Trinity Blood - Rage Against the Moons Volume II - Silent Noise ----------------- ⚠️ ESSA OBRA EM HIPÓTESE ALGUMA É DE MINHA AUTORIA. TRADUÇÃO REALIZADA DE FÃ PARA FÃS. NÃO REPUBLIQUE OU POSTE EM OUTRAS PLATAFORMAS SEM AUTORIZAÇÃO. SE CASO POSSÍVEL, DÊ SUPORTE AOS AUTORES E ARTISTAS COMPRANDO AS OBRAS ORIGINAIS. ⚠️ -----------------
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Capítulo 3: Além da Contagem (OVERCOUNT)
Ⅸ
Quando aquele golpe lateral rompeu o Escudo de Asmodeu, se a Flecha de Belial, que estava preparada para o disparo, não tivesse servido como substituto para a barreira, o tronco de Kämpfer teria sido partido ao meio.
— .............!
As costas do “Mago”, que foi lançado pelos ares junto com a areia ferromagnética, emitiram um som surdo, ao ser arremessado contra a lápide instalada nos fundos do mausoléu, despedaçando completamente a estátua de mármore branco da Virgem. A cruz que desabou com um estrondo abriu um sulco profundo nas lajes do piso e levantou uma quantidade enorme de poeira.
— Oh? Isto é surpreendente. Ainda possui tanto poder assim...
Que tipo de força havia sido desencadeada? — Kämpfer se levantou um tanto desajeitadamente e, com dificuldade, olhou através da fumaça branca que lhe bloqueava a visão. A figura esguia caída diante da porta devia ser Caterina. Talvez estivesse inconsciente, pois não se movia. Mas... e a outra pessoa?
— Onde está olhando?
A voz que veio do alto da cabeça do “Mago” carecia por completo de calor humano. Uma voz inumana — como se desprovida de algo que pudesse ser chamado emoção—
O que veio aos olhos de Kämpfer, quando instintivamente ergueu a cabeça, foram incontáveis anjos que preenchiam todo o teto. Uma multidão de mensageiros divinos, pintados com traços minuciosos, agitavam suas asas brancas enquanto louvavam a glória celeste.
Mas, entre aquilo, apenas um, batia as asas de um negror profundo. Havia ali a figura de um anjo caído que, fazia reluzir seus olhos rubros amaldiçoando a tudo.
— ......Entendo. Então esta é a verdadeira forma de vocês.
Era Abel — não, a coisa que havia sido Abel.
Os olhos cor de rubi do padre, que empunhava a foice de lâmina dupla, pareciam derramar lágrimas de sangue. Mas o que se projetava para fora das costas expostas por sua batina rasgada, eram asas negras, que quase alcançavam o tamanho de seu próprio corpo.
— É uma honra encontrá-lo pela primeira vez, Crusnik 02... finalmente pude conhecê-lo.
Como se respondesse ao murmúrio de Kämpfer, as asas do anjo caído se abriram enormemente.
Uma a uma das penas, enquanto irradiavam um brilho azul-esbranquiçado, expandiam-se ao absorver o ar carregado de eletricidade. À medida que a luz sinistra aumentava seu brilho, as luminárias começaram a explodir uma após a outra. A tinta do afresco, fervendo, vaporizava-se em sucessão.
— Geração bioelétrica de nível megavolt... impressionante. Mas algo desse nível não é suficiente para me derrotar.
Quer se tenha ouvido ou não o escárnio — uma voz impiedosa respondeu ao “Mago”.
— Morra.
Num instante, o que jorrou em direção ao solo foi um fluxo torrencial azulado.
Mas, naquele instante, Kämpfer já havia expandido acima da própria cabeça a areia ferrosa que reunira à mão. Não sabia o quanto de alta voltagem o adversário pretendia descarregar, mas sendo um ataque elétrico, esse escudo não deveria ser atravessado—
Mas o que aconteceu no instante seguinte foi como se a espada invisível do julgamento tivesse sido brandida contra aquele “mago” insolente.
— O quê!?
Assim que, as vestes negras se rasgaram com um som de estalo — seu peito explodiu abruptamente. Em seguida, aquele impacto o lançou vários metros para longe. Mesmo quando foi arremessado ao chão com um estrondo, Kämpfer ainda não compreendia o que havia acontecido com seu próprio corpo.
— Danos impossíveis de calcular... O que foi aquilo agora?
