Tudo bem então, não se preocupe. Não era nada importante mesmo.
Bom, eu vou pegar mais um pouco desse champanhe maravilhoso. Você quer alguma coisa?

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Tudo bem então, não se preocupe. Não era nada importante mesmo.
Bom, eu vou pegar mais um pouco desse champanhe maravilhoso. Você quer alguma coisa?
Oh! Que demais! Vem cá, você não conhece uma garota chamada Haley, certo? Uma loira, mais ou menos da minha altura. Que eu me lembre ela trabalhava pra você.
Desculpa, Katherine, sou péssima para lembrar nomes.
Constanza, que nome de classe. Você tem alguma joalheria ou uma loja cara por um acaso? Desculpe se eu estiver sendo invasiva demais, eu sou um tanto curiosa.
Na verdade, não. Eu sou dona do casino, e do strip club. E não se preocupe, quem eu sou e o que eu faço não é nenhum segredo nessa cidade.
Katherine. Katherine Fich.
É um prazer, Katherine. Me chame de Constanza.
De nada! É uma carteira cara e eu não olhei dentro, então não sei se tem dinheiro. Eu ficaria muito triste de perde-la.
Dinheiro não é algo que m faz muita falta, mas eu amo essa carteira.
Obrigada, como é seu nome mesmo?
Muito obrigada, dear.
Benjamin não esperava uma resposta a suas palavras, para falar a verdade ele nem havia notado que havia as proferido em voz alta, deveria ser só mais um dos efeitos daquele nervosismo repentino. Ele ergueu os olhos para descobrir de quem era a voz e deparou-se com Constanza, primeiramente Ben encolheu os ombros, ela parecia superior a ele, era elegante, e falar com pessoas assim era uma dificuldade para o rapaz. Ele suspirou tentando formular uma frase que não soasse idiota, concentrando-se para proferir as palavras da maneira mais tranquila possível.
“Acho estranho isso… Quer dizer, eles nem tem certeza se ela está morta, ainda assim duvido que a maioria das pessoas queira alguma coisa em uma hora assim… Sei lá, sempre me sinto mal e não sei o que dizer… Sou quase um intruso aqui para falar a verdade” apenas após terminar a frase ele percebeu que havia conseguido pela primeira vez em uma situação de nervosismo expressar justamente o que queria dizer. Lembrava-se que quando sua mãe morrera todos os conhecidos iam até ele e tentavam o confortar com palavras ou gestos, porém aquelas atitudes na ocasião apenas pareciam vazias ou o irritavam.
“A senhora fuma?” perguntou mais tranquilo estendendo tirando do bolso um maço de cigarros e estendendo para ela como uma forma de gentileza.
“Well darling, a dor deixa as pessoas estranhas mesmo. Se bem que eu não faria isso, mas é apenas minha opinião. Eu conheço a irmã dela, então não achei justo eu não vir aqui.” falou tranquilamente, ajeitando os óculos. Notou que o garoto estava nervoso, ele provavelmente não conhecia mesmo a família, mas queria ser gentil. “É bastante gentileza da sua parte vir prestar homenagens à uma completa desconhecida. Vão agradecer sua presença de qualquer maneira, é sempre assim em funerais.” a voz de Constanza era calma e fria, suas palavras eram sempre pensadas e calculadas antes de saírem de sua boca.
Odiava ser chamada de senhora, mas a idade e status de relacionamento - casada - a forçavam a aceitar o título de senhora. “Fumar eu fumo, mas eu recuso no momento, dear, obrigada.” respondeu educadamente, tentando decifrar o estranho garoto ao seu lado. “À propósito, sou a Constanza, você é?” a mulher sabia que todos a conheciam, mas achava falta de educação não se apresentar, e educação era fundamental para sua imagem. “Bom, eu vou entrar, você vem?”
Acostume-se, my dear. Essa cidade nunca vai deixar de ser parada e chata.
Parada e chata ela com certeza é, mas prefiro assim. Não quero ver, ouvir ou ser surpreendido por bombas por um bom tempo.
Não sei como é ser do exército, mas não duvido que algo calmo certamente seja melhor que a guerra.
