「 — △ ❛ Sua aversão ao álcool podia ser facilmente explicada por sua convivência com o pai após a morte da mãe. O mais velho vivia se embriagando e encontrando o conforto de suas mãos no corpo do pequeno filho, mesmo quando a criança já não era tão pequena assim. Contudo, mesmo com experiências tão ruins envolvendo a bebida, Thomas tentara experimentar, no início da adolescência, fazer o uso da droga lícita. Todas as suas singulares experiências, para o bem da saúde do garoto, foram negativas. Ademais, acreditava ficar parecido demais com o pai quando bebia, e aquilo o enojava. Fora assim que passou a mentir sobre o que bebia, principalmente na roda de amigos. Enchia sempre seu copo com água, não dividia e não aceitava bebida dos outros. Vez ou outra, também, assumia a posição de amigo chato, repreendendo os outros pelo excesso. Só quem o conhecia sabia os fundamentos de sua proteção e preocupação. Mas por mais que evitasse, algumas vezes rendia-se à uma cerveja ou outra, como havia feito durante o seu encontro naquela noite. Não bebera mais do que duas garrafa, mas fora o suficiente para deixá-lo mais sorridente que o normal. Por isso, talvez, houvesse escolhido deixar a moto no estacionamento do hotel do pai, indo para a casa à pé. Teria mais tempo para recobrar totalmente sua consciência. Já na rua, após vários minutos caminhando, o sorriso ainda era presente em seus lábios e alargou-se ainda mais ao reconhecer a voz que o chamava. — Jackie! — Cumprimentou-a animadamente, porém, bastou reconhecer a garrafa nas mãos dela e analisar a morena por mais alguns segundos, para que qualquer resquício do álcool abandonasse seu corpo, levando o Campbell à um estado sóbrio de imediato. A repreensão ficou presa em sua garganta ante palavras da amiga, e ele aproximou-se da marginal, tocando-a na ponta do nariz. — Poderia ter me esperado lá dentro, no meu quarto. A chave fica no mesmo lugar, e eu ainda acho que deveria ficar com ela por definitivo. Não é como se eu fosse emprestá-la à outra pessoa. — Disse com sinceridade, a sombra de um sorriso aparecendo em seus lábios quando a bebida fora mencionada. Seria demais para uma noite, mas ele estava sozinho com Jacqueline. Não teria mal algum, teria? — Espero que não seja uma bebida mexicana qualquer, e barata. — Zombou antes de passar o braço sobre o ombro da morena, puxando-a para si e a conduzindo para dentro de casa em seguida, não a soltando sequer para abrir a porta. — O que tem nas mãos afinal, Daniels?