Se fosse uma pessoa comum teria tido todos os ossos esmagados e se transformado em um pudim cor de carne. Deitado no centro da rachadura, Kämpfer ergueu o olhar para cima.
Entre asas negras que se abriam, envoltas em relâmpagos azulados e ele, estendia-se uma barreira de areia de ferro. Nenhum ataque deveria ser capaz de atravessá-la—
— Não, há só um que pode. Corte por descarga elétrica... Isto é um impacto de spark gap!?
No rosto do “Mago”, que ergueu o olhar para cima, desta vez sim, surgiu de fato um sutil traço de admiração.
Impacto de spark gap — quando uma descarga elétrica extremamente poderosa ocorre entre dois eletrodos, a pressão do ar ionizado converge para um único ponto no espaço ao redor. A força resultante, dependendo da escala da descarga, é teoricamente capaz até mesmo de partir esta catedral ao meio. E, além disso, seja qual for a habilidade envolvida, o monstro acima parecia capaz de controlar livremente esse ponto de foco.
— Magnífico.
O “Mago” arregalou os olhos sem brilho, que lembravam os de um peixe morto, em assombro e lamentação.
— Verdadeiramente magnífico. Então um Crusnik pode chegar até esse extremo... uh!
Os lábios finos, que se abriam e fechavam como se ele estivesse raro e estranhamente excitado, deixaram escapar um gemido abafado. Lâminas invisíveis, desferidas uma após a outra, o atacaram por todo o corpo, sem escolha de lugar A lápide explodiu em estilhaços, como se estivesse sendo atingida diretamente por uma metralhadora pesada. Em meio à tempestade de descargas elétricas que se levantou, com o ar ionizado rugindo em fúria, o corpo do “Mago” — arremessado violentamente — foi impiedosamente golpeado repetidas vezes e dilacerado pelos punhos de ar solidificado.
E então—
De repente, o silêncio chegou.
— ..............?
Teria acabado?
No meio de uma montanha de escombros, Kämpfer estendeu a mão para afastar o bloco de rocha que estava esmagando seu corpo — naquele instante...
— Guh...!?
Seu peito, rasgado em grande extensão, foi pisado por alguém com uma terrível força.
— ...........
Olhos vermelhos como sangue o observavam de cima.
As asas em suas costas já haviam desaparecido por completo para algum lugar, mas a enorme foice de lâmina dupla ainda estava firmemente agarrada em suas mãos.
Abel — ou aquilo que fora Abel — observava com desdém o “Mago” inexpressivo e incapaz de se mover.
— Realmente, magnífico.
Encarando de frente aquele olhar que parecia a própria morte, ainda assim a voz de Kämpfer era calma.
— Você é realmente uma pessoa magnifica, Abel-sama... É uma derrota completa para mim. Agora, você deve me matar e vingar aquela irmã.
— ...........
Permanecendo em silêncio, aquilo ergueu a grande foice. A lâmina, negra como a escuridão, ergueu-se com a mira ajustada com precisão à cabeça de Kämpfer, bem aos seus pés. Se aquela coisa descesse, o “Mago” seria partido ao meio, desde o alto da cabeça. Então, os dedos que seguravam a foice, tensionavam-se, fazendo-a ranger.
──Mas, depois disso, nada aconteceu.
Nem o uivo rasgando o vento, nem o rugido feroz, nada se ouvia. Somente um leve tremor de alguma coisa, um som de algo chacoalhando chegava, apenas isso.
— ............?
O que olhava para baixo em direção a Kämpfer, que levantara os olhos desconfiado, era os mesmos olhos vermelhos inalterados. No entanto, ali, agora, algo como um leve calor corporal — estava começando a ressurgir.
— ...No passado, fiz uma promessa.
Aquilo murmurou com sofrimento.
— Eu.. já não mataria mais ninguém — assim prometi.
— Uma promessa?
Não era uma maldição nem um grito de fúria — como se estivesse confuso pela profunda tristeza contida naquela voz, Kämpfer perguntou:
— Diz ‘uma promessa’?
As bochechas tremiam levemente, e aquelas pálpebras fechadas projetavam sombras profundas. Parecia que, a qualquer instante, uma emoção violenta rasgaria sua garganta e jorraria—
— Isso mesmo... Há muito tempo, prometi. Não vou mais matar, nem deixar que morram. Eu jurei que pagaria por meus pecados.
