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@traficodeamor
Posso não conseguir te dizer tudo o que sinto, mas escreveria cinquenta páginas sobre você sem dificuldade. As palavras só começariam a faltar quando eu tentasse explicar o que acontece comigo toda vez que você sorri.
O Tumblr é incrível. Em menos de uma hora consigo consumir putaria, existencialismo, literatura gótica e fotos de gatos. Uma formação acadêmica completa.
Do sentimento no mundo
Há alguns dias, eu finalmente verbalizei algo de que tentei fugir com todas as minhas forças. E mesmo depois de verbalizar, ainda quis fugir.
Mas, ao defender o sentimento de alguém para que essa pessoa não fugisse do que sentia, acabei me encontrando nas minhas próprias frases. Como se eu estivesse aconselhando outra pessoa, mas, no fundo, dizendo a mim mesma o que eu precisava ouvir.
O que a gente sente diz respeito a quem somos.
Não podemos controlar o que os outros sentem. Isso pertence a eles, somente. Cabe a nós escolher o que fazemos com aquilo que nasce dentro da gente.
E eu ainda acredito que amar é bom, bonito. Tem suas dores, claro. Mas também tem algo muito especial em permitir que alguém seja amado exatamente pela verdade que carrega.
Se a gente ama e não é correspondido, talvez o que fique para nós seja a certeza de que, pelo menos uma vez na vida, aquela pessoa pôde existir sendo quem é. Porque, independentemente do que ela demonstra ou não, ela foi amada pela própria verdade.
É nisso que eu acredito. E eu enxergo isso de uma forma muito bonita.
Não podemos nos privar de sentir por medo da dor. Porque amar alguém, mesmo sem saber, pode fazer diferença na vida de quem talvez nunca tenha sido olhado com tanta delicadeza.
Não podemos controlar os traumas, os medos ou o passado de alguém. Mas podemos escolher não matar em nós aquilo que ainda é bonito. Podemos escolher amar com poesia. Podemos escolher ser um momento de paz na vida de alguém, ainda que por um instante.
Mas também aprendi que sentir não significa parar a vida para esperar que aquilo vire alguma coisa.
Porque o sentir é nosso. Mas o movimento precisa existir dos dois lados.
Às vezes eu percebo que estou sentindo algo por alguém não apenas pelo que digo sobre essa pessoa, mas pelo jeito que começo a falar sobre o amor.
De repente, tudo em mim vira defesa da delicadeza. Eu começo a acreditar mais no risco, na entrega, na beleza de ser presença boa na vida de alguém. Começo a dizer que amar vale a pena, mesmo apesar da dor. Que sentir não deveria ser motivo de vergonha. Que a gente não deveria fugir só porque pode não dar certo ou virar algo.
Talvez essa seja a forma mais bonita e mais perigosa de me entregar, porque antes de confessar qualquer coisa, eu já começo a proteger o sentimento no meu mundo.
Como se, falando do amor em geral, eu estivesse tentando dizer em segredo: “tem alguém mexendo comigo.”
Eu respeito muito a ideia de verbalizar. Para o mundo, para si mesma ou até para a pessoa a quem esse sentimento pertence. Porque, apesar da dor que isso pode causar, também pode existir liberdade em sermos inteiros.
Imagina guardar uma coisa tão bonita por alguém e nunca mostrar que ali existiu algo além do que ela conhecia?
Eu amo o amor. Amo sentir coisas bonitas. Amo não matar as borboletas dentro de mim.
Minha alma é de poeta. E talvez por isso eu sempre tente transformar em beleza aquilo que o mundo insiste em tratar como fraqueza.
Eu sempre vou escolher mostrar, aos olhos que talvez nunca tenham enxergado tamanha graciosidade, que ainda existe em mim alguém que não quis fugir.
Alguém que, mesmo depois de tantos tiros, ainda teve coragem de tirar o colete.
E sentir.
- Em busca da cura (do sentimento no mundo)
"perguntei pra minha psicóloga quando o amor acaba.
ela disse: quando você começa a se sentir sozinho dentro dele."
- soutexto
"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem."