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@trilhenovamente
sobre o amor que ninguém vê
existe um amor que, para mim, é o mais bonito que existe.
aquele que quase nunca vem acompanhado das 3 palavras e 7 letras. que aparece como uma atitude inesperada e silenciosa, num momento em que você nem estava procurando.
o olhar que te encontra do outro lado da mesa e sabe, sem perguntar, que você não está bem. o saber de algo sobre você que você não precisou contar. a lembrança de uma história que você contou por acaso e que a outra pessoa guardou como se fosse dela também.
atitudes que não pedem nada em troca e não foram planejadas pra impressionar. existem porque, em algum lugar dentro de alguém, você importa.
quem já foi amado assim sabe reconhecer. sabe a diferença entre ser visto e ser olhado. entre alguém que pergunta como você está e alguém que espera, de verdade, a resposta.
não sei se existe coisa mais honesta do que isso: alguém que te aprende. que te conhece nos detalhes que você nem sabia que tinha, e escolhe, todos os dias, prestar atenção.
a linha tênue entre não dizer nada pra evitar conflito, e viver em conflito por não dizer nada.
oi, faz tempo que não venho aqui. recebi uma notificação que faz 8 anos que me rendi a esse lugar onde venho de tempos em tempos me lembrar de quem eu sou. tem alguma comemoração por isso? como funciona?
por onde eu começo?!
bem, dia 25 vai fazer 1 ano e 1 mês que minha vida virou canções de ninar, fraldas, saltos de desenvolvimento e mundo bita. a maioria dos dias são espetaculares mas existem os dias ruins.
já passamos por tanta coisa juntos, tumblr. términos, crises de ansiedade, pedidos de socorro, poesias boas e textos que cortaram minha alma. mas isso é inédito: sou mãe. e tem sido minha melhor versão de longe.
voltar pra cá faz minha criatividade renascer. me lembro de quem fui, do que ainda gosto, do que faz meu coração acelerar e meus olhos brilharem. uso isso no trabalho agora, sou designer gráfico. nada mal pra quem já passou por mercado, almoxarifado, compras. finalmente estou no meu lugar.
me casei em março de 2023. tem sido muito bom essa vida a dois, encontrei alguém que é formidável de um jeito que eu não esperava encontrar.
mas não quero me contentar. não quero ser só esposa e mãe, por mais que eu ame ser as duas coisas. quero mais, tumblr, e você sabe disso, sempre soube. quero experimentar, quero sentir vento no rosto, quero sair da zona de conforto, quero parar de me estressar quando o cachorro bagunça o quintal e só rir da bagunça.
e acho que esse é o próximo passo. não abandonar o que construí mas adicionar. me lembrar que antes de ser mãe, esposa, designer, eu sou eu. aquela que escrevia aqui às duas da manhã sem saber bem o porquê, que sentia tudo demais e colocava isso em palavras. ela ainda está aqui, só esperando espaço. e eu pretendo dar esse espaço à ela. oito anos, tumblr. e eu ainda estou aqui, ainda sou eu, só que com mais camadas agora. com mais amor, mais responsabilidade, mais clareza sobre quem eu quero ser. não me perdi no caminho, só fui me encontrando em lugares que eu não esperava. e ainda tenho muito a me descobrir.
essa é a parte que mais me anima.
“Tudo bem, essa não será a última vez que eu vou chorar. Também não será a última vez que vou me sentir completamente só e sem saber o que fazer. Não será a última vez que vou querer sumir. Tudo bem não estar bem, tudo bem.”
— Escriturias
Eu sempre fui assim,
um pouco triste e um pouco só.