O site Tudo Sobre Todos, que vende informações pessoais de cidadãos comuns na internet, resolveu sofisticar o sistema de recebimento de dinheiro. A página passou a aceitar pagamentos apenas na moeda digital Bitcoin, em vez de utilizar o PayPal. O motivo? Eles estavam sofrendo muitos calotes. O representante anônimo do Tudo Sobre Todos informou que a maioria das compras feitas por meio do PayPal, sistema que permite a troca de valores pela internet, eram canceladas por meio de um recurso chamado “chargeback”, que evitava que o dinheiro chegasse ao site. "Para evitar fraudes e diminuir a quantidade de compras fraudulentas, resolvemos alterar o método de pagamento”. O bitcoin é uma moeda virtual que se baseia em códigos de criptografia e que não depende de uma entidade centralizada para circular. Ela ganhou popularidade em mercados de itens ilegais na chamada deep web por ser praticamente impossível de ser rastreada – diferentemente de cartões de crédito pessoais, por exemplo. A compra de dados no site agora requer que o internauta tenha uma carteira virtual para guardar os bitcoins. O preço do plano básico oferecido pela página é de aproximadamente 10 reais. Devido ao alto valor do bitcoin no momento (975 reais por unidade), com 0,01 bitcoin, o internauta pode comprar 10 créditos. Cada crédito é usado para visualizar uma informação sobre um pessoa: CPF, RG, endereço, profissão, lista de vizinhos ou links para redes sociais. Ilegal? O Tudo Sobre Todos se auto-proclama um site que vende informações públicas de brasileiros. No entanto, no entendimento de Gisele Arantes, advogada e sócia do escritório Assis e Mendes, as pessoas precisam consentir que seus dados sejam comercializados – o que não aconteceu. A empresa usa uma camuflagem para dificultar uma reação por parte dos usuários: ela se diz registrada na Ilha Mahé, nos Seychelles, o domínio é da Suécia e IP aponta para algum ponto da França. Um abaixo-assinado pedindo a investigação do site pelo Ministério Público já conta com mais de 45 mil assinaturas. Na última sexta-feira, essa petição tinha 2 mil apoiadores. O Ministério Público Federal, em nota disse que informou estar ciente do caso e que os trâmites internos que culminam na investigação foram iniciados. Com isso, o Tudo Sobre Todos continua no ar vendendo informações de gente de todo o Brasil. fonte: Exame http://abr.ai/1IDvzsB