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@tatitatas-blog
Tenho medo, mas permito-me aos meus desvaneios mesmo aqueles a que muitos chamariam de loucura, negligentes ou insensatos, jogo-me na fogueira como quem dá um mergulho no mar, danço nela como um demónio no inferno, arrisco sem piedade ou mesericórdia, o meu coração é a minha bussula e minha mente uma bengala desleal esta mente que me prega rasteiras, que me cobra o que não tenho para dar, esta mente que me acorrenta, a deveres sociais e a ideais que não tenho, mas meu coração é fogo e destemido, fogo que arde meus pensamentos encarcerados, e me liberta com uma crueldade sem cautela, deito-me e esfrego-me como se na neve fosse, nestes vacilos de ousadia, nesta liberdade de tentar e tudo largar, nesta ausência soberana, nestes prelúdios crueis mas acima de tudo, libertadores acredito nas possibilidades infinitas do mundo e na autonomia do coração, Que eu nunca tenho medo de viver, viver-me a mim e em mim desde a espinha às entranhas, O medo que viva na minha mente, mas nunca cative o meu coração.
Tati
E assim descubro que a felicidade não está escondida, num só projecto de vida, nem tanto, alojada numa esfera única, desta nossa existência, encontro-a em tantos e tão poucos minguantes momentos e planos, solitários e tão intensos quanto o cair de uma folha de outono, fragmento-a sem ganância, planto-a onde acredito vingar e por vezes e por surpresa, descubro terras que não sabia existirem, alimento-a de mansidão, tivesse descoberto outrora seu alimento de eleição, que eu não acelere o passo, nem atropele os instantes que a imensidão do mundo não me detenha a vista, que a distância não me iniba do entendimento, e se nesta fracção encontro júbilo, Indago a perícia de o fazer durar.
Tati
Elephants walking through a rain forest.
Ibiza, Spain
By Jose Antonio Hervas
AusênciaPor muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim. Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'
Monet’s garden, Giverny, France