
— Pelo jeito mandaram outro novato para cá, que fracasso — Ele diz enquanto rasga a carne com os dedos e come — Querem apostar quanto essa pessoa dura até pedir demissão ou se tornar uma completa babaca?
— Espero que esteja errado, ela parece menos ruim do que os outros — A de olho rosa comenta com aquele de olho amarelo soltando um som afirmativo
— Vejamos quanto tempo ela se manterá assim, mas duvido que ela não mude depois de viver entre eles — Aquele de olhos roxos fala, era só questão de tempo até ela mudar com eles
Os outros dois permanecem em silêncio, o de olhos brancos por concordar com o seu companheiro do lado, e o de olhos azuis que ainda sentia fome.