@ddiggle
Você vai querer participar de alguma coisa juntos? Nossas últimas memórias nesse lugar. Pelo menos uma prova já que o futebol teremos que ser um contra o outro. Alias, não fique triste quando ganhar de você.
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@travers-l
@ddiggle
Você vai querer participar de alguma coisa juntos? Nossas últimas memórias nesse lugar. Pelo menos uma prova já que o futebol teremos que ser um contra o outro. Alias, não fique triste quando ganhar de você.
@imacdonalds
Eu estava devendo, não estava? Pegue esse copo e não me pergunte como consegui, e se alguém perguntar estamos tomando chá bastante fermentado.
surviiivcr:
Acho a ideia perfeita. Já tenho até alguns nomes em mente, a maioria é de fantasia, já que logo teremos o Halloween e podemos seguir o tema fantasioso, só que com uma pitada de Horror. Vou falar com a Júpiter. O outono é uma estação incrível, não é? E Hogwarts fica tão bonita, quero aproveitar tudo o que tem oferecer, esse é o primeiro Outono que não passo confinada. Será que tem alguma brincadeira da gincana que posso participar?
Podemos até mesmo fazer uma comemoração sobre a competição de terror e incentivar a leitura dos clássicos com Drácula e Frankstein. Está tudo bem bonito, não é? O pessoal se esforçou bastante esse ano. Sabe, Flor. Se você faz tanta questão, pode escolher qualquer gincana para participar. Eu te ajudo. Nem que você tenha que participar nas minhas costas, mas faremos isso juntos, okay?
heyjoeys:
@travers-l
Não deveria estar muito surpresa de encontrar você por aqui, né? Afinal, essa provavelmente deve ser a única coisa que você escuta além de My Chemical Romance.
Isso era para ser um elogio? Não costumo ouvir muitos de você ultimamente. E só para ficar chocada eu escuto outros tipos de música além de My Chemical Romance. Até mesmo você se surpreenderia.
@surviiivcr
Flor, acho que esse festival é uma inspiração para a próxima reunião do clube de literatura. Poderíamos ler também algo relacionado a festivais ou até mesmo místicos já que estamos no outono. O que acha?
longshot | @heath
heathtravers:
Heath e Lucian haviam jogado do mesmo lado duas, talvez três vezes na vida toda. O fato de serem de casas diferentes ajudava muito nisso, além da logística de Lucian de sempre se inscrever para fazer Educação Física num horário diferente do de Heathcliff. Além de que, Lucian nunca havia se classificado para o time de futebol titular, ou disputado campeonatos com Heath como os outros garotos. Mas nas poucas vezes que haviam jogado por ironia do destino… Bem, era como se nem tivessem jogado. Heath preferia passar a bola para Davey Caolho do que para seu irmão, e com certeza não era por falta de habilidade de Luke… Afinal, Lucian era bom. Não era ótimo, mas era bom, um pouco mais de treino, o incentivo certo e ele seria tão bom quanto Heathcliff. Novamente: talvez fosse uma coisa dos Travers – Você realmente sabe como fazer uma conversa ficar leve, Lucian – Heath murmurou, rindo pelo nariz. Pessoas normais teriam apenas deixado passar, mencionado qualquer outra coisa que não fizesse referência à desconfortável relação dos dois ou o fato de terem ficado dias amarrados ou ao outro, mas Lucian definitivamente não era uma pessoa normal. Pegou o passe distraidamente, como se fizesse aquilo o dia todo. E bem, fazia. Brincou um pouco com a bola, enquanto ouvia o infinito fluxo de palavras saindo da boca de Lucian, e passou a bola de volta com uma expressão impassível.
