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@teleputo
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Seus pesadelos não são sobre coisas que acontecem Emmett, são sobre coisas que você mesmo deixou acontecer. Eu conheço você, você sabe disso… eu sei bem o que o seu ego estúpido pode ser capaz de fazer e sei bem que por mais que você tente jogar as coisas na minha cara, eu não fiz metade das coisas que você já fez, eu não causei metade dos pesadelos que você causou. Então não tente jogar na minha cara que eu não estava em genosha e que os Vingadores não ajudaram vocês, não me culpe por ser mais forte que você e você depender de mim pra proteger a sua turma! Eu não sou um X-men, eu não sou parte do seu time, mas se quer mesmo saber… eu me arrependo de todas as formas por não estar lá naquele dia, e vou carregar por toda a minha vida isso, esse pensamento de não poder ter salvado pessoas que não mereciam morrer… pessoas que você não era forte o bastante pra salvar, Emmett. Porque ao contrário do que você pensa, nem todos os vingadores são heróis que se disponibilizam apenas em salvar humanos, alguns de nós realmente carregam culpa por não ter ajudado os mutantes. Mas isso é algo que sua mente pequena e coberta de egoísmo não sabe entender não é? Então faça um favor ao garoto mimado que não merece ser ajudado por você, e saia do meu caminho, vá achar um “mutante” pra salvar, porque enquanto você usa desculpas pra tentar compensar as coisas que fez no passado, eu por outro lado pego meus erros e assumo cada um deles, vivendo meu próprio futuro. Então faça um favor e nunca mais use Genosha contra mim, porque se você tentar isso mais uma vez… eu prometo que não vão ser apenas pesadelos egoístas que você vai ter.
— O meu ego estúpido é só o que vem mantendo esses estudantes a salvo dos humanos então não me venha com falhas de caráter porque você não foi altruísta o suficiente para nos auxiliar quando precisamos. Eu causei mal e estou pagando por ele com meu sangue a todo dia que passa, obrigado. Não sei se posso falar a mesma coisa de você. Isso não é sobre quem é mais forte ou sobre quem precisa da sua assistência porque francamente, o que você pode fazer? Alterar algumas linhas temporais? Nós temos a porra da Fênix conosco. Uma pena que John vive ocupado demais morrendo e renascendo para nos ajudar. Como pode ver, eu sou o único cara que tá tentando fazer alguma coisa a respeito do futuro mutante, então dê um nó em sua língua antes de falar de egoísmo.
Quando controlar seus poderes, talvez consiga fazer uma ameaça de valor. Por enquanto, essa sua persona pomposa está longe de ser o Wendell que está à minha frente.
“Ao tornarem-se heróis. Em particular, ao decidirem agrupar-se em nome de algo que não cabe a eles, e sim a tal governo. Contratos verbais não deixam de ser contratos.
“Isso não viria a mudar nada para nós. A atenção deles está voltada ao conflito, no momento, e não pretendo defender os mesmos seres que dizem-se protetores mas ignoram a parcela mutante da sociedade. Ou estaria você duvidando minha lealdade à espécie que venho defendendo há décadas? Se alguma forma de interferência fosse requerida, quaisquer medidas necessárias já haveriam sido tomadas.”
— Tem razão. Mas seguindo essa lógica, os X-Men fariam parte dessa gama de heróis que supostamente trabalharia para o governo. E nós sabemos que isso não é verdade.
Não estou questionando nenhuma de suas atitudes, apenas sinto estranheza por você estar tão silenciosa. Ou está tramando algo, ou está tramando nada, o que é igualmente aterrorizante. Charlotte não poderá tomar conta de tudo para sempre, Erika. Cyclops é uma desequilibrada – eu a amo, de fato, mas verdades precisam ser ditas –, Storm não aguentaria a pressão e Phoenix está ocupado morrendo e renascendo centenas de vezes. Alguém terá que levantar a bandeira mutante ou todos nós estaremos perdidos como crianças em uma mansão assombrada.
