❝ I think we all have within us the potential for almost anything. If we pay close attention to our lives, then we can get at it somehow. ❞ ━ JAKE GYLLENHAAL
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❝ I think we all have within us the potential for almost anything. If we pay close attention to our lives, then we can get at it somehow. ❞ ━ JAKE GYLLENHAAL
Apenas eu irritante? A sua aula conseguia ser um porre, a culpa não era minha e você não se mostrava nem um pouco solicito. Bem, nós deixamos as diferenças de lado e acho que esse foi o ponto de partida.
Ficado para trás? Como assim? Está com medo de acabar sozinho neste mundo, Bennett? Nunca pensei que ouviria algo assim vindo de você, quer dizer, para alguém que teve tantas experiências na vida. Mas é um medo normal se você quer saber. O professor Joseph teve sorte em encontrar a outra metade, poucos conseguem isso. Não acho que seja o seu caso, digo, se você procurar, capaz de achar, mas fica o dia todo aqui nessa floricultura, deveria sair um pouco, conhecer novas pessoas.
É apenas a verdade, eu sentia falta desse lance sabe? Comida caseira. Meu pai não é um bom cozinheiro, mas minha avó é e é bom quando eu vou visitá-los. Mas não acho que deva abrir um restaurante, seu negócio é com as flores. God, não, não acho que isso seja uma boa ideia, prefiro manter sua casa intacta, de verdade.
Conheço alguns colegas seus que apreciavam a minha aula, então nem venha colocar a culpa em mim. Era um bom professor, mas nunca pude fazer nada se a senhorita nunca demonstrou interesse no Trato de Criaturas Mágicas. O ponto de partida foi com eu parei de implicar com você, e você resolveu me dar uma segunda chance.
Não diria que estou com medo, mas esse está se tornando um pensamento cada vez mais recorrente. Eu já cheguei aos 30 anos e não consigo me livrar da sensação de que nunca fiz nada muito produtivo em minha vida, o que é verdade de fato. Durante anos vivi de forma completamente irresponsável, ganhando muio dinheiro e no final todo o legado que eu construí foi em vão. O Joseph teve uma grande sorte de encontra o seu amor e de não ter sofrido um processo, isso sim. Nem tente bancar o cupido, Little Doe. E se você realmente quer saber, até que ficar na floricultura tem sentido. Aqui eu conheço mulheres de todos os tipos e idade: as casadas que querem encontrar um modo de dar uma apimentada na relação, as noivas que sentem insegurança em relação ao casamento e até mesmo algumas viúvas.
Eu nunca me importei muito com essa questão de comida caseira, afinal das contas minha mãe nunca foi muito presente e nunca pareceu se importar muito com isso, mas depois que você praticamente se mudou para minha casa eu mudei os meus hábitos. C’mon, não me diga que está com medo de aceitar um desafio culinário.
Imagino que sim, ainda me lembro quando essa parte do “não gostar” era bem visível, agora demos uma grande melhorada nessa coisa toda de convivência, é até impressionante. Espero que isso seja uma espécie de elogio, pois vou levar como um e fico feliz em saber disso. Quanto ao seu colega, não acho que vá perdê-lo só porque ele vai se casar, relaxa. Bem, sua comida é muito melhor do que a que eu costumava comprar nos estabelecimentos perto do Ministério, então não acho que eu passaria mal, fora que eu mesma não sei fazer nada, a última vez que tentei queimei tudo. Hoje em dia minha cozinha só serve mesmo de enfeite, pois nem uso.
Não posso fazer nada se no passado você conseguia ser bem irritante, Little Doe. Tenho que concordar com você, há alguns anos atrás nunca que imaginei que poderia acabar desenvolvendo uma amizade com você e que viria apreciar a sua companhia. It's funny how these things work. Se isso for lhe deixar feliz, então entenda como um elogio.