Heathcliff sempre fora preparado para entrevistas. Sendo o capitão mais novo já eleito em Hogwarts, o MVP do campeonato nacional mais vezes do que ele conseguia contar, e sendo filho de Richard Travers, era o tipo de coisa que ele sabia responder prontamente, com todos os floreios e protocolos. Mas não estava acostumado a conversar muito, e apesar das perguntas de Lucian parecerem muito com as de um jornalista, ele sabia que não eram. Parecia que havia uma trava em seu cérebro que o impedia de ter assuntos sérios ou de uma profundidade maior do que a de uma colher de chá. Joanna era a única pessoa com quem Heath dava um mergulho nas conversas, e ele conseguia conversar com Tristane um dia todo, mas raramente sobre algo relevante – e recentemente, era como se evitassem isso como se fosse a peste – Não sei ainda. Quer dizer, você sabe que eles não podem nos prospectar e muito menos oferecer as “bolsas que eu não preciso” até o final do ano, mas tem algumas que entraram em contato… Glasgow mandou uma carta de interesse – Tentou disfarçar a animação, odiava cantar vitória antes da hora, apesar da crença popular – Oxford tem um programa razoável e bons benefícios. Disseram que eu estou na lista de prospectos deles, mas assim que eles verem minhas notas, não tenho a menor chance. E hm, tem Edinburgh… – Pigarreou. Edinburgh era a primeira opção… De seu pai. Era um bom programa de futebol, onde Richard havia se formado e Heath não iria ignorar completamente, mas o time de Glasgow era exatamente o que o loiro precisava para impulsionar uma carreira profissional. Mas não era com Lucian que ele teria aquela conversa – E você? Aposto que com as suas notas devem estar chovendo olheiros. Existe isso, olheiros pras notas? Anyway.
Por mais inteligente que os outros dissessem que ele fosse havia momentos que Lucian achava que fazia as perguntas erradas, e ele nem mesmo sabia o porquê de estar incentivando tudo aquilo e ao invés de ter saído correndo quando viu o irmão em campo, mas Luke não era do tipo que fugia. Ele fugia de seu pai, por puro desgosto com o que o mesmo havia feito em relação a sua mãe. Mesmo sua mãe o incentivando a não ter esses sentimentos, mas Heathcliff não era seu pai. A única coisa que o menino fez havia sido nascer, e mesmo que ele tivesse feito que o primeiro ano de Lucian fosse infernal, agora não era mais tão ruim. Lucian havia aprendido a ficar em seu espaço, e procurar suas oportunidades, enquanto que Heath provavelmente deveria ter se cansado ou visto o quão insignificante para sua vida Luke era. Não era como se depois de ficarem presos no acampamento fossem virar melhores amigos, mas Lucian pode ver que Heath não passava de um garoto que gostava muito de jogar futebol e que poderia ser um pouco fechado para o resto. “Não, eles não tem olheiros para notas. Eles querem hoje em dia os alunos extraordinários. Que além de boas notas tenham outros desempenhos. E digamos que fazer parte do Clube de Literatura não trás empolgação para carta nenhuma de aplicação.” Tirou um pouco de sarro da própria situação. Não sentia-se mal por causa disso. Afinal, ele amava o clube de literatura, mas sabia que não seria ele que o levaria para uma boa universidade.
“Sinceramente? Nem sei se vou fazer faculdade. Minha mãe, e meus amigos me incentivam muito a procurar outras coisas, e fazer algo, mas eu não quero deixar minha mãe sozinha. Então acho que vou tentar aplicar para a faculdade local and keep things low. Por mais que ela desaprove, vai ser bom para ela e posso trabalhar com ela ajudar na renda esse tipo de coisa.” Respondeu aos passes do outro como se nem estivessem pensando atenção no que estavam fazendo. Não sabia se incomodava ou não ao outro falando de sua mãe, mas a própria já havia dito que algum dia queria conhecer Heathcliff, mas Lucian apenas evitava falando que ele era um menino muito ocupado. Não contando sobre os problemas, pois ele conhecia o gênio de sua mãe ainda mais em relação a ele. Ninguém toca no meu filho. A lembrança fez com que ele abrisse um sorriso um pouco sem graça. “E quanto aos times? Se você pudesse escolher um time hoje para jogar, qual seria?” Passou a bola para o mesmo junto com a pergunta e tentou não ficar tão curioso assim, não esperava que até mesmo nisso fossem divergente, mas o irmão a sua frente era um estranho.