Sinceramente? Eu não me importo muito com isso, o registro de mutantes já me causou muitas cicatrizes, prefiro ficar longe dessa outra guerra.
— Isso está tornando-se uma guerra civil, não há como escapar.
E todos temos cicatrizes, darling, algumas providenciadas pelo registro de mutantes, outras não. Uma coisa não anulará a outra.
— do you want to be with somebody like me? @frostrogers
Incumbência pesava-lhe contra femíneo dorso, contudo a psique permanece em compromisso acerca do prelúdio de oposição cuja tornou-se primacial figura. Não era primeira ocasião em que destino de sua pátria jaz contra seus palmos, epiderme feita para conflito, porém agora já não é benquista tampouco símbolo de concórdia como em seu célebre passado. Ainda que em época de censura para com seus atos, liderança era-lhe parte da essência, portanto permaneceria guiando os que partilham de sua ideologia – não importando sacrifícios. Há discernimento por parte da Capitã de que cresce o número de simpatizantes para com o Registro proposto pelo governo, portanto deveria buscar por adeptos à sua causa, pois auspicia guerra propínqua, mortífera. Muito foi-se argumentado, em razão de que cada imperfeição sua resulta em triunfos para o lado oposto e seus membros; houveram intermináveis diálogos até deliberação por parte de Rogers, que concluiu-se com a reunião junto de Emmett Frost.
Locomoção até luxuriosa residência do homem fora-lhe pacífica, o que considera um tanto singular, ainda desacostumada com a dissimulação acerca de sua aparência e nome. Não houveram imprevistos no ambiente, podendo livrar-se de acessórios e deixar os longos fios dourados livres antes de ser guiada até o encontro de sua companhia para aquela tarde. Passos sólidos e perfeito controle até pôr-se diante do homem. ❝ Belíssima ocasião, não posso dizer o mesmo sobre a temática a ser discutida, porém. ❞ Confortante recendência tomou-lhe o ser ao que a mulher faz como lhe é sugerido. Mantém perfeito porte diante dele, índigos austeros e nuance límpida; não houveram sorrisos, contudo há um quê amistoso em Stephanie. ❝ Pressuponho que também não sejam-lhe tempos favoráveis como representante dos valores e dos homens de Xavier, portanto agradeço-lhe por esta reunião. ❞
“Nunca podemos usar o termo ‘belíssima ocasião’ para qualquer coisa que envolva Avengers e suas tretas malégnas, darling.” O telepata envolveu as palavras em um doce sarcasmo, e tomou um gole da xícara de chá. Nas frações de segundo em que a porcelana tocava seus lábios, Emmett lançou seu olhar mais frio para a mulher. Independente de todas os seus sorrisos e aparente leveza, aquela era uma conversa séria, e seu tom sombrio logo decoraria o diálogo. Por enquanto, ao menos, divertia-se. “Os X-Men estão felizes em poder esclarecer as coisas, eu que agradeço, Stephanie. E oh, por favor, não se surpreenda por eu ter ciência de sua identidade secreta.” Ele tocou suas têmporas com dois dedos, apontando para sua cabeça. “Suponho que já esteja acostumada com pessoas invadindo sua mente. Retornando ao tópico primordial de nossa discussão, como andam os… Como se chamam? Era parecido com aquela marca de roupas… Hm… Vingadores’ Secret? Você é a nova Barbara Palvin, Steph? De fato, tens olhos angelicais.” Emmett tomou outro gole do chá, apreciando o saboroso líquido descer por sua garganta em uma temperatura agradável.
Sem qualquer aviso, levantou-se, caminhou até o baixo impedimento do jardim e fitou as árvores. Debruçado sobre o muro, conseguiu apanhar uma vistosa maçã que pendia dos galhos. Seus pés levaram-no de volta para a mesa. “Ouvi dizer que agora estão caçando vocês. Camburões da SHIELD, e essas coisas. Não é emocionante ser perseguido? Ser caçado feito um animal? Ser odiado por sempre fazer o bem?” Transmutando um de seus dedos em diamante, Emmett fatiou a maçã em quatro pedaços, deixando metade com sua convidada. “Não é emocionante ter a vida que os mutantes levam desde sempre?”
