division: OWLS
soldier-bailey:
wearesxldiers:
Caleb deixava que os olhos analisassem cada prédio pelo qual passavam, tentando imaginar qual deles poderia servir como esconderijo para eles. A maioria tinha as portas arrombadas e, os que não as tinha do mesmo jeito, pareciam tê-las difícil de abrir. – Não acho que nenhum desses possa ser útil! – gritou enquanto corria e então notou o prédio mais à frente. A porta não era exatamente grande, mas estava entreaberta e em bom estado, acima da porta tinha um letreiro quase despencando com uma fonte caligráfica que indicava “escritório de advocacia La Fountain”. Os olhos de Caleb o estudaram por alguns segundos e era notável que, apesar do prédio ser grande, deveria ser o menor escritório do tipo da região. Pelo menos, parecia bem menor que os comuns por San Francisco. Ainda assim daria para o gasto. E, quando ele pensou em apontar para ele, Luke gritou, indicando-o. Pelo menos algo eles pareceram concordar.
Adentrar o local e finalmente parecer estar a salvo permitiu Caleb recostar-se em uma das paredes e deitar a cabeça para trás, enquanto tentava recuperar o fôlego que perdera com a corrida. Observou Kael arrastar as tralhas para prender a porta e então permitiu-se analisar em volta. Havia um balcão, algumas cadeiras para espera, folhas espalhadas por todo o chão e um ventilador de teto que mexia-se vez ou outra quando algum vento fraco o tocava. Vindo de onde? Caleb não conseguia saber. Era ausente a presença de janelas naquele local do prédio, mas então Caleb pôde ver uma pequena entrada de ar no alto da parede. De onde via, era pequena demais até para que aqueles dobermans passassem. Isso era bom.
A analise parou no momento em que a voz de Luke passou a orientar ele e o soldado Bailey. O “cutucão” que ele deu em Bailey quase fez Caleb rir para o amigo. Em seguida, o Doutor Fortune guardou a faca suja que carregara enquanto corria na bainha presa ao cinto do uniforme, aquele que costumeiramente ele não usava, mas para aquele tipo de missão era preciso. Então, tirou a pistola que carregava no cós da calça e procurou o silenciador dentro da mochila. Um movimento rápido e ele estava com sua arma pronta. – Podíamos aproveitar o telhado para tentar ver algum sinal do outro grupo. – comentou e logo tomou a frente até a porta da escada. Contou mentalmente até três e então a abriu de uma vez, apontando a arma para dentro. – Limpo. – disse, logo depois colocando a cabeça para dentro para verificar melhor. Uma movimentação pôde ser observada alguns degraus acima e então ele fez um gesto com as mãos, chamando os outros dois. Apontou para o alto. – Lá em cima… Parece ter algum zumbi. – sussurrou e, com os olhos atento ao alto, começou a subir a escada.
Enquanto ia subindo os degraus, esperando ser seguido pelos outros dois, Caleb prestava atenção na movimentação que vira anteriormente. Os olhos presos lá em cima mal o deixaram notar que um zumbi sem uma das pernas estava jogado no chão, na troca de lances. O morto-vivo tratou de agarrar a canela de Caleb, mas seu instinto rapidamente respondeu aquilo e ele disparou na testa do errante. – Merda. – reclamou mais pela surpresa do que por qualquer outra coisa.
– Estou ouvindo algo lá em cima, e parecem muitos. Sabe-se lá quantos podem ter atrás daquela porta. E… – e então ele viu um dos zumbis arranhando a porta do andar seguinte, deveria ser o terceiro, como se também ouvisse o que tinha atrás da porta. – Não sou o único a ouvir alguma coisa. Vocês querem continuar a subir agora ou dar uma verificada no segundo andar antes? – e então apontou para a porta que estava ao lado, um lance antes do que dava para o zumbi que ele observara.