your last first kiss
mellievance:
E então Luke segurou em sua mão e aquilo era sempre um sinal de que alguma conversa terrível estava por vir. Era como um sinal entre os dois. Da mesma forma que ela havia segurado a mão dele quando ela e Dedalus haviam feito a intervenção “Luke, você precisa parar com a obsessão pela sua pseudo-cunhada”, ele estava segurando a dela bem ali – Luuuuke… – Emmeline grunhiu como uma criança, quase batendo seus pés no chão e esperneando. Não queria nem um pouco ter aquela conversa, principalmente com um garoto. Não que Luke fosse um garoto comum, mas ele ainda era um garoto, um esportista, e garotos esportistas eram garotos esportistas no final do dia – Meu jeito usual é Emmeline Estranha? You better take that back – Emmeline rapidamente recuperou-se, olhando para Luke e erguendo um dedo no ar. Porém, ao lembrar-se do contexto da conversa, murchou novamente prevendo o que seria uma conversa mais estranha do que quando seu pai quis lhe ensinar sobre métodos contraceptivos.
– Não é nada, é sério. Você vai se sair muito bem, eu só… Só acho que não sou a pessoa certa para esse papel. Ah, francamente, eu sou a pessoa certa pra qualquer papel. Mas o papel talvez não esteja certo pra mim, acho que vou reescrever a última cena, do… Beijo – A palavra saiu da boca de Emmeline como se ela estivesse falando sobre guerras, mazelas do mundo, ou o uso crocs com meias – É meio supérflua. Viu só, usei certo – Pontuou, lembrando-se da palavra que Luke havia lhe ensinado recentemente – Mas, como eu disse, supérflua. Quer dizer, amor verdadeiro sendo selado com um beijo? Totalmente 2005 – Emmeline rolou os olhos, como se fosse a coisa mais ridícula que já havia escrito… Quando na verdade, havia roteirizado aquela cena mil vezes com todo carinho e esmero até chegar na dosagem perfeita de romance e imprevisibilidade. Mas afinal, o que ela sabia sobre isso, não é mesmo? Emmeline Vance nunca havia beijado.
Em muitas coisas Lucian era suspeito para ser analisado. A forma como ele tratava as mulheres em seu redor, em especial Emmeline, se despojava de muita ternura. Conseguia ainda sentir os pequenos tapas de rolo com papel que sua mãe dava em sua cabeça caso ele tivesse qualquer pensamento errôneo sobre como tratar uma garota. Levando isso para vida, Luke sempre acabou tendo um pouco de medo de poder causar qualquer sensação de desconforto ou chateamento até mesmo em relação a assédio. Sua intimidade com Emmeline, fazia com que ele não andasse tanto em círculos e agir menos receoso e por isso ele sempre estava nas mãos da amiga para todas as decisões em respeito ao teatro, mas o jeito que ela tentava mudar as coisas e estava nervosa davam ainda mais indícios de que havia algo errado em todas aquelas mudanças que a menina queria fazer.
