Trinity Blood - Rage Against the Moons
Volume II - Silent Noise
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⚠️ ESSA OBRA EM HIPÓTESE ALGUMA É DE MINHA AUTORIA. TRADUÇÃO REALIZADA DE FÃ PARA FÃS. NÃO REPUBLIQUE OU POSTE EM OUTRAS PLATAFORMAS SEM AUTORIZAÇÃO. SE CASO POSSÍVEL, DÊ SUPORTE AOS AUTORES E ARTISTAS COMPRANDO AS OBRAS ORIGINAIS. ⚠️
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Capítulo 3: Além da Contagem (OVERCOUNT)
—Pope Sanguine Nobilis, Virtute Nobilior... (Ó nosso líder, nobre pelo sangue e ainda mais nobre pela virtude...)
Diante do altar papal, que reluzia em dourado, a voz do homem que se prostrava não era alta, mas ressoava clara e solene por toda a catedral. Do seu ombro esquerdo pendia a faixa púrpura — símbolo de sua posição como arcebispo —, tocando o piso de mármore branco polido como um espelho. No dossel do altar, quatro estátuas de anjos observavam silenciosamente os mortais reunidos na grande catedral.
— Vive pius (Viva piedosamente), Moriere pius (morra piedosamente), Cole sacra (honra o que é sagrado), Fiat Dei voluntas (e faz com que em nós se cumpra a vontade de Deus). Amém... Faz muito tempo, Vossa Santidade.
— Faz... faz muito tempo, tio Alfonso.
Quando avançou por entre os Alabardeiros (Alabardieris) alinhados ao lado do altar, o garoto de vestes brancas estendeu a mão ao homem que se prostrava com a testa no chão. No dedo anelar magro que ressaltava os ossos brilhava um anel de esmeralda — o Anel do Pescador, prova de que era o representante de Deus na Terra.
O jovem — Sua Santidade Alessandro XVIII, o 399º Papa — saudou o tio, a quem não via havia cinco anos, com um sorriso débil.
— Ar-Arcebispo de Colônia, a-a-agradeço o trabalho árduo. De-desde então, tem passado bem?
— Sim, Santidade — pela graça do Senhor e pela de Vossa Santidade.
O homem que se levantou — o Arcebispo de Colônia, Alfonso d’Este — respondeu com um leve sotaque germânico. Embora ainda tivesse acabado de completar cinquenta anos, talvez pelos muitos cabelos brancos parecia consideravelmente envelhecido. Seus olhos cinzentos, em outros tempos tão afiados quanto agulhas, agora fitavam o sobrinho com um brilho suave.
— Vossa Santidade, desde nosso último encontro, parece estar bem de saúde, isso é o que mais importa... Oh, Franchesco-dono, Caterina-dono — há quanto tempo não nos víamos.
— Estive em falta com minha visita, tio.
Aqueles que fizeram uma reverência a Alfonso, que sorrira com um ar nostálgico, foram o homem e a mulher trajando vestes escarlates que permaneciam atrás do Papa.
O homem de semblante austero e porte imponente era o Cardeal Franchesco di Medici, meio-irmão do papa. A mulher de beleza refinada e graciosa, da mesma forma era meia-irmã, a Cardeal Caterina Sforza. Respectivamente como o Chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, na qualidade dos assuntos internos e a Diretora da Secretaria de Estado, supervisionando as relações exteriores, eles eram as duas engrenagens essenciais do Vaticano.
— Faz cinco anos desde a última vez que nos encontramos, não é? Ouvi falar do sucesso de vocês dois. Cada vez que escutava sobre suas conquistas, sentia orgulho como tio.
— Já se passaram cinco anos, não é mesmo?
Um leve tom de compaixão misturou-se à voz da bela mulher em trajes sacerdotais. Embora ele mesmo o tivesse desejado, ela se deu conta, por um instante, do sofrimento do tio que se retirou em reclusão como se tivesse sido perseguido.
Na época quando Gregorio, pai biológico de Caterina, ainda vivia, Alfonso acumulava os cargos de chefe do Colégio dos Cardeais, diretor do Tribunal do Santo Ofício e secretário de Estado. Costumava brandir uma grande lâmina reformadora no Vaticano. Severo consigo mesmo e ainda mais rigoroso com os outros, não mostrava a menor clemência às corrupções do clero, nem oferecia um fragmento de misericórdia à insolência dos príncipes seculares. Inúmeros altos sacerdotes foram queimados, e diversos reinos foram impiedosamente atacados e destruídos.
