Dia 100
Olá.
O meu nome é João Mateus, tenho 18 anos e estudo música( guitarra jazz) na Universidade de Évora.
À 100 dias atrás tive um problema. Enquanto estava a estudar o meu tendão do pulso prendeu e deixou-me impossibilitado de tocar. O pânico e o medo dominaram-me. Eu tinha que ter o pulso em condições! Era e é o meu trabalho tocar guitarra. Mas à medida que os minutos iam passando a minha mente ia acalmando e percebendo que aquele acontecimento não era coincidência. O porquê de ter acontecido e a minha reacção perante ele ia ser muito importante na minha vida. Na altura pensava que sim. Hoje, ao fim de 100 dias, tenho a certeza.
Naquela tarde decidi que ia mudar completamente quem era a nível emocional e espiritual.
Claro que isto não vem do nada. Na minha educação e na minha família a questão espiritual sempre foi uma questão muito presente. Católico, sempre fui ensinado a praticar o bem mas sem nunca esquecer que a nossa mente era um recurso muito forte e que as energias da atracção e pensamento positivo estavam muito presentes. Acho que essa parte devo mais à minha mãe. Ao meu pai devo a importância da Natureza neste processo de evolução mental. E já antes deste projecto tinha desenvolvido várias características de pensamento positivo e de uma mentalidade e espiritualidade aberta.
Mas a verdade é que podia (e posso) ser ainda melhor e então resolvi lançar a mim mesmo o desafio de durante um mês escrever uma lição por dia acompanhado por uma foto de uma paisagem( todas elas foram retiradas do site wallhaven.cc e os direitos vão para os respectivos fotógrafos/artistas ) na minha caminhada para uma iluminação pessoal.
Dei-lhe o nome de Landscape Project. Nome esse que foi influenciado e influenciou o meu projecto de jazz onde queria retratar as lições que escrevia através da arte que é a música.
Quando comecei achava que ao fim de um mês ia chegar àquilo a que os Budistas chamam de Buda. A plena iluminação.
Enganei-me. E foi bom ter-me enganado. Ajudou-me a perceber que, para melhorarmos um aspecto na nossa personalidade e mentalidade, o trabalho e o tempo são factores de longa distância.
Quando estava prestes a chegar ao fim do mês lançaram-me o desafio de ir até aos 50 dias ou talvez aos 100 ou um ano. Concordei com os 100. Aqui estamos.
Todos os dias aprendi algo de novo e todos os dias, de alguma maneira, me ajudaram a tornar-me mais “iluminado”.
O caminho é a vida. A caminhada é a vida. Tudo é a vida. A estradas são as situações do dia-a-dia e as paisagens os momentos mais belos que vives na tua vida.
Houve dias bons e dias maus no meu caminho. E vão continuar a haver. Houve dias em que escrevi com muito entusiasmo e outros nem tanto. Houve dias em que acreditei naquilo que estava a escrever, outros não. Houve dias em que pratiquei aquilo que escrevia, outros não. Houve dias em que me senti completo, outros não. Mas uma coisa houve sempre. A vontade de percorrer este caminho até ao fim e ver onde chegava.
O balanço é muito positivo. Não sou nenhum guru, nem sequer me considero um exemplo a seguir, mas se já era uma pessoa positiva e com uma energia grande, hoje ao fim de 100 dias sou muito mais. O facto de escrevermos algo obriga-nos a ser mais fiéis àquilo que escrevemos. Temos mais vontade de o seguir.
Durante a caminhada bebi de muitas fontes. Do Cristianismo, Budismo, Tauismo, da Alquimia Mental e Sentimental, da Alquimia dos Elementos, do Confucionismo e de Artes místicas. Bebi também dos livros e de entrevistas gravadas com mestres. Toda esta corrente de informação fez-me, durante pouco tempo, cair num limbo de crenças mal definidas. Mas rapidamente se resolveram. O melhor nestes casos é percebermos que podemos recolher aquilo que quisermos de tudo na nossa vida. Não temos, nem devemos, ficar presos a algo só porque sim.
Além de tudo isso bebi também da música. Sempre me ajudou. É grande parte da minha vida e sempre me ajudou a querer ser melhor. O poder da música é dos maiores poderes do mundo.
Bebi, bebi e tornei a beber das pessoas. De todos os que me rodeiam, família, namorada e amigos mas também de desconhecidos. São as pessoas que dão sentido a tudo aquilo que escrevi e aprendi.
Bebi da Natureza e do contacto com ela.
Mas acima de tudo, bebi da minha mente e de mim.
E foi isso que fez a diferença.
Para todos aqueles que leram, estão a ler ou vão ler qualquer que seja a mensagem espero que encontrem nela o apoio que eu encontrei a escrever, a motivação que eu encontrei e acima de tudo a felicidade. Se fizer sentido óptimo, se não fizer óptimo também. Uma das coisas que aprendi é que , na aceitação das diferenças de cada um, somos felizes.
Despeço-me com um grande sorriso e um sentimento de plenitude.
Até uma outra caminhada,
João.