O Travers sempre teve uma paixão inexplicada pela literatura, algumas vezes, até mesmo chegando ao deprimente quando seus amigos o pegavam lendo dos mais diferentes gêneros, mas ele conhecia o suficiente para saber que o que a menina estava falando não fazia muito sentido. “Emms, você sabe que o beijo é importante. É a representação de que tudo aquilo que eles passaram, de todas as questões que não foram respondidas, é uma maneira de mostrar que os dois sentimentos estão indo de encontro. Sabe...como a outra pessoa vai saber se você gosta ou não dela? E quando as bocas se encaixam e vocês se entregam mostra que a decisão está certa. Você está no teatro a muito mais tempo que eu. Não é isso que deveria representar? Na vida e na arte.” Algumas vezes ele sempre acabava falando demais e deixando seus sentimentos o levarem a coisas banais e a dizer coisas que se seus amigos o ouvissem com certeza acabariam tirando sarro dele. Afinal, estavam em 2017, o mundo do romance estava morto e muitas vezes Lucian não sabia como se encontrar nesse mundo.
r-owena:
A resposta é simples, bati no Gilderoy, o inspetor viu e por isso vim parar na detenção. Mas e você? O que fez para acabar nesse lugar mágico?
Vim trazer o lanche para os meus amigos já que esse professor sempre dorme essa hora. Trouxe alguns a mais se você quiser.
O soco foi espetacular. Por mais que eu não aprove violência.
bertaubrey:
O fotógrafo do anuário nunca aparece no anuário, Luke. Isso é tipo um princípio básico.
Now, smile!
Não, não, não. Quando eu querer meu anuário para guardar a memória do meu último ano você acha que vou querer ver vários idiotas que nunca me trataram bem ou meus melhores amigos? Você vai aparecer nem que eu tenha que tirar uma foto sua.
Só vou sorrir para foto depois que tirar uma sua.
lxnx-bxnxnx:
Opa! Por onde eu posso começar? São tantas coisas que posso informa-lo sobre o nosso rei do rock escolar. Um minuto que tenho fotos ótimas dele de quando era criança, peguei com a minha madrasta que é tia dele. Vai adorar essas fotos.
Fotos? Fotos é algo que adoramos trabalhar ainda mais se pudermos fazer um poster bem grande para colocar no dormitório para que ele pense duas vezes antes de abrir a boca para falar as abobrinhas dele. Alias, ouvimos muito sobre a famosa Alana. Começando bem o colégio?
bertaubrey:
Eu sei que hoje em dia vocês só gostam de tirar selfies, mas vamos lá, colaborem. O fotógrafo do anuário precisa trabalhar, então sorriam, ou pelo menos finjam.
Como o fotografo tira foto dele para o anuário? Você terá que tirar uma selfie, Bertie.
lxnx-bxnxnx:
Oi, acho que serei a sua dupla hoje. Então… Por onde devemos começar?
Pela parte onde você vai falar os podres do meu amigo e eu vou poder usar isso contra ele pelo resto da vida.
your last first kiss
mellievance:
Emmeline travou completamente com a piada de Luke. Ela sabia que era uma piada, tinha o mínimo de discernimento para saber disso, e se não soubesse, tinha habilidades de atuação mais que o suficiente para encobrir isso. Mas não esperava que sua reação fosse ser tão desconcertante, talvez por achar que Luke jamais notaria como ela sempre encerrava os ensaios convenientemente no instante em que a cena do beijo entre os protagonistas chegava. Emmeline abriu e fechou a boca algumas vezes, discretamente, buscando algo para dizer e controlando-se para não afundar no constrangimento do momento. Felizmente, antes que ela pudesse acabar se entregando sozinha, Luke começou a falar sobre seus dois assuntos preferidos: seu irmão e a namorada de seu irmão, o que pelo menos lhe dava um pouco mais de tempo para pensar, ou pelo menos para correr dali.