‘O Duque Implacável’ (Il Furioso) — esse foi o apelido que lhe deram.
Após a morte de Gregorio, se por acaso ele tivesse ascendido ao posto supremo, a história posterior teria tomado um desenvolvimento diferente. No entanto, sua coroação não foi recebida com alegria por ninguém. A pragmática Caterina, é claro, e até mesmo Franchesco — que possuía ideias muito próximas de seu tio — temeram que, com a ascensão de Alfonso, os senhores seculares se rebelassem. E assim, esses dois irmãos, selando sua primeira e última aliança, ergueram o irmão mais novo, de sangue mais nobre, contra o próprio tio.
“Mesmo assim... envelheceu...”
Com uma expressão pesarosa, Caterina fitou o tio.
No rosto com rugas que se acumulavam, já não restava nenhum traço do “Duque Implacável” (Il Furioso). Os cinco anos passados em terras estrangeiras parecem ter sido tempo suficiente para arrancar-lhe as presas de lobo. O homem que agora estava ali não passava de um derrotado inofensivo e impotente, que apenas desejava viver seus últimos dias em paz.
— Ah, é verdade, meu tio — por esta ocasião, muito obrigado pelos inúmeros presentes valiosos.
Pelo visto, ele compartilhava dos mesmos sentimentos de sua meia-irmã. Em seu rosto rígido, como se talhado a golpes de um machado, uma expressão rara que carregava um tom de ternura. E então Franchesco inclinou-se num gesto de cortesia.
— Em tempos de dificuldade financeira, foi de grande ajuda. Aquele equipamento, por coincidência, já tornara visível o desgaste, e estávamos justamente considerando um novo em breve.
— Não, não, cheguei a pensar que talvez fosse intrometido para uma pessoa como eu...
Alfonso respondeu balançando a cabeça, sorridente.
— Como esperado, esta grande catedral é o nosso rosto, o Vaticano, afinal. Felizmente, reunimos doações não apenas de Colônia, mas também de Über-Berlim... E então, como vão os preparativos?
— Agora, estou a fazê-lo ser instalado nesse exato momento. Mais tarde, o apresentarei durante a cerimônia das preces finais... Mas, diga-me, Germânicos é realmente tão próspero assim?
— Sim. Entre os Estados principescos, é um reino relativamente novo, mas sua industrialização avançou de forma impressionante. Desde a anexação de Ostmark no ano passado, ao que parece está mirando exclusivamente a Boêmia, o que tem deixado os demais príncipes seculares da região em alerta. Aquele país... tem o péssimo hábito de querer fazer do mundo seu inimigo.
Enquanto tossia levemente, Caterina lançou um olhar aos dois homens, que haviam começado a falar com entusiasmo sobre política internacional.
O corpo estava pesado. Talvez por não ter dormido direito desde o incidente de Barcelona, ela sentia um leve resfriado chegando. Além disso, o período do mês também estava para começar. Na verdade, tudo o que queria era descansar com calma na mansão, mas—
— ...Estou bem, Alec. Não se preocupe.
Sorrindo de modo a tranquilizar o irmão mais novo, que lhe falara com apreensão, Caterina conteve com esforço a tosse que ameaçava escapar.
Por mais cansada que estivesse, agora não havia justificativas para descansar. Finalmente, neste momento o tio teve a bondade de voltar a Roma, não era permitido ignorar nem mesmo nenhum tipo de semente de problema. Pelo menos durante a estada de Alfonso na cidade, precisava manter os olhos bem atentos...
Ao ouvir a voz cautelosa que a chamava, Caterina voltou a si por um instante.
Do outro lado da fileira de guardas alaberdeiros (alabardieris), cujas lanças reluziam na luz, estavam parados em silêncio, um jovem de expressão vazia como a de um boneco e um gigante de pele morena vestindo roupas negras.
— Onde está o Padre Nightroad, Padre Tres?
Estava prestes a tocar o brinco quando se lembrou de que, dentro da catedral, o rádio não podia ser usado. Baixando a mão da altura do ouvido, pousou-a sobre o ombro do irmão, e então Caterina sussurrou em voz baixa.
