Questionamentos oscilantes.
Eu vim escrever. Não estou bem. Estou sem sono.
Pedi demissão. Arrumei um novo emprego.
Estava contente em ficar em casa e agora não estou mais. O que fez oscilar esse sentimento?
Escrevendo agora percebo que, desde muito tempo, minha intenção era minha autoanálise. Isso é psicanálise. Atualmente tenho ajuda da Débora, quem eu encontro uma vez na semana e converso durante 45 minutos sobre coisas que eu acumulo durante ao longo da semana.
Eu quero entender tantos sentimentos. Esse sentimento de insegurança. O que está acontecendo? Tem algo de errado nessa relação...
Hoje foi um dia de lembrar do meu pai. Eu senti ele presente em vários momentos do meu dia. Eu e minha mãe voltamos no dia da noticia. Não sei se, agora, é isso que está me abalando.
O que me trouxe aqui foi a reflexão sobre o que é um relacionamento pleno. O meu relacionamento tem me trazido diversos questionamentos. Sobre mim... sobre ele... sobre nós dois. Eu quero e preciso organizar esses questionamentos. Preciso entender de onde isso parte e o que, de fato, acontece aqui dentro ou ali nesse meio, que me deixa, por exemplo, sem dormir hoje.
Eu me sinto sozinha constantemente. Por que isso acontece?
Eu sinto que tem algo de errado ali. Que não há uma demonstração de carinho e amor suficiente ou uma demonstração que, sei lá, me deixe confiante de que tenho algo real.
Eu me pergunto se isso é intuição feminina ou meramente uma insegurança de uma pessoa ansiosa e que parece atrair conflito.
Agora estou me questionando o que é atrair conflito. De fato, questionar sobre a veracidade da reciprocidade e sobre estar confortável ou não em uma relação NÃO é um conflito, mas algo que as vezes pode gerar desconforto. E desconforto é necessário. Eu aprendi com a Débora que nem todo mundo está pronto para vasculhar seu eu interior e o seu passado. E talvez, seja desse desconforto que eu esteja falando quando eu me refiro: atrair conflito.
Eu sinto o Lucas distante. Por que eu sinto isso?
Agora por exemplo, ele está dormindo, na minha frente, enquanto eu estou no volume mais alto do meu fone de ouvido, pensando sobre nós. Ele percebeu que eu não estava bem e acredito que não quis continuar a conversa. Talvez pelo fato de que já tivemos essa conversas inúmeras vezes e talvez ele simplesmente não aguente e acredite que "amanhã passa".
O meu sentimento nesse momento é de que eu preciso de um tempo. De que NÓS precisamos de um tempo. Eu tenho dúvidas sobre o EU e NÓS. Quem, de fato, precisa de um tempo?
Acho que esse vai ser o tema do meu próximo encontro com a Débora.
Eu busco tentar entender. Buscar algumas resposta, embora eu saiba que só ele pode me dar. "Ele está muito preocupado com o trabalho", "ele está cansado", "ele não sabe se expressar"... E quando falamos sobre isso, de alguma forma, a atenção volta para mim. "eu não estou compreendendo e entendendo o momento dele".
Como manter a integridade dentro desse contexto?
O que é ter um relacionamento pleno? O que é PARA MIM?
Nesse momento, entender que ele precisa descansar pois amanhã terá um dia cheio. OK. Mas não entender o motivo pelo qual fomos almoçar hoje e ele agiu de forma grosseira (com a mãe dele), mau humorada (comigo) e não demonstrou algum gesto de carinho ou afeto enquanto estávamos juntos.
Será que eu desaprendi a gostar do jeito dele? Me incomodando com atitudes que, de fato, são dele? Um dia eu gostei delas?
Voltamos para casa e eu precisei ir no médico. Ele insistiu em me acompanhar. Embora, eu tenha visto na cara dele que ele não queria e eu tivesse insistido para que ele ficasse, demonstrando que realmente não iria me importar em ir sozinha, ele falou: vou com você, vai que acontece alguma coisa. Ok.
Chegando em casa, cada um no seu mundo. E agora, assim estamos. Será que eu não sei respeitar esse tempo?
Eu tive vontade de apagar nosso story. Uma foto minha, dele e de nossas mães. Eu adorei nosso dia. Mas quando percebi a tal falta de demonstração de afeto, eu pensei que não fazia sentido postar aquela foto. Mas pensei duas vezes e não exclui. Talvez seja um problema que eu tenha que trabalhar. E a situação está voltando PRA MIM, de novo.
Sou eu que faço isso comigo?
Eu vim falar do meu pai e falei de mim?