A reação do homem fora melhor do que ela esperava, ao menos por enquanto, então percebeu que sua imagem perturbava Orion e foi outro motivo para se arrepender de tudo que havia feito, mesmo que tivesse um motivo maior. “— Eu voltei, sou eu, não um fantasma.” Murmurou indo para perto do marido, suspirou antes de passar a mão pelas costas do outro, sentindo a tensão nos músculos pelo estado que ele estava. A cada segundo ali se arrependia cada vez mais de ter ido para aquela missão.
“— Me desculpe por todo esse sofrimento, Oppa… Hyeon, eu fui idiota, coloquei o meu trabalho acima do nosso casamento. Eu errei, pode me perdoar? Eu posso explicar tudo.” Falou quando as lagrimas começaram a rolar por sua face, seu peito se apertava a cada segundo que via Orion naquele estado, sabendo que era sua culpa. Se afastou então dele e foi para o canto da sala, o observando de longe e dando tempo para ele processar a informação.
Suspirando fundo, passou a mão pelos cabelos e começou a explicar. “— Após a nossa ultima missão eu fui chamada em segredo pela casa azul, me chamaram para falar sobre um grupo terrorista, comandado pelo mesmo cara que a gente tinha ido atrás e matado seus homens, estava planejando matar o presidente e o presidente dos E.U.A, mas também estava atrás de mim, por ter matado o irmão dele, só que me mostraram que estavam mirando em você ena nêmesis para me ferir, então fui atrás deles e fingi aquele acidente, era pra eu ter corrido para seus braços naquele mesmo dia, porém me disseram que os homens dele estavam vigiando todos seus passos, inclusive por espiões dentro da empresa, então fui para o oriente médio e acabei com todos eles, me infiltrando na organização e acabando com tudo. Infelizmente demorou mais do que eu esperava.” Falou calmamente, parando somente quando soluçava pelas lagrimas que escorriam. “— Sei que foi cruel, mas não pude voltar, estavam atrás de você e se te matassem pra me atingir ou qualquer outra pessoa, me machucaria muito mais, fui egoísta e inútil, então se quiser o divórcio eu vou aceitar, porém saiba que em nenhum momento longe deixei de sentir sua falta, em nenhum momento eu parei de pensar em você, mas também vou entender que fui uma pessoa horrível te trazendo todo esse sofrimento, então cabe a você a decisão, caso queira eu também volto para fora do país, ninguém ainda sabe que eu voltei pra cá ou que estou viva.” A vontade de abraçar Orion estava grande, mas estava com receio da reação do marido.
Fechou os olhos, a dor espalhando-se pelo seu corpo inteiro, mas, por mais tempo que seus olhos ficassem fechados, a imagem do fantasma não ia embora. Depois de algum tempo, ele percebeu: era ela. Seu maior desejo foi praticamente atendido por alguém e agora estava tendo a oportunidade de mais uma vez vê-la, tocá-la... Porém, o choque de perceber o que realmente acontecia o deixou travado no lugar. Como assim aquela ali na sua frente era uma pessoa de carne e osso? E depois, tudo o que aconteceu foi rápido demais.
Seu corpo se moveu sozinho e de repente estava de novo abraçando-a, sentindo o seu cheiro. O alívio tinha sido imediato tanto quanto a culpa interna crescendo exponencialmente. Era só isso? Era só ele ter começado a pensar em movimentar a sua vida para frente que ela aparecia de volta? Parecia algum tipo de brincadeira de mal gosto, no entanto, nada mais poderia afetá-lo! Estavam juntos de novo, Órion estava tão feliz, sentia as lágrimas querendo se formar e o sorriso voltou ao seu rosto, mas, novamente, Bellatrix não o deixou falar nada porque enxurrada de informações o deixou completamente tonto.
“O-O que...?” Ele ouvia, claro, não era surdo, mas, a sua cabeça não conseguia ainda processar toda a informação, afinal, cada vez mais a história parecia completamente absurda. Órion sabia do senso de dever da amada, de toda a vontade de ser reconhecida e ser uma boa agente que acabou dando risada. Isso era uma coisa tão comum em sua vida. Os pais dele sempre fizeram isso, colocavam todas as suas responsabilidades a frente do desejo alheio, principalmente de seu filho e mais tardar, da filha. O seu coração ficou mais estranho e pesado, por isso, nem notava que as lágrimas estavam caindo sem parar. “O que...? Você foi... O que...?” Não sabia se sentava ou se ficava em pé, por isso buscou um apoio como um meio termo para tentar entender a dor no seu peito. “Você não escapou da morte e ficou escondida esse tempo todo por algum motivo qualquer? Você só resolveu se fingir de morta ao invés de me contar sobre algo que poderíamos ter resolvido juntos?” Estava claramente falando com a mulher mas seu tom era auto explicativo, como se ainda estivesse tentando encaixar os pedaços da história. “Você... Você tentou resolver tudo sozinha e me deixou aqui justamente para matar pessoas que estavam tentando me assassinar? Você teve alguma escolha nisso? Você por um acaso conseguia dizer para qualquer pessoa que todos nós somos merdas de agentes secretos do governo coreano?! VOCÊ PODERIA TER ME PEDIDO AJUDA! PODERIA TER FALADO COM MEUS PAIS! OU COM OS SEUS! SOMOS TODOS AGENTES COM CAPACIDADE, HASEUL! CARALHO.” Quando soltou o último palavrão percebeu estar gritando alto demais. Talvez a agência tivesse que apagar a memória de alguém depois. “EU nunca parei de pensar em você. EU! Eu estive aqui durante dois anos pensando que a minha esposa, a mulher que eu mais amo no mundo inteiro estava MORTA! E enterrada, pelo que me disseram porque advinha, eu não consegui ir no seu enterro. Eu vomitei a casa toda do Kumiho naquela noite!” Suas mãos estavam tremendo, a raiva sendo consumida dentro de si, Órion sentia as veias saltitando no pescoço. Passou a mão pelo nariz, tirando o catarro misturado com lágrimas salgadas dali. “Minha Haseul ainda está morta.”