Sei que não vou perder o Joseph, ele é um dos meus melhores amigos, mas não posso evitar de sentir como se tivesse ficando pra trás, you know? Primeiro é o casamento e depois vão ver os filhos. Às vezes acredito que fui feito para ser um completo solteirão, pois já tive um relacionamento sério uma vez e terminou de maneira tão trágica e dramática e não sei se vou querer passar por isso novamente.
Continue falando da minha comida dessa maneira que daqui a pouco meu ego vai estar às alturas, Little Doe. Daqui a pouco estarei abrindo um restaurante, pelo menos sei que já terei uma cliente fiel. O que acha de invertemos o papel um dia? Agora fiquei extremamente curioso para saber como você se vira tendo de cozinha, apenas não coloque fogo na minha casa.
É bom que seja bom mesmo, já que passo mais tempo aqui do que no meu apartamento, não que isso seja ruim, mas por conta das pesquisas e tals, mas seria péssimo se você não gostasse de ter por aqui. O bom de tudo isso é que eu pelo menos não preciso pagar pela comida com o meu pouco salário, talvez essa seja a melhor parte de tudo isso.
Se eu não gostasse da sua companhia você seria a primeira a saber, Doe. Às vezes acho que você faz bem para a minha sanidade mental, afinal de contas muita coisa mudou desde que saí de Hogwarts. Meu melhor amigo e colega de quarto está prestes a se casar, então é bom ter algum tipo de companhia. Fico surpreso que você não tenha passado mal comendo algo do que eu fiz, pois nunca fui um cozinheiro de mão cheia.
Não acho que seja necessário, não moro tão longe assim e posso me virar com alguns feitiços. Além do mais não pretendo incomodá-lo mais do que já venho incomodando nos últimos meses.
Por incrível que pareça está sendo bom ter você por aqui às vezes, Little Doe. Não fico tão solitário como de costume e você me obriga a descobrir meus dotes culinários que eu nem sabia que tinha.
Está ficando um pouco tarde e eu queria saber se você precisa de companhia para voltar para casa.
There's so much you have to know | Bennett & Ambrose
Ambrose era preguiçoso. Um preguiçoso de mão cheia, preguiçoso de carteirinha, se havia uma coisa em que ele era bom, era em ser preguiçoso. Era facilmente desestimulável, e tarefas que exigissem muito de sua concentração ou esforço simplesmente caíam na pilha de coisas que ele começava e nunca terminava. Até mesmo escrever, uma das poucas atividades em que ele conseguia se focar por mais que alguns minutos, acabava se emaranhando em sua cabeça e tantos papéis e anotações acabavam se tornando lixo criativo. E é claro que não seria diferente com o trabalho. Por algumas semanas, a premissa de trabalhar numa livraria havia sido animadora, mas com o passar do tempo, percebeu que seria exatamente como tudo que havia feito em sua vida: mecânico, enfadonho e sem liberdade. E estava com a leve impressão de que atividades que não fossem assim haviam caído em desuso por aquela maldita linha de produção que as pessoas ousavam chamar de sociedade. Então, sempre que podia, escapava de seu trabalho para andar pelo Beco Diagonal. Logo, talvez até mesmo aquele espaço mágico e misterioso fosse se tornar obsoleto e cansativo, então Ambrose tinha que aproveitar bem. Gostava de vagar pelas vielas estreitas, de conversar com outros moradores, de deparar-se com coisas novas e o desafio de compreendê-las.