Mesmo durante esse tempo, o braço que empunhava a lâmina — ao contrário de suas palavras — estava prestes a descer sobre a cabeça de Kämpfer. A cada vez, o monstro cerrava os dentes e puxava sua própria mão de volta.
— Eu já não vou matar mais ninguém. Não vou deixar que eu mate mais ninguém... Então diga! O jeito de parar aquilo! Me ensine, por favor! Não quero matar mais ninguém! Não quero deixar ninguém morrer!
— ...........
O “Mago” ergueu os olhos para Abel, que gritara dolorosamente, e em seu rosto austero surgiu uma emoção tênue — talvez fosse compaixão? Como prova disso, a voz com que respondeu ao padre era infinitamente gentil.
— Muito bem... eu falarei.
Sem desviar os olhos das íris vermelhas, Kämpfer abriu a boca com cortesia.
— O único método de deter o Silent Noise — é desligar o chip de controle.
— O chip? Onde ele está?
— Aqui.
Sob a camisa rasgada, Kämpfer exibia um peito pálido, como se nunca tivesse recebido a luz do sol, por nem uma vez.
— Aqui... o chip de controle está dentro de mim.
— O quê?
Os olhos de Abel vacilaram, como se estivessem confusos. “Dentro de mim?” Então isso significava...
Sem desviar os olhos do rosto de Abel, o “Mago” curvou os lábios num sorriso em forma de lua crescente.
— Isso mesmo. O chip dentro do meu corpo monitora constantemente meus sinais vitais — no mesmo instante em que eu morrer, o chip também cessará sua atividade. Em outras palavras, para parar o chip de controle, basta me matar... Veja só, não é simples? É uma coisa extremamente simples.
— !?
Os olhos de Abel se arregalaram.
“Para parar o chip, basta me matar” — ou seja, ele estava dizendo para matá-lo?
Apenas um demônio — dos que fazem um humano pegar a caneta do contrato — sorriria com uma expressão como aquela. Era o sorriso satisfeito, absolutamente satisfeito, do “Mago”.
— Então, o que pretende fazer? A mim ou a Roma... qual dos dois você vai escolher?
— Não pode ser...
A grande foice tremeu, chocalhando.
Se ajudasse o homem à sua frente, Roma seria destruída, e dezenas de milhares de vidas seriam perdidas. Para salvar Roma, teria de matar esse sujeito — de qualquer forma, a promessa feita a “ela” acabaria aqui!
— Não há... não há outro jeito!?
— Nein (Não há) — A única liberdade que lhe foi concedida é escolher a quem trazer a morte.
Foi nesse momento que soou um sino, acima da cabeça do “Mago”, que proclamou como a estar triunfante — mas ainda assim de maneira completamente silenciosa.
O sino da liturgia da manhã — finalmente, o amanhecer havia chegado.
— O Silent Noise será ativada ao mesmo tempo que o amanhecer — ou seja, no exato momento em que aqueles sinos tocados três vezes terminarem de soar.
Abel, com aparente desespero, ergueu o olhar para o alto. Enquanto isso, o som do segundo sino já começava a ecoar.
— Então, falta apenas um sino — o que pretende fazer, Abel-sama?
— E–eu... eu...
Lançando um olhar aflito ao “Mago”, Abel soltou uma respiração pesada.
É isso... se matar esse sujeito aqui, tudo estará resolvido.
Salvar Roma e as pessoas queridas que vivem ali, e corresponder à confiança dos companheiros que arriscaram a vida. E, além disso— este sujeito... este sujeito é um assassino abominável. Até agora, havia tirado incontáveis vidas, destruiu cidades — e matou Noélle. Que valor poderia ter a vida de um sujeito desses? Onde haveria motivo para hesitar, ou algo assim? Pelas pessoas que foram amadas e pelas pessoas que são amadas agora, tirar a vida dele era o correto — sim, sem dúvida alguma, é o correto!
“Mesmo assim, eu...!”
No instante em que fechou os olhos, de quem era o rosto que surgiu por trás de suas pálpebras?
Daqueles que ele deveria proteger? Daqueles que não conseguiu proteger? Ou então...
Soou o terceiro sino.
— A hora chegou.
E então, sobre a cabeça do “Mago” que ria com escárnio, desceu a grande foice, envolta em vento.
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Créditos da tradução:
Lutie (◕‿◕✿)














