“Olha essa gente pra onde elas vão?
Será que entendem o meu coração?
Será que elas ouvem a chuva cair?
Será que pensam em se redimir como eu?”
Redenção, a inquietável busca por algo que possa ser refeito tateia em mim por algum escombro que possa ser remontado em uma peça nova e imaculada
Ela busca ser aqui dentro e pede por alguma forma tola e infantil de escape, de existência , eu já queimei todas as velas, cantei todas as músicas e chorei todas as lágrimas possíveis e ela não veio, se negou a mim, assim como eu neguei tudo que eu conhecia quando me perdi.
Sabe, tem sido semanas conturbadas, noites em claro, amores desfeitos e perdição
Acima de tudo de perdas, eu perdi tudo o que importava e até um pouco mais
Me perdi e não sei se dessa vez será fácil me encontrar, talvez não, acho que não, eu passei da negação à frustração, passei do ponto da desistência até atingir a pura inércia momentânea que durava alguns dias cinzas mas serenos e era massacrada pelo meu desejo de viver ferozmente que com ele trazia toda a dor de novo
Realmente, uma faca de dois gumes que junto com o êxtase traz a culpa que me dilacera por dentro e me deixa sangrando nas pessoas por alguns tempos manchando a tudo que toco e acabando sozinha em carne viva, à flor da pele e vulnerável demais, entregue demais
Entregue à que? você se pergunta
A tudo e todos menos a mim mesma
Como se eu me fosse pra longe de mim por alguns minutos e nada parecesse tão ruim assim, tão grave assim, tão evidente assim então tudo bem se eu continuar, se eu for, se eu jogar o jogo, se eu fingir, falar.... não é como se fosse eu, apenas sou o que a memória precisa que eu seja, e aparentemente eu tenho tentado ser uma atriz até pra mim mesma, uma bem medíocre diga-se de passagem... desabando no meio das cenas e deixando o público na mão, deixando a futura versão de si mesma na mão quando tiver que lembrar, deixando a si mesma na mão por não conseguir respeitar sua própria dor e se forçar até a última gota de sanidade em troca de puro risco, só pra depois ter que viver a vida à risca...Quanta miséria