Uma das pessoas mais interessantes ao seu redor era Bennett. O velho (pelo menos para Ambrose) Grey havia sido seu professor em Hogwarts, e se juntara a lista de nomes que Ambrose não conseguia guardar e sua matéria, para a lista de assuntos que ele nunca conseguira se interessar. E muito rápido, Bennett caiu no esquecimento para ele. Mas certa vez, em suas explorações pelo Beco Diagonal, deparou-se com a cena cômica de seu professor atrás do balcão de uma floricultura, e sua curiosidade e falta de tato excederam seu desgosto pela lembrança acadêmica. Entrou na floricultura, e Bennett pareceu se lembrar dele rapidamente. Ambrose não era um aluno marcante, alguém brilhante e muito menos interessante. Mas Bennett se lembrou, e aquela foi uma estranha satisfação para Ambrose Davis. Passou a fazer visitas periódicas em suas caminhadas pelo Beco Diagonal, jogando um pouco de conversa fora vez ou outra, e descobrindo que por trás daquela figura que um dia esteve à frente de uma sala de aula, havia uma vida. Uma vida animadora, uma vida espetacular, de quem havia visto tanta coisa e visitado tantos lugares. Uma vida de verdade.
Ambrose tornou-se presença diária na floricultura. Nas escapadas durante o expediente, em seus dias de folga, e seus horários de almoço. Às vezes, quando terminava seu dia na Floreios e Borrões, ia até a floricultura para ajudar Bennett a limpar o balcão e fechar a loja, e depois os dois rodavam pelo Beco Diagonal atrás de uma cerveja. Gostava de ouvir as histórias de Bennett, de se imaginar fazendo coisas maiores do que um trabalho maçante pelo resto de sua vida. Queria chegar a idade de seu antigo professor tendo vivenciado tanto quanto ele, mas não era difícil de imaginar que não chegaria muito mais longe do que a calçada de casa – Talvez… Ou talvez tudo isso seja só um plano meu pra eles me valorizarem e começarem a me pagar um salário de gente – Ambrose respondeu, entrando na floricultura sem muita cerimônia. Era final de tarde, e o fluxo de clientes do Beco Diagonal naquele dia estava fraco, assim como estivera desde as confusões no Ministério que iam além do entendimento de Brosey. Ambrose sentou-se no balcão da floricultura, com os pés pendendo no ar – Sabe, eu adoro esse lugar e tudo mais, principalmente porque quando eu tenho encontros, eu pego as sobras das suas flores e levo pras garotas… Mas trocar aquela sua vida cheia de aventuras? Que loucura, cara – Brosey balançou a cabeça, incrédulo – Laguna Beach, cara. Eu nem sei onde isso fica, mas come on. Soa bem melhor do que “Londres”.
Não pode evitar de rir quando Ambrose lhe perguntou de sua vida antiga. Muitas pessoas não conseguiam entender o motivo de Bennett ter largado para trás e ter ido trabalhar como professor em Hogwarts e, agora, com a sua floricultura que tinha aberto recentemente. Não tinha muita emoção envolvida no que ele fazia, muito menos algum tipo de aventura, mas por mais estranho que parecesse Ben sentia-se completamente realizado. Durante tanto tempo tinha vivido em uma falsa felicidade, acreditando que o dinheiro e as festas eram tudo o que ele precisava (e um pouquinho de erva, é claro). Agora, conseguia ver com clareza o quanto ele andara perdido durante todos esses anos e olhando para trás ele não se orgulhava de algumas decisões que havia tomado. Como ele havia errado tanto... Pelo menos agora estava tendo uma segunda chance para poder algo que fosse certo. “Eu estaria mentindo se falasse aquela vida não tinha os seus pontos positivos, mas apesar de tudo eu não estava me sentindo completamente feliz ou satisfeito”. Não sabia se algum dia Ambrose ou qualquer outra pessoa poderiam entender o que ele havia sentido, o que havia o motivado para aquela mudança brusca. “Londres não é assim tão ruim, apesar de que eu sinto uma grande falta das praias de Laguna Beach. Isso é algo que Londres nunca irá conseguir me proporcionar”.
