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Despedida no aeroporto - @Bianca {final de agosto}
Ty: Biru-Biru, vamos nos atrasar se ficar ai calada. 19:31
Bianca: Tô indo, tô indo. Ali, oh, você precisa fazer o check-in. - Apontou para o canto direito do salão. 19:38
Ty: Okay, isso é igual nos EUA. - foi até a fila no balcão. - Chegamos cedo ainda, foi sorte B¹ e B² não nos seguirem. 19:45
Let me share this whole new world with you - @Fonch. | FINALIZADO.
Ah, sim, sou um grande fã dos Capitales. Levo as crianças nos jogos desde que eram… - olhou para os filhos. - Bem, crianças. Já Rose… - A mãe cortou Mortimer com um gesto de descaso. - Nunca fui muito fã de esportes. Mas Bianca nos contou que você joga em um time, Ty, isso é ótimo. Os dois ali sempre quiseram tentar, mas acabaram não se dando bem no time da escola. - Contou, sinalizando os filhos, que se remexeram levemente na cadeira, porém se quer abriram a boca. Bianca imaginou se os pais não teriam passado algumas instruções para seus irmãos, para garantir que se comportassem quando Ty chegasse. Não gostava de vê-los parecendo desconfortáveis daquele jeito, mas se a opção conversar incluía serem mal educados com seu namorado, então ela preferia que ficassem quietos mesmo. - Amanhã levaremos você para conhecer melhor a cidade e podemos parar no parque para uma partida, o que acham? - Mortimer olhou em volta, animado. - Assim eu poderei analisar seu desempenho como jogador e conferir o progresso da princesa. - Piscou para os dois, e Bianca sorriu, concordando com o pai.
Quando terminaram de jantar, ela ajudou a mãe a recolher tudo rapidamente, enquanto os garotos continuavam sentados à mesa e Mortimer tentava fazer com que os filhos e Ty batessem um papo. - Então, rapaz, conte para esses dois como é jogar num time de verdade. Danny até que é um bom arremessador, mas Nico só serve para levar tacadas da irmã… - Ouviu o pai falar e se segurou para não rir. Pobre Nico. Bianca achou melhor não encará-lo naquela hora, só de imaginar sua provável expressão. Dustan entrou saltitando na cozinha logo em seguida e começou a cheirar os pés de Ty. - Olha só, parece que o bolota gostou de você. - Disse Mortimer, e Dustan confirmou sua frase pulando no colo do garoto. Bianca e a mãe riram. - Ei, porque não tiramos uma foto? Esse dia merece ir para o álbum de recordações. - Rosanne foi buscar a câmera e voltou mandando os garotos fazerem uma pose. - Cheguem mais perto um do outro, isso, assim. - Ergueu a câmera para bater a foto e Bianca ficou atrás da mãe, rindo baixo. Ty e Danny seguravam Dustan, e Danny até sorria levemente. Mortimer abraçava Ty pelo ombro e parecia tão feliz quanto uma criança em dia de Natal. Já Nico continuava com a carranca, mas aquilo só tornava a foto mais hilária. - Pronto, vou mandar revelar. Ah, filha, vá tirar uma foto com o Ty, também. - Rosanne sorriu para ela, incentivando Bianca a sentar-se ao lado do namorado. O pai e os irmãos abriram espaço e ela foi até Ty, abraçando-o de lado e sorrindo para a câmera. - Awn, que pombinhos lindos! - Sua mãe parecia realmente emocionada. - Esperei tantos anos por isso… - Baixou a câmera, admirando a foto que tirara. - Tá bem, mamãe, não precisa chorar. - Bianca se levantou, puxando Ty consigo. - Okay, me desculpem. Vocês devem estar tão cansados. Vão tomar um banho e ir dormir, sim? Amanhã nos divertiremos mais, Ty, querido.
Bianca subiu as escadas com o garoto ao seu lado. - Você pode tomar banho primeiro, vou pegar toalhas para você. - Disse, indo em direção ao quarto, quando ouviu passos atrás de si. Virou-se para dar de cara com os irmãos. - Hey. - Sorriu para eles, um pouco nervosa. - Só queríamos avisar que a mamãe e o papai não nos deixaram montar guarda no corredor a noite, caso alguém resolva trocar de cama, mas ficaremos de olho mesmo assim. - Disse Nico, encarando Ty. - Guys, por favor, vocês não precisam fazer isso. - Bianca suspirou, revirando os olhos. - Só estamos cuidando de você, pequena. - Danny passou o braço ao redor de seu pescoço e beijou sua testa. Então os dois foram para o quarto do mais velho. - Está vendo como eles são, não é? Vai ter que tomar cuidado se quiser ir ao banheiro de noite. - Tentou trazer um tom de brincadeira à voz para amenizar a situação, embora o que estivesse falando fosse verdade. Entrou em seu quarto e pegou as toalhas, entregando a ele. - Prontinho, estarei te esperando aqui. - E aproveitaria sua breve ausência para esconder melhor a coleção sagrada de pokebolas.
“Eu sempre fui fã dos Yankees, mas ouvi dizer que os Capitales fizeram uma boa temporada ano passado, eles tem ótimos corredores...” Tentou não se aprofundar demais naquele tópico ou acabaria deixando os demais de fora. Felizmente Rose já intervira, contando da má sorte dos filhos. Ty lançou um olhar aos cunhados que pareciam desconfortáveis e deixou de lado a ideia de oferecer ajuda zombeteira a eles – Os dois podiam ainda olhá-lo como se fosse o inimigo, mas estavam se comportando. “Isso seria ótimo. Passei o verão treinando só com a Princesa aqui e será bom ver como me saio com outros adversários. Espero só não fazer um papelão ou isso será terrível para o meu ego.” Brincou, forçando uma expressão melindrosa
Quando o jantar acabou o primeiro pensamento de Tyler foi ajudar com a limpeza, afinal era assim que faziam em casa, mas foi guiado a ficar junto com os outros rapazes para conversar. Por um breve momento pensou que seria agora que Mortimer perguntaria sobre suas intenções quanto a filha dele ou coisa assim, mas o senhor parecia mais preocupado com o baseball e sacanear os filhos. Tyler definitivamente adorava o sogro. Teve que pigarrear para não rir dos comentários do homem e irritar ainda mais seus cunhados, então focou em respondê-lo. “Bem, na escola sempre foi divertido. Quer dizer, quem não gosta de ter uma jaqueta do time e um monte de gente torcendo por você? Mas exige muito treino e paciência, você passa muito mais tempo tentando entrar em campo do que realmente nele e...” Sua atenção foi roubada pelo pompom ambulante que Bianca chamava de cachorro, Dustan, que viera cheirá-lo. Inclinava-se para acariciar o animal quando ele pulou no seu colo. “Opa, coleguinha matador! Olá para você também!” Riu, coçando atrás das orelhas do cão. Ouviu alguém sugerir uma foto e voltou a encarar a sogra, concordando com um aceno de cabeça. O sorriso que ensaiara transformou-se numa gargalhada mal contida quando Rose mandou que os cunhados se aproximassem para que todos saíssem na foto, ele realmente tinha que parar de ver graça em tudo ou precisaria de toda a família “perigosa” de Dustan para defendê-lo depois. Agradeceu quando por fim a foto foi tirada e pode forçar uma tosse para esconder o riso, assim que seus cunhados se afastaram. “É, venha aqui, Biru!” Deixou Dustan no chão e sinalizou para que Bianca se aproximasse. Abraçou-a ,sorrindo para a câmera. “Pombinhos?” Lançou um olhar divertido a namorada, rindo baixo. “Não se preocupe, Dona Ro, vou tentar fazer a espera ter válido a pena porque não posso decepcioná-la.” Piscou para a sogra de modo brincalhão. “Obrigado por tudo, realmente estou cansado, mas amanhã espero que conversemos mais.”
