O peso da perda sempre permeou a vida de Aaron. Se o que aconteceu com Serena tivesse ocorrido com alguém a quem ele se importasse mais profundamente? Nem mesmo Merlin havia conseguido desvendar os acontecimentos; quem dirá Aaron. O sentimento de impotência ameaçava voltar, confrontando-o com a ideia de que não poderia proteger aqueles a quem amava novamente. As feridas do passado, tão abertas, tão expostas, Aaron havia acreditado que, ao ignorá-las, eventualmente desapareceriam, mas não sumiram. Continuavam ali, corroendo-o mais e mais por dentro, sem que ele percebesse.
Seus olhos, perdidos no horizonte, encontraram os de Nymphadora quando ela dirigiu a palavra a ele. Era fácil se esconder por trás de uma fachada com os outros, mas com ela, ele se sentia exposto, de uma maneira não negativa. Poderia atribuir isso aos dons perceptivos da fada, capazes de detectar suas emoções, mas não era só isso. Ele confiava nela, talvez a única pessoa em quem verdadeiramente confiava naquele mundo, e por isso pensar que poderia perdê-la um dia era ainda mais doloroso.
Seu semblante permanecia sereno, calmo, embora a dor e o desespero começassem a se alastrar por dentro dele com esses pensamentos perturbadores. Aaron a envolveu em um abraço aconchegante, depositando um beijo em sua testa e descansando o queixo em sua cabeça.
— Eu sei. — sua voz saiu mais rouca do que o normal, uma contradição para a imagem que tentava manter no exterior. Sua mente protestava, insistindo que era mentira, que, no final do dia, todos o abandonariam ou morreriam por sua culpa, por não ser capaz de protegê-los. Aaron não queria mais pensar naquilo; queria acreditar nas palavras de Nymphadora, agarrar-se à última faísca de esperança que ainda restava dentro dele. E era isso que ele faria, pelo menos por enquanto.