A noite silencia o mundo, que é pra gente poder se ouvir.
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@tefizpoesia
A noite silencia o mundo, que é pra gente poder se ouvir.
A santidade é testemunha da esperança, e ela se faz presente a cada vez que os joelhos tocam o chão pra rezar. Pra abençoar a vida.
Sei que por longos dias nĂŁo sabemos muito bem pra onde ir, e mesmo assim a gente segue⊠Fazer a vida andar, mesmo sem rumo Ă© alimentar o querer. Mostrar pra vida que aqui dentro, apesar do pesares tem vigor e que a gente quer viver. Â
Chico cĂ©sar canta: âCaminho se conhece andandoâ. Concordo e sigo. Cora carolina diz: âSe estĂĄ ruim o bom esta perto.â Veja ai, estou cheia de referĂȘncias, tenho onde apoiar - por hora - as desistĂȘncias. Mas desistir? Jamais, gosta dessa vida demais e quanto mais difĂcil fica, melhor fica depois. Tenho fĂ© na esperança, nĂŁo sei ser de outro jeito. Pra mim a vida passar melhor acreditando que o tempo cuida/cura tudo.Â
Ginny Au
Eu por vezes perco-me a olhar as estrelas.
Gosto de saber que sou insignificante,
Mas que ainda assim
Me deram a chance de viver para as apreciar.
:. äč
âQue apesar dos pesares conserva o bom-humor, caça nuvens nos ares, crĂȘ no bem e no amor.â
â Carlos Drummond de Andrade
amor: mesmo em atraso ainda estĂĄ dentro do prazo.
âVontade de encostar a cabeça no ombro de alguĂ©m que contasse baixinho uma histĂłria qualquer.â
â Caio Fernando Abreu. Â
Olhei para o céu e confiei em Deus.
quando vocĂȘ deu para aparecer com uma menina nova a cada festa, era como assistir a uma apresentação duma crĂŽnica do caio, onde o personagem sempre procurava outras mulheres diferente daquela que amava. entĂŁo, no fundo, eu nem me preocupava muito. no final da noite tu sempre dava um jeito de esbarrar a tua mĂŁo na minha ou me pedia cigarro e em seguida o isqueiro ou vocĂȘ tocava sempre aquela mĂșsica estridente de uma banda que sĂł eu gosto. ou, as vezes, muitas vezes, quando nĂŁo era possĂvel vocĂȘ esbarrar em mim de propĂłsito ou me pedir cigarro ou me fazer lembrar de algo que passamos juntos, tu me olhava. de longe, do outro lado do bar, da festa, da rua. tu me olhava, em silĂȘncio, sem pressa alguma, sem julgamento, sem raiva. apenas com amor. vocĂȘ tinha o olhar mais bonito do mundo quando me olhava. e, por isso, eu tinha um pouco de pena daquelas meninas que te seguiam por festas ou daquelas que comentavam de ti no banheiro. dava vontade de dizer a elas que tudo era coisa do momento, que era tua filosofia essa coisa vamos aproveitar o momento, ou pensava em contar que vocĂȘ adora fingir que vai desmaiar para roubar um beijo ou melhor, que isso Ă© coisa de quem Ă© nativo de sagitĂĄrio, apesar de achar que teu signo nĂŁo combina contigo. nĂŁo era uma competição, pois eu nĂŁo estava mais lĂĄ, e ainda assim, ninguĂ©m ocuparia meu lugar. teu olhar mais bonito tu guardou pra mim. e eu o tenho marcado em mim atĂ© hoje, sempre que lembro de vocĂȘ.Â
âThe weirdest love stories are always the best.â
Twice Born (2012) dir. Sergio Castellitto
VocĂȘ ainda nĂŁo nasceu, mas jĂĄ sorri como se conhecesse o mundo de cor, e jĂĄ enxerga como se tivesse visto todas as cores do mundo, e atĂ© se comporta como se tivesse superado todas as dores do mundo. E ainda assim, sem ter começado a viver e ao mesmo tempo tendo vivido tĂŁo intensamente, ainda tem toda uma vida pela frente. Mas nĂŁo se assuste, meu amor. Pode se amedrontar sem medo: viver Ă© justamente matar o que nos assusta, e estamos aqui para te acompanhar. Por enquanto, vocĂȘ faz parte dos meus sonhos confusos e sua voz jĂĄ ecoa pela minha realidade, pelos meus tĂmpanos, como se fosse me chamar a qualquer instante e, pode ter certeza, que a qualquer instante estarei lĂĄ, lĂĄ onde vocĂȘ estiver. Por enquanto, vocĂȘ Ă© fruto da imaginação fĂ©rtil