será que a gente se ama ou isso que temos é só uma conexão que, provavelmente, vai acabar quando outra mais forte surgir?
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@theccoldhearted
será que a gente se ama ou isso que temos é só uma conexão que, provavelmente, vai acabar quando outra mais forte surgir?
k.
Meu peito encosta seu peito. Sinto o calor dos seus braços, das suas costas. Minha cabeça sente o calor da sua cabeça, do seu pescoço. Imagino que meu coração no seu coração cure alguma coisa. Vi em algum jornal que isso acontece, só não sei o quê. De qualquer forma, esse é o melhor lugar do mundo agora. Não é tão comum o privilégio de um abraço demorado. Depois que abraçar se tornou cumprimento, o que mais se vê são abraços de ombro. Eu não gosto de abraço quadrado. O melhor de ter você ao meu lado é ter um estoque eterno de abraços apertados.
ouvindo the weeknd penso no que podemos fazer juntos, baby
se você soubesse o quanto meu corpo queima por você…
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Boto
Vamos fingindo que não nos importamos com ofensas, calunias, desdéns, indiretas, dívidas, indiferenças, desprezos e esquecimentos. E os rabiscos que escrevemos de madrugada também fingem que atropelam tudo isso. Vamos procrastinando o que nos magoa, o que destrói com doses de bebidas amargas e tiros em drogas ruins numa redoma de sorrisos e abraços falsos em bares cinzas como se fizéssemos partes de um conto de autoficção ou fotografia forjada em escritórios de publicidade. Acho que ontem eu disse pra alguém que estava arrebentado. Que não aguentava mais ter que atender o telefone. Levantar, vestir cueca, escovar os dentes, dizer “oi, tudo bem, como vai, ah sim, vai melhorar”. Nada melhora. A piscina fica mais suja e as boias plásticas estão murchando junto com os soldadinhos de chumbo enferrujando ao lado das cadeiras de praia no quintal. Cioran não é o culpado. Nenhum filósofo ou poeta empurrou a gente para o abismo. Esses poços fundos de lama foram cavados com meus próprios pés. Mesmo com sol batendo forte na janela, por dentro tenho gelado abaixo de zero. Os lobos não param de uivar. Todos os girassóis do jardim viraram microforcas para moscas e até as distrações mais bobas como punhetas de olhos vidrados em sites pornográficos têm se carregado de morte. Acho que chegou a hora de tomar uma atitude. Acender o último cigarro e caminhar até o rio negro. Mergulhar devagar e desaparecer como um boto. Nenhum leitor se importará. Nenhuma ex-namorada virará nome de avenida. Minha poesia não ganhará nome de biblioteca. É só dor. Angústia de Carandiru demolido. Tem dias que me sinto a filha prostituta de Cartola. Me sinto algo sujo numa canção muito bonita. Tomara que amanhã chova. Tenho muitas palavras e espinhos que devem descer pelo ralo da pia.
Diego Moraes
hoje me foi dito mais de uma vez que eu preciso superar. eu não soube o que dizer. sinto que tenho me tornado uma pessoa presa a um momento em que me senti feliz e acreditei piamente estar seguro ao entregar meu corpo a alguém que eu permiti se aproximar.
eu achei que havia chegado no momento mais difícil quando te tirei de mim. quando concordei que você é diferente daquele alguém que eu amei e que seria melhor seguir sem você.
mas eu ainda não superei.
tenho travado uma guerra diariamente onde há rancor e ódio me consumindo. sinto o choro preso na garganta. a raiva escorre pelos meus dedos e eu não sei lidar com ela. eu não sei como lidar comigo mesmo. eu quero me afastar de mim. dessa pessoa que não consegue pensar em outra coisa além do fato estar só. eu não queria sentir a culpa por algo que não fiz, mas ela vem. eu só queria seguir bem. eu entendo que há todo um processo e acredito que a dor precisa ser sentida e coisa e tal. mas há momentos em que não sei como lidar com tudo isso.
sabe, o mais difícil não é o fato dele não estar mais aqui. o que mais me dói é tentar lidar com o que de mim ficou.
o reviver imaginário do momento doce estica meus sentidos e arranha meu peito como se tudo aquilo que passou fosse o mais perfeito feito. e contando as mágoas auto cometidas acredito poder cura-las no futuro próximo, para que minha carne não pareça desprovida de sentido busco o sentimento máximo. h.