– Uma melhora na tragédia dos irmãos Travers, então? – Ergueu uma sobrancelha. Emmeline não confiava em Heathcliff nem um pouco, além da pessoa terrível que Travers aparentava ser, havia o agravante de ser um atleta que comprometia completamente qualquer boa impressão que Emmeline poderia ter dele. Normalmente, expressaria sua preocupação sem medir as palavras, como fazia quando o assunto era Joey. Mas sabia que família era um assunto muito mais delicado de se tratar, e da mesma forma que não gostava que nenhum de seus poucos amigos interferisse nessa relação, tentava se distanciar das relações familiares deles – Good for you, Luke. Um pouco de auto-respeito faz bem – Respondeu, com a leve acidez de sempre acompanhada de um de seus sorrisinhos. Mas com certeza preferia que Luke continuasse seu monólogo de angústias adolescentes do que ter que entrar em seu próprio monólogo sobre o assunto – Conversar? Sobre o que? – Perguntou displicentemente, enquanto mantinha os olhos fixos no texto como se estivesse tendo a conversa mais banal. Pegou sua caneta com um enorme pom-pom cor de rosa na ponta, e fingiu anotar alguma coisa na borda do papel.
Luke sempre se encontrava nos extremos em relação as palavras. Ou ele era excepcionalmente bom as usando, ao ponto que até mesmo Emmeline ficava impressionada e incentivava para que ele usasse aquele talento no mundo artístico ou ele era terrivelmente ruim ao ponto de dizer algo completamente absurdo para a situação que estava passando, mas naquele momento achava que estava fazendo a linha certa. Havia algo errado com a melhor amiga. Ele podia sentir isso pela maneira como ela estava especialmente quieta (o deixando falar sobre as mais banais coisas sem colocar sua opinião ou reclamar sobre suas atitudes) e sobre estar focando mais nele do que em si. Não que Emmeline fosse egoísta, longe disso, mas aquele era o jeito dela. Algo que ele adorava, a forma como Emmeline sabia que era e em nenhum momento voltava atrás em seu jeito, mas naquele momento a maneira como agia eram indicadores de que algo estava fora do ar. Ele só não sabia muito bem o que era ou como poderia fazer para descobrir, até sentia-se um pouco sem graça pela melhor amiga não confiá-lo a ponto de conversar sobre algo que estava a deixando daquela forma.
Segurou a mão alheia enquanto estava na caneta e puxou para si tentando forçar a amiga a olhar para ele. Se encarasse os olhos da amiga, talvez pudesse entender melhor. “Essa tragédia já esta se transformando em uma bela comédia e amizade de dois irmãos. Se meu assunto está resolvido, por que não focamos no seu? Você está estranha. E não em um jeito “Emmeline Estranha” que é o seu jeito usual de fazer as coisas e sim em um jeito “Estranha Estranha” aconteceu alguma coisa? É sobre a peça? Quer me contar?” Luke tentava ao máximo não fazer a sua cara de coitado (segundo Amos era muito efetiva, mas também poderia ser considerada como um mico) e mostrar confiança e entendimento. Não havia nada que Emmeline pudesse falar ou fazer que o deixaria sem graça ou assustado. Ele queria ajudar a melhor amiga em qualquer forma que conhecia.
longshot | @heath
heathtravers:
“Ninguém está com pressa. Vamos lá, Heath, respire fundo, você consegue…”. Esticou o pé para trás, e ritualisticamente bateu a ponta da chuteira uma, duas, três vezes no gramado. Ninguém estava com pressa, certo? Eles com certeza iam preferir ganhar devagar do que perder rápido. Encheu os pulmões de ar, ergueu a perna mais uma vez e soltou o peso em direção da bola, acertando-a em cheio.
Gol.
Heathcliff nunca se esqueceria daquela sensação. O gosto de sua primeira vitória vestindo a camisa de Hogwarts – que era uma mistura de suor, sangue e gatorade – e o peso do troféu em sua mão, enquanto era erguido por seus colegas de time. O campo era o mesmo, idêntico, mas na época Heath era só um garoto, metade da altura e dos músculos, e muito menos confiança em suas pernas do que tinha ali, carregando a braçadeira de capitão e um time praticamente invicto. Vez ou outra, gostava de ir ali, contemplar as lembranças e tudo a que havia levado àquele momento. Travers não era muito reflexivo, mas se tinha alguma coisa que seria capaz de deixá-lo assim, seria futebol. O suficiente para nem notar a presença de outra pessoa em campo – Lucian? – Heath indagou, com certa espontaneidade na voz, ao ouvir ser chamado. Não podia dizer que estava esperando encontrar alguém ali, muito menos Lucian. Quer dizer, Heath estava em campo quase toda noite depois que os portões se fechavam e nunca havia visto Lucian. Não o tomaria por alguém que gostava de treinos noturnos furtivos, como ele próprio. Maybe it was a Travers thing.