— do you want to be with somebody like me? @frostrogers
Deixar o Instituto havia passado de desejo para arrependimento assim que tocou o solo de uma das inúmeras mansões que Frost tinha em seu poder. O ar puro exalado do jardim dos fundos pouco podia fazer para desembaçar a cerne do loiro, que rebobinava as instruções de Charlotte em sua mente de novo e de novo para ter certeza que havia compreendido tudo como conforme ela queria. Ele não podia negar: era um imenso e esnobe babaca, mas seria um imenso e esnobe babaca que defenderia os ideais de Xavier. Agora, a responsabilidade de ser representante dos X-Men em tempo integral lhe obrigava a ter encontros com os políticos e jornalistas mais entediantes do país; embora ele adorasse trabalhar com o social, não era bem isso o que tinha em mente. Sua visita dessa vez, prometia ser bem mais atrativa.
O local preferido para os encontros era o salão principal, ornado com estátuas e quadros que valiam mais que a vida de meia dúzia de humanos. Emmett havia marcado no jardim dessa vez por ter ciência que sua convidada já passou tempo demais presa em um lugar. As árvores farfalhavam pela brisa, elevando o aroma das xícaras de chá – um hábito britânico que o telepata cultivaria até seu último dia de vida – para o ambiente. Ao sentir a mente da Capitã se aproximando, Frost ajeitou sua postura já mais do que alinhada e tomou um gole do líquido esverdeado. “Uma tarde bem agradável, não acha? Sente-se, dear.”
– Legal, né?! Eu protejo meus pensamentos de pessoinhas como você e Xavier e tantos outros. Nunca vão arrancar o que eu penso, até porque se arrancarem seria bem terrível. Mas não sou uma alienígena, gostaria, mas não sou. Sou só uma cria mal feita de um laboratório nojento.
— Sim, é melhor eu me manter afastado dos seus pensamentos. Se acaso você possuir algum pensamento. E hey, caso precise se alojar em algum lugar, o Instituto já tem um bom histórico com crias mal feitas de laboratório depois de tantos anos com a Wolverine. Passa por lá qualquer dia.
“O que eu quero, sir Frost? Primeiramente, que seus líderes procurem a verdade e se tornem almas racionais e não almas irascíveis. Em segundo lugar, quero a liberdade de Captain America, pois quem está defendendo uma causalidade desacertada não é minha estimada amiga. E terceiro: o que seria tintura para loiro platinado? Aliás, sir Frost, saiba que se nós explodirmos, tu explodirás conosco.”
— Oh, faça-me o favor. Sério que vai puxar um “if we burn, you burn with us” pra cima de mim, Thorniss Everdeen? Qual o seu bordão agora? May the hammers be ever in your favour? E tenho a estranha sensação de que você e a Capitã podem não ser só estimadas amigas.
Tintura para loiro platinado é o que eu vou beber, me intoxicar e morrer para não ter que ouvir esse seu sotaque asgardiano.
Sim, igual ao que ainda fazem… Não me esqueço, eu só já me aceitei.
Emmett, não se esqueça que a vida é minha, só minha, somente minha. Se está difícil, só eu posso resolver meus problemas, pare de fazer esses questionamentos.
— Sei que posso parecer invasivo de vez em quando, mas você sabe como telepatas são. E vocês todos são como filhos para mim.
Eu só quero o seu melhor, Bobbi.
— an ordinary night in hellfire club.
Era tudo uma questão de vencer ou perder. Movimentos precisos e afiados no frio poste metálico faziam a alegria dos frequentadores do Clube do Inferno. O “príncipe do gelo” era sempre a atração da noite, com seu pole dance ousado. Cada pessoa ali – homem e mulher – possuía suas próprias fantasias; e multiplicando-se nas diversas mentes do local, Emmett cumpria as loucuras de todos ao mesmo tempo. O esforço telepático de se manter conectado com tantos indivíduos exercia uma pressão desoladora em si. Entretanto, sua intensa concentração conseguia manter a performance impecável.