Seguiu Bianca até o andar superior, pronto para rejeitar o oferecimento dela, mas logo se recordando que como hospede tinha de dar ouvidos a ela. “Certo, vou ser rápido.” Não teve nem tempo de agradecer, pois seus cunhados já haviam “brotado” no corredor. Ele ouviu o aviso dos dois garotos e se não estivesse tão surpreso e especialmente disciplinado, teria rido muito e feito alguma piada sobre como aquilo era bobo já que tivera meses a sós com a garota sem vigilância. “Igualzinhos eu imaginava, só mais baixinhos.” Concordou, gesticulando para demonstrar a altura dos garotos como se fossem anões de jardins. Bianca por fim lhe entregou as toalhas. “Obrigado, Dora. Boa noite.” A beijou rapidamente – meio que esperando que seus cunhados brotassem novamente do nada. Entrou no banheiro e tomou um banho rápido, logo se trocando e encaminhando-se ao quarto. Mal repousara a cabeça no travesseiro e o sono já tomava conta de si.
Okay, Percy, onde iremos primeiro?
Eu era o bebê muito lindo, está bem? Minha madrinha me disse isso - empinou no nariz e o acompanhou.
Triste saber que mentiram assim para você. - fingiu um ar pesaroso antes de apontar uma casa. - Olha ali mora o Mickey, ele estuda na OSU também e é o orelhão ambulante mais legal que conheço. Você deve conhecer a namorada dele também, a Julie Tampinha. Vocês tem a naniquice em comum.
Okay, Percy, onde iremos primeiro?
Okay, você cresceu aqui? Se tentar posso imaginar um gurizinho muito feio de um dente só correndo por ai.
Nessa parte da cidade? Nah, eu morava mais para baixo, quando era pequeno e depois fui para lá e para cá...Enfim, só estou aqui há uns dez meses. - explicou com um encolher de ombros. - Mas você não precisa imaginar um ser feio de um dente só correndo por ai, é só lembrar das suas fotos de bebê e projetar aqui.
Okay, Percy, onde iremos primeiro?
What? Como irá sobreviver? - deu língua - Eba! Vamos.
Farei buracos na caixa, sou legal assim. - riu, começando a andar. - Vamos a pé para você conhecer a vizinhança.
Okay, Percy, onde iremos primeiro?
Para o correio te por numa caixa e despachar de volta. - brincou. - Vamos a orla, vai gostar.
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Prendeu a respiração ao ver Tyler abraçar seus irmãos, sem saber se ele se sentia confortável mesmo ou se estava fazendo aquilo apenas para provocar os dois. Bianca dissera que estava tudo okay, mas ele deveria saber que não estava tão okay assim. Daniel enrijecera, sem saber como reagir, e Nicolas parecia ter levado um soco na barriga ao invés de um abraço amigável. Se Tyler não os soltasse logo… Felizmente, o garoto teve o bom senso de fazê-lo logo em seguida, e só então Bianca conseguiu voltar a respirar normalmente. “Eles estavam prestes a te matar agora mesmo”, ela pensou em responder, mas se conteve. - Apenas continue com o bom humor inicial… Mas a uma distância segura. - Aconselhou, caminhando ao seu lado pelo estacionamento. Seu pai colocou as bagagens no porta-malas e abriu as portas do carro, e os quatro jovens tiveram que se espremer no banco traseiro. Bianca tomou o cuidado de sentar entre os irmãos e Ty, só por precaução.
Quando entraram no condomínio, Bianca apontou uma casa antes da sua. - Hellen mora aí. - Informou. Mortimer abriu a porta da garagem com o controle e estacionou o carro. - E aqui estamos. - Rosanne estava especialmente radiante, sorrindo para Ty como se ele fosse uma figura realmente importante visitando sua casa. Era assim mesmo que mães deveriam reagir a primeiros namorados das filhas? Bianca tentou não rir. Eles entraram em casa pela porta da garagem e logo as luzes da cozinha foram acesas. - Filha, por que não mostra a casa para o Ty? Seu pai vai ajudar vocês com as malas e vocês dois - apontou para os filhos - me ajudem a servir o jantar, sim? - Bianca assentiu para a mãe e puxou Ty até a sala, onde encontraram a gata, Missy, dormindo no braço do sofá. - Ei, Mimi. - Bianca foi até ela, acordando-a. A gata abriu os olhos lentamente, espreguiçando-se. - Dê as boas vindas ao Ty. - Acariciou-a a trás da orelha, incentivando o namorado a fazer o mesmo. - Onde está o Dustan? - Dirigiu a pergunta à cozinha. - Sua mãe não te contou? Dustan tomou o seu quarto para ele quando você se foi. - Disse Mortimer, que trazia as malas. - Mas o quê? Meus quadros! - Bianca correu para as escadas, levando Ty consigo. A porta de seu quarto estava aberta, e ela encontrou Dustan brincando com um boneco de borracha no tapete. Seus quadros e o restante de suas coisas, porém, estavam intactas. Ela respirou aliviada. - Achou mesmo que íamos deixar o bolota bagunçar as suas coisas, princesa? - Mortimer riu, colocando a mala da filha no chão do quarto e beijando sua testa em seguida. Os dois mostraram o resto da casa para Ty e o quarto de hóspedes em que ele ficaria, e então desceram para jantar.