da sua mĂŁe e sua mĂŁo, pequena, jĂĄ procura a grandeza dos seus dedos para segurar com toda a força que vocĂȘ ainda nĂŁo tem e se sentir protegida naquele pedaço de pele tĂŁo desconhecido, mas que vocĂȘ sabe que serĂĄ seu daqui pra sempre. E, assim, na Ăąnsia de existir, de ser, sua boca jĂĄ procura o seio menos distante para se alimentar de vida. VocĂȘ ainda nĂŁo nasceu, mas jĂĄ herdou o sorriso da sua mĂŁe, que atĂ© entĂŁo eu achava que nĂŁo poderia pertencer a mais ninguĂ©m, mas agora vejo que tambĂ©m Ă© todo seu. E isso me faz sorrir, feito criança. VocĂȘ tambĂ©m herdou seus olhos grandes: duas sementes negras que precisam da ĂĄgua e do sal das suas futuras lĂĄgrimas para brotar e fazer florescer todo o seu brilho, um brilho que eu sĂł encontro quando vocĂȘ esboça uma careta qualquer, procurando as palavras exatas que vocĂȘ nĂŁo ainda conhece para dizer que me ama. Seus lĂĄbios sĂŁo claros e sĂŁo finos porque precisam dizer delicadamente o quanto vocĂȘ tambĂ©m a ama, e precisam pedir com ternura e simplicidade sempre que vocĂȘ precisar de um colo ou de uma palavra doce que conforte e acalme a sua alma. De mim, vocĂȘ herdou o fascĂnio pela sua mĂŁe. E a minha timidez e os meus silĂȘncios que, um dia, serĂŁo tĂŁo necessĂĄrios. Principalmente quando vocĂȘ se apaixonar pela primeira vez. E, mais uma vez, meu amor nĂŁo se assuste. VocĂȘ, tĂŁo logo, vai se decepcionar. As paixĂ”es nĂŁo tĂȘm o mesmo sabor. SĂŁo breves, sĂŁo loucas, sĂŁo tantas e, entretanto, nĂŁo chegam aos pĂ©s de um grande amor. Esse sim, eterno. Esse sim, dĂłcil. Esse sim, fĂ©rtil. VocĂȘ ainda nĂŁo nasceu e jĂĄ treme, nĂŁo de frio, mas de saudade do agasalho bordado pelas mĂŁos de sua avĂł, que vocĂȘ ainda nĂŁo conheceu, mas que te espera com as mesmas rugas e os mesmos brinquedos. E jĂĄ teme nĂŁo ser filha Ășnica, soberana. E sente ciĂșmes do seu irmĂŁo mais novo dividindo os meus abraços, os beijos da sua mĂŁe, o carinho dos dois. E quando vocĂȘ chorar, de frio ou de ciĂșmes, talvez meus ombros nĂŁo estejam mais aqui porque um dia eu tambĂ©m preciso partir. VocĂȘ ainda nĂŁo nasceu, mas jĂĄ invade nosso mundo como se estivesse aqui hĂĄ sĂ©culos e olha pra sua mĂŁe como se jĂĄ tivesse olhado tantas outras vezes para ela e pede para ser ninada como se nunca tivesse sido abraçada. Olho para vocĂȘs: ela, nos seus braços que agora sĂŁo seu berço. VocĂȘ, iluminada, como se guardasse deus no colo, com a delicadeza maternal de quem esperou nove meses, e esperaria atĂ© uma vida, sĂł para vĂȘ-la sorrir, sĂł para vĂȘ-la enxergar, sĂł para vĂȘ-la se comportar como se jĂĄ conhecesse as dores e as cores do mundo de cor, antes de nascer.
Eu me chamo AntĂŽnio.Â
A dor nĂŁo vai embora enquanto ela nĂŁo diz tudo.
vocĂȘ merece alguĂ©m que te dedique um poema; alguĂ©m que lhe deseje um bom dia quando tu ainda nem saiu da cama; alguĂ©m que te abrace apertado e nĂŁo lhe faça perguntas quando estiver chateada com tudo e todos. apenas te abrace; alguĂ©m que faça marcaçÔes colocando a sua pessoa em imagens de gatinhos para que vocĂȘ se alegre mais; alguĂ©m que ame o quĂŁo linda ficas ao natural e que lhe ache encantadora com meio quilo de maquiagem no rosto; alguĂ©m que apresente vocĂȘ aos pais, amigos, colegas de trabalho, ao porteiro, a vizinha antiga e a atual, o padeiro e afins; alguĂ©m que lhe te convide para a cama, mas que tambĂ©m te convide para um cafĂ© Ă s 10h30 da manhĂŁ; alguĂ©m que tire todas suas dĂșvidas sobre o mundo, mas ao mesmo tempo lhe instigue a ficar mais e mais curiosa e questionadora; alguĂ©m que te mostre uma banda e te puxe para dançar quando uma especĂfica mĂșsica tocar; alguĂ©m que te dĂȘ mais motivos para se dedicar Ă arte; alguĂ©m que te traga mais sorrisos ao longo do dia; alguĂ©m que seja bom; mas, principalmente, alguĂ©m que ame vocĂȘ.
Alberto Caeiro