Peace Line | Fer x Gina
Fernand sentiu como se tivesse sido recebido com um bande d’água, a frase dela o fizera abaixar um pouco a cabeça e matutar as palavras corretas para responder aquilo, mas concordava plenamente com o que fora dito e portanto apenas um “Sinto muito” saiu como sussurro. A verdade era que ainda estava perdido, dentro de si mesmo e naquela época, era como se olhasse em volta e não achasse uma coisa se quer para chamar de familiar. Não tinha nada que se assemelhava ao que ele já conhecia, a realidade que ele passara a amar com o passar dos anos, e até mesmo aquelas coisas eram um poucos esquisitas, embora algumas fossem engraçadas e o fizessem sorrir. Ele esperava que a garota fosse de fato mais agradável que a voz, pois caso contrário, não tinha a certeza se teria uma boa noite. Tinha até mesmo tinha tido a impressão que havia sido odia-lo, mas depois de pensar ao menos um pouquinho refletiu que não tinha tantos motivos para que isso acontecesse. Afinal, ele só não tinha dito as palavras comuns como: me acompanharia para uma dança, a Srta está muito bonita ou é um prazer conhece-la, já que ele de verdade não sabia dançar, mal conseguia ver o que ela trajava por estar sem óculos e com pouca luminosidade, e também não sentia prazer em conhecer uma vez que não a conhecia propriamente. Portanto, eram coisas que não encaixavam na mente dele, por mais que se esforçasse. Ele estendeu a mão, esperando a dela, e quando finalmente esta encontrou a própria ele conduziu a garota seja lá pra onde, e quando se deu conta, estava indo para a mesa de banquete. - Sr anônimo? Eu tenho nome - ele disse um pouco confuso, não tinha entendido tão bem a brincadeira dela e depois de uns segundos que se deu conta - Ah ta, é segredo. Entendi entendi… - ele exclamou colocando um dedo sobre a boca para indicar que ficaria quieto. E antes que pudesse pegar um pratinho e oferecer a ela, ou encher uma taça com bebida para os dois se viu imerso a uma escuridão quase absoluta. - Ei, você que fez isso? Como vou enxergar agora? - ele disse olhando em volta, não que aquilo fosse ajudar.
Sua própria voz estava deixando-na enjoada. Tanto que decidira se manter calada por longos momentos, momentos em que só acompanhava os passos do garoto enquanto observava o movimento atrás do mesmo. Gina percebera que ele não parecia nem um pouco confortável e sentira-se imediatamente arrependida por ter sido tão ironicamente dura com ele. Não era de maneira alguma sua intenção. Por tanto, a partir daquela perspectiva de que havia sido desrespeitosa, tentou ao máximo transparecer para o menino que estava gostando daquela ocasião, mesmo que não tivessem passado de meras frases de apresentação.
Ele era uma pessoa engraçada com todo seu embaraçamento e destrambelhamento. Algo que a deixava entretida e satisfeita por ter uma companhia com personalidades que a mesma gostava. — Seu bobo. — Ela disse no mais leve tom de brincadeira, dando uma risada. — Sim, é segredo. Infelizmente é uma pena que não possa me dizer seu nome. Você pode ser algum conhecido meu e nem sabemos. Tornaria tudo tão mais fácil, não é? — Sua atenção estava centrada no garoto, como se do nada a máscara fosse cair e desvendar alguém completamente familiar e amigo. — Pode me chamar de algum codinome enquanto não nos apresentamos. É interessante agir assim, você não... — As palavras foram interrompidas quando o local ficou em um breu total. Sua mente entrara em estado de alerta, escuridão daquela maneira, tão abrupta, não poderia ser algo bom.
Gina apertara seu corpo contra o do garoto, como uma forma de confirmar se ele ainda estava ali. Olhava ao redor, mas sem ver algo de fato, desistiu daquele ato. As pessoas que a cercavam, pareciam ter tido as mesmas reações de espanto, porque no breve período que as luzes se apagaram o local fora inundado por inúmeros murmúrios. — Eu? Como eu poderia ter feito isso? Estou aqui com você. E tecnicamente, é impossível enxergar algo. Ao menos que tenha alguma visão sobrenatural. — Quando dissera isto, uma pequena luz fora acendida ao longe. O que dava ao local um toque exótico e misterioso, mais misterioso do que o normal.
Aquilo parecera despertar nas pessoas um impulso a mais para o baile, já que agora se encontravam dançando com mais animação e se relacionando com seus pares com maior empenho. A ruiva não podia negar que aquela situação lhe dava mais motivação, o clima estava perfeito para uma festa misteriosa como aquela. Com um sorriso em lábios ela retomou sua atenção para seu parceiro. — Quero saber sobre você. Conte-me sobre esse garoto misterioso que é. Vamos levar isso a sério. Que tal começarmos pela mais importante de todas as perguntas: Qual sua cor preferida? — E com uma risada começou a dançar no ritmo da então música animada que tocava.














