Bom. Então é isso. Podemos simular que nada aconteceu. Arriscar mais algumas vezes e ver no que dá. Podemos acreditar que possamos dessa vez dar certo e recomeçar outra vez. Ou então assumir de uma vez, que nós dois juntos somos um tipo de história impossível, que nem mesmo nos livros daríamos certos. Eu não acho que deveríamos continuar. Apostar as miseras fichas que restam em uma tentativa desesperada de tudo se resolver. Não sejamos egoístas com nós mesmos. Na expectativa de que nós – As pessoas que éramos ontem - voltem para nos socorrer. Transformando-nos em peixes fora d’água, se debatendo e dando seus últimos suspiros. Não acho que precisamos disso, nos consumir mais do que já estamos. Não acho que devemos insistir para provar pra nós mesmos que ainda tem conserto. Que ainda haja tempo. Não acho que devemos deixar de por um ponto, só por medo do que vem depois. Passamos os últimos anos perdidos na desordem em que nos conhecemos, elaborando planos para quando saíssemos. Sem saber que nunca sairíamos. Amadurecemos, crescemos, somos outros. Devemos, claro, continuar escrevendo nossas histórias. Porém que tal mudarmos de foco? De personagens? Colocarmos no meio de nossos caminhos uma nova expectativa. Um novo propósito. Primeiramente, incontestavelmente, sermos felizes quase que por qualquer preço. Em seguida podemos preencher a existência do outro, agora já vazia, com outras pessoas. Resgatar nossos planos esquecido, nos resgatar de onde paramos. Do momento em que demos as mãos e começamos a caminhar juntos. A gente não precisa esquecer um do outro e de tudo o que passamos, contudo sem sombra de dúvidas, devemos parar de nos machucar. É uma decisão fatigante, porém mais fatigante são os caminhos que tomamos para tomá-las. Imagine o caos que alguém teve que viver para decidir deixar outro para trás? Sei que os primeiros passos serão árduos e que talvez até precisemos do outro pra se erguer. Caso caia, não tenha vergonha de me pedir socorro. Caso tenha a necessidade de ainda me dizer como foi o seu dia, me diga, ficaria feliz em ouvir. Caso queira um ombro pra chorar ou até um conselho que te ajude a entender para onde deve caminhar, também estaria lá, sempre que precisasse. Sempre? Lembra? O que quero dizer é que não precisamos estar juntos para cumprir aquelas promessas. O que quero dizer que desejo mais que tudo nossa felicidade se não deu juntos, que seja com o que mais nos parece certo. Porque sempre fica algo, nem que seja o respeito, a saudade. Ou as lembranças de nossos corações, aflitos buscando o do outro no meio de um sonho, ou do frio da nossa estação preferida. A gente não tem que ter pavor de tentar o desconhecido, olha só, fomos uma tentativa. E terminar, não significa que não deu certo. Quiçá fosse esse o fim que deveríamos ter chegado, vai ver era exatamente aqui onde estamos que deveríamos estar. Para que quando surgíssemos aqui, pudéssemos ver mais claramente que andamos pelo lugar correto. Vai ver que foi até sorte termos encontrado o outro para passar onde passamos. E termos saído melhor que incertamente sairíamos se estivéssemos sozinhos.