Tenho medo de amar porque toda vez que amei, perdi um pedaço de mim.
Não foi dramático.
Foi lento.
Silencioso.
Como quem vai se apagando sem perceber.
O amor nunca me destruiu de uma vez.
Ele ficou.
E ficando, foi desgastando, confundindo, machucando onde eu já era frágil.
Eu me entreguei achando que seria cuidada,
mas acabei aprendendo a me defender dentro de algo que chamavam de amor.
Aprendi a engolir palavras, a duvidar do que sentia,
a pedir menos para não incomodar.
Tenho medo de amar porque já amei sozinha.
Já esperei sozinha.
Já chorei em silêncio enquanto fingia estar bem.
O amor, para mim, nunca foi descanso.
Foi tensão.
Foi medo de dizer demais, de sentir demais, de ser demais.
Hoje eu não sou fria.
Sou cansada.
Cansada de entregar o coração e receber distância.
Cansada de acreditar e ter que me reconstruir depois.
Existe algo em mim que ainda sabe amar profundamente,
mas existe algo maior que sabe o quanto isso custa.
Então eu me fecho.
Não por falta de sentimento,
mas porque amar, do jeito que vivi, dói mais do que a solidão.
E a solidão, pelo menos, não promete nada.