todas as tristezas da minha vida e também as imaginativas, aquelas que só pensei acontecerem, se voltam a mim nos últimos dias. porém, parece que são eternas. elas são culpas inexplicáveis, e este maldito sentimento rugidor de humores, acaba por se transformar em um temperamento do meu ser: o culpado, o ressentido, o envergonhado. sou um personagem de dostoiévski: febril e doente de orgulho e culpa. ressentido com os próprios sonhos imaginativos, culpando a imaginação e a conduta moral por não seguirem o que quero. penso no passado e algo se estrala em minha mente, me contorço e grito que não, que não quero pensar a respeito, reparto-me, tremo de angústia e até minhas mãos e minha cabeça balançam, e ralho a mim mesmo que não prossiga com tais pensamentos, até o sentimento de culpa me assolar. a melancolia é um estado constante nos culpados. sentencio-me até a morte pelos atos que meu desejo gostaria de cometer, entretanto, a consciência não está de acordo, por isso o julgamento cruel deste corpo maldito. e o orgulho, ah..penso, ás vezes, ser capaz de destruir qualquer outro ser humano numa dialética racional, e ponho-me acima de todos os que estão ao meu redor, porque assim parece: todos falam muito e muito a par de banalidades, assuntos rasos que não sei como se entendem com a boca cheia de barro, de tão negra, chega a ser tal prosa. interesso-me por assuntos mais delicados e que beiram a ser falados por sussurros para não causar espanto à plateia fútil. quanto mais vivo, quanto mais cultura absorvo, mais sozinho fico. cansei de ser um personagem dostoviskiano. creio não querer ter um fim trágico como tais. h.
deveria haver algum lugar para onde ir quando você não consegue mais dormir ou você cansou de ficar bêbado e a erva não funciona mais, e não me refiro a passar para o haxixe ou cocaína, eu me refiro a um lugar para ir além da morte que está esperando ou do amor que não funciona mais.
deveria haver algum lugar para onde ir quando você não consegue mais dormir além de um aparelho de TV ou um filme ou comprar um jornal ou ler um romance.
é não ter esse lugar para onde ir que cria as pessoas agora nos hospícios e os suicídios
suponho que aquilo que a maioria das pessoas faz quando não há mais lugar algum para onde ir é ir a qualquer lugar ou fazer qualquer coisa que dificilmente as satisfaça, e esse ritual tende a aplainá-las até que consigam prosseguir de algum modo mesmo sem esperança.
essas caras que você vê todos os dias nas ruas não foram criadas inteiramente sem esperança: seja generoso com elas: assim como você elas não escaparam.
Bukowski
Moderação
Só invejo quem consegue beber com moderação.
Diego Moraes
lentamente, os dias e os minutos vão se arrastando, mas para você os dias não existem, o tempo é apenas um lugar onde seu corpo permanece parado, observando as horas passarem. sozinho e em lugar algum, você permanece, nenhum sinal de afeto chega até você e ninguém se interessa por você também, mas isso te conforta: o orgulho de se manter sozinho como um animal superior ao rebanho que precisa de contato. porém, nada que você faz tem sentido, toda a sua esperança é em vão, porque sua solidão é o seu único palco, e bater palma para si mesmo o tempo todo acaba perdendo a graça. você lembra daqueles sorrisos, dos beijos e das bocetas, das bebedeiras e das pessoas que hoje você evita. deitado no seu mundo de fantasias, você observa cada pássaro, cada estranho, cada linha do seu teto como se fossem obras de arte. andas de lá pra cá sem pensar em nada, seu corpo já não abriga desejos e seus pés pesados já não sabem onde ir. não há para onde ir, não há esperança, porque a esperança é para quem sente falta de algo, e você não se sente assim, você tem tudo o que precisa. pensar em desistir é algo que reina nos fins dos dias. a massa cinzenta de nuvens do céu te alegra um pouco, não o suficiente para sentir alegria. o suicídio é uma ideia atrativa, que talvez te empolgue as vezes, mas não tens tanta vontade disto e nem impulsos o suficiente para tal: nada chega até você. a indiferença cobre sua pele tanto quanto suas roupas. a solidão só é verdadeira quando aceita e confrontada. um chiado dentro de seu peito chamado angústia vive contigo, e nesta noite você irá dormir sentindo-a novamente, se perguntando o porquê deste incomodo silencioso, você não sabe, não sente desespero e nem poderia sentir. você pensa que deveria morrer, mas espera que algo aconteça, espera que seus livros acabem. espera que as coisas passem, espera… h.
hands