Olhou para o relógio em seu pulso e viu que eram quase seis horas da tarde, logo seria o horário de fechar o seu estabelecimento. Uma das melhores partes de ser o seu próprio chefe era que ele podia escolher os seus horários, uma regalia que ele não tinha quando passou a trabalhar como professor em Hogwarts. Até que se saiu melhor naquele emprego do que poderia imaginar, ainda se perguntava qual era o potencial que Dumbledore tinha visto nele para contratá-lo, mas lidar com alguns daqueles pirralhos era uma tarefa que às vezes lhe dava dor de cabeça, não era algo que ele se imaginava ou muito menos queria fazer pelo resto de sua vida. Ben se lembrava perfeitamente de Dorcas Meadowes e de como ela era uma de suas alunas mais complicadas de lidar, era até difícil de imaginar que eles conseguiam conviver bem agora e que tinham uma espécie de amizade.
“E como foram as coisas no encontro que você teve Caldeirão furado? Espero que tenha sido no mínimoe que as flores tenham adiantado de alguma coisa”. Aquela não seria a primeira vez que Bennett ajudava Ambrose, ele não se importava de ceder algumas de suas flores para poder impressionar ou encantar alguma garota. Mesmo que Ben já não acreditasse no amor, uma vez que o seu rompimento com sua ex namorada havia servido para lhe mostrar que não existia essa baboseira de amor verdadeiro ou alma gêmea, ele acreditava que o rapaz podia ter sorte naquele jogo.
Well, pelo menos o senhor deu a volta por cima e conseguiu se tornar a pessoa que você é hoje, a vida as vezes nos mostra certas ironias desse tipo também. Eu tenho certeza que sim, embora muitas das vezes eu queria tê-la junto comigo, mas nem tudo é possível, claro. Mas eu ainda tenho meu pai e ele ainda me fala muito sobre ela, então muitas vezes é como se ela estivesse aqui comigo. Eu não sei se considero o amor isso, o amor é algo forte, capaz de muitas coisas, não deve ser tratado dessa maneira. Meus pais se amaram, meus avós também e isso está a nossa volta, todos os dias. Você pode pensar assim, mas talvez só não encontrou alguém ou… I don’t know. Isso é interessante, eu nunca fui chata, o senhor apenas não merecia a minha boa vontade ou qualquer outra coisa, sua aula realmente era um porre.
Eu tive a sorte de ter uma avó que se importava comigo e que cuidava de mim, ela sim que foi a minha verdadeira mãe. She was the most important people in my life. Meadowes, você já grandinha o suficiente para saber que o amor nem sempre dá certo, que as relações começas e acabam. Não existe essa baboseira de amor verdadeiro ou de alma gêmea. Someday I loved a woman with all my forces. I almost thought that she was the love of my life... Maybe she was. Mas, como tudo na vida, esse relacionamento não deu certo e desde então eu prefiro viver com os pés não chão. É melhor não acreditar no amor do que se decepcionar novamente. Não importa o que você diga, pois para mim não vai mudar o fato de que você era uma garotinha muito chata no passado.
Não que elas não tiveram esse interesse, as minhas antepassadas queriam e muito. Sabe, não é lá muito legal você ter um filho ou as vezes vários seguidos e todos eles morrerem em seguida, então é claro que houve tentativas de mudar essa situação, talvez numa penalidade menor, mas é forte demais. Então sim, eles acreditam e muito, minha mãe mesmo perdeu alguns filhos antes de eu nascer, eu sei que ela ficou abalada com isso, mas ela infelizmente morreu antes de lutar contra isso tudo. Well, não é assim que as coisas funcionam, a gente não escolhe quem amar e meu lance com o Amos não foi tão ruim assim como o senhor imagina. I liked him. É o terceiro ou quarto elogio essa noite? Acho que estamos evoluindo em algo aqui, uh? Bem, acho que livros e macarrão está perfeito. sério.
A vida é uma grande ironia. Enquanto as mulheres da sua família sonhavam em ter um filho e dariam de tudo para conseguir isso, a minha mãe nunca negou o fato de que eu fui um acidente. É no mínimo muito engraçado como essas coisas acabam acontecendo. Bem, eu posso não ter conhecido a sua mãe, mas tenho certeza de que ela estaria muito orgulhosa se pudesse ver a mulher que você está se tornando. Love it's an illusion, a bullshit. Digamos que eu estou aprendendo a gostar da sua companhia, você não é aquela garota chata que eu imaginava. Nesse sentindo você me surpreendeu bastante, Meadowes.