– Uh, é – Respondeu, coçando a nuca e agitando os cabelos suados – Acho que foi o máximo de tempo que eu passei sem jogar desde que eu rompi o ligamento quando eu tinha uns quinze anos – Observou, aceitando a abertura de Lucian e olhando os equipamentos espalhados pelo campo e as marcas da chuteira no gramado. E então, ocorreu a estranheza da situação. Se fosse algumas semanas antes, Heath provavelmente já teria feito Lucian engolir o gramado. Mas algo havia mudado. Não que Lucian fosse seu novo melhor amigo ou nada do tipo, mas havia um peso menor nas costas de Heath ao pensar em Luke, e uma vontade muito menor de pegar esse peso e lançar na cabeça de seu meio-irmão – Ah, yeah, parece uma boa – Respondeu, depois de perceber o crescente silêncio. Puxou uma das bolas com o pé e chutou na direção de Lucian, provavelmente a maior demonstração de respeito que já havia dado ao outro à vida inteira.
Provavelmente nenhum dos dois imaginava que aquela cena algum dia aconteceria, e nem mesmo Skeeter poderia bolar uma mentira tão grande quanto Heatcliff e Lucian jogado futebol junto durante a madrugada. Parecia como algo de mentira falado para tentar arrancar as reações dos outros colegas, entretanto estava acontecendo. Os dois irmãos Travers estavam ao mesmo lado do campo, e mesmo não querendo colocar muitas expectativas nisso, Luke estava bastante empolgado.
Mesmo não tendo as melhores das relações, Lucian admirava o atleta que Heathcliff era. Era difícil quando os dois jogavam juntos no começo, a falta de confiança, a maneira como Heath preferia dar a bola para o pior jogador do time do que para ele, mas mesmo nos piores do cenário, Heath mostrava-se um excelente capitão e extremamente paciente. O suficiente para ter a cabeça e as decisões certas na hora certa. O que fazia Luke sentir-se animado naquela singela noite. Não que ele fosse algum tipo de fanboy do outro Travers, mas ele era um admirador do futebol. Admirador o suficiente para ter se aperfeiçoado no esporte, e até mesmo conseguido uma bolsa por conta do dele, mas a sua vida não era o futebol o que ele sabia que era o contrário do outro. Lucian sempre tivera outros interesses, a literatura, como um bom exemplo. Controlou a bola que lhe foi jogada testando sua boa recepção e logo voltou o passe, gostaria que quando a hora chegasse do campeonato eles não cometessem erros pequenos como passes errados. Ele sabia muito bem que um time focado, e com passes certos eram a boa formula para se ganhar um campeonato. “Deve ter sentido muito. Foi bem estranho ficamos grudados esse tempo inteiro. Pensei que a coisa que mais quisesse fosse ficar a 500 metros de distancia um do outro, mas aqui estamos.”
