Eu aceito teu caos, meu amor.
Também aceito tua imprevisibilidade, teu olhar que grita tudo aquilo que sua boca não consegue dizer e o jeito torto de me cuidar. Mas também quero os teus sorrisos, do mais falso para fingir que está tudo bem ao mais sincero quando está comigo. Eu quero te deitar no meu colo para você descansar o peso de ser quem é. Quero cuidar do teu peito aflito e da tua alma sempre cansada. Eu quero tuas mãos quentes, e todo o arrepio que minha epiderme fria sente com o toque dos teus dedos. Quero tua chegada e também sentir na minha roupa teu perfume com cheiro de saudade. Quero teu coração revolucionário e mudar o mundo contigo. Eu quero tomar café com você, discutir cinema para falar dos filmes antigos que só você conhece e rir das suas piadas sem graça só para ver seus olhos sorrirem comigo. Quero dançar com você no meio do desastre e ver as estrelas caírem do teu lado quando o mundo estiver prestes a desabar. Quero admirar o universo que você carrega no olhar e me jogar no teu precipício mesmo sem saber voar. Quero segurar tua mão e fazer a revolução. Eu quero calar as vozes da sua mente perturbada e também que seus demônios dancem com os meus. Conhecer teu lado obscuro e viver na tua órbita desordenada. Quero teus silêncios e gritos, desatar os nós na tua garganta. Quero fumar aquele cigarro barato e te encarar a cada trago. Quero tropeçar contigo na tentativa de acertar. Quero teus braços em volta do meu corpo e teu peito como descanso depois de um dia ruim. Você acalma os demônios que existem em mim, eu sou uma pessoa melhor quando estou contigo. E quando você sai, só fica o vazio. Mas entenda que não te quero pela metade. Te deixo livre para decidir se fica no meu mundo preto e branco e aceita ser confusão comigo ou se vai embora para virar mais uma lembrança que eu guardo dentro do peito. Eu não quero te prender. Você é liberdade. Meu amor também. Com toda minha alma,
E.