Os irmãos já estavam sentados a mesa e Rosanne apenas terminava de distribuir os talheres quando eles entraram na cozinha. - Ah, ótimo, chegaram bem a tempo. - Sorriu, fazendo com que todos se sentassem. - Podem se servir. Comam direitinho os dois, viu? Porque comida de avião não sustenta. E não quero saber de timidez caso queira repetir, ein, Ty? - Tocou o ombro do garoto, sentando-se por último. - Aproveite bem porque ser o alvo dos paparicos da Rose é para poucos, rapaz. - Brincou Mortimer e Bianca sorriu para o namorado. - Garoto sortudo.
“Vou tentar, Dora.” Era tudo que podia prometer, afinal se B¹ e B² realmente tentassem matá-lo no meio da noite, ele teria que revidar de algum jeito. Entrar no carro para ir para casa foi outra coisa que o fez ter que conter seus instintos sacanas, por alguma razão achava que nenhum dos cunhados acharia legal se ele dissesse que podiam sentar no colo dele, ou pior, mandasse Bianca o fazer. Então ele apenas tentou ficar o mais longe possível dos garotos e perto da porta. “Podemos vê-la mais tarde, acho que vou gostar dela.” Ficar algumas horas fora do radar dos cunhados seria bom também. Agradeceu quando o sogro estacionou o carro e apressou-se a descer. Pensou em se oferecer para carregar as coisas, mas Rosanne já lhe dava aquele sorriso com o qual ele poderia se acostumar bem rápido – ele não tinha certeza se aquilo era porque ela simpatizava mesmo com ele ou por consideração a Bianca, de todo modo ele estava muito grato por isso. Ele retribuiu o sorriso da senhora e assentiu ao comando, seguindo Bianca assim que ela começou a se dirigir a casa. Aproveitou para olhar os arredores, prestando atenção em fotos de família e coisa do tipo. Mas seu item favorito acabou não sendo algo inanimado. “Mimi? O que, vai me dizer que você era fã de Digimon?” Exclamou surpreso, estendendo a mão para acariciar a gata. “E não é que achei garotas amorosas nessa família? Tia Ro e Mimi aqui são anjos!” Queria pegar a gata no colo, mas se conteve. “cachorro boicotou o comitê de boas vindas?”
Tyler teve que se esforçar muito mais dessa vez para não rir e acompanhar o passo da garota. Infelizmente toda sua determinação foi por água abaixo quando viu a cena que os aguardava no quarto. Quando ouvira o nome do cão tinha imaginado que fosse um animal grande, talvez um São Bernardo, não uma bola de pelos do tamanho de um gato. Ele teve que rir. E riu muito. “Por Poseidon, Princesa,” Imitou o tom que o pai dela usara para chamá-la, zombando. “Me diga que esse pompom de líder de torcida não é a grande ameaça aos seus quadros. Por favor, me fale que ele encolheu durante o verão.” Teve que deixar a zombaria de lado para seguir a namorada e Mort pela casa.
Em seguida se encaminharam ao jantar e novamente Tyler teve que agradecer aos céus por seus sogros – e sorrir marotamente para seus cunhados. “Acho que vai ser difícil não repetir, Dona Ro, só o cheiro já está me dando água na boca.” Sentou-se a mesa, esperando que os outros se servissem para fazer o mesmo. “Acredite, senhor, eu estou muito agradecido e aliviado! Lá nos EUA temos esse mito que os pais da namorada sempre te esperam com uma espingarda em mãos e torta, nem sempre a torta sendo para comer. Então eu me considero mais que sortudo.” Sorriu para Bianca e logo voltou-se para os pais dela. “Biru me disse que o senhor gosta de baseball, verdade? E a senhora também, Ro? Minha mãe tentou uma vez, mas acabou derrubando minha tia-avó...” Contou, tentando conhecer todos melhor. “Bianca aqui melhorou muito, rebater funciona bem como terapia da raiva.”
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A viagem até Portland não chegara a ser cansativa se considerada a seguinte até o Canadá, com aproximadamente 13 horas de voo e duas conexões. Se estivesse viajando sozinha, Bianca precisaria de um livro ou do caderno de desenhos, mas a companhia de Ty já era mais do que o suficiente para entretê-la. Imaginando que ele estaria ainda mais nervoso por estar prestes a conhecer a sua família do que ela estivera, tentou fugir de qualquer assunto que se relacionasse aos seus irmãos malucos ou possibilidades de ataque de amigas insatisfeitas. Pelo menos tinha certeza de que, ao menos pela parte dos pais, tudo estava okay. Era essa sua única garantia de que aquela viagem não iria pelos canos.
Quando os dois desembarcaram no aeroporto de Quebec, já ao cair da noite, Bianca segurou a mão do namorado. - Acredito que todos eles estejam aqui para nos receber, mamãe, papai, Nico e Danny. Não sei como está se sentindo em relação a isso, mas pode relaxar, ok? O plano é que tudo corra bem. - Tentou soar o mais confiante possível, apertando de leve sua mão antes de soltá-la para pegar as malas. Empurrando-as em um carrinho exatamente como haviam feito em Portland, eles caminharam pelo salão do aeroporto até o local em que os familiares aguardavam os passageiros. - Bianca! - Ela ouviu gritarem o seu nome e virou-se na direção do som, vendo os dois irmãos correndo até ela, com os pais logo atrás. - Nico! Danny! - Sorriu, diminuindo a distância entre eles com passos largos até que estivesse cercada pelos irmãos, que a abraçavam um de cada lado. Não demorou para que os pais os alcançassem também, e logo aquilo se tornara um abraço em família. - Senti tantas saudades de vocês. - Disse, mas não se prolongou muito, sabendo que Ty ainda estava atrás de si. Virou-se para ele e sorriu, puxando-o pela mão até estarem de frente para os quatro Folchart. - Mãe, pai, Nico e Danny, esse é o Tyler. - Apresentou-o, animada. O primeiro a se pronunciar foi seu pai, dando um passo a frente para apertar a mão do garoto. - O famoso Tyler Lynch, finalmente. Seja bem vindo à Quebec, rapaz. - Em seguida sua mãe apressou-se em abraçá-lo. - É um prazer conhecê-lo, querido. - Ela sorriu. Então foi a vez dos irmãos cumprimentarem seu namorado. Daniel foi surpreendentemente gentil, até mesmo sorrindo, apesar de seu aperto de mão ter parecido forte demais aos olhos de Bianca. Já Nicolas não conseguiu disfarçar a careta muito bem, mas foi ignorado por todos. - Bem, aposto que estão cansados e com fome, vamos logo para casa dar um jeito nisso. - Mortimer pegou o carrinho e partiu para o estacionamento, fazendo um gesto para que o seguissem.