— Vou sair um pouco para respirar e voltar... Enquanto isso, Alec, poderia fazer companhia ao tio?
— S-sim, irmã! D-deixe comigo!
— Obrigada... dê o seu melhor, tá?
Apertando gentilmente a mão do irmão, envolvendo-a enquanto ele assentia com a cabeça, Caterina se virou. O tio, como sempre, estava profundamente envolvido na conversa acalorada com seu meio-irmão, Franchesco. A julgar por isso, ela podia ausentar-se por um tempo sem problema.
Ao deixar silenciosamente a capela, Caterina não percebeu o olhar cinzento e gélido que se lançava sobre suas costas.
Quando se olhava da praça escura para cima, a grande cúpula — com quarenta e dois metros de diâmetro e cento e trinta e dois de altura — iluminada por uma luz ofuscante, parecia a cabeça de um gigante. As galerias circulares de colunas que se estendiam dos delicados muros decorativos em ambos os lados eram como imensos braços que envolviam a praça num abraço.
Normalmente nunca cessavam a presença de clérigos e peregrinos na Praça de São Pedro, mas naquela noite essas sombras estavam ausentes. No centro da praça, raramente sem a presença humana, erguia-se um esguio obelisco, acompanhado por duas fontes, elevando-se imponente sob o céu noturno.
— Ué? Uma coisa dessas sempre esteve aqui?
— Ah, Padre León, deve estar vendo pela primeira vez... Não, isso foi erguido há pouco tempo.
Sentando-se ao lado do obelisco, a bela mulher de vestes sacerdotais soltou um leve suspiro. Embora a noite de início de verão estivesse quente o bastante, a tosse não cessava.
— Desde os tempos do Grande Cataclismo (Armageddon), diz-se que neste praça erguia-se um obelisco trazido de terras muito distantes ao sul. Mas, há cerca de cem anos, durante o pontificado de Clemente XIX, ele desabou num terremoto — e desde então permaneceu assim. Este novo foi uma doação feita anteontem por meu tio Alfonso, em comemoração à sua visita a Roma...
Mas, deixando isso de lado, continuando o que eu dizia há pouco—
Encostando-se contra o pilar de pedra (obelisco), Caterina falou com um ar melancólico.
— Abe... o Padre Nightroad disse algo assim? Parece que ainda está bastante perturbado com o caso de Barcelona.
— Sim, senhora! Um completo idiota!
Ao seu lado, quem se mantinha rígido era o homem enorme de pele morena. Onde teria se disfarçado? Com a gola da batina bem ajustada e o rosto também barbeado, poderia até passar por um clérigo decente — desde que permanecesse quieto e calado.
— Pensei que, naquele estado, se o deixássemos participar da operação, ele só acabaria se lançando de cabeça e morrendo... Então, por ora, decidi deixá-lo sozinho até esfriar a cabeça. Peço perdão pela decisão arbitrária, Vossa Eminência.
— Um julgamento apropriado, Padre León. Mesmo se eu estivesse lá, teria dito o mesmo.
Apesar das palavras de apreço ao subordinado, o rosto de Caterina mostrava um traço de melancolia.
O Sagrado Ministério dos Assuntos de Estado, corresponde, se comparado a outros países, ao Ministério das Relações Exteriores. Supervisionando as embaixadas e dioceses do Vaticano em cada nação, e tem como função conduzir as negociações diplomáticas com os príncipes seculares. Por isso mesmo, possui quase poder ilimitado para agir fora dos territórios papais — mas, em contrapartida, sua autoridade dentro deles acaba sendo extremamente limitado.
A propósito, dentro dos territórios papais — incluindo a cidade de Roma —, as funções policiais e judiciais estavam integralmente sob a jurisdição da Congregação para a Doutrina da Fé. E o responsável por ela é o Cardeal Franchesco di Medici — o mais formidável adversário político para Caterina atualmente. Se, por acaso, em respeito a esse caso, os membros da Secretaria de Estado interferissem no território da Congregação para a Doutrina da Fé, Franchesco, como se dissesse ‘agora é minha chance!’, certamente atacaria para destruir Caterina, a secretária de Estado. As únicas peças que podiam ser movidas sem esse risco eram os membros da unidade especial — a Unidade Zumbi (Zombi Unit) — da qual seria capaz de apagar todos os registros de pessoal em caso de emergência, isto é, apenas os nove Agentes Executores designados ao Departamento Especial (AX).
