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Simon nĂŁo pĂŽde deixar de rir baixo, sentindo uma espĂ©cie de divertimento que nĂŁo sentir hĂĄ anos. O desespero do rapaz era grave, mas tambĂ©m o deixava com a lĂngua solta, fazendo-o falar daquela forma revoltada. â Acredite, eu adoraria ter esse fator de cura como os vampiros fazem, mas infelizmente eu nĂŁo posso escolher. Tenho certeza de que nĂŁo sou sĂł eu que pensa dessa maneira. â O mago disse, concordando com a cabeça. Quando o garoto pareceu aceitar em ajudar, Simon respirou aliviado. A dor estava matando-o e ele sabia que precisava fazer um curativo depressa ou sofreria as consequĂȘncias depois. â VocĂȘ pode fazer isso, com certeza. â Repetiu o que ele disse, surpreso ao observar a conjuração da faca. O tecido estava sendo cortado e Simon apenas esperou, com calma.Â
 â Sabe, uma vez eu estava no aeroporto e eu tive que ajudar uma criança que estava engasgada com uma bala. Uns sete anos, tinha se engasgado com o tamanho da bala e estava no chĂŁo, se contorcendo, como se estivesse tendo uma convulsĂŁo. â Simon disse, gemendo de leve quando o tecido roçou na beirada do ferimento. â Ele precisava de ajuda e ninguĂ©m ao redor queria tocar na criança⊠mas⊠eu tive que fazer alguma coisa. Depois que o choque saiu, eu fiz de tudo sabe? Todos aqueles procedimentos que a gente vĂȘ em sĂ©ries de tv que sĂŁo sobre mĂ©dicos. Eu estava desesperado e estava realizando o movimento errado sem perceber porque eu estava nervoso, era uma criança de sete anos morrendo na minha frente. â O mago respirou fundo, olhando para o outro rapaz. â No final, eu consegui fazer a criança cuspir aquilo e percebi que na verdade, o meu desespero ajudou a minha determinação em ajudar a criança. EntĂŁo, vocĂȘ estĂĄ salvando a minha vida com o seu desespero.
Sequer estava processando tudo de forma correta, e definitivamente nĂŁo compreendia o porque do outro estar rindo. Ele estava machucado!! A alma nĂŁo sabia o que fazer, e apenas conseguia sentir o desespero crescer em seu Ăąmago. â Isso Ă© tĂŁo.. tĂŁo... estĂșpido! â Ele proferiu mais uma vez, incapaz de pensar em um xingamento mais apropriado. â JĂĄ passou da hora de vocĂȘs evoluĂrem e terem corpos mais fortes!! â NĂŁo que dependesse dele, mas certamente buscaria algo relacionado depois. Depois. Naquele momento Felix tinha de se concentrar, para nĂŁo acabar piorando o ferimento do mago. Fez o possĂvel para que a faca nĂŁo tocasse a pele do outro, enquanto rasgava a camisa dele, e mesmo com as mĂŁos um pouco trĂȘmulas, ele conseguiu com sucesso o fazer. Sentiu um enorme peso sair de seus ombros quando, enfim, viu a camisa rasgada, no entanto, o desespero voltou com força ao ver o ferimento.
Felix franziu o cenho, enquanto escutava a histĂłria que o mago estava contando. Por que ele estava falando?? Aquilo nĂŁo iria piorar? Mas nĂŁo o interrompeu, era rude da sua parte o fazer, Ă© claro, e a alma precisava tambĂ©m ouvi-lo, uma vez que a voz de Simon o acalmava, de alguma forma. â NĂŁo sinto que estou salvando sua vida com o meu desespero. â Ele respondeu, um tanto nervoso, jogando a faca em algum lugar e tirando com cautela o tecido de sobre o ferimento do homem. Concentrou-se muito para que as mĂŁos nĂŁo tremessem, e ele nĂŁo fizesse alguma besteira. â Ok. E agora? O que eu preciso fazer? â NĂŁo era um ferimento leve, isso atĂ© mesmo Felix sabia, o que apenas tornava tudo ainda mais desesperador para ele.