Conversar era bom para distrai-lo e não o pensar demais sobre seu iminente encontro com os Folchart. Ty era usualmente um cara relaxado, era bom em “socializar” e nada tímido, porém nunca tivera que enfrentar vários desconhecidos, sendo que dois destes, já desgostavam dele de antemão. No entanto, ele concentrou-se no papo ameno que mantinha com a namorada, deixando de lado qualquer neurose. Quando finalmente saíram do avião e ele pode esticar as pernas doloridas, só teve tempo de agarrar suas malas na esteira e dar uma olhada rápida no aeroporto, antes da namorada apertar sua mão do jeito que sempre fazia quando estava nervosa. A diferença era que daquela vez ela parecia nervosa por ele. “Toda a Biru family, hein? Sem problemas, eu ficaria mais feliz se dissesse que eles tinham vindo em um trenó puxado por alces, mas aceito apenas a comitiva real.” Brincou para demonstrar que estava 'ok' com tudo, mesmo que estivesse um tanto ansioso para descobrir como a família dela era. Havia muita gente no aeroporto naquele horário, mas não precisou tentar adivinhar quem eram os Folchart porque logo ouviu um grupo gritar o nome de Bianca. Ela se apressou até eles e Tyler preferiu ficar um pouco para trás, andando a passos lentos para dar a eles um momento de privacidade – e observar um pouco também.
Se posicionou atrás da garota, caprichando em um sorriso educado enquanto aguardava que as apresentações começassem. Bianca o puxou para frente e logo indicou quem era quem, antes do homem mais alto do grupo, o pai dela, se adiantar com a mão estendida para cumprimentá-lo. Ty apertou a mão do sogro com firmeza. “Famoso aqui também? Vou ter que dar a minha agente uma promoção porque ela está fazendo um ótimo trabalho de divulgação.” Disse em tom de brincadeira, apertando a mão do sogro. “Obrigado, Sr. Mort. É um prazer conhecê-lo.” A próxima foi a mãe de Bianca e ele agradeceu mentalmente pela boa acolhida, enquanto retribuía o abraço da mulher. “O prazer é meu, Sra. Ro! Se não tivesse vindo nunca iria acreditar que era mesmo a mãe da Biru ali, da primeira vez que ela me viu quis jogar coisas em mim, não abraçar.” Os próximos foram os cunhados e enquanto Daniel parecia estranhamente simpático, apertou-lhe tão forte a mão que Ty soltou uma risada irônica. Nico parecia mais que ganhara uma multa de estacionamento, tão feliz era sua expressão, mas Ty expandiu o sorriso e quando Mort sugeriu que partissem, ele abraçou os dois pelos ombros. “Estava meio nervoso para conhecê-los, mas agora acho que vamos nos dar muito bem, B¹ e B²!” Só que não. Mas preferia manter-se bem humorado e ignorar a animosidade. Soltou os cunhados antes que eles tivessem chance de realmente tentarem o acertar, e se aproximou de Bianca para cochichar. “Você não acha que vão tentar me matar na primeira noite, acha? Pensei que teria tempo para um plano de fuga...” Indagou andando pelo estacionamento.
I'll go anywhere with you - @Fonch.
O que, quer uma descrição detalhada deles agora? - Riu. - Jessie é a mais parecida comigo, somos do tipo que completa as frases uma da outra, sabe? Hellen é mais tímida, ela só se solta depois que lhe damos chocolate. Katie e Jonathan são irmãos, eles eram do nosso “time” de vôlei que papai criou para jogar nos amistosos do bairro. Nós ganhamos muitas vezes, mas como não eram competições de verdade, nada de medalhas. - Deu de ombros. Não que se importasse com isso, já que o objetivo dos jogos era apenas se divertir, e isso ela sempre fazia. Resolveu ignorar a última parte da pergunta de Ty ao invés de dizer que suas amigas, principalmente Jessie, provavelmente jogariam ovos e papel higiênico nele caso não o aprovassem. Mas ela não chegava a cogitar essa hipótese, não de verdade. Se Tyler conseguira conquistar Bianca, conseguiria conquistar todas elas com a mesma facilidade. Assim, contanto que elas não acabassem se apaixonando também, estava tudo okay.
Sorvete não é o meu favorito? - Franziu o cenho. - Ah, está falando do meu vício por morangos? Ok, eles realmente conseguem se sobrepor a sorvete para mim, o que não é pouca coisa. - Riu. Eles chegaram ao parque e Duke foi logo ao encontro de seus colegas. Iam de pequenos chihuahuas a grandes labradores como ele próprio, e Bianca de repente sentiu saudades de seu poodle bagunceiro, Dustan. Felizmente, o veria novamente em breve. Os arbustos que ladeavam a trilha do parque eram floridos e tudo ali parecia bem cuidado, sem resquícios de qualquer degradação à natureza, o que consequentemente fazia o ar ser mais puro a medida que avançavam pelo pequeno labirinto. Bianca imediatamente ligou isso ao camp, o que causou um aperto em seu peito. - O verão acabou rápido demais. - Murmurou, percebendo que dissera em voz alta o que deveria ter sido apenas um pensamento. Sem querer parecer triste quando estava passeando com o namorado, Bianca foi logo colocando um sorriso no rosto para disfarçar, e em seguida encontrou algo que realmente a animou.
Ei, Ty, olha! - Apontou para uma árvore numa área sem arbustos com um balanço de corda preso aos galhos. Era igual ao dos filmes, daqueles que pareciam alcançar grandes alturas. Impressionantemente, não havia nenhuma criança brincando ou se quer ao redor. Seria possível que preferissem passar os últimos dias de férias jogando vídeo-game em casa do que passeando no parque? Ou quem sabe fosse apenas o destino convidando Bianca a um de seus brinquedos favoritos desde a infância. - Vem, vamos lá. - Puxou a mão do namorado, avançando apressadamente até a árvore. Sentou-se no balanço e começou a dar impulso com os pés. - Me ajude, Ty!
