oh, cerenna sabia que era julgada. no entanto, a opinião masculina não lhe afetava como pensavam, pois ainda que fosse verdade que estivesse guardando sua virgindade para após o casamento, ainda pensava que seu corpo não devia ser público aos olhos alheios. ela tinha vontades, seu corpo sentia desejo por outras pessoas, não estava naquela situação por sua fé ser tão forte assim, mas sabia que se tornava mais valiosa se fosse virgem. era a sociedade em que viviam, infelizmente, e com o seu objetivo sendo o de fortalecer o poder de sua rainha e de sua irmã, cerenna ficava sem muitas alternativas. mas claro que tom nunca saberia disso; a mente limitada de um homem nunca entenderia seus motivos. “oh, não, tom. isso é o máximo que penso sobre você. não espero nada além disso.” deu de ombros, olhando diretamente para ele na sequência. cerenna suspirou, erguendo um pouco mais o corpo para apoiar os braços na beirada da banheira. “bran foi preso por se dedicar demais em procurar o dragão targaryen, tom. você não estuda história? para ser bem sincera, tudo pode ser verdade, como pode ser mentira. de nada adianta ficar fritando a cabeça, não antes de termos uma confirmação de alguma parte dessa história toda. se houver mesmo um dragão voando por aí, logo ficaremos sabendo, não é uma criatura pequena.” observava o baratheon de onde estava, a expressão descrente sobre como ele podia ser bobo. “ei, não se preocupe. você não serviria nem mesmo para um sacrifício.” aos poucos, cerenna foi voltando para a banheira, encostando-se na madeira antes de soltar um suspiro alto. “se quer saber o que seu irmão pensa, vá conversar com ele. para alguém que acha que é tudo conversa, até que está muito interessado, tom baratheon. está fingindo que não acredita para se passar de forte?” comentou enquanto buscava pelo pano que usava para se limpar, voltando a passá-lo pelos braços.
Antoine revirou os olhos à afirmativa, estava acostumada com aquele tipo de julgamento sobre si, não era como se se importasse, afinal, não tinha exatamente muito a oferecer. No fundo, gostava disso, pois só assim não era um alvo interessante para as damas desesperadas da corte. Ele escutou distraído a palestra de Cerenna sobre a história de Bran Stark, as mãos procurando por algo em que mexer entre os dedos pelo tédio comum que sentia quando as conversas começavam a tomar aquele rumo. Não precisava que ninguém lhe contasse o que tinha acontecido, ouvia aquelas histórias o tempo todo entre os soldados covardes, histórias estas que eram recontadas milhares de vezes com propósitos diferentes nas masmorras e estábulos. Tom bufou. “De fato, senhorita Meister, não é uma criatura pequena. De toda forma, não me importa, se um dragão quiser destruir um continente inteiro não é como se pudéssemos fazer alguma coisa, afinal, se for mesmo o dragão perdido da Targaryen ele há de estar muito maior do que era antes de sua morte.” Respondeu enquanto se levantava do catre com um suspiro pesado, batendo as botas pela tenda enquanto caminhava de um lado para o outro. “Por isso eu digo, Cerenna Lannister, temos de viver a vida como se não houvesse amanhã, pois não há!” Recitou o seu mantra, apontando em sua direção com um risinho antes de aproximar-se da banheira e agachar-se ao seu lado, mas sem tirar os olhos de seu rosto.
Embora tivesse uma reputação, não era um rapaz que infligia os limites impostos por moças, apenas buscava a diversão mas não estava disposto a fazer coisas que lhe soassem erradas para isso. Tom descansou o cotovelo na borda da banheira e semicerrou os olhos, divagando sobre uma resposta. “Não preciso me passar de forte, eu sou!” Comentou brincalhão, antes de inclinar levemente o pescoço e os lábios franzirem-se. “Apenas estou achando que tem passado tempo demais com meu irmão, não me ocorreu que gostasse dos velhotes, Cecê.” Sabia que seu irmão jamais tiraria libertinagens com Cerenna, mas não podia perder a oportunidade para comentar. Ele, no entanto, estava curioso sobre o que a outra falaria em defesa quanto aquela insinuação, e ele ainda tinha algum tempinho para brincar. Levou os dedos à água dentro da banheira e balançou lentamente, observando-a ganhar turbidez a medida que se movimentava. Voltando-se para Cerenna, o que saiu de seus lábios mudou completamente o rumo da conversa. “Acho que eu preciso de um banho depois de uma ronda enfadonha como esta, e sabe... não temos direito a banheiras como esta.” Deu de ombros com um olhar pidão. “Será que posso me juntar à senhorita? Prometo não fazer nada que não queiras.” Prometeu com um vislumbre de um sorriso, mas já esperando o revés da Lannister.