Um show de horrores. Espalhados pelo Clube, os clientes demonstravam uma expressão extasiada, as marcas umedecidas nos vestidos e os volumes nas calças não negando esse fato. Todos gritavam o seu nome – ou o seu codenome – sem se importar com quem estivesse escutando. Afinal, não sabiam que Emmett estava fragmentado, habitando as diversas cabeças do lugar. Ensandecidos, selvagens, as pupilas dilatadas e os sorrisos sem vida. Sentado no centro do palco, Emmett respirava fundo e lutava contra suas lágrimas. Não havia tempo para chorar, uma vez que se perdesse a conexão com uma mente sequer, descobririam que ele era um mutante. Um filete escarlate escorria de seu nariz por conta do imenso trabalho cerebral para fazer com que o espetáculo continuasse. Como de costume, ele logo teria dificuldade para respirar e seu peito martelaria de ansiedade ao lembrar que amanhã seria a mesma coisa. E depois de amanhã, e no restante da semana. Talvez passasse o resto da sua vida ali. Esse pensamento lhe assombrava todos os dias, mas não havia nada que pudesse fazer a respeito.
Mesmo quando seu serviço estava completo, a noite não havia terminado. Emmett corria para seu quarto no segundo andar, e trancava a porta que pouco podia fazer para lhe proteger. Como resultado dos impulsos sexuais psíquicos criados pelo loiro, um, dois ou meia dúzia de homens perdiam o controle, e queriam agora a versão real do que foi imaginado. A madeira da porta do quarto de Emmett já estava lascada e esburacada de ataques anteriores, e a cada baque dos predadores que tentavam invadir o recinto, eles ficavam mais próximos de derruba-la. Sem forças para entrar nas mentes alheias, a telepatia do rapaz era inútil. Não só ela, como seu corpo estava entorpecido das danças em excesso que era obrigado a fazer; ainda sim, ele fazia de tudo para não ser derrotado. Posicionava uma cadeira contra a porta, mas em pouco tempo ela não suportava os ataques à madeira. Chamava por socorro, mas ninguém aparecia. A sustentação da maçaneta deslocava do lugar e o coração de Emmett palpitava em pânico, e enfim, o primeiro agressor entrou, e depois os outros. Ele havia perdido. Eles haviam vencido.
Pesadelos? … Então é isso? Você quer falar sobre pesadelos? Me fala Emmett… quantos pesadelos você já teve? — Sua respiração fica mais intensa e seus olhos logo começam a ficar vermelhos — Você não sabe o que é ter pesadelos, Emmett, não venha tentar falar comigo sobre pesadelos enquanto não souber o que é ter pesadelos a cada maldito dia da sua vida desde o primeiro momento em que começou a ficar instável!! Não venha falar comigo sobre ouvir vozes de pessoas gritando por suas vidas se você tem apenas um momento desses em sua cabeça enquanto eu sou o que é forçado a lidar com isso sempre que chego perto de qualquer novo campo de guerra, Emmett!! — Altera a voz aos poucos, quase gritando ao final mas logo voltando a um tom de voz mais baixo, ainda com os olhos vivamente vermelhos — Você me culpa por não ter sido capaz de salvar Genosha, mas era você quem estava lá, você que deveria ter protegido seus alunos e não dependido de mim ou dos outros Vingadores pra isso! Eu… — Fecha os olhos por um momento e respira fundo se acalmando e seus olhos voltando a cor normal — Eu lembro de quando eu precisei de vocês quando os pesadelos começaram a piorar, quando eu precisei de você. Você já ficou do lado da minha mãe, a mulher que tentou me usar e usar a minha irmã só pros próprios interesses e do lado da Charlotte quando ela simplesmente disse que seria perigoso demais o dia em que eu me tornasse instável com os poderes que eu tinha e eu sei que vocês consideraram me matar em bem de proteger os outros, enquanto isso… vocês se preocupam sempre em salvar seus amigos, sempre diferente comigo. Então… eu sinto muito que não estava em Genosha, sei que algumas pessoas realmente não mereciam o destino que levaram, mas não me culpe por não ter conseguido ajudar os X-men.