— Duquesa de Milão, entre os Agentes Executores que estão em missão, não há alguma unidade que possa ser chamado de volta?
Tres, que até então mantinha um silêncio pétreo, abriu a boca.
— Estatisticamente, os ataques terroristas em áreas urbanas são mais eficazes quando têm como alvo o período de visita de um VIP. Ou seja, no momento atual — durante a estadia do Arcebispo Alfonso — o risco é o mais alto. Há alguma unidade que possa ser redirecionada para apoio, mesmo que por pouco tempo?
— Mesmo considerando os outros executores destacados...
Caterina enquanto retirava o monóculo, imergiu em pensamentos.
O “Professor” estava em guerra com um sindicato de tráfico humano no Reino da Hispânia. O “Sword Dancer” enfrentando um clã inteiro de vampiros em Bruges, e o “Know Faith”, segundo os relatórios, iniciou uma operação em Praga para recuperar uma relíquia sagrada roubada por uma seita herética— Os demais estão em situações semelhantes. Não havia mãos disponíveis.
— Não há o que ser feito... Se chegou a esse ponto, vamos dar um jeito nós mesmos, Tres.
— Positive. Não há outra opção.
— Conto com vocês, “Gunslinger”, “Dandelion”.
Com uma leve tossida, Caterina expressou sua gratidão aos seus trunfos, reduzidos agora a apenas duas cartas restantes.
Como o alojamento de Alfonso foi preparado dentro do Palácio Papal, provavelmente teria de acompanhar o tio até tarde esta noite. E além disso, na manhã seguinte, estava programada uma missa reunindo cardeais e altos membros do clero. Parecia que, mais uma vez, não teria tempo para dormir nesta noite também.
— Vou ficar aqui um pouco mais para me refrescar. De qualquer forma, passaremos a noite aqui... Estarei de volta antes da cerimônia das orações finais. Até lá, fiquem ao lado de Sua Santidade, por favor.
Os ponteiros do relógio da catedral marcavam oito e quarenta. Ainda restava algum tempo até o sino da oração final soar às nove, anunciando o fim do dia. Catarina acompanhou com um olhar melancólico as costas de seus dois subordinados sendo engolidas pelo interior da catedral.
Era uma noite tranquila. Fora das duas luas, ninguém mais a observava. Devido à missa matinal com a presença do Papa, todo o setor havia sido interditado. Exceto pelo som ocasional dos cascos dos guardas Palafrenieris montados em patrulha, não havia sinal de vida na praça— Não... na verdade...
A voz da bela mulher, lançada à sombra que se erguia logo ao lado, soou suave.
— É uma noite agradável, não é? A brisa está fresca.
— Boa noite... Caterina-san.
A voz da alta silhueta era fraca, como se fosse extinguir-se, mas no meio daquele silêncio, não era difícil escutá-la. Depois disso, porém, não voltou a abrir a boca — apenas abaixou a cabeça em silêncio.
Caterina também permanecia em uma calma quietude. Com o corpo esguio apoiado no obelisco, escutava atentamente o som suave dos insetos.
Dentro de um tempo que parecia congelado, as duas silhuetas permaneciam ali em silêncio, imóveis—
— ...Me desculpe, Caterina-san.
Foi o padre esguio quem rompeu o silêncio primeiro.
O rosto inclinado estava oculto na sombra do luar. Apenas a voz — pequena. Tremia como o sangue que goteja da ferida aberta na parte mais profunda, mais preciosa do coração.
— Me desculpe... de verdade. Eu...
“Eu...” — o que será que pretendia dizer?
Quando fechou a boca, o padre permaneceu em silêncio. Era como uma criança que, mesmo sabendo que seria repreendida, não tinha outra escolha senão voltar para casa. Caterina mantinha um sorriso sereno, e então, seus dedos longos suavemente tocaram o rosário que balançava no peito do padre.
— De dez anos atrás... quando você e eu nos conhecemos. Naquele momento, a promessa que fiz com você... eu ainda me lembro dela, sabia?
Deixando o rosário do homem repousar sobre a palma de sua mão como se o acariciasse com ternura, a mulher abriu a boca como quem canta.