Estava um pouco nervoso. Como se as palavras o faltassem ou não tivesse confiança o suficiente para dizê-las. Qualquer coisa que saia de sua boca parecia estúpida em relação a Heathcliff como se ele não precisasse ficar ouvindo suas baboseiras. Tentou correr um pouco aumentando a distância entre eles. Para que pudessem treinar: folego, corrida e passe. Viveu o suficiente sobre o treinamento de Heath para saber que aquela era a rotina alheia de treinos, e sentia-se privilegiado por estar participando. “Se eu estiver sendo invasivo você pode me parar. Já sabe para qual universidade você vai? Deve ter várias bolsas por conta do futebol, não que você precise delas, mas já sabe algum time universitário que queira fazer parte?” Sabia que não devia ter se estendido tanto a parte das bolsas, o pai deles, era ainda uma fina muito frágil que separava os dois Travers e evitava que se matassem.
longshot | @heath
A noite geralmente Luke era preso em seu dormitório por seus colegas. Eles ficavam horas e horas conversando, comendo e falando besteiras. Nunca duvide da capacidade de Amos Diggory de falar besteiras por quatro horas seguidas sem parar nem mesmo para molhar os lábios. Naquela noite ele sentia falta do campo. O futebol havia sido a razão para que ele estava no colégio. O que começou tudo. Antes da conversa começar, e ele ser preso lá dentro, pegou suas chuteiras e uma bola. Ele iria tentar fazer mais treinamento já que era impossível jogar sozinho. Pensou em chamar Dedalus e Bertram, mas todos estavam cansados da viagem, e era melhor deixá-los descansar. Sua mãe havia se certificado de vê-lo inteiro, encher sua barriga de comidas, e liberá-lo para os estudos. Ele era um menino renovado e confiante. Pronto para se dedicar aos estudos.
Uma surpresa o tomou quando chegou no campo. Não estaria sozinho. Estava muito escuro para ver quem era a figura, mas pelo menos poderia treinar um pouco. Seu coração acelerou um pouco quando a outra pessoa se revelou ser Heath, mas eles haviam conversado, se acertado e até mesmo sido algemados. Esperava que fosse uma nova era para os dois. Jogou suas preocupações para trás e sorriu para o meio irmão. “Heath!” Gritou chamando a atenção do outro. “Acho que você também sentiu falta disso. Nunca...treinamos ou jogamos juntos. Quer tentar?” Seus olhos brilhavam por mais que ele tentasse esconder a empolgação de poder conversar com o irmão sem haver socos ou xingamentos.
your last first kiss
mellievance:
Emmeline amava estar de volta no colégio. Um sorriso de orelha à orelha preenchia seu rosto e os outros membros do clube pareciam satisfeitíssimos com essa mudança momentânea – e que sabiam que duraria muito pouco, afinal, a destemida líder de seu grupo não era conhecida por sua calma. Logo, era importante aproveitar momentos assim e ela mesma sabia disso, aproveitando para fazer todas as tarefas acumuladas com seu bom humor. Já há algumas semanas havia escolhido Luke para repassar algumas cenas para o musical do final do ano, não confiava em nenhum garoto do clube o suficiente. Lucian era extremamente prestativo e sempre que tinham algum tempo livre, os dois se juntavam para a tarefa e Emmeline já estava com o texto na ponta da língua, graças ao garoto (e ao seu inigualável talento, claro, ela não era tão altruísta assim).
– Eu não confio neles tanto assim – Respondeu simplista, dando de ombros enquanto observava algumas anotações que havia feito em vermelho no texto. Discretamente ergueu os olhos e olhou para Luke, e rapidamente os baixou. Quer dizer… Isso era verdade, ela confiava muito nele. Mas, se fosse por confiança, também poderia chamar Dedalus que havia repassado tantos textos com ela. Chamava Luke para aquele texto em específico por uma parte em específico, uma parte em que alguém como Luke, com seu cavalheirismo adorável e um olhar de confusão permanente no olhar jamais notaria. Inclusive, parecia que eles haviam acabado de chegar nela, o último parágrafo do texto que ela sempre cortava. Rapidamente Mellie então fechou o texto e virou-se para Lucian com um sorrisinho – Mas, acho que terminamos por hoje, apressadinho. Já pode voltar a falar do seu irmão e de como vocês são melhores amigos agora – Desconversou, dando abertura à Lucian que estava mais do que falante sobre a recente trégua entre ele e Heathcliff. Emmeline e Dedalus já haviam falado sobre isso descaradamente nas costas do amigo, que essa animação toda logo teria um fim trágico porque não era possível que Heathcliff realmente estivesse disposto à uma trégua e Lucian disposto a esquecer de Joanna logo.