Ele não tinha o que fazer ou dizer naquele momento de repreensão feita por Luke, apenas assentir. Reconhecia claramente que tinha uma grande parcela de culpa pela maratona por suas vidas. — Sim, senhor. — concordou em tom sério e olhou de canto para Caleb que parecia achar graça naquilo. Sua criança birrenta interna teve vontade de fazer algum tipo de careta para o amigo, mas não se atreveu já que ainda sentia o olhar do sargente sobre si. Mas no instante que o grandão se virou para verificar a porta, Kael virou para o doutor e fez um gesto desagradável para o mesmo.
Bailey preferiu enterrar a cena passada e seguir em frente. Tentando evitar qualquer tipo de tragédia. Se ele estava lá, é porque August confiava em suas habilidades para fazer aquilo dar certo. Concordou sobre irem ao telhado e procurarem algum sinal da outra equipe, e depois, pensarem em algum jeito de sair do prédio rodeado por zumbis e cães sedentos por carne humana. Ele preparou a sua besta, deixando uma flecha engatilhada. Seguiu atrás de Caleb, atento ao local. Caos. Era assim que poderiam definir o estado daquele edifício, assim como todo o resto da cidade. A frase cuspida pelo o doutor fez com que apontasse a flecha em direção ao ocorrido, mas, felizmente, o mesmo tinha sido rápido e se livrou do infectado que agarrou-lhe a canela. — Bom tiro, doutor. — disse, seguido de um tapa leve no ombro esquerdo. Bailey pareceu reparar no andar de cima ao ouvir a suspeita do homem ao seu lado. Pés se arrastando e gemidos vagos revelava o que teriam que enfrentar mais cedo ou mais tarde. — Acho melhor limparmos o segundo antes. — sugeriu e procurou a Luke para saber da opinião do outro também.
Pelo jeito, o soldado Bailey havia absorvido o recado. Ótimo. Virou-se, então, para certificar que as tralhas colocadas em frente a porta segurariam os monstros lá fora por tempo suficiente. A madeira parecia querer ceder com os choques dos corpos dos infectados contra a porta e os cães arranhavam a mesma como estivessem tentando criar um buraco na porta. Luke respirou fundo. Nunca esteve em situação parecida. Nesse momento preferiu estar lidando com terrorista ou malucos psicopatas.
Atrás de si, os dois soldados se preparavam para subirem as escadas. Olhou pela a última vez a porta antes de seguir atrás dos outros. Sua escopeta em mãos e sua guarda alta. Escutava a conversa a frente, seguido do tiro e depois mais conversa. Luke quis advertir para que fossem mais cuidadosos, mas a questão era outra no momento. Estavam em um prédio recheado com zumbis. — Vamos limpar o segundo andar. — disse, decisivo. — Vamos subir e limpar cada andar. — explicou, fazendo gestos. — Se algo der errado e tivermos que evacuar área, não quero correr o risco de dar de cara com umas dessas coisas.
O general, então, passou a frente dos outros dois. — Fiquem juntos. — sugeriu. Então, fez sinal para que fizessem silêncio e para que o acompanhassem. Da bainha presa ao cinto de sua calça, ele sacou uma faca. Com passos cautelosos, aproximou-se do infectado que arranhava com certo desespero a porta que dava para o segundo andar, que nem se deu conta dos humanos atrás de si. A lâmina fora fincada bem na parietal do crânio daquilo que já foi humano algum dia. O corpo do infectado desmontou sobre o chão em um baque surdo. Os olhos de Luke acompanharam o movimento até o chão. Limpou com frieza a lâmina da faca na barra de sua blusa. — Menos um. — disse com um leve erguer de sobrancelhas. — Fiquem a postos. Vou abrir a porta, se precisarem, atirem. — e assim, liberou a passagem para que os dois entrassem no corredor. Deu apenas uma olhada para dentro do local, observando alguns zumbis espalhados que atraídos pelo o barulho, começaram a mover-se em direção a entrada. — Vão, vão, vão.