Assentiu esperando que ela decidisse falar mais dos amigos da terra gelada. Arqueou um pouco o sobrolho ao ouvir a primeira descrição, se a tal Jessie era parecida com Bianca, existia uma grande chance de ela tentar estapeá-lo logo após se conhecerem. Hellen já parecia alguém com quem teria de ser mais gentil, usualmente ele se dava bem com pessoas tímidas por conta do contraponto que faziam, esperava que esse fosse o caso. “Você joga vôlei?” Indagou um tanto surpreso, nunca tinha pensando na namorada como uma grande esportista, mas agora que parava para pensar, podia visualizar com facilidade ela nesse esporte. “Eu gostaria de ver qualquer dia.” Só tinha dó das adversárias que a enfrentavam quando irritada – Biru tinha uma mão pesada.
“Okay, vou lembrar disso. Deu sorte, o clima do Oregon é bom, então na volta podemos passar no mercado e você terá um monte deles para se empanturrar.” Ty brincou. Não haviam tantas criança ali como de costume, de fato, o local estava bem calmo, provavelmente por conta do horário. No centro havia uma fonte, assim como vários bancos e mais atrás, perto dos canteiros, ficavam as árvores frondosas que abrigavam um tipo de parquinho rústico. Ouviu Bianca resmungar algo e voltou a fitá-la. “O que?” Mas ela já parecia ter se focado em outra coisa, apontando eufórica para um dos balanços. “Você não pode estar falando sério!” Ele conteve uma risada, deixando que ela o arrastasse até o balanço. Era engraçado como Folchart poderia ser incrivelmente emproada as vezes, para em outras agir como uma criança animada – ele gostava disso. “Tome cuidado, se chegar cair vai ficar toda suja e eu serei obrigado a registrar isso.” Brincou, mas mesmo assim atendeu o pedido dela, ficando atrás da garota. “Segure firme.” Puxou o pneu para trás, tentando dar a maior distância possível. “Um, dois...Vai!”
O impulso foi forte o bastante para fazê-la alcançar uma boa altitude e ele ficou fora do caminho para não ser acertado na descida. De vez em quando indo empurrar mais uma vez para manter o balanço. Duke o encontrou, e Ty o manteve por perto, apontando para a garota. “Nossa criança está se divertindo, acha que devíamos trollá-la e deixá-la presa lá?” O cachorro só o olhou impaciente. “Certo, seu chato, vamos pegá-la.” Encaminhou-se até o balanço, se posicionando de modo a pegar o pneu quando ele voltasse. “Opa, calma ai, Biru-Biru.” Deu a volta para ajudá-la a descer. Em vez de pegá-la pela mão, a puxou para um abraço. “Troll ou não, estou feliz por ter vindo.” A beijou por um instante. “Mas vamos antes que reclame que estou sendo gay e alguém ouça.”
*********
Quando retornaram a casa, Sylvia já os esperava com um monte de álbuns e ordens para que ele guardasse a comida que trouxera – sorvete e morango que comprava no mercado da esquina – na cozinha, enquanto ela e Bianca tinha um “papo de nora e sogra”. “Mãe, sem exagerar.” Pediu, recebendo um sorriso divertido em resposta. “Bianca, sente aqui e ignore o baixinho, ele é muito tímido as vezes.” Ty saiu a contragosto, deixando-as conversar. “Aqui quando ele tentou fugir de casa, mas acabou acampando no quintal. Eu dei a ele uma bússola pra ele depois, só pra emergências.” A foto em questão mostrava Tyler com cinco anos, com expressão de quem andara chorando. “Acho que foi assim que ficou obcecado por fazer mapas, ele não gosta de perder o controle das coisas.”
We got something you can't undo || Tylle {03 de dezembro}
“Não mesmo, vai ter que me ajudar um pouco! E nada de me esconder em lugar nenhum, você me chamou para cá e tem que arcar com as consequências de ter uma nanica na sua casa” riu, olhando para fora do carro e perguntando o que era cada prédio diferente que via. “Ao contrário, aposto que Au fez de tudo para que eu não comesse doces hoje, deve ser por isso que não tinham panquecas no café da manhã…” diz pensativa “Enfim, ele não contava com minha astúcia e com meus cupcakes de emergência, os comi no avião. Talvez seja por isso minha animação, mas também por estar aqui, não está animado por eu estar aqui?!” falou rapidamente feliz, Ty sabia como a amiga era, então Belle não precisava se preocupar se estava ou não parecendo ridícula. “Sim, parece muito bom, também fiz minhas pesquisas. Tem boas críticas, é grande e bonito” concordou com a cabeça, depois que Ben animou sobre ir, a garota passou horas preocupando mais sobre o lugar.
“É” disse baixo, era incrível a capacidade que falar de seu pai tinha de mudar seu humor de uma hora para a outra. “Eu não sei onde ele está, não sei se voltou, em Nashville fico com vontade de procura-lo, ver se ele está em casa e etc” deu de ombros. “Bem, eu falei com Conor, e ele me disse que recebeu também, acho que todos do acampamento receberam” já tinha pensado nessa possibilidade, e agora que soube que Tyler também tinha recebido a carta, as chances eram maiores.“Eu gostaria muito que fosse também”.
Franziu o rosto de leve ao notar a mudança de tom da garota, tentando manter o foco em tirar as malas do carro ao invés de repreender Belle por ainda querer atrás do infeliz que fizera da vida dela um inferno por anos. Algumas coisas nunca mudavam e a capacidade da loira de sentir compaixão até por quem não merecia era uma delas. “O Viking? Ele é um bom colega de festas, seria legal estudar com ele.” Comentou em tom mais leve, grato pelo mudança de tópico. Fechou o porta-malas e indicou a Belle a direção que deveriam seguir, começando a andar. “Não é que eu não queria, Bells. Só é...Complicado. Ficar fora por três meses não é o mesmo que abandonar minha mãe por um ano, quer dizer, eu nem sei se seria titular no time da Edward e se eu não for titular, nada de bônus e grana para viajar.” Nos últimos meses juntara algum dinheiro, esporte na universidade era algo lucrativo se você fosse bom, mas também exigia muito esforço. "Acha mesmo que todos receberam? Grant me disse que também tem uma, mas não falei com Biru sobre isso ainda, nem com os outros." Saber da possibilidade de ter todos os seus amigos do acampamento novamente por perto, era bem tentador, mas ainda assim era complicado escolher o que deixar de lado. “Vamos para o terceiro andar, Duke quer te conhecer.” Apertou o botão do elevador que os levaria até seu apartamento, e logo abria a porta para ser recebido pelo velho labrador que fora 'checar' Belle. “Não se preocupe, ele só morde, mas não tira pedaço.” Brincou, largando a mala da garota sobre o sofá. “Vai querer um tour ou prefere conhecer a cozinha logo?”
