「 — △ ❛ Up the white flag
evxlns:
Sua verdadeira vontade era de não aparecer na festa. Desde que havia chegado de Forsaken, sua estadia foi em uma enfermaria, onde passou dois dias desacordada para quando abrir os olhos, não encontrar ninguém ao seu lado. Sempre teve ciência de que não era tão querida assim na escola, mas nem mesmo aquele por quem quase perdeu a vida havia se dado ao trabalho de aparecer. Ainda sentia-se fraca para qualquer tipo de festejo e preferia estar em sua cama não fazendo nada, contudo, não queria se sentir uma fraca e por isso ajeitou a primeira roupa que viu pela frente, fez sua própria máscara e apareceu na festa. Tal festa que era uma hipocrisia aos olhos de Eveline que preferia ver a Fada Madrinha e todos os heróis ajoelharem e pedirem desculpas do que oferecer isso em troca. Estava distraída observando uns idiotas que nem sentiu a aproximação, apenas quando um limpar de garganta soou perto de si, fazendo a ostina virar em seu corpo em direção a quem lhe chamava a atenção. Não seria uma máscara que faria Evie não reconhecer Oleander. Seu porte ficava perfeito em qualquer roupa, e o brilho na lapela claramente o denunciava. ❝ —— Depois do que eu fiz, tenho meus direitos de ir para o céu. ❞ Queria que sua voz tivesse saído de forma provocativa também, mas ela saiu com uma pontada de ressentimento por ter salvo a vida dele e mesmo assim não receber nem um obrigado. Percebendo um pouco a tensão, seu corpo resolveu agir e Eveline sentiu-se brevemente fraca, apoiando na parede ao seu lado de forma que o outro não percebesse. Fechando os olhos por alguns segundos, voltou a abrir, agora com uma certa determinação em seu olhar. ❝ —— Quero propor algo: Bandeira branca. Pelo menos por hoje ou sei lá. Eu só não estou no humor de ficar trocando farpas. ❞
「 — △ ❛ Desde que havia dormido, no mais literal e puro sentido, ao lado da garota, sentia-se diferente. Ou tentava convencer a si mesmo de que algo havia mudado. Oleander esperou pela mágica, aguardou o click em sua mente ou a mudança dos sentimentos ocasionados pelo fato da outra ser seu verdadeiro amor. Mas nada parecia acontecer, por mais que desejasse, não sentia queimar a famigerada chama da paixão. Havia se sentido frustrado nos primeiros dias, duvidando da veracidade da maldição. Porém, bastou saber que a garota seria mandada por definitivo para a ilha dos vilões, que sentiu algo incomodar seu coração. Preocupação genuína, e talvez, derivada do amor que ele ainda desconhecia o preencher. Então fora atrás da outra, sem armadura ou cavalo branco, mas como um príncipe vai atrás de uma donzela indefesa. Mas sabia que da mesma forma que não possuía tanta honra, Eveline não precisava tanto assim ser salva. Aquilo ficara claro quando a outra arriscou a própria vida para o salvar. E lá estava a preocupação novamente, o incomodando. Ele queria a acordar à força, dizer para ela nunca mais fazer aquilo e a beijar. Oh, ele desejava, porém, quando ela acordou, não conseguiu fazer nada do que havia planejado, aquele sendo o primeiro encontro entre eles. Antes de se aproximar reservou parte de seu tempo para a observar. Algo em sua postura a fazia parecer leve, delicada, e aquilo não era algo que o docente via com frequência. Porém, não conseguiu evitar a provocação quando chegou perto dela. O sarcasmo soando como uma proteção para ele, quase como se fosse uma forma de se blindar de tudo. A resposta da morena, contudo, o pegou de surpresa, e precisou piscar algumas vezes, lábios entreabertos enquanto concordava suavemente. — Não posso discordar. Aliás, não tive a chance de te agradecer, você sempre estava dormindo quando eu aparecia. Obrigado... — Mencionar que estivera no quarto dela, como se sequer houvesse se dado conta, havia sido algo proposital. Mas não estava sendo sincero o tempo todo, uma vez que havia permanecido ao lado da garota à todo momento, saindo apenas quando fora informado de que ela acordaria em breve. Não desejando que ela soubesse de sua estadia ali, contudo, pediu como só ele era capaz de fazer. Recebendo uma afirmativa em retorno, assim como um sorriso da enfermeira. Pobre criatura. Retirado de devaneios pela voz da garota, aquela única palavra o fazendo lhe oferecer toda sua atenção. Propor. Soava como desafio, e ele gostava disso. Porém, pela segunda vez na noite, a fala da morena o surpreendeu, e novamente precisou piscar algumas vezes, como se aquilo ajudasse tudo a se encaixar. — Trégua? Não soa tão ruim quanto eu imaginava. Acho que por essa noite posso te oferecer certo descanso, mas lembre que foi você quem ergueu a bandeira branca... 」