— “ Essa é a diferença entre nós, Wendell. Meus pesadelos são sobre coisas que aconteceram, os seus são sobre coisas que podem acontecer. Você não tem controle, eu tenho. Você é instável, eu não. Você não estava em Genosha, eu estava.” Cuspiu as palavras, embora tomasse cuidado para não ultrapassar o limite. Por mais que quisesse, suas ordens eram de não enfrentar ninguém até que o tempo certo chegasse. “Os Vingadores podiam contar com os X-Men sempre que quebravam a porra de uma unha, mas e quando precisamos deles para evitar os Sentinelas? E quando precisamos deles para evitar o que aconteceu em Genosha? A falta de empatia de humanos, mesmo que heróis, não foi surpresa nenhuma, mas você era um de nós.” Continuou, a raiva borbulhando em seu sangue. “Você é só um garoto mimado que foge para a saia dos Vingadores cada vez que a situação fica extrema. Como consegue dormir à noite com os X-Men sendo odiados e os mutantes sendo esmagados pelos humanos todo dia enquanto você é parabenizado por seu trabalho com a equipe que permitiu que uma ilha inteira fosse destruída?”
“Talvez te matar fosse mesmo a melhor alternativa. Maybe Magneto was right. Eu nunca recusei ajuda para um mutante, e nunca irei recusar. É uma pena que você já não era digno desse título desde aquela época, Wendell.”
“Você não possui a capacidade de lidar com o que há em minha mente. Não se superestime.”
“Não é essa a questão, mas sim o que é um exército? Creio que muitas pessoas saibam que o termo pode referir-se a forças militares, mas tais grupos não são precisamente militares, logo o uso do termo deve ser sem rigor. São militares irregulares – paramilitares, se você preferir. Então, para responder sua pergunta, o fato que tais seres existem torna-os parte de um exército, mesmo que não por sua definição convencional. Não trabalham para o governo diretamente, mas exercem sua função.
“Além disso, vale lembrar que um dos primeiros ‘heróis’ reconhecidos pela sociedade fora a capitã. Claro, não ouvi falar dela até após o fim da guerra, mas note que ela atende por um nome não apenas militar como nacionalista. E é um caso recorrente – Capitão Marvel, Soldada Invernal, Patriota de Ferro. Afirmações explícitas são desnecessárias após uma análise simples dos fatos.”
Eu havia compreendido, Erika. Contudo, minha declaração permanece com a mesma valia. Quando exatamente os heróis, salvo exceções como Capitã América, assinaram algum papel que os lhe tornassem propriedade do governo?
Meu palpite é que esse tal Registro serve justamente para isso. Mas nós já vimos o que acontece quando o governo organiza exércitos para “proteger os cidadãos de bem”, vide o programa Sentinela. E sabemos em quem isso acaba recaindo. Você não tem nenhum plano de revidar? Ou ao menos prevenir que isso venha a acontecer?
Medo, preconceito e fé andam de mãos dadas na mesma estrada, Emmett. Isso é o balanço. E eu não estou envolvido com as tretas dos vingadores, estou envolvido em algo que diz claramente se eu prefiro ter medo ou esperança em uma causa, apesar de evitar entrar em confrontos eu não tenho como fugir disso, nem quero. E eu não tenho bandeiras em meu uniforme, nem pretendo ter, eu não tenho donos, tenho amigos e suas causas, causas que afetam tanto Avengers quanto X-mens.
