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Não nos enganemos mais.
Domingo é muito 2025.
*
No começo do mês, Tropeço morreu.
Assim, como quem vai até ali.
Lemos a notícia de um atropelamento com vítima fatal na ladeira do cafezal, e no dia seguinte um dos pedreiros da obra contou pro presunts que tinha sido ele.
Na quarta-feira teve janta na Clara, brindamos a ele, até chorei um pouco. por pena, mas acho que em parte também por culpa. Muitas vezes desejei que ele sumisse.
Conflito existencial instalado. Porém de pouquíssima duração: uns 3 dias depois, desci pra regar as plantas, fui na divisa checar um barulho de motor e lá estava ele, cortando a grama do vizinho.
*
Este ano eu adquiri um novo sonho recorrente. É sempre um aeroporto, embora em cada sonho ele ganhe uma representação diferente: cassino, labirinto, shopping, hotel, escola. E sempre uma angústia, que também varia. Atrasos, desencontros, portões ocultos, bagagens comprometidas, destinos inesperados.
Acho que os meus roteiristas oníricos finalmente resolveram aumentar o orçamento e produzir uma variação um pouco mais sofisticada do antigo sonho do banheiro (que por sua vez é uma atualização complexa do sonho da carranca do armário). Começaram com uma imagética super promissora num estilo backrooms, mas acabaram desembocando nos aeroportos. As one does.
O aeroporto é o primeiro lugar onde não dá mais pra fingir que você não tá indo embora. Na minha teoria, o aeroporto é o portal das fichas que caem. Se você acompanha a fantasia até o desfecho, de uma forma realista, o ponto alto é o anterior imediato. O uber, o busão executivo, a carona do amigo.
Entrou no aerporto, é ladeira.
Mas podia ser pior. Acho.
*
Uma tristeza sobre a qual eu tenho intencionado escrever mas nunca lembro é a versão adulta de NB.
NB tinha uma aura de gênio mal compreendido quando o conheci, no primeiro ano da faculdade. Pequeno, magrinho e sempre descabelado, quando lembro dele naquela época imagino ele sempre de sobretudo preto e um cigarro na mão, olhar vidrado e barba por fazer. Mãos trêmulas.
Ele pegava os mesmos tipos de estágio que eu, não era particularmente comunicativo e tinha cara de estar sempre virado a base de álcool ou outras drogas. Me interessei por ele porque um dia, numa muvuca na saída, ele se frustrou com a colega mais atraente da turma e fez um comentário ácido sobre “quengas de atenção” com a desconhecida aleatoriamente mais próxima, que calhou de ser eu. Nesse mesmo dia (stalker que sou), descobri que ele tinha um blog de poemas curtos, cínicos e angustiados que ele parou de atualizar em 2008, mas que eu releio até hoje.
Achava ele perdido mas ao mesmo tempo enxergava um potencial enorme. Imaginava ele metido num nicho bem militante, jurista de guerrilha, palestrante internacional, livros e livros. Talvez com pouca grana mas muito reconhecimento.
Logo depois da faculdade fiquei sabendo que a namorada dele engravidou e eles tiveram uma filha, e depois nunca mais soube nada.
No final do ano passado o Instagram sugeriu NB como possível conhecido, nos seguimos mutuamente e eu soube que ele agora é um farialimer (notavelmente titulado, por sinal) bombado e tatuado, que posta treinos com peso diariamente e cita a bíblia uma vez por semana. Tem três cachorros grandes e lindos, de raça, obedientes (Judi me chicoteia) que correm com ele de manhã bem cedo. A segunda esposa, com quem ele acabou de ter bebê, é a versão feminina dele em absolutamente tudo isso, até nos títulos.
Blended family perfeita, tradicionais e do lar. Puta casa, aliás. Vinhetas dignas de catálogo de decoração, janelões e jardim. Condomínio fechado.
Nada contra mas sei lá, que puta downgrade.
*
As escadarias da Estação República do Metrô em fotografia de 1984. Ao fundo o antigo Colégio Caetano de Campos, já convertido como Secretaria Estadual da Educação.
Subir por essas escadas e ver o céu se revelando ao redor do Edifício Itália conforme o nível da praça se aproxima
Todos os dias, anos e anos ♥️🥲
Umas 2 semanas atras eu postei uma outra versão dessa música, e no post escrevi um punhado de groselha sobre o que eu tava sentindo.
Dia seguinte, tomei alerta de suicídio.
Então dessa vez vai só a música mesmo. Numa versão mais recente, com a Tori mais velha e (gosto de pensar) mais experiente.
pro-tip: your blog is about you. be self-indulgent, self-absorbed, and self-possessed. go all in on your obsessions. this is a work of self-expression, a living monument to your heart.
Fal Vitiello de Azevedo, https://substack.com/@dropsdafal
Nunca mais.
o de domingo, só que na segunda.
De uns 20 dias pra cá meu autocorretor troca só por sô e eu tenho vontade de assassinar alguém.
Print dump de domingo.
Atrasada por razões de IRPF, sucateamento e obsolescência
300 metros, 1 sonho, 0 energia
"In the same way that your heart feels and your mind thinks, you, mortal beings, are the instrument by which the universe cares. If you choose to care, then the universe cares. If you don't, then it doesn't." -- Brennan Lee Mulligan, D20, Fantasy High
all romance is a ghost story
A thinking they can be what they think B wants them to be
B thinking they can be what they think A wants them to be
the two never meet
pessimistic today
As vinhetas do Matheus, quem lembra? 🥹🥲
Diários do passado, pesadelos: por que tê-los? e prints deletados
adivinha
quem
voltou
.
Uma coisa que é bom sempre manter em mente é que tem muito filho da puta no mundo.