We got something you can't undo || Tylle {03 de dezembro}
Teria que se lembrar de não fazer mais brincadeiras sobre revistas, pelo visto estavam irritando Tyler de verdade, e existia uma diferença grande entre zoar com um amigo e realmente deixa-lo bravo, Belle odiava quando o melhor amigo ficava bravo de verdade. Deu língua para ele e continuou olhando ao redor “Eu não costumo a sair de Nashville, então devo aproveitar tudo” concordou com a cabeça e bateu o ombro no dele “Já disse que não tenho tanto sotaque! Quer dizer, tenho um pouco, mas há outras pessoas no sul que possuem um sotaque bem mais forte que o meu” Belle nem sabia porque estava falando aquilo, tinha certeza que Ty não iria se importar e continuaria a zoando sem se importar com suas desculpas. “Está bem, está bem. Estou satisfeita com passar tempo com você, iremos fazer doces, ver filmes e passear! São coisas meio menininha, mas não importa, você tem que fazer por mim. Ai meu Deus, irei morar por poucos dias junto com Percy Jackson, eca, será que irei aguentar? Acho que não, será mais brincadeiras comigo do que eu teria em 6 meses” falou tudo um pouco rápido demais, voltou a olhar para ele e riu “Desculpe, estou um pouco animada”. Concordou com a cabeça e entrou no carro “Estávamos pensando seriamente nisso, Ben está muito animado e eu gosto da ideia, comentei sobre isso com minha chefe e ela disse que poderia conversar com a gerente da sede de Filadélfia para ver se arruma um emprego para mim lá, Au está tentando dar um jeito no trabalho dele também. Para ser sincera gosto de me afastar de Nashville, amo minha cidade, mas ela trás muitas memórias dolorosas”.
“Fazer doces? Nope, você faz e eu experimento, assim é a ordem natural das coisas.” Pelo menos seria se quisessem garantir que a comida fosse boa. “Eu que deveria perguntar isso, como é que vou sobreviver quase uma semana com você pulando por ai e me envergonhando? Vou ter que te esconder na cesta de roupa suja.” Brincou, começando a dirigir pela cidade. Na verdade, tinha mais planos do que dissera a ela e achava que se divertiriam bastante, mas a graça estava em deixá-la na curiosidade. “He-Man bancou o tributo e te deu cubo de açúcar para a viagem, foi?” Era difícil manter o foco no caminho ao invés de rir da alegria desmedida de Belle, mas ele se esforçou. “Uau, parece que você já tem tudo planejado...Acho que entendo, pelo que a carta dizia e me disseram na OSU, esse tal programa é ótimo mesmo e o campus de lá é incrível.” A pesquisa que fizera fora bem superficial, mas só descobrira coisas boas referentes a aquilo e admitia que se sentia um tanto tentado a aceitar a ideia. Mas diferente de Belle, ele não podia mudar toda sua vida para a Pensilvânia, não sabia se valia a pena aceitar a proposta. “Quer dizer do seu pai?” Aproveitou que o transito parara para fitar a amiga. “Pensei que ele não estivesse mais por perto...Ele não voltou, certo?” Apertou os lábios, era engraçado como podia odiar alguém que nunca vira. “Acho bom saírem de lá de todo modo, te fará se sentir mais segura.” Voltou a por o carro em marcha, dirigindo até pararem na garagem de seu prédio. Desceu do carro e foi abrir o porta-malas, pegando as coisas da garota. “Hm, Bells, sabe se mais alguém recebeu essa carta?”
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"Eu sei que meus presentes são os melhores do mundo, mas não precisa usar boné como uniforme. E eu não estou tentando roubar, só quero te salvar de um desastre de moda” riu, e apesar do que tinha falado, deixou que ele pegasse o boné, afinal estava acostumada com a falta de senso de moda do amigo. “Eu? Esquecer meu He-Man de bolso? Nunca, como conseguiria dormir de noite? Seria impossível, afinal tenho que ter ele por perto para quando tentar me matar por achar o esconderijo secreto das suas revistas” brincou. Foi até o canto onde tinha deixado a mala, claro que não era muito longe, afinal apesar de ser ingênua as vezes não confiava em deixar sua mala em um lugar onde não podia ver. “Porcarias? Eba! Mal posso me esperar, espero que tenha coisas doces porque Au as vezes tenta me impedir de comer muito açúcar porque sabe, fico um pouco agitada” se a garota já era assim normalmente, imagine depois de comer doces. Assim foram até o carro, Belle observava tudo. Não era muito comum sair de Nashville, tinha ido para Nova York e a cidade da tia, além de uma ou duas vezes que viajara para competições de dança, mas nunca tão longe assim. “Espero que saiba que terá que me mostrar tudo, e que te irritarei muito esses dias” disse com um sorriso largo. Segurou o braço de Ty “Ei, você recebeu uma carta? Da Edward Rivere University and High School?”.
“Usando uma das outras trezentas fotos que roubou do Mestre dos Magos?” Riu baixo, seguindo a garota até onde a mala estava. “Mesmo? Boa sorte procurando isso, vai precisar.” Estava ficando um tanto irritado com aquela piadinhas sobre revistas, francamente, não era como se fosse o único garoto do mundo que já tivesse tido uma daquelas – e o pior de tudo era que nem ao menos conseguira uma boa olhada nelas antes de sua mãe tomá-las e nunca mais arriscara conseguir outras. “Deixe isso comigo.” Adiantou-se para recolher a mala, sinalizando para que Belle seguisse na frente. “Olhe para frente, Eca, assim vão notar que está 'turistando' sem nem ouvir seu sotaque.” Zombou, parando ao lado do carro para abrir o porta-malas e guardar a bagagem da garota. “'Tudo' vai ser o campus da faculdade, o parque perto de casa e a orla a noite, é tudo que o tour Lynch cobre nos fins de semana.” Acabara de fechar o porta-malas e preparava-se para destravar as portas quando a loira o deteve pelo braço.Franziu o cenho. Recebera o envelope há alguns dias, mas no comentara com ninguém exceto com a mãe. “O programa de intercâmbio?” Estava surpreso de não ser o único que recebera, pensara ter sido chamado só por sua bolsa de esportes. “Yeah, mas eu não sei o que acho disso.” Maneou a cabeça, gesticulando para que Belle entrasse no carro e fazendo o mesmo. “Não sei se poderia deixar minha mãe sozinha.” Deu a partida e saiu do estacionamento. “Você vai?”
