There's so much you have to know | Bennett & Ambrose
@broseydavis
O trabalho de Bennett na floricultura não podia ser o mais lucrativo de todos —ele já havia ganhado mais dinheiro com outras atividades que tinha desenvolvido no passado, nem tinha como comparar —, mas, pela primeira vez, ele estava se sentindo realizado no âmbito profissional de sua vida. Finalmente tinha encontrado em que era bom, que não envolvia nenhum tipo de risco e, o melhor de tudo, era que ele era o seu próprio chefe — os dois anos em que trabalhou como professor substituto em Hogwarts serviram para mostrar para Ben que ele não era muito bom em seguir normas e regras, então nada melhor do que poder gerir o seu próprio negócio na floricultura. Bennett estava sendo feliz como não era há muitos anos e nenhuma quantia de dinheiro era capaz de mudar aquilo.
E como em qualquer outra floricultura existiam épocas em que a demanda era maior, em outras era mais baixa. Mas até o momento ele não tinha tido nenhum prejuízo e alguns dos seus clientes podiam ser considerados como fiéis. Algumas das pessoas que moravam nos arredores do Beco Diagonal e até mesmo outros comerciantes haviam acolhido bem o homem, fazendo com que ele se tornasse parte da comunidade bruxa e querendo ou não isso influenciava um pouco em seus negócios.
E dentre os seus vários vizinhos um que se destacava aos demais era Ambrose Davis. O jovem de 18 anos — Ben se lembrava vagamente dele da época em que lecionava em Hogwarts —trabalhava como vendedor na Floreiros e Borrões, e durante os horários vagos costumava a passar na floricultura do Grey para conversarem. Às vezes as conversas duravam algumas horas, normalmente costumava a aconselhar o rapaz em determinados aspectos. Querendo ou não senti-a um leve instinto paternal pelo garoto que era ingênuo com algumas situações da vida, o que era algo bem engraçado se levasse em conta que há alguns anos atrás ele não poderia ser considerado como um bom exemplo a ser seguido, muito pelo contrário.
Bennett chegou a um ponto de sua vida que estava tão envolvido com diversos problemas que era surpreendente como tinha conseguido superar, ele era a prova viva de que as pessoas eram capazes de mudar. “Daqui a pouco o seu chefe da Floreiros e Borrões vai me acusar de estar tentando roubar o funcionário dele”. Comentou em um tom de brincadeira ao ver o Davis entrando em seu estabelecimento. Já tinha se acostumado com as visitar de Ambrose que não se importava quando o garoto antigamente aparecia sem avisar na floricultura.
Ambrose era preguiçoso. Um preguiçoso de mão cheia, preguiçoso de carteirinha, se havia uma coisa em que ele era bom, era em ser preguiçoso. Era facilmente desestimulável, e tarefas que exigissem muito de sua concentração ou esforço simplesmente caíam na pilha de coisas que ele começava e nunca terminava. Até mesmo escrever, uma das poucas atividades em que ele conseguia se focar por mais que alguns minutos, acabava se emaranhando em sua cabeça e tantos papéis e anotações acabavam se tornando lixo criativo. E é claro que não seria diferente com o trabalho. Por algumas semanas, a premissa de trabalhar numa livraria havia sido animadora, mas com o passar do tempo, percebeu que seria exatamente como tudo que havia feito em sua vida: mecânico, enfadonho e sem liberdade. E estava com a leve impressão de que atividades que não fossem assim haviam caído em desuso por aquela maldita linha de produção que as pessoas ousavam chamar de sociedade. Então, sempre que podia, escapava de seu trabalho para andar pelo Beco Diagonal. Logo, talvez até mesmo aquele espaço mágico e misterioso fosse se tornar obsoleto e cansativo, então Ambrose tinha que aproveitar bem. Gostava de vagar pelas vielas estreitas, de conversar com outros moradores, de deparar-se com coisas novas e o desafio de compreendê-las.
Uma das pessoas mais interessantes ao seu redor era Bennett. O velho (pelo menos para Ambrose) Grey havia sido seu professor em Hogwarts, e se juntara a lista de nomes que Ambrose não conseguia guardar e sua matéria, para a lista de assuntos que ele nunca conseguira se interessar. E muito rápido, Bennett caiu no esquecimento para ele. Mas certa vez, em suas explorações pelo Beco Diagonal, deparou-se com a cena cômica de seu professor atrás do balcão de uma floricultura, e sua curiosidade e falta de tato excederam seu desgosto pela lembrança acadêmica. Entrou na floricultura, e Bennett pareceu se lembrar dele rapidamente. Ambrose não era um aluno marcante, alguém brilhante e muito menos interessante. Mas Bennett se lembrou, e aquela foi uma estranha satisfação para Ambrose Davis. Passou a fazer visitas periódicas em suas caminhadas pelo Beco Diagonal, jogando um pouco de conversa fora vez ou outra, e descobrindo que por trás daquela figura que um dia esteve à frente de uma sala de aula, havia uma vida. Uma vida animadora, uma vida espetacular, de quem havia visto tanta coisa e visitado tantos lugares. Uma vida de verdade.
Ambrose tornou-se presença diária na floricultura. Nas escapadas durante o expediente, em seus dias de folga, e seus horários de almoço. Às vezes, quando terminava seu dia na Floreios e Borrões, ia até a floricultura para ajudar Bennett a limpar o balcão e fechar a loja, e depois os dois rodavam pelo Beco Diagonal atrás de uma cerveja. Gostava de ouvir as histórias de Bennett, de se imaginar fazendo coisas maiores do que um trabalho maçante pelo resto de sua vida. Queria chegar a idade de seu antigo professor tendo vivenciado tanto quanto ele, mas não era difícil de imaginar que não chegaria muito mais longe do que a calçada de casa -- Talvez... Ou talvez tudo isso seja só um plano meu pra eles me valorizarem e começarem a me pagar um salário de gente -- Ambrose respondeu, entrando na floricultura sem muita cerimônia. Era final de tarde, e o fluxo de clientes do Beco Diagonal naquele dia estava fraco, assim como estivera desde as confusões no Ministério que iam além do entendimento de Brosey. Ambrose sentou-se no balcão da floricultura, com os pés pendendo no ar -- Sabe, eu adoro esse lugar e tudo mais, principalmente porque quando eu tenho encontros, eu pego as sobras das suas flores e levo pras garotas... Mas trocar aquela sua vida cheia de aventuras? Que loucura, cara -- Brosey balançou a cabeça, incrédulo -- Laguna Beach, cara. Eu nem sei onde isso fica, mas come on. Soa bem melhor do que "Londres".