Eu realmente espero que isso tenha um pingo de verdade, sabe, mesmo que essa maldição não me atinja, a luta por quebrá-la é bem maior. Acho que ninguém que tentou quebrar ela, não se sentiu assim, a sensação não é uma das melhores, sabe? Well, I hope so. Ainda há muito material para ser analisado e aos poucos vamos eliminando um a um. Amos and I, bem ele era um bom amigo e realmente tivemos algo juntos, foi bom. Ele era um cara legal de todas as maneiras, mas infelizmente não deu muito certo, estávamos predestinados a sermos apenas amigos. É muito bom ouvir isso, é realmente de grande ajuda se quer mesmo saber. Eu agradeço muito.
Em algum momento era de se esperar que alguém da sua família tivesse interesse em desvendar essa maldição, ou não me diga que os seus familiares não acreditam nesse tipo de coisa? Mesmo com sua explicação eu não consigo ver todo esse potencial no garoto, você era capaz de escolher alguém bem melhor do que ele, mas quem sou eu para julgar. Eu posso não ter a sua habilidade, convenhamos que você é uma bruxa mais talentosa do que eu, mas no que for possível e que estiver ao meu alcance eu irei lhe ajudar seja emprestando os meus livros ou cozinhando um ótimo macarrão.
Tem dias que eu acredito nisso, mas outros que não. Sabe, essa maldição está há tanto tempo na minha família que eu não sei se ela realmente pode ser quebrada, por isso tem esse nome e essa história toda. E talvez a resposta não esteja nos livros como minhas antepassadas acreditavam, talvez seja algo mais complexo, não sei. Ainda há muito o que pesquisar, entender. Magia é uma coisa muito complexa para ficar apenas no básico. Mas eu fazia, não era a minha intenção ser uma boa aluna ou exemplar na sua aula, eu até tentei tirar ela da minha grade, mas meus amigos gostavam da aula, então por eles, eu fiquei, ninguém estava muito a fim de fazer as outras comigo e sozinha não tem lá sua graça. Well, I don’t know, às vezes você se cansou da minha presença aqui quase todas as noites e pretende se livrar de mim qualquer hora. Mas é bom saber disso.
Uma coisa que eu aprendi é que nada é eterno, até mesmo as maldições. Sei que você deve estar se sentindo como se estivesse dentro de um beco sem saída, sem ser capaz de desvendar esse mistério, mas eu acredito que juntos iremos dar um jeito. Eu com a minha coleção de livros e você com a sua inteligência. Alguma coisa vamos conseguir encontrar com todas essas pesquisas. E eu também nunca entendi o que você viu no Diggory quando vocês saíram juntos por um tempo, não me interprete da maneira errada, mas é que ele me parecia ser um cara meio sem graça. Minha loja está aberta para quem precisar, seja o Ambrose vindo aqui para conversar sobre a vida ou você vindo aqui para me pedir ajuda.
Acho que descobri mais coisas sobre o senhor do que sobre a minha família, o que chega a ser um pouco interessante, mas ao mesmo tempo decepcionante. Esse último caso em relação ao que eu ando pesquisando, não sobre o senhor. E eu fico feliz em conhecer mais sobre o senhor, em Hogwarts eu não acreditava muito nisso tudo e o achava extremamente chato, agora até que dá para aguentar. Just kidding. Mas se o senhor teve a intenção de mudar, isso já é um grande passo para qualquer coisa. Eu vou ver, mas não posso prometer nada, as coisas andam bem corridas para um almoço ou janta assim. Eu agradeço a preocupação e o elogio, mas saiba que eu sei me virar muito bem, não vai se ver livre de mim tão cedo, tenho muito o que pesquisar.