Conhecia Emmeline Vance tempo o suficiente para saber que quando ela sugeria falar sobre ele era por estar tentando esconder alguma coisa. Afinal, quando que a melhor amiga havia recusado qualquer chance de falar mais e mais sobre si e sobre teatro? Não que ela não fosse o tipo de amiga que se importava com as coisas. Pelo contrário, Emmeline sempre colocava seu coração se preocupando até com as menores das coisas que Luke jamais pensaria. Com o texto no colo terminou de ler o texto e então olhou para Emmeline um pouco curioso. “Eu sou tão mal assim que você não quer fazer uma cena de beijo comigo? Nem mesmo se for de mentirinha. Estou ultrajado.” Levou a mão ao peito fingindo drama. Aquilo era no mínimo suspeita. Emmeline nunca tivera pudor com ele e com Dedalus, e sempre que eles falavam sobre seus amores não correspondidos Emmeline poderia muito bem dar um jornal na cabeça dos dois. Não que Lucian tivesse experiencia em beijar. Ele havia beijado uma colega uma vez por conta de Amos e sua boca extremamente grande e uma vez que ele e Nate estavam o desafiando falando que Luke era muito frouxo, e no final, ele até havia sido, pois fora atrás da garota para pedir desculpas pelo beijo e se queria ter um encontro com ele.
O que resultou na menina rindo da sua cara e o chamando de patético. “Por mais que eu possa passar horas e horas falando sobre o fato de que eu acho que finalmente eu e Heath conseguimos ter conversas e até mesmo dividir um bolo de carne, e que eu tenho a certeza de que finalmente superei a Joey, na verdade, preferi evita-la. É melhor desse jeito. Ela me pediu desculpas pela ultima vez, eu concordei e agora que quero ser amigo do Heath prefiro evita-la. Não é justo com ela, com ele e comigo. Não há mais tanta coisa agora a se falar, então se quiser treinar mais aqui estou eu. Ou você acha que eu tenho bafo ou coisa assim?” Levou a mão a boca verificando o ato. Tinha a certeza que não era uma situação estranha por causa de sentimentos mal resolvidos, pois tinha a certeza que se Emmeline sentisse pelo menos um pouco por ele já teria dito dias e dias antes. “Você quer conversar?” Luke poderia ser lerdo sobre muitas coisas, mas quando se tratava de sentimentos ou de leitura ele sempre tinha um olho um pouco mais aberto.
your last first kiss
O clube do teatro sem dúvidas era um dos clubes mais lotados daquele colégio.E ele sabia que a razão para isso era o pulso firme de Emmeline para produzir somente o melhor e assim chamando a atenção de vários estudantes. Afinal, um clube que era para ser esquecido ou marginalizado como o teatro havia virado a joia de Hogwarts East High. O que ele não entendia era que como que tendo tantos alunos, a menina queria treinar justamente com ele. Luke, como dificilmente conseguia dizer não para sua melhor amiga, ainda mais quando ela o olhava com aqueles olhinhos brilhantes, havia decidido ajudá-la naquela peça.
Sua mãe de felicidade por ele ter voltado daquele acampamento e ter feito uma trégua com Heath havia preparado mais comida do que era necessário e agora ele tinha mais do que o mínimo para fazer um piquenique. Até mesmo uma toalha havia conseguido e estavam aproveitando o horário livre em uma das áreas externas do castelo. “Lembre-me novamente de tantos colegas do clube do teatro, por que você escolhe alguém como eu para passar as falas com você?” Luke não tinha talento nenhum para a arte do teatro, por mais que todos seus amigos apontassem que ele tinha o talento para o drama.