Mesmo que para Benjamin não houvesse muito sentido existir um funeral sem corpo ele havia decidido ir ao cemitério de SB naquela manhã, não pela garota supostamente falecida, a verdade é que lembrava-se vagamente dela, mas mais por um ato de solidariedade com os possíveis amigos e conhecidos que estavam no local. Ele entrou pelos portões com um ramo de rosas brancas, porém ao contrário do esperado não foi direto em direção ás capelas, primeiramente visitou outro túmulo no outro lado do cemitério onde deixou as rosas, logo em seguida após alguns minutos diante a lápide de Geórgia Lockwood, ele suspirou tomando coragem para encarar aquela atmosfera de luto sufocante dos funerais.
Foi em direção ao aglomerado de pessoas, porém sentia-se um intruso por não compartilhar da dor dos amigos. Aproximou-se da capela e não sentiu coragem em entrar, suas mãos estavam tremulas e ele nem ao menos entendo aquela sensação, afinal o caixão estava vazio, não havia aquele choque inicial de ver alguém morto diante dos olhos e sentir o eco inevitavel da morte. Por fim desistiu de entrar e sentou-se em um dos bancos na rua, acendeu um cigarro, com o intuito de acalmar aquele nervosismo repentino - Ao que parece não levo jeito para consolar as pessoas. - pensou alto enquanto deixava a fumaça de uma primeira tragada sair de seus pulmões.
Constanza precisava manter sua imagem de mulher boa e solidária, sua farsa não podia nunca ser desmascarada, ela vivia de suas atuações, e a cidade de Silent Bay não seria nada sem a Solovey mais velha. Para manter a máscara no rosto Contanza havia decidido ir ao funeral simbólico de Samantha Keller e prestar suas homenagens à pobre família que certamente estava sofrendo. A mulher não via sentido naquilo, achava bobeira, não faria aquilo se sua filha tivesse desaparecido, na verdade, seria capaz de agradecer se Valerie sumisse de sua vida. Seguiu sua rotina matinal normalmente, tomando outro rumo apenas depois do almoço. Tomou outro banho, aprontou a maquiagem e se vestiu. Roupas para a ocasião não faltavam, já que vestidos pretos ela tinha de sobra. Vestiu-se com um vestido que ia até os joelhos com mangas 3/4, usava meias da mesma cor e um salto igualmente escuro, e para finalizar decorou-se com um par de luvas e um pequeno chapéu com um voilette, cobrindo parte de seu rosto, os cabelos negros e brilhantes estavam impecáveis como sempre, estilizados em largos cachos ao redor de seu rosto branco. Colocou um óculos escuro no rosto antes de sair de casa, entrando no carro do marido, já que o seu estava sendo concertado.
Caminhou lentamente até a catedral após descer do carro em frente ao cemitério, carregava um enorme buquê de rosas brancas nas mãos. Parou ao lado de um garoto magrelo ao ouvi-lo falar, aquilo não estava em seus planos, mas as palavras dele a deixaram curiosa. “Você não precisa falar nada, é só entrar e ficar parado, talvez abrace algumas pessoas, mas apenas esteja presente, isso normalmente é o suficiente.” disse, ajeitando suas luvas e retirando os óculos para observar melhor o jovem.
Me lembrava daqui ser calmo, mas não assim. Chega a incomodar. O que alguns anos no Iraque não fazem, não é?
Acostume-se, my dear. Essa cidade nunca vai deixar de ser parada e chata.
Não é só porque divido o apartamento com uma mulher que necessariamente a gente se pega. Isso não é uma regra. É?
Você vai mesmo perguntar isso pra mim, querido Dean?
Pode ir. Vou cuidar bem do Mercedes.
Acho bom, mesmo.
Tome a chave. - disse jogando a chave o carro para a filha. - Até mais.
Você está perguntando porque quer realmente saber ou porque está curiosa como todo mundo?
Quero realmente saber.
São só roupas, não tem importância.
Você tá indo nos seus médicos e tomando seus remédios, Sarah? Anda comendo direitinho?
Eu gosto de usar as roupas dela.
By the way, não preciso de novas, isso soa como caridade.
Tudo bem, só pare de usar as roupas da sua irmã.
N-não, isso era… ahn…
Da Samantha, era da Samantha. É da Samantha.
Então vamos ter que comprar outras coisas pra você, você não pode ficar usando as roupas dela.
Isso é pro seu bem, dear, você sabe que só quero te ajudar.