Sei que essa questão da sua família é complicada, mas tenho certeza de que você irá encontrar uma solução. A resposta para poder quebrar essa maldição deve estar em algum desses livros, tem de estar Dorcas. Você é a pessoa mais destemida e obstinada que eu conheço, então se tem alguém que vai encontrar uma solução para o problema da sua família esse alguém é você. Se é para relembrar dos anos de Hogwarts devo dizer que você não era a minha aluna preferida, a sua teimosia me deixava irritado, era como se você fizesse justamente para me provocar. E quem disse que eu estou tentando me livrar de você? A sua companhia se tornou estranhamente agradável para mim.
Bem acho que algumas eu acabei descobrindo nesses últimos tempos, mas a minha maior surpresa mesmo foi quando você abriu a loja, isso sim entrou para a história. É o que o meu dinheiro pode pagar e o que meu tempo livre permite, depois de um tempo você acaba se acostumando. As vezes almoço com meus amigos lá do quartel, nem sempre é tão solitário. Pois não deveria, é para isso que existe a aparatação, em poucos minutos estou em casa. Se ficarmos nos preocupando com isso o tempo todo, paramos com as nossas vidas e não fazemos mais nada, se entregar ao medo é a pior coisa. Bom, se você diz, então não custa comer um pouco.
Desde que começamos a passar mais tempo juntos você acabou descobrindo novas informações sobre mim, mas temo que seja algo relacionado ao meu passado. Nem sempre eu fui um cara bom e não me orgulho de algumas decisões que já tomei no passado. Bem, agora sempre que você quiser sinta-se convidada para almoçar ou jantar comigo, posso te garantir que a comida daqui é melhor do que a desses bares. Mesmo com a aparatação e sabendo que você é uma das bruxas mais talentosas que eu conheço eu ainda me preocupo, Meadowes.
Parece uma boa ideia. Não sabia que o senhor além de cuidar de plantas, também sabe cozinhar, isso parece interessante. E, eu ando comendo muito nesses bares perto do Ministério, comer alguma comida caseira vai me fazer muito bem, ainda mais spaghetti. Então espero realmente que o senhor cumpra com sua palavra e esse seja o melhor spaghetti que eu já comi.
Existem muitas coisas que você ainda não sabe ao meu respeito, senhorita. Uma refeição nesses bares perto do Ministério parecem ser bem solitárias, sem contar que me preocupo quando você vai embora aqui da loja quando já está muito tarde. A situação do mundo bruxo anda muito instável. Irei fazer o meu possível para cumprir a minha promessa, você não irá se arrepender.
@mxxdxwxs-dxrcxs
Meadowes, o que você acha de jantar comigo hoje? I mean, já está ficando tarde e eu pensei que você poderia querer dar uma pausa nas suas pesquisas. Sei que isso é algo muito importante para você, mas uma pequena pausa não atrapalha ninguém e boatos dizem que o meu spaghetti a bolonhesa é ótimo.
so what do we do now? || greydowes
@thebennettgrey
Dorcas não sabia há quanto tempo estava na busca pela quebra da maldição que estava em sua família há séculos, na verdade ela só sabia que suas ancestrais estavam na buscar pelo feitiço há mais tempo do que ela poderia imaginar e sem nem elas tinham quebrado aquilo, como uma garota, de vinte e um anos, conseguiria aquilo? O medo de falhar era enorme e Dorcas tinha esse medo para muitas coisas. Desde o colégio ela era assim. Bastava uma nota abaixo da média para a garota surtar de vez ou quando seu time perdia, até mesmo quando perdia uma batalha no clube de duelos. Perder não estava em seu sangue e ela também não tinha sido preparada para isso, mas Dorcas não era burra. Ela sabia que existiam as perdas e os ganhos, mas sua família já tinha perdido tanto com aquela maldição. Quantas crianças inocentes tinham morrido por conta disso? Quantos filhos sua mãe mesmo perdera antes de conseguir, finalmente, engravidar de uma menina?