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Bianca foi levada para o outro lado da rua em direção a garota que acenara. Ty soltou sua mão para cumprimentá-la devidamente e ele e “Julie tampinha” iniciaram uma conversa que, obviamente, não fazia grande sentindo para Bianca. Estava prestes a pigarrear para chamar a atenção do garoto ou apresentar-se por conta própria quando Ty pareceu se tocar de sua falta de modos. Apesar de achar que ele poderia ter omitido a parte do “lançadora de celulares”, sorriu para a garota ao estender a mão para cumprimentá-la. - Prazer, Julie. - Mas mal teve tempo de começar uma conversa com ela, ou se quer concordar com a “evolução” de Ty, e a garota já se afastava. Riu. - Então corra lá. Até mais, Julie! - Acenou, observando-a correr para longe.
O nome dele é mesmo Mickey, ou esse é só mais um dos seus apelidos criativos? - Perguntou, voltando a ser guiada por Ty. - Porque a única imagem que me vem a cabeça é do Mickey Mouse. - Tentou imaginar qualquer semelhança que o amigo do garoto poderia ter com o rato da Disney para acabar apelidado de Mickey, ou quão fãs seus pais deveriam ser do desenho animado no outro caso. - Meus amigos? Ah, não se preocupe, não são todos tão doidos assim por lá. - Riu. - Mas é verdade que tenho mais amigas, como você já deve ter presumido. - Conteve um suspiro. Seus irmãos sempre haviam sido insuportáveis com aquele assunto, dizendo que ela não precisava de nenhum amigo além deles dois, os primos, e um ou outro que acabavam aprovando. Felizmente, agora tudo seria diferente. - Minha melhor amiga é a Jessie, desde os 11 anos. Com certeza te apresentarei a ela. Tem também a Hellen, minha vizinha. A Katie e o Jonathan… Mas não tenho muito o que dizer sobre eles, você irá conhecê-los. - Deu de ombros. Eles caminharam mais uma quadra até que Bianca pudesse ver um espaço verde mais a frente. Ty dissera que era um jardim bom para se passear com Duke e também algo sobre uma paisagem bonita, mas o que grudara mesmo em sua cabeça fora a menção ao lugar com o melhor sorvete da cidade. - So… Vai ser parque primeiro e depois sorvete ou…?
“Na verdade o nome dele é David Michael, mas todo mundo já o chamava de Mickey, por causa das orelhas, quando o conheci. Mas normalmente eu o chamo de Jerry.” Continuou a andar, virando em uma esquina que os levaria mais rápido até o parque. “Ei, nada de usar esse tom de 'mas poderia ser diferente!', eu não ligaria se fossem amigos.” Disse com um dar de ombros. Okay, talvez ele preferisse que ela estivesse cercada de meninas à garotos, mas não era controlador a ponto de achar que ela não deveria ter nenhum amigo homem. Ele mesmo tinha vários amigos do sexo oposto, seria hipocrisia da sua parte tentar impedir Bianca de fazer o mesmo.
Lançou um olhar a garota após ouvir a pseudo explicação dela sobre suas amizades. “Como você consegue falar e não dizer nada ao mesmo tempo, Dora? Eu perguntei como seus amigos eram e você me deu uma lista de nomes...Está tentando encobrir os atos das suas amigas ativistas extremistas que jogam ovos e papel higiênico na casa dos ex-namorados?” Estava brincando, claro, mas de fato ficara um tanto confuso com o que ela dissera. Sabia que era difícil definir alguém em palavras, porém preferia ter algum tipo de dica para saber o que enfrentaria a seguir. No entanto os contornos verdes das “cercas” do parque já estavam a vista, e Ty não sabia quem estava mais ansioso para alcançar o lugar: Duke ou sua namorada doida por sorvete. “Parque e depois sorvete na...” Lembrou de repente de algo que lhe tinham dito. “Mas espera, sorvete não é seu favorito, fiquei sabendo. Então o que é? Talvez tenha aqui também.” Esperava ter soado apenas curioso, não contrariado por ter se equivocado, afinal era culpa dele que presumira sobre os gostos de Bianca, ela nunca lhe confirmara aquilo. Desviando o olhar da garota, encorajou Duke para que ele fosse brincar com os outros cachorros que já lhe eram conhecidos.
Adentrando o parque foram recebidos pelo mini labirinto de arbustos bem podados que havia ali, eram baixos o bastante para que ele pudesse ver o caminho a frente sem problemas. Era fim de verão então a maior parte das flores havia sumido, deixando só as mais resistentes para trás, entre elas o cultivo mais popular da cidade, as rosas. “Não temos tulipas aqui, mas temos dessas o ano todo.” Apontou para uma rosa amarela que estava a poucos centímetros de um agrupamento de brancas. “Só não tente pegá-las. Os vigias não ligam, mas até as mais bonitas são cheias de espinhos.”
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Isabelle tinha medo de avião, e enfrenta-lo seria mais uma forma de provar pra Tyler que o amava. Tinha pensado em ir de trem, porém Portland era do outro lado do país, aceitou então que teria que ir de avião, talvez se escolhesse uma poltrona do corredor poderia fingir que não estava a metros do chão. Depois de algum tempo tentando se concentrar em ler seu livro ao invés de se desesperar a cada tremida que o avião dava, finalmente chegara a cidade do amigo. Pegou sua bagagem e saiu as pressas. Estava animada para ver o amigo, conversavam todos os dias por telefone ou pelo computador, mas não era a mesma coisa que pessoalmente. Haviam marcado de se encontrar em frente ao McDonald’s do aeroporto, e Belle conseguia ver de uma pequena distancia o boné que ela sempre insistia para o melhor amigo tirar. Largou a mala ali mesmo e foi correndo até Ty, o abraçando e aproveitando para tirar o boné dele “Tantos meses desde que te falei para tirar isso e ainda continua usando esse troço?” brincou, embora estivesse sorrindo.