— Naquela vez, quando você salvou minha vida, você disse isto: ‘Eu tenho que proteger os humanos. Por isso, eu vou te salvar.’ Eu respondi então... você lembra o que eu disse?
O silêncio durou apenas um instante. Uma voz pequena, porém clara, respondeu:
— ‘Eu tenho que lutar contra os inimigos da humanidade. Então, vamos lutar juntos’.
— E eu jamais me esqueci do que aconteceu naquela vez — Abel.
A palma da mão de Caterina se fechou. Seus dedos, brancos como alabastro, eram surpreendentemente fortes. Mantendo apertado firmemente o rosário, seus olhos cinzentos fitavam os olhos do padre.
— Seu inimigo é meu inimigo; você e eu empunhamos a mesma espada... por isso, não lute sozinho nunca mais.
— ...Obrigado, Caterina-san.
Os olhos azuis, que lembravam um lago de inverno, agradeceram suavemente.
Jogando para trás os belíssimos cabelos loiros enquanto sorria, Caterina se levantou. Os ponteiros do relógio começavam, enfim, a marcar nove horas.
— Então, vamos voltar para onde todos estão. A esta hora, imagino que o Alec deve estar com medo sozinho. Eu disse que voltaria antes da hora das preces finais... Venha também, Padre Nightroad.
Seguindo atrás de sua superior enquanto cruzavam a vasta praça, Abel coçou a cabeça como quem tenta esconder o próprio constrangimento.
— Mesmo assim, passou rápido, não?... desde então, já se passaram dez anos?
— Às vezes eu me pego pensando: se talvez, aquilo não tivesse acontecido...
— Eu também, sem entrar para o clero e essas coisas; teria continuado na universidade, talvez tivesse me casado com alguém de quem gostasse... Mas, se tivesse sido assim, meu irmão teria feito tudo o que quisesse, não é?
Caterina deu um sorriso contido, mas aqueles olhos cinzentos não sorriam por completo. O brilho afiado que refletia as cores das lâminas de navalhas pertencia a mulher astuta e implacável temida por adversários internos e externos como a “Dama de Ferro”.
— Se fosse assim, o Vaticano também estaria em apuros. Aquele homem, se deixado por conta própria, é uma pessoa que logo quer transformar o mundo em inimigo. A esta altura, talvez já tivesse começado duas ou três cruzadas.
Até então, Abel caminhava no mesmo ritmo que sua superiora, mas seus pés tropeçaram. Enquanto tentava, com desespero, manter o equilíbrio, por um triz quase caindo, perguntou de volta:
— C–Caterina-san, agora, o quê disse?
— ‘Uma pessoa que logo quer transformar o mundo em inimigo’ ... foi isso que disse?
Caterina olhou de volta, com um ar intrigado, o rosto do subordinado, cujo semblante havia se alterado a ponto de parecer que estava prestes a agarrá-la.
— Foi o que eu disse, mas... o que tem isso?
— E-essa expressão... onde você ouviu isso? Não, de quem!?
— Do meu tio — tio Alfonso. Ele disse isso ao meu irmão...
Diante da resposta de sua superior, o rosto de Abel empalideceu. Cuspindo saliva, ele avançou com outra pergunta.
— E-e então... agora, onde está o Arcebispo Alfonso?!
— Está no campanário. Em homenagem à sua visita a Roma desta vez, ele nos ofereceu um novo sino. Na cerimônia de completas desta noite, ele será consagrado e... Abel!?
— Fique aqui na praça! Não entre na catedral!
No instante em gritou, como se tivesse arremessado aquele som, a figura alta já estava disparando em direção à catedral.
“E se aquela pessoa que todos acreditam ser uma vítima... na verdade fosse um dos agressores...?”
Após o incidente de Barcelona e a chegada das informações sobre terroristas, Franchesco e a polícia limitaram-se a visita de Alfonso e estabeleceram um rigoroso estado de alerta. Todos os sinos de Roma foram inspecionados sem exceção, e qualquer pessoa que entrasse na cidade passava por verificações rigorosas.
Contudo, aqui há o único sino que não foi investigado — nenhum outro senão o sino oferecido pelo próprio Alfonso.
E, além disso, há a única pessoa que entrou em Roma sem verificação — ninguém menos senão o próprio Alfonso.
Avançando escada acima com ferocidade, Abel gritou:
— Não! Não deixem que toque esse sino!
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