A garota sabia que não fazia aquilo por ela, mas sim pelos seus descendentes e também pela memória daquelas que tanto haviam perdido por conta disso. Ela queria provar para eles que as futuras gerações, mesmo que não existissem, já que ela era a última da linhagem e nem sabia ao certo se um dia ia querer ter filhos. E se tivesse, não queria ter que enterrar algum deles, por isso não pensava no hoje, no agora, mas sim no amanhã, no futuro. Por isso, estava ali, na floricultura do seu antigo professor de trato das criaturas mágicas, mas que também tinha diversos livros de magia, livros que ela não vira na biblioteca de Hogwarts. Talvez Bennett Grey fosse um colecionador e nem se dava conta totalmente disso. Ele mesmo havia falado que ela poderia usar o livro que quisesse ali e tinha os apresentando quando ainda estavam em Hogwarts e assim acabou indo até a floricultura dele, para estudar um pouco mais. — Eu sabia que o senhor tinha diversos livros, mas não tantos que falavam sobre isso. Tudo parece uma verdadeira mina de ouro — a jovem comentou entusiasmada, enquanto pegava um deles e se sentava à mesa que estava ali nos fundos da loja.
Particularmente aquele dia na floricultura havia sido mais corrido do que o normal, passara boa parte do tempo organizando os possíveis arranjos para o casamento de seu melhor amigo: Joseph Clarke. Mafalda Hopkirk havia frisado que era tudo estar perfeito. Ben sempre caprichava e fazia o seu melhor em cada trabalho que recebia, mas se tratando do casamento de seu amigo ele estava disposto a se esforçar ainda mais. Joseph e Gretel mereciam aquilo, depois de tudo que tinham passado era o mínimo. O Grey havia acompanhado de longe o desenrolar daquele relacionamento — que começou ainda em Hogwarts — e durante um tempo chegou a pensar que seu amigo estava cego de paixão, que aquele caso seria algo passageiro. Contudo ele não podia estar mais errado. O homem não era um dos mais românticos e não acreditava naquelas baboseiras de amor à primeira vista ou alma gêmea, a última vez que gostara tanto de alguém fora sua ex-namorada, a Ophelia. E por um tempo ele se deixou a criar esperanças de que aquele namoro seria duradouro, de que algum dia iriam se casar. Porém, a relação acabou na primeira oportunidade quando Bennett se mudou da Inglaterra. Foi assim que o jovem deixou de acreditar no amor.
Quando o seu trabalho acabou naquele dia foi impossível de sentir o cansaço o abatendo, porém era bom saber que estava sendo útil de alguma maneira. O seu negócio estava prosperando, nada melhor do que aquela sensação. Foi até os fundos da loja onde Dorcas Meadowes — uma de suas ex-alunas — estava concentrada enquanto lia alguns de seus livros. Há alguns meses atrás o homem havia concordado em tentar ajudar a garota a quebrar a maldição de sua família e aparentemente Bennett Grey tinha alguns livros que falavam nesse assunto. “Quantas vezes vamos ter a conversa sobre me chamar de senhor? Faz parecer que eu sou muito mais velho do que realmente sou. Já disse que pode me chamar de Bennett ou Ben”. Qualquer coisa é melhor do que senhor, completou mentalmente. Às vezes tinha suas dúvidas se a garota realmente fazia aquilo por simples hábito ou para irritá-lo. “Apenas comprei esses livros pois achei interessante, nunca achei que realmente viriam servir para algo. Fico feliz por estar ajudando de alguma maneira”. Era o mínimo que podia fazer por ela. Durante vários anos tomou decisões erradas e questionáveis, agora era a hora de fazer a diferença. Queria fazer algo que fosse certo, queria ajudá-la. Cuidadosamente afastou uma mecha de cabelo que estava caindo no rosto da garota, provavelmente atrapalhando a sua leitura, e colocou atrás da orelha. “Você quer comer ou beber alguma coisa?”