— O que houve contigo? Envolvido com budismo agora? Me diga, Wendell, aonde estavam seus amigos e suas causas quando Sentinelas invadiram Genosha? Aonde estava você enquanto 67% da sua raça estava gritando em desespero e o medo escorria de suas mentes como ectoplasma? Eu ainda escuto crianças berrando enquanto seus corpos eram dilacerados. Crianças que participavam de minhas aulas, que me traziam maçãs e que eu tratava como filhos. Você e seus amigos também tem pesadelos com esses pirralhos?
Isso não é sobre medo ou esperança, isso é sobre lados. E você parece ter escolhido o seu, e infelizmente, não é junto de nós.
❝ —— Volta e meia você parece um cachorrinho atrás de mim, Frost. Eu te faço deitar, rolar e você ainda abana no rabinho. ❞ O sorriso sarcástico que antes estampava seus lábios esmaeceu até desaparecer por completo, dando lugar a uma expressão feroz. Sem pensar duas vezes, ataca-o. Seu joelho vai de encontro com o plexo celíaco dele, sabendo que o deixaria exposto e vulnerável para um próximo golpe. Entretanto, limitou-se a pegá-lo pelos cabelos, erguendo seu tronco até que ficassem cara a cara. ❝ —— Tens razão. Os mutantes sobreviverão a guerra, porém talvez você não terá o mesmo prazer se ousar falar de John novamente. Eu já o avisei, Emmett. Não brinque comigo, da próxima vez não serei não gentil. ❞
O baque afiado da joelhada contra si não foi o suficiente para apagar o sorriso sacana da face de Emmett. Era seu passatempo favorito, irritar a líder dos X-Men a ponto dela fazer algo a respeito. O loiro se perguntava se um dia teria o prazer de experimentar uma das rajadas ópticas da mulher em seu corpo. “Você nunca é gentil comigo.” Enviou a frase telepaticamente, e a expressão sádica reservada para essa ocasião foi estampada em seu rosto. “Por isso somos o que somos, darling.”
— “Quer saber a verdade? Não faço ideia, perguntou para a pessoa errada. Mas até que o seu pensamento faz sentido, então no momento eu to achando aquela maluca dentro da lata de sardinha um pouco… muito idiota.”
— Eu só perguntei porque não consigo acessar sua mente, apenas seus pensamentos superficiais. Você é algum tipo de alienígena?
“Não é necessária tanta cerimônia, Gelinho. Você pode me chamar de Kamal ou Super-Kamal, como preferir. Não sou sidekick de ninguém, muito menos do Captain Marvel, que está tão errado nessa batalha quanto você estava quando entrou para ao Clube do Inferno, não acha?”
— Eu não sou mais o Emmett de antes. O Emmett de antes já teria desligado sua mente e te deixado em coma pelo resto da sua vida. Eu encontrei a luz, o amor, e hoje vivo como membro integral dos X-Men. Eu. Sou. A Universal.
❝ —— Não lembro de ter dado nenhuma intimidade para você me chamar por apelidos, Emmett. De quem eu sou querida não é da sua conta e não fale sobre meu marido. ❞
❝ —— Guerra. Não seria tão ruim se só sobrassem mutantes, seria? I’m kidding. Creio que não há diplomacia suficiente para evitar o problema. Além do principal motivo que é o registro, está óbvio que também é uma luta entre os próprios heróis. Lady de Ferro e Capitã América têm um passado e sempre pareceram dispostas a acabar com a raça da outra. Até que surgiu uma ocasião propícia, assim como na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Haverá um embate de qualquer forma, Frost. A verdadeira questão é quais serão as consequências e quem viverá para lidar com elas. ❞
— Espero que um dia você consiga ter toda essa autoridade sobre mim, Scar, realmente espero. Uma última coisa sobre seu marido: você notou se ele anda meio encurvado ultimamente? Podem ser os chifres começando a pesar na cabeça dele.
Nós viveremos. Guerra após guerra. É nossa especialidade, não é? Continuar vivos e bem conservados para certificar que os mutantes não irão para lugar nenhum tão cedo.