Dark Shadows
"Senhor Dark Shadow, está tudo bem." A morena riu baixo, balançando a cabeça negativamente e mordendo o lábio inferior. "Eu sou uma garota que não liga pra essas coisas. Quem nunca tomou um tombo na vida? E é, eu também, a última vez que fui a uma festa…" Fechou os olhos e se lembrou da última festa de gala que tinha ido, o Baile de Inverno em Hogwarts, há um ano atrás. "Foi há um ano. Minha banda favorita tocou lá. Ahm… Você sabe o que é uma banda, não sabe?" Se calou um pouco constrangida, e se o rapaz fosse dos tempos antigos de Salém e não entendesse nada de seu linguajar? Aliás, já existiam bandas naquela época? Se existissem, com certeza tocavam músicas um pouco cafona demais. Quando as luzes se apagaram, Tori percebeu pelo tom de voz do rapaz que havia algo de errado com ele. “Ahm… As luzes apagaram. Estão todos dançando. É normal.” Tentou tranquilizá-lo, mas não sabia bem ao certo se conseguiria fazê-lo. O rapaz parecia bem tímido e com medo de tocá-la por muito tempo, o que a fez se sentir numa missão de ajudá-lo a se divertir, aliás, as luzes agora estavam apagadas e ninguém estava vendo nada, as únicas luzes vinham da grande mesa do banquete, onde alguns castiçais descansavam. “Está tudo bem, se quiser ir para lá, irei com você, embora não vejo problema algum.” Ficou um pouco confusa, seguindo o rapaz que a levava para a lateral da pista. “Você está bem?” Perguntou finalmente, tocando as costas da mão dele, já como não podia olhá-lo nos olhos. “Você está com medo de dançar, não está?” Riu e apontou para os castiçais que se situavam do outro lado da pista de dança, mas não tinha certeza de que o garoto a vira apontar. “Está vendo aquilo ali? Eles fizeram isso” Se referiu ao blecaute “Para manter a coisa toda mais anônima o possível. Só há pequenas luzes. E sabe, é ótimo pra você dançar do seu jeito, já que ninguém está olhando. Eu na verdade não ligo pra isso, mas já que você é meu par e temos que nos divertir e dançar um pouquinho, que tal se eu te ajudasse a te desenferrujar?” Sugeriu educadamente, esperando que o moço dissesse que sim. “E desculpe se estou falando muito, eu só… Tentei ajudar. Perdoe-me pelos meus hábitos falatórios.” Se xingou mentalmente e revirou os olhos, talvez estivesse assustando-o com aquela falação toda, mas a garota sempre fora assim, gostava de ajudar e não desistia até que todos ficassem bem. “Só quero dizer que, dance do seu jeito, dane-se o que os outros vão pensar, eles não estão vendo, mesmo, se divirta.” Completou rapidamente e jurou que iria ficar calada até que o rapaz dissesse mais alguma coisa.
Harry estranhou o tom que a garota lhe perguntara, como se gostar de uma banda não fosse um delito, mas um crime hediondo. Ele chegou a franzir o cenho com a frase, e não a contestou antes de ouvir até a última palavra. A acompanhante parecia ter muitas observações a fazer, ou mais que isso, muitos relatos. Aquela forma de interagirem embora fosse descontraída por parte dela, era quase mecanizada por parte dele. Não por opção, e sim pela sua personalidade muito reservada e seu jeito até calculista. Ele se pegou pensando a quanto tempo não frequentava um baile, e se deu conta que nem mesmo lembrava o tempo exato uma vez que parou de conseguir medi-lo, apenas considerou ser um bom tempo "Sei o que é uma banda, o que não estou conseguindo entender é de onde está vindo esta música" ele comentou pelo som ambiente. Mesmo quando a claridade ainda proporcionava o mínimo de percepção a ele, Harry não havia captado uma banda ou alguém que comandasse as músicas a serem tocadas. Na realidade, ele chegou a pensar que em bailes de galã e grande porte como aqueles violinistas ou mesmo uma orquestra completariam o corpo do baile. Estava enganado pelo visto, assim como estava a cerca de maioria das coisas ali. Isso, por si só, já não o deixava tão a vontade como gostaria. Um garçom que passara com uma bandeja, que provavelmente deveria ser de prata ou metal precioso, ofereceu em baixo timbre taça de champanhe a eles e embora nunca tivesse tomado aquela bebida trouxa, apesar de seu Tio Dursley ser um, ele arriscou em pegar a taça e entregar uma a moça, mesmo que não tivesse conseguido achar a mão dela de primeira. Ele bebeu o líquido transparente aos poucos, e não sentiu um gosto por ele. Esperava que ele pudesse ser classificado em doce, ou amargo, mas não conseguiu formar opinião e quando a garota comentou que estava com medo de dançar acabou por engasgar. Era raro ter algum, só para variar, o acusando de ter medo. Costumava ser tão teimoso, petulante e gostar do senso do perigo, que ter medo de dançar chegava a parecer uma besteira. "Está de brincadeira? Não sei dançar, é diferente de ter medo... Quem tem medo de dançar? " a última pergunta soou como pessoal, e ele negou com a cabeça sobre ir a mesa de banquete. Não estava com fome, e não queria ser deselegante de não acolher bem a acompanhante. "Está tudo bem, posso continuar em sua presença. E sim, eu notei que houve um blackout. Estou apenas pensando se há algum motivo por de trás dele, que se não manter as coisas o mais anonimas possíveis" ele disse baixo. Não sabia se podia confiar na garota, e não o faria, mas não tinha dito nada comprometedor a ponto de se arrepender em mesma instância. Demorou um pouco para ele tentar processar a todas as frases da garota que ele deveria responder e se deu conta que não havia indagado o simples "Está tudo bem?" e isso o fez se pronunciar de imediato "Sim, estou bem. E você? Não precisa ficar acanhada, gosto de quem puxa assuntos. Não sou muito habilidoso com isso, em especial com desconhecidos. O argumento foi bom, podemos tentar dançar. Preferiria que não fosse uma valsa, se não lhe incomodar" a proximidade era o que o envergonhava, e não a dança em si, mas não valsar já ajudaria bastante.