Sua mãe quisera vir, mas estava no meio do expediente, então ele prometera que traria a amiga e o carro de volta inteiros. Agora estava um tanto preocupado com a demora para anunciarem a chegada do voo, sabia que Isabelle não era lá muito fã de aviões e a viagem de Trembãolandia até Portland era de, no mínimo, seis horas. Quando por fim ouviu o aviso do voo e ele tentou avistar uma baixinha loira no meio do grande fluxo de pessoas. Não foi preciso muito esforço, pois logo via o vulto correndo em sua direção para o abraçar. “Sup, Astrid?” Riu, segurando-a de modo a tirara do chão por um momento. “Esse troço nada, você mesma me deu um e vive tentando roubar os outros.” pegou o boné de volta. Sorriu para a amiga, estava com saudades dela e era bom saber que a teria para encher-lhe a paciência nos próximos dias. “Mas cadê sua mala, pintora de rodapé? Não me diga que veio para cá sem seu He-Man de bolso...” Olhou por sobre o ombro dela. “E vamos logo porque mamãe não está em casa, o que significa que podemos comer todas as porcarias que acharmos lá sem que ela ache que vamos ter um colapso.”
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Bianca estava mesmo achando tudo aquilo muito engraçado, mas se conteve ao perceber que já rira demais. Ty deveria estar com vontade de se esconder debaixo da mesa àquele ponto, pois só com o canto dos olhos ela já podia ver suas bochechas vermelhas. Ouvir Sylvia comentar sobre possíveis encontros as escuras para o filho também a fez pensar em seus pais, cada vez mais preocupados por ela nunca ter arranjado um namorado - até agora. Eles muito provavelmente teriam pensado em marcar encontros para ela também, apesar de não as escuras, para ver se finalmente desencalhava. Reservou alguns segundos do almoço para orar pedindo que os pais não inventassem de agradecer a Tyler por tê-la salvo de ficar para titia, ou já podia ver suas bochechas queimando tanto quanto as do garoto queimavam agora.
Terminou de almoçar e agradeceu a Sra. Lynch pela comida, que estivera realmente muito boa. - Ele fica mesmo uma fofura. - Concordou, sorrindo para Ty e levantando-se em seguida. Saiu da cozinha bastante animada não só por poder passear um pouco lá fora, como também com o fato de que veria fotos do namorado bebê quando voltasse, o que sem dúvida renderia uma nova sessão risadas e fofura. Ela estava adorando aquela viagem. - Ah, qual é, ela não te desmoralizou… Tanto assim. - Riu, mas estava mesmo contente por saber que não precisava ter ciúmes de ninguém ali, até porque não era um sentimento fácil de lidar. - Okay. Ei, Duke, vem cá, garoto. - Bateu nas pernas para chamar o cachorro e passou a mão em sua cabeça quando ele se aproximou. - Vai colocar uma coleira nele ou ele é um menino comportado que não precisa dessas coisas? - Perguntou, esperando Ty responder antes de levar Duke consigo para fora do apartamento.
O bairro de Ty era bastante tranquilo, assim como o seu em Quebec, o que a fazia se sentir mais a vontade, quase como se todas aquelas árvores ou as pequenas lojas lhe fossem de fato familiares. Ou talvez fosse apenas a presença de Ty ao seu lado e Duke se divertindo entre eles que a tranquilizava. Foi só quando outras pessoas começaram a cruzar com eles na calçada que Bianca começou a ficar um pouco inquieta, apertando a mão do garoto. Sabia que muitos ali deveriam conhecê-lo e se perguntava o que pensariam quando o vissem de mãos dadas com uma completa estranha. Provavelmente teria de passar por um novo processo de “agrade os conhecidos do Ty”. Não que fosse um grande problema. A não ser, é claro, que muitas meninas começassem a surgir e… Mal pode concluir o pensamento, do outro lado da rua, uma garota pareceu reconhecer Ty, parando de andar e acenando para ele. - Ahn… - Bianca chamou a atenção do namorado distraído puxando levemente sua mão. - Acho que tem alguém te chamando ali.
“Duke aqui já é velho e esperto demais para correr atrás de gatos.” Abriu a porta para que seus acompanhantes passassem e saiu do apartamento. O dia estava claro, mas nem de longe tão quente como era normal no verão de Potland, não havia tanta gente na rua ainda, mas mesmo assim ele avistou alguns rostos familiares. Andava distraído, acenando de vez em quando para um ou outro conhecido. Estranhou quando sentiu o aperto da mão de Bianca na sua aumentar conforme andavam e lançou um olhar discreto a ela, pensando se a umidade da cidade não a estava incomodando ou se ela apenas estava inquieta por conta de estar em território desconhecido. “Mesmo você sendo uma criatura maléfica que confraterniza com a minha mãe maligna, ainda assim vou te mostrar onde tem o melhor sorvete da cidade, então pode se acalmar.” Brincou, esperando deixá-la mais confortável.
Duke parou para fuçar a raiz de uma árvore e Ty se concentrava em dissuadir o cão, quando a voz da namorada o chamou. “O que?” Virou-se para enxergar a que ela se referia e foi quando viu uma menina loira acenando para eles. Deixou um riso leve escapar e apressou-se a puxar a namorada e Duke até onde a menina estava. “Julie tampinha!” Soltou Bianca para abraçar a amiga rapidamente. “Pensei que você e Mickey ainda não estivessem aqui...” A garota negou com a cabeça. “Voltamos mais cedo, Oklahoma já estava um gelo!” Tyler estava prestes a perguntar onde seu outro amigo, Mickey, estava quando percebeu seu lapso. “Oops, estou sendo mal educado aqui. Desculpem!” Deu um sorriso de desculpas, voltando-se para olhar para Bianca e gentilmente empurrá-la para frente de si. “Biru, essa é a Julie, neta da Sra. Flemming da padaria, ela e Mickey são os melhores jogadores de Halo da vizinhança. Depois de mim, claro. Julie, essa é Bianca. Pintora, lançadora de celulares, rainha da neve e minha namorada nas horas livres.” Esperou que as garotas se cumprimentassem. “Hey! Prazer em conhecê-la! Pensei que o Tyler voltaria do acampamento com um monte de bugigangas, não uma namorada. Mas acho que ele está evoluindo...” Julie era um tipo animado e falante, vivia há dois quarteirões dali e ela e o namorado faziam companhia a Tyler nos fins de semana. Porém, ela mal começara a falar e parara abruptamente. “Ei, o que foi?” Ela acenou começando a andar de costas. “Esqueci de ir buscar o fermento da vovó, ela vai me matar. Vejo vocês depois!”
Ty não pode deixar de rir. “Como vê, eu só tenho amigos normais. Eu te apresentaria o Mickey, mas temos que correr ou não vai ver o melhor da paisagem.” Voltou a agarrar a mão da garota, começando a andar. “E sabe o que seria legal? Me contar dos seus amigos, você nunca fala deles e começo a achar que são um bando de feministas que vão me bater com cartazes.”