↳ When did the rain become a storm?
O aroma já conhecido do perfume do garoto invadiu suas narinas e, de uma forma estranha, aquilo conseguiu tranquiliza-la um pouco. Saber que não estava sozinha naquela situação, que ele não seguiria os passos da maior parte dos garotos que haviam passado por uma situação do tipo, fazia com que Melissa sentisse como se uma pequena parte do peso sob seus ombros fosse retirado. Uma pequena parte, quase desprezível, porem que era o suficiente para ajuda-la. Mas, mesmo assim, não era o bastante. Por mais que se sentisse um pouco aliviada por saber que não passaria por aquele inferno sozinha, o pânico por ter que passar por aquilo falava mais alto do que qualquer outra coisa. Mel tentou impedir que Nick guiasse seu olhar para o dele, o que acabou sendo inevitável. Mordeu seu próprio lábio inferior ao finamente fita-lo, seus olhos já estavam cheios d’água e ela não sabia o que dizer a ele. “E-eu preciso ficar um pouco sozinha, Nick” disse após algum instantes, tentando demonstrar certeza em seu tom. Poucos segundos depois pode ouvir uma batida da porta de seu quarto e logo em seguida a voz de sua mãe ecoou pelo ambiente: “Mel, você tá se sentindo melhor? O Nick tá aí com você? Querem alguma coisa?” Pode-se notar um leve desespero no olhar da loira, a última coisa que ela queria naquele momento era ter que lidar com seus pais. Pigarreou, tentando fazer com que sua voz voltasse ao normal. “S-Sim, mãe” começou, em um tom alto o suficiente para que a mãe lhe ouvisse no outro lado “ele tá aqui, a gente não quer nada não, obrigada” disse, desejando que aquilo fosse o suficiente para fazer com que a mulher voltasse para seja-lá-o-que-estava-fazendo-antes. Mel voltou a ficar Nicholas, “por favor, se ela te perguntar alguma coisa, só diz que eu preciso dormir um pouco, ok?” pediu.
Assim que a loira disse que precisava ficar sozinha, por mais que Nicholas não quisesse a deixar sem ninguém no momento, o rapaz assentiu levemente, observando o rosto desta se apavorar ao ouvir a mãe do outro lado da porta, teria falado algo mas Melissa foi mais rápida, e ele apertou de leve o ombro da amiga para a assegurar de que estava tudo bem, que ninguém sabia nada do que acontecera ali. Os questionamentos ainda perturbavam sua mente, sobre se era dele ou o que ela planejava fazer, os nervos o corroendo por dentro mas sabia que no momento aquilo não era o que a garota precisava, não queria a transtornar mais com suas dúvidas então apenas inclinou o rosto para beijar sua bochecha, abraçando-a mais uma vez antes de afastar-se inteiramente. “Digo sim, não se preocupa Mel, tá legal?” Respirou fundo, coçando a nuca e encarando a garota com a face tão tristonha, queria dizer algo que a fizesse melhorar, mas não sabia se tinha frase existente que cumprisse com aquilo. “Tenta descansar um pouco, sabe que pode me ligar qualquer hora, certo?“ Mordeu o lábio, tentando esconder o quão aterrorizado também encontrava-se e mascarou o que sentia com um sorriso fraco para ela. “Só- Ahn, qualquer coisa que precisar, é sério, me chama.”
Foi com aquelas palavras que decidiu virar para ir embora, suas mãos um tanto trêmulas e ainda não achava uma boa ideia Melissa ficar sozinha, mas não iria insistir se era isso que a garota desejava. Falou para a mãe da amiga que ela precisava descansar e dormir, que era melhor não a atrapalhar e, mais tarde, em seu quarto no meio da noite, foi a vez do rapaz entrar em pânico com a notícia que recebera e teve a noite toda para remoer os fatos em